Arlindo Souza Profile picture
Analista de Acoes 🇧🇷💡🛢🚰🚢, TC Matrix. Mestre em Contabilidade. Fui professor/pesquisador do DCC UFRN. CNPI. Yamaha XT 660Z Ténéré

Sep 26, 2020, 25 tweets

1/24 - Como eu analiso uma empresa (demora um bocado). Com o lançamento do TC Matrix do @tradersclubbr, esse processo será bastante otimizado.

2 - Qual o objetivo desta ação em minha carteira?
Antes de tudo, a ação deve ter um objetivo na carteira, seja o recebimento de dividendos, crescimento ou exposição a um setor em específico. Lembrando que a empresa é uma sociedade, então é importante conhecer o estatuto social.

3 - Modelo de negócios
É necessário entender como a empresa gera caixa. Faço uma pesquisa no site de RI da companhia e procuro entender como ela está inserida em seu setor. Algumas empresas são bastante transparentes na divulgação, gerando uma sensação de confiança.

4 - Riscos
Mesmo conhecendo o setor e as atividades da cia, é interessante analisar esta seção do formulário de referência, onde é exposto alguns fatores de risco que a empresa está exposta.

5 - Governança
Mais importante do que os lucros, governança não é só observar o segmento de listagem. Primeiro analiso o quadro societário para ver quem serão meus sócios, especialmente o majoritário.

6 - Além disso, é preciso ver se a empresa pratica a governança corporativa, pesquisando sobre acontecimentos recentes.

7 - Demonstrações contábeis
Aqui é dedicado bastante tempo. O primeiro ponto que observo é o relatório de auditoria: existem ressalvas? se sim, qual a posição da administração? é uma ressalva recorrente? obs: tenho os dois pés atrás com as métricas “ajustadas”.

8 - Como contador/pesquisador, analiso as escolhas contábeis feitas pela empresa na mensuração, reconhecimento e divulgação de determinados itens, como escolha entre custo x valor justo, ou possíveis lançamentos feitos de forma oportunística (em especial provisões x reversões).

9 - Ativos geradores de caixa
Após isso, caminho para o balanço patrimonial. Procuro ver como está a evolução da posição financeira da cia no decorrer do tempo, como variações no caixa, no PL, nas dívidas etc. Além disso, foco em quem são os ativos geradores de caixa da empresa:

10 - É uma indústria? alto imobilizado, necessidade de reinvestimento em maquinário e manutenção do existente. Risco de ociosidade etc.

11 - É uma financeira? qualidade da carteira de crédito, qual o perfil da carteira? está concentrada em PF’s, PJ’s, algum setor específico? qual o perfil de risco que a empresa costuma assumir.

12 - Presta serviços? Seu principal ativo não está no balanço, pois é a mente das pessoas. Aqui, deve-se focar nas políticas de RH praticadas pela empresa. Eles também são sócios do negócio, reduzindo assim conflitos de interesse? retenção de talentos, reconhecimento?

13 -É uma Holding? quem são as subsidiárias? sua geração de caixa advém dos investimentos, logo, a avaliação também envolverá (pelo menos em parte) as empresas em que a holding investe.

14 - Liquidez
O quão confortável está a liquidez da empresa? uso os índices de liquidez corrente, imediata e seca. Qual o grau de alavancagem (Dívida/PL). Qual o prazo de pagamento olho o perfil da dívida, se em moeda estrangeira, está protegida por algum tipo de derivativo?

15 - Rentabilidade e lucratividade
O ROE, ROA e ROIC além das margens são essenciais, mas é preciso decompor estes indicadores. Movimentos atípicos nos mercados, nas taxas de juros, nos preços das commodities e outros eventos podem afastar qualquer indicador da “normalidade”.

16 - E claro, a empresa pode ainda estar desenvolvendo os seus negócios, então retornos baixos não necessariamente indicam que o negócio é ruim, ele pode estar sendo desenvolvido, ou a empresa está passando por mudanças internas.

17 - Concentração nas operações
Na DRE, costumo atentar para a fonte de receita da empresa, se existe a concentração com algum cliente, como são os contratos de receita (reajustados pela inflação, indexados ao dólar etc)

18 - Além disso, importante ver o que é relevante na formação dos custos e despesas da empresa, se for exportadora/importadora, como é sua política de hedge.

19 - Distribuição dos lucros
Como está a distribuição dos lucros. Se a empresa está em fase de expansão/recuperação, está retendo seus lucros de forma adequada?

20 - Se a empresa tem DY alto, está pagando com caixa operacional, ou está vendendo seus ativos e contraindo dívidas? Essa análise é feita olhando a DFC e a DMPL.

21 - Avaliação
Passadas as análises acima, a etapa 2 é achar um intervalo de “valor justo”. Claro que o mais completo é o DCF, mas vai demorar um pouco a sua modelagem. Se adequado, o uso de múltiplos já facilita bastante.

22 - O preço em tela é plausível?
Foco na distância entre o preço e o que considero o valor justo da ação. Conforme Graham e Dodd em “Security Analysis” quanto maior essa distância, maior a margem para compensar desde erros na modelagem, eventos macroeconômicos até a “má sorte”

23 - “Mas a ação não anda”
Como não anda? os negócios estão paralisados? não está vendendo nada? a empresa vai encerrar as atividades? Lembre-se que, por trás do preço em tela existe um negócio complexo que está em funcionamento.

24 - Funcionários estão trabalhando, investimentos estão sendo feitos e as atividades da cia estão se desenvolvendo diariamente.

25 - O preço é importantíssimo, mas ele é o resultado do “consenso” entre a oferta e a demanda do mercado naquele momento, não seja refém de suas oscilações.

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