#SegundaOnda, existe? esta acontecendo? Vai ser pior que a primeira?
Não existe uma definição objetiva para #SegundaOnda, mas é algo que pode ser definido visualmente.
De forma simplista, #SegundaOnda seria um aumento de casos após um controle inicial da epidemia.
O conceito de ondas vem da pandemia da Russia em 1889-92.
01/1890: primeira onda, durou 3 semanas
05/1891: segunda onda, durou 8 semanas e foi mais letal.
01/1892: terceira onda, durou 8 semanas, também mais letal.
1893: quarta onda.
sciencedirect.com/science/articl…
Muito mais clássica e conhecida, a gripe espanhola tem 3 ondas com a segunda onda muito mais letal que a primeira.
wwwnc.cdc.gov/eid/article/12…
Na pandemia de H1N1 em 2009 vários paises também tiveram duas ondas, alguns com a segunda muito pior que a primeira, como o Canadá.
cmaj.ca/content/182/18…
Por que temos várias ondas? Apesar de incerto, existem algumas teorias:
1. Mudança na estrutura da comunidade:
Exemplo, reduz no verão porque fecham as escolas e reduz trabalho, volta quando abrem.
Redução do distanciamento leva a aumento de casos.
journals.plos.org/plosone/articl…
2. Duas subpopulações:
Cada população tem um surto separado, como analisando o Brasil, um primeiro pico no norte e um segundo pico no sul. Mesmo padrão visto nos EUA.
Pode acontecer em dois grupos na mesa cidade se interação restrita entre os grupos.
3. Mutação do virus:
Não parece ser importante na COVID-19 no momento, mas se houver mutação o vírus pode voltar a infectar casos prévios.
4. Imunidade temporária:
Se a imunidade é temporária o vírus pode reinfectar após algum tempo (1 ano, por exemplo). Ainda não parece algo importante na COVID-19, mas como a duração é incerta pode ser um problema nos próximos meses ou anos.
5. Sazonalidade:
O transmissão do vírus pode ser mais intensa em uma epoca do ano (inverno, por exemplo). Passado o inverno a transmissão desacelera, mas pode acelerar no próximo inverno.
Apesar de incerta, algumas coisas indicam sazonalidade da COVID-19:
1. Primeira onda no inverno europeu.
2. Distribuição de maior intensidade no Brasil respeitando sazonalidade (norte sul)
3. Picos na Africa do Sul e India idem
4. Segunda onda na Australia e HK idem.
A sazonalidade pode ser causada por ao menos dois aspectos diferentes:
I. Comportamento humano:
ficar em locais mais fechados, menos ventilados e mais aglomerados no frio (ou calor excessivo de verão nos EUA ou oriente médio).
ascpt.onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.11…
II. Ambiental:
temperatura, humidade, poluição podem influenciar a transmissão e sobrevida do virus em goticulas.
Lembrem de frigoríficos como ambientes superdisseminadores.
link.springer.com/article/10.100…
Vai ter segunda onda de COVID-19? Onde? Vai ser intensa?
Nesta revisão de abril os autores concluem:
"Making absolute statements of certainty about ‘ second waves’ is unwise, given the current substantial uncertainties and novelty of the evidence."
cebm.net/covid-19/covid…
Pricipais dúvidas:
1. Pandemias prévias foram influenza, não coronarivus.
2. Coronavirus prévios ou são sazonais (229E, NL63, OC43,
HKU1 ou..
3. Causaram um surto e desapareceram (MERS e SARS1)
Ainda, a evolução futura da COVID-19 depende da duração da imunidade adquirida e de possivel imunidade cruzada com outros coronavirus.
Este estudo entra em detalhes considerando sazonalidade, duração de imunidade e imunidade cruzada
science.sciencemag.org/content/368/64…
Este estudo foi publicado em maio e considera muitas incertezas, seguem as projeções e o que aconteceu
1. A transmissão do SARS-CoV-2 ocorre mesmo fora do pico sazonal.
>> Confirmado em várias regiões do mundo.
2. O impacto da sazonalidade deve ser diferente em cada região (queda de 40% em NY mas 20% na Fl)
>> Provável visto sul dos EUA tiveram segunda onda fora da sazonalidade muito maiores que no norte dos EUA.
3. Se a imunidade não form permanente COVID-19 terá picos anuais, bianuais ou menos frequentes no futuro.
>> a confirmar.
4. Se o componente sazonal for mais intenso a primeira onda será mais leve e as outras mais intensas.
>> A confirmar.
Aqui eu extendo para sugerir que primeira onda no pico sazonal fica mais aguda que quando o inicio é fora do pico sazonal (Manaus vs. SP, por exemplo).
5. Dependendo do grau de imunidade cruzada o novo reaparecimento pode demorar 3 anos ou mais.
>> incerto, a confirmar no longo prazo
Como o artigo original é bem complicado, este texto da nature apresenta muito dos achados de forma mais simples:
nature.com/articles/d4158…
Concluindo, ainda não da para ter certeza sobre próximas ondas e impacto de sazonalidade, mas é provável que:
1. Exista sazonalidade;
2. Que seu impacto dependa da região (maior no S que N do BR, por exemplo;
3. Primeira onda intensa associa-se a segunda onda menos intensa;
4. Que as reaberturas levem a aumentos graduais e não explosivos no número de casos.
5. Que a imunidade não será definitiva.
6. Que ocorram novas ondas recorrentes ou que o virus se torne endemico (sazonal ou não).
Talvez a pergunta mais importante nem seja se vamos ter #SegundaOnda, mas se estamos preparados para a evolução da pandemia.
“Rather than say, ‘A second wave,’ why don’t we say, ‘Are we prepared for the challenge of the fall and the winter?’ Anthony Fauci
O que e como faremos quando/se voltar a ficar intenso? Qual o plano?
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