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⚽️ Futebol 📊 Análise 🗣️ Opinião 📚 Analisando o jogo com profundidade 🎓 Analista de Desempenho pela ATFA 🎤 Comentarista no Canal GOAT

Sep 28, 2020, 20 tweets

O jogo começou muito antes do juiz apitar. O circo da cartolagem foi criado. O contexto afetou e muito o campo. Ainda assim, podemos tirar algumas ponderações táticas da partida. Quem esperava ver protagonismo do Palmeiras, acabou vendo algo bem diferente. Vamos de fio.

O catadão de garotos do Flamengo foi a campo no 4-2-3-1 já padrão de Domènec. Gérson e T. Maia como volantes, Arrascaeta com muita liberdade na meia central e Pedro como único atacante traziam a única dose de experiência para um Fla praticamente todo sub-20.

A responsabilidade claramente era toda dos donos da casa. O Palmeiras veio completo, sem desfalques. Luxa entrou num 4-4-2 em losango. No meio-campo: Patrick de Paula na base, Zé Rafael e Lucas Lima nos lados e G. Menino como meia mais avançado.

A estratégia do Fla era clara: jogar desde o primeiro minuto com linhas mais baixas que o normal. E por dois motivos: 1) não havia entrosamento para tentar subir uma pressão que muito provavelmente geraria descompactação e 2) contra o Palmeiras a estratégia era perfeita.

Isso porque o time de Luxa vem demonstrando pobreza ofensiva muito grande, principalmente contra times que se defendem em bloco recuado. Não há penetração, movimentação combinada, desmarque... não há mecanismos ofensivos que gerem desestabilização do sistema defensivo adversário.

O Fla deixava a bola para um Palmeiras que não sabia bem o que fazer com ela. A troca de passes era lenta e sem agressividade. Quem esperava ver um Palmeiras imperativo, viu um time sem ideias e apelando para o chuveirinho e chutes de longa distância.

13 das 17 finalizações do Palmeiras foram de fora da área. 76% dos chutes foram desferidos de mais de 20 m de distância da baliza. Isso mostra o tamanho da falta de criatividade do time paulista.

O Flamengo organizava melhor suas ações ofensivas e tinha tarde inspirada de Arrascaeta. Toda construção ofensiva passava pelos pés do uruguaio que incorporou a braçadeira de capitão e entendeu o tamanho da responsabilidade. Foi disparado quem mais tocou na bola pelo Fla.

Conectando principalmente Lincoln, que jogara fora de posição aberto pelo lado esquerdo, o Fla conseguia conectar algumas boas tramas ofensivas. Inclusive, as duas melhores oportunidades do 1T foram para o rubro-negro.

Com o Palmeiras sem conseguir se impor na partida, vimos a garotada do Flamengo cheia de personalidade. Foram 16 dribles certos em 19 tentados, sendo mais da metade realizados por Guilherme Bala (5), Lincoln (3) e Ramon (2).

Mesmo assim, quem abriu o placar foi o Palmeiras. Mas com tamanha dificuldade, não havia outra saída a não ser depender de um dos fatores mais fundamentais no futebol: a sorte. Patrick de Paula chuta de fora da área, a bola desvia na zaga do Fla e mata o goleiro Hugo.

Com a vantagem no placar, o Palmeiras de Luxa imediatamente recuou. Típico futebol brasileiro. Mas durou pouco. Na primeira posse do Fla após o gol, Pedro se posiciona bem, ataca o espaço entre Felipe Melo e Marcos Rocha, recebe o cruzamento de Arrascaeta e empata a partida.

A forma como os gols saíram é muito representativa. O time sem imaginação dependeu da sorte. O time com mecanismos ofensivos mais consistentes construiu com mais qualidade.

Se mostrarmos os gols à um desavisado e perguntarmos qual time tinha 22 desfalques, a resposta provavelmente seria “o time de verde”.

Luxemburgo muda o esquema, vai para o 4-2-3-1 e tenta aproveitar a velocidade de Rony e William Bigode pelos lados do campo. Rafael Veiga até melhora um pouco a dinâmica ofensiva alviverde, mas a dificuldade para criar situações de gol ainda era grande.

E o segundo gol esteve mais perto do Flamengo do que do Palmeiras. Na melhor chance, o Fla recupera um chutão adversário, inicia a construção pela direita, inverte para a esquerda no terço final à procura de espaços e após trocar 12 passes, Arrascaeta quase faz um lindo gol.

No final das contas, o Palmeiras mostra o quão pobre são suas ideias no momento ofensivo. Apenas se defender bem é muito pouco para o elenco que Luxemburgo tem na mão. Patrick de Paula não pode ser a única cabeça pensante num meio campo recheado de bons valores individuais.

Para o Flamengo, fica a antítese entre o intra e o extracampo. Se a diretoria trilha um caminho cada vez mais vergonhoso nos bastidores, os jogadores que entraram em campo mostraram muita personalidade.

Perante às circunstâncias pré-jogo, o empate pode ser considerado heroico e improvável, mas a verdade é que acabou ficando com gostinho de quero mais.

O destaque individual fica para o onipresente, onisciente e onipotente Giorgian De Arrascaeta. Participou de todas as ações ofensivas do Fla. Foram 68 ações com bola, 3 passes decisivos, 6 dribles certos de 6 tentados e 11 de 13 duelos físicos vencidos. Um recital do uruguaio.

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