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⚽️ Futebol 📊 Análise 🗣️ Opinião 📚 Analisando o jogo com profundidade 🎓 Analista de Desempenho pela ATFA 🎤 Comentarista no Canal GOAT

Sep 23, 2020, 23 tweets

Os fatores extracampo criaram uma atmosfera complicada para o Flamengo. A semana foi intensa. Contra um adversário fraco, teve 30 minutos de amplo domínio, controle e superioridade, mas outros 60' bem complicados. Vamos de fio sobre o jogo.

O Flamengo colecionou desfalques. 7 jogadores fora por COVID, 3 machucados e 1 suspenso. Um time inteiro fora de combate. Dome levou a campo o que tinha de melhor. Juntou quem sobrou. E a verdade é que graças ao excelente elenco, os 11 iniciais ainda foram de muita qualidade.

Dome voltou ao 4-2-3-1 com T. Maia e Arão como dupla de volantes, É. Ribeiro, Arrascaeta e Gérson no trio de meias, sendo o último mais aberto pela esquerda e Pedro no comando do ataque. Na linha de defesa, a dúvida era na lateral-direita.

Com Matheuzinho e Isla fora, a improvisação era inevitável. A questão: quem improvisar? Deslocar Renê para a direita e iniciar o jogo com Ramon era uma opção. Dome preferiu mexer em menos posições e deixou Renê na esquerda, colocando Thuler na lateral.

Fabian Bustos também trouxe o Barcelona-EQU no 4-2-3-1, com laterais um pouco mais ofensivos, com Damian Diaz sendo o organizador do time no meio-campo e Cristian Colmán como único atacante.

O jogo inicia com amplo domínio rubro-negro. A troca de passes era limpa, fluida e mesmo sem muita amplitude o time conseguia escapar da marcação do Barcelona com certa facilidade.

O lado esquerdo com Renê, Gérson e Arrascaeta flutuando no setor era o lado forte do Flamengo e por onde o jogo fluía melhor. Na direita, É. Ribeira acabava ficando sem tanto apoio já que Thuler jogou bem preso, sem subir muito.

E o primeiro gol do Fla passa justamente por esse triângulo do setor esquerdo. Renê lança para Arrascaeta, que apara a bola para Gerson e, nesse momento, já dá pra ver a defesa equatoriana bem desarrumada. A subida do lateral gera uma tentativa de compensação dos zagueiros.

Com os zagueiros marcando individualmente Pedro e Arrasca, gera um buraco enorme entre Riveros e Vallecilla. A movimentação de Arrascaeta se mantendo por fora, segura um dos zagueiros e Pedro ataca esse buraco, segurando a passada e se distanciando de Riveros.

A fragilidade defensiva do Barcelona-EQU era evidente. A marcação pressão alta era falha e pouco intensa, os espaços no meio existiam e a perda de referência na linha de defesa acontecia com facilidade.

Faltava ao Fla um pouco mais de ataque à profundidade, já que tinha muitos meias associativos em campo e poucos jogadores de ataque ao espaço. O meia que mais conseguiu fazer isso foi Arrascaeta. E numa dessas jogadas sai o 2º gol.

Pedro desce pra fazer o pivô, arrasta a marcação de Riveros, Dario Aimar tenta compensar e deixa espaço livre às suas costas, que Arrascaeta aproveita. Mais uma boa trama do ataque do Fla se movimentando, deslocando os defensores adversários e com troca de passes bem objetiva.

Só que após o segundo gol o ritmo do Flamengo caiu. O time relaxou e os espaços, sobretudo na linha de meio-campo, começaram a aparecer. O Barcelona passou a ter mais a bola e ocupar o campo ofensivo, mesmo sem levar muito perigo à meta de César.

Na volta do intervalo o ritmo do Fla continuou baixo e o 2T iniciou da mesma forma que terminou o 1T. Com 2’, o Barcelona diminui o placar e dois fatores chamam atenção no gol sofrido pelo rubro-negro.

O primeiro deles é a falta de pressão ao portador da bola na origem do lançamento. Repare que há 3 jogadores próximos ao portador e ninguém diminui o espaço. Arroyo teve valiosos 3 segundos completamente livres para dominar, ajeitar e lançar a bola sem qualquer tipo de obstáculo.

O segundo, o desalinhamento da linha defensiva. Se Thuler e Rodrigo Caio se aproximaram do setor da bola, tentando diminuir o espaço, Léo Pereira e Renê optaram por ficar alguns metros atrás. O desalinhamento da linha é claro e o controle de profundidade totalmente comprometido.

Na marcação por zona, ou a linha toda sobe ou a linha toda permanece baixa. O bloco tem que andar em conjunto. Esses lançamentos em profundidade são controlados ou por linha de impedimento, no caso da linha alta, ou baixando as linhas e tirando o espaço pro atacante correr.

Com 10’, Bustos faz duas substituições e passa a jogar num 4-4-2, deixando os dois zagueiros do Flamengo no mano a mano com os atacantes.

O tempo ia passando e o cansaço físico dos jogadores do Flamengo era cada vez mais evidente. A recomposição defensiva volta a ser um problema. O time voltou a ter dois blocos em campo: um que ataca e outro que defende.

Na marcação, Arão e T. Maia se juntavam ao sistema defensivo que marcava num 4x2, já que os meias Gérson e ER7 simplesmente não tinham fôlego para recompor. Com isso, o jogo tomava contornos dramáticos.

O banco de reservas era recheado de meninos da base e, com exceção de Lincoln e Ramon, Dome preferiu não os colocar em campo. Mesmo com a intensidade do time caindo e os jogadores pregados, Dome preferia exaurir até a última gota de suor os jogadores do elenco profissional.

As escapadas de Gérson pela esquerda deixavam claro que os jogadores do Fla queriam mais é que o jogo acabasse logo mesmo. Leva a bola pro ataque e segura a posse até onde aguentar. No corpo, na marra. E assim o Fla conseguiu levar o jogo até o fim.

Diante de todos os fatores extracampo precedentes a partida, a vitória pode ser considerada heroica e de muita superação. E era só a vitória mesmo que importava. Ainda com a ressalva de que o adversário era de nível bem baixo, o elenco sai fortalecido. Dome sai fortalecido.

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