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Jornalista e fundador do site o Bastidor (@BastidorOficial). Contato: diego@obastidor.com.br (Proton), diego.escosteguy@tuta.com ou Signal (diegoescosteguy.01).

Oct 4, 2020, 13 tweets

Está com o presidente do Supremo, Luiz Fux, um pedido sigiloso de suspeição do ministro Gilmar Mendes feito pela Lava Jato do Rio no caso da Operação E$quema S - investigação em que advogados influentes em Brasília são réus por exploração de prestígio, entre outros crimes. 👇🏻

Gilmar é o relator no Supremo dos recursos desse caso. Após semanas de expectativa, ele suspendeu o processo. Um dos recursos, uma reclamação, chegou ao Supremo antes mesmo da deflagração da operação e do oferecimento da denúncia. Por meio do ministro do STJ Napoleão Maia.

Em síntese, Gilmar concordou que a Lava Jato do Rio investigou ministros do STJ e do TCU, que detêm foro privilegiado. O ministro não apontou evidências disso. Os autos no Rio não contêm, salvo equívoco, qualquer fato relacionado aos ministros.

Em sua proposta de delação, Orlando Diniz, ex-chefe do Sistema S no Rio, apontou possíveis crimes cometidos por ministros do STJ e do TCU. A PGR de Aras, no entanto, não quis a delação. A Lava Jato do Rio fechou a delação sem que ela contivesse elementos contra pessoas com foro.

No pedido sigiloso de suspeição a Fux, os procuradores argumentam que Gilmar não seria imparcial para tocar os recursos do caso no STF. Dizem que há proximidade do ministro com um dos investigados (advogado que é sobrinho da mulher do ministro e tem negócio com o cunhado dele).

Também afirmam que patrocínios do Sistema S do Rio ao IDP, ordenados por Orlando Diniz, constituem mais um fato a reforçar a parcialidade do ministro. Gilmar é sócio-fundador do IDP, uma faculdade de Direito. Eventos do IDP foram patrocinados pela Fecomércio de Diniz.

Gilmar nunca viu óbice nesses fatos. Sempre se considerou perfeitamente apto a atuar no caso.

Em 2018, Gilmar mandou soltar Orlando Diniz, que já era investigado pela Lava Jato por desvios no Sistema S. A Lava Jato do Rio pediu à PGR (então comandada por Raquel Dodge) para arguir a suspeição de Gilmar nesse caso, em função dos patrocínios. Dodge engavetou.

Há uma guerra de nervos silenciosa no Supremo acerca desse caso. Fux deu sinais internos de que poderia acolher o pedido de suspeição de Gilmar. Gilmar, ciente disso, parecia hesitar quanto aos recursos que pediam a suspensão de uma investigação delicada e difícil.

Tudo transcorreu em segredo e assim segue. Cabe agora ao presidente do Supremo tomar - ou não - uma decisão que tem potencial para causar uma grave crise no tribunal. Não se sabe o que fará Fux.

Esse é o tipo de caso em que há muita fumaça e narrativa - o típico caso que (quase) todos em Brasília querem que seja esquecido. Os fatos ficam em último lugar.

Baixe aqui a denúncia de 511 páginas: mpf.mp.br/rj/sala-de-imp…

500 páginas é muita coisa, mas vale a pena enfrentá-las antes de ler opiniões positivas ou negativas sobre essa investigação.

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