Roberto Motta Profile picture
Engenheiro. Autor de 5 livros. Comentarista da @JovemPanNews. Ex-consultor do Banco Mundial e ex-Secretário de Estado. Pai. Instagram: @robertomottaoficial

Sep 23, 2020, 14 tweets

O Brasil não é o país do carnaval, do samba ou do futebol. O Brasil é o país do crime. Chegamos a ter 63 mil pessoas assassinadas em um ano e outras 70 mil feridas e traumatizadas para sempre. Só nas capitais, todos os anos, são registrados quase 2 milhões de assaltos.

A impunidade é a regra. O bandido que coloca uma arma na sua cabeça, se preso e condenado (o que só acontece em 2% dos casos), fica pouco mais de um ano atrás das grades antes de “progredir” para o regime semiaberto.

Um homicida com menos de 18 anos – chamado de “menor infrator” ou “adolescente em conflito com a lei” – fica “internado para o cumprimento de medidas socioeducativas” em média, no Rio de Janeiro, apenas 8 meses.

Um homicida.

Uma juíza de Santa Catarina soltou, em uma “audiência de custódia” – um mecanismo ideológico de proteção a criminosos – um bandido preso em flagrante com fuzil e munição porque, segundo a juíza, ele “não representava ameaça”. Não é piada. É fato rotineiro em todo o país.

Nas nossas cidades tudo é permitido, do roubo de carga à venda de mercadorias roubadas, da ocupação das calçadas à ocupação de propriedades privadas por “sem teto”. Vivemos em um regime de anarquia imposto pelo crime organizado, pela corrupção e pela incompetência do Estado.

A ideologia da bandidolatria nos convenceu de que o criminoso é um “pobre coitado” que “não teve oportunidades” e por isso esfaqueia, estupra e mata.

Os pedintes profissionais, usuários de droga, fugitivos da lei e doentes psiquiátricos que ocupam as calçadas são “população em situação de rua”, e não podem ser removidos contra a sua vontade, ainda que tenham montado acampamento e usem drogas em frente à porta de nossas casas.

Eu passo com minha filha pequena em frente a um casal sentado em um colchão na calçada. Eles acendem um cachimbo de crack. São 11:00 da manhã de um sábado. Aconteceu na minha esquina, em Copacabana.

A crise de crime do Brasil é fruto do casamento da ideologia com a incompetência administrativa. A ideologia glorifica o criminoso ou o trata como um pobre ingênuo, e demoniza a polícia e a lei.

A incompetência administrativa retira do nosso sistema de justiça criminal – polícias, Ministério Público, Judiciário e sistema prisional – a capacidade de reagir ao crime cada vez mais organizado, sofisticado e violento.

Mas isso começa a mudar. Sou parte dessa mudança. Sou parte de um grupo de cidadãos que nunca aceitou um país em decomposição.

Livres da cegueira ideológica, enxergamos o criminoso como ele realmente é: um indivíduo consciente de seus atos, que tomou a decisão de violar a lei, ferir ou matar em busca de riqueza, poder ou satisfação sexual.

Em uma democracia o lugar desse indivíduo é na cadeia, por tempo suficiente para que deixe de representar uma ameaça aos cidadãos de bem.

Está na hora de retomar a nação das mãos dos criminosos. O caminho é claro: reformar a legislação penal, valorizar, proteger e restruturar as polícias e recuperar o controle do sistema prisional.

E é isso que começa a acontecer no Brasil.

Um novo tempo está apenas começando.

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