Eu tenho minhas dúvidas, mas preciso ler o livro. Por que?
Porque acredito que indústrias culturais massivas são indisputáveis. Televisão, cinema, música, quanto mais se afunilam em marcas e conglomerados, parece que menos margem de manobra para o trabalho criativo surge.
No caso dos games, contudo, tem algo que me chama atenção. Os desenvolvedores por vezes se chamam (ou são chamados, não sei) de artistas. E isso é a defesa de um trabalho artesanal, no seu sentido pré-capitalista.
Esse trabalho artesanal é, ou deveria ser, uma bandeira dos socialistas. De que o trabalho possa ter seu tempo de realização e que ele valha justamente pelo tempo do artesão. Retomar algo que está em sociedades ancestrais, que o tempo do trabalho é o tempo do esmero, da busca...
...por um ideal de sublime, isso sim, é um fator crucial de uma sociedade que pense suas noções de tempo de forma diferenciada, conectada não com as demandas sociais de um "eu-consumidor", mas sim de um "eu-artista".
Sei que tem muita coisa independente nos games...
(assim como no cinema, na música, nas artes no geral) que pode ser enquadrado nisso. Eu gosto dessa discussão, acho que é por aí mesmo o caminho.
Mas talvez, para poder transformar o campo dos jogos eletrônicos em espaço para o socialismo se reelaborar, temos que pensar em...
...implodir a ideia de indústria cultural pelo que ela tem de mais capitalista, que é a sua tendência monopolista.
É tipo: "hate the media? become the midia", saca? Mas para os jogos eletrônicos mesmo.
Pode dar certo. A ver.
PS: O nerd que habita em mim, que jogou viciadamente Chrono Trigger nos anos 1990 e é fãzaço de Suikoden até hoje, considera que sim, tem artista bom demais nessa indústria. Quem dera eles tivessem liberdade criativa e recursos para ir mais além. :)
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