(AJS) Batata Amaral PhD, DSc, MSc, MSc, MSc, MBA Profile picture
liberdade de expressão mas só pra quem concorda com a gente

Sep 23, 2020, 17 tweets

Veganismo e ASSASSINATO de animais (!!!)

Cabe às pessoas adultas e sãs adotarem, ou não, restrições dietéticas: e elas são comuns a diversas religiões. E não é de hoje que paranoias dietéticas são vistas com um viés ético (majoritariamente IMAGINADO), como provam os religiosos.

É fácil encontrar literatura que se pretende muito séria de por que a prescrição halal é um pináculo moral, ou a kosher, ou o veganismo jainita — e de fato toda religião sustentará bastante bem a ALEGADA ética superior atrelada a suas recomendações dietéticas.

E há vários motivos "não religiosos" para alguém escolher ser vegan, muitos deles envolvem déficit cognitivo e/ou necessidade extrema de sinalizar pretensas virtudes — isso aqui foi mais provocação do que sério, entretanto... como dizem? há um fundinho de verdade :p

Mas a baboseira pretensamente ética do veganismo que se diz secular (há controvérsias de que seja, de fato, secular) é baseada na HIPÓTESE de que o vegan não é culpado de "violência ou assassinato" contra animais.

Esta hipótese é FALSA !

A alimentação vegana frequentemente requer um número maior de animais mortos (ou de alguma forma violentados) do que o consumo, por exemplo, de boi brasileiro ou argentino, de criação extensiva.

É bastante óbvio que ao comer uma bela picanha matou-se um boi. Então se alega que o comedor de picanha é indiretamente um assassino de boi. E alegremente a maioria dos comedores de picanha sequer tentaria questionar esta afirmação (dependendo do ponto da carne, no entanto :p ).

Entretanto o comedor de proteína de soja se engana muito, se é que não mente, ao dizer que bicho algum morreu ou foi violentado para ele degustar aquela refeição. Ocorre que, com frequência, mais bichos morrem pra haver proteína de soja do que pra haver picanha.

Considere a criação extensiva de boi. Bois convivem bem com praticamente qualquer inseto, com a maioria dos roedores (e predadores dos roedores) e dependendo do caso, pode conviver com outros grandes herbívoros locais, como capivaras.

Em uma área muito produtiva, pode-se criar boi sem precisar dar conta de eliminar quaisquer animais locais. Os grandes predadores locais (jaguar e jacarés de grande porte) já não nutrem tamanho interesse em bois, mas vá lá, em geral eles pagam o pato e são expulsos ou mortos.

Plante-se milho, soja ou até alface na exata mesma área. TODAS as plantas e animais tem de ser removidos. O solo tem de ser tratado para atender às necessidades do cultivo. E para haver colheita, toda planta ou animal tem de ser continuamente expulso ou morto da área cultivada.

É meio óbvio que o cultivo de cereais e horticultura não convive bem com herbívoros, que tem de ser expulsos ou mortos — de maneira contínua. Isso inclui uma infinidade de insetos, roedores, cervos, pássaros: todos expulsos ou mortos. E seus predadores.

É possível criar gado de maneira extensiva quase sem alterar o ambiente, mantendo níveis tróficos intactos ou até atrair determinados bichos. Os insetos que se aproveitam da bosta do boi atraem pássaros, e os pássaros atraem predadores de pássaros.

É o exato oposto o que ocorre com cultivo intensivo de cereais e hortaliças. Os insetos predadores das plantas são exterminados, e os pássaros e outros bichos que predavam tais insetos são expulsos ou morrem de fome. Pássaros que possam comer o cultivo são expulsos ou mortos...

... bem como quaisquer roedores, cervos, etc.

A questão é que produzir alimento é exercer domínio territorial para fins de nutrição humana, e isso envolve desalojar plantas e animais e/ou exterminá-los. Qualquer alimento.

Mas a ironia é que a biomassa assassinada para a produção da picanha não vai muito além do próprio boi, no caso de produção extensiva em área bastante produtiva. Já a biomassa assassinada ou desalojada para a produção de cereais e hortaliças é bem maior do que a do boi.

Níveis tróficos inteiros são dizimados em cultivo intensivo de cereais e hortaliças. Por vezes há somente milho/soja/sorgo/trigo por milhares de km² e praticamente nada de cadeia alimentar no local.

A pretensa "superioridade ética" do vegan chatinho que "não maltrata nem mata animais" é resultado de ignorância ou cinismo.

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