O Flamengo precisava responder à sapatada que levou do Del Valle na semana passada. Não importa se o time estava recheado de meninos ou se metade do elenco ainda estava fora por COVID. E com uma mudança de estratégia tática e a superação dos meninos, conseguiu. Segue o fio...
O Flamengo ainda estava remendado devido aos casos de COVID no elenco. Alguns jogadores importantes foram relacionados, mas sem condições de iniciar a partida, deram espaço a muitos meninos no 11 inicial. A linha de defesa era toda sub-20: Matheuzinho, Noga, Natan e Ramon.
O 4-2-3-1 foi mantido. A formação começa a tomar forma, padrão e continuidade. Com Gabigol de volta e Pedro também titular, o herói do título da Libertadores 2019 foi jogar na ponta direita. Lincoln repetiu a posição que jogou contra o Palmeiras, ponta esquerda.
Miguel Angel Ramirez tinha 8 desfalques infectados por COVID. Por sorte, quase nenhum deles titular. Assim, o time era praticamente o mesmo que jogou contra o Fla semana passada, com apenas 2 mudanças: Landázuri e Christian Ortiz. Preciado foi deslocado para a lateral-esquerda.
A saída de bola do Del Valle é talvez uma de suas principais qualidades. No Equador, o Flamengo adotou uma estratégia para bloquear essa saída que deu muito errado. No Maracanã, a estratégia mudou e funcionou bem melhor.
Dois ou três jogadores avançavam no campo, mas sem pressionar o goleiro e os zagueiros. Não havia pressão no homem com a posse, mas sim uma busca por fechar as linhas de passe. Pedro, Gabigol, Lincoln e Arrascaeta se revezavam nessa tarefa.
Algumas vezes vimos Pinos passar longos segundos com a bola, esperando alguém do Flamengo subir a pressão e possivelmente deixar uma brecha numa linha de passe.
Mas o Fla estava firme na sua estratégia de não deixar nenhum homem-livre receber em posição mais avançada.
Nas poucas vezes que alguém vacilava e saia da estratégia, o Del Valle conseguia sair da pressão, encontrava a linha de passe e progredia em campo.
O controle do jogo era rubro-negro. Apesar da posse de bola ser toda do Del Valle, a estratégia que estava funcionando era a do Flamengo. Até que aos 25’ sai o gol.
A jogada é construída a partir de um lançamento de mais de 50 m de Hugo que encontra um domínio fantástico de Pedro. Ele faz o pivô, abre na direita para Matheuzinho dar bom passe para Lincoln, que acompanha a jogada e fez direitinho o facão da esquerda para dentro.
O gol muda um pouco a estratégia do Flamengo, que passa a liberar Gabigol para jogar mais avançado ao lado de Pedro, mudando a estrutura tática para o 4-4-2. Gabigol sabe atacar muito bem o espaço e com a vantagem no placar, a tendência era o Del Valle dar mais espaço.
Além disso, o bloco de marcação abaixa e o Fla passa a se defender num bloco intermediário e bem compacto, fechando os espaços principalmente pelo centro do campo. A receita para aproveitar as transições ofensivas em velocidade estava armada.
Aliás, como defende mal os contra-ataques esse time de Miguel Angel Ramirez. Qualquer troca de passes rápida e bem encaixada encontra os zagueiros equatorianos totalmente desprotegidos e muitas vezes no mano a mano contra os atacantes adversários.
E o segundo gol surge justamente dessa forma. Gabigol no limite da linha do zagueiro adversário e, após Lincoln recuperar a posse na marra com um carrinho, bastou um lançamento de primeira de Thiago Maia para o contra-ataque ser armado.
Pena que essa nova formação durou pouco. O patético, ridículo, horroroso e desnivelado gramado do Maracanã fez uma vítima: Gabigol torceu o tornozelo. Jordi Guerrero entra então com Bruno Henrique e o Fla volta ao 4-2-3-1, com BH pelo lado esquerdo e Lincoln deslocado ao direito.
No 2º tempo a estratégia do Flamengo se mantém. Bloco intermediário, linhas compactas e o contra-ataque funcionando. Vale ressaltar o trabalho de Gérson e Thiago Maia cuidando dos homens entrelinhas do IDV – Faravelli e Caicedo – com muita competência.
Com os contra-ataques a feição, voltamos a ver um Bruno Henrique mostrando o futebol do ano passado. Com campo pra correr, deu muito calor nos equatorianos e os gols foram saindo com naturalidade.
Duas coisas que valem a pena ressaltar nesses gols. No 3º, o cruzamento perfeito do menino Ramon. No 4º, a noção espacial de Arrascaeta é sacanagem. Reparem que antes de receber a bola, ele olha 3 vezes pro posicionamento do BH. Ele já sabia o que fazer antes mesmo da bola chegar
O IDV estava batido, o jogo controlado, o Fla querendo revidar o “5x0” e ainda deu tempo para Jordi promover uma novidade tática. Michael entra na vaga do Pedro e a expectativa era de que BH fosse jogar como atacante. Não foi isso que aconteceu.
Michael entrou como atacante no 4-4-2 do Fla ao lado de Arrascaeta, que nesse momento já percorria menos campo e se mantinha mais avançado. Mas Michael foi mal na função e mostrou que não tem cacoete para jogar de costas.
O 4x0 não iguala a goleada sofrida no Equador, mas faz o Flamengo lavar a alma. Em momento tão delicado, com quase todo o elenco profissional infectado numa reta de jogos tão importante, os meninos entraram, deram conta do recado e trouxerem alma novamente a esse time.
A conexão com a torcida voltou. A empolgação natural do rubro-negro está estampada na cara do torcedor. O melhor elenco do Brasil ganha ainda mais opções com atuações tão seguras e convincentes da garotada da base.
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