1/ Quando comecei a postar dicas de prevenção contra a COVID no Twitter meu foco foi fazer uma comunicação positiva, com dicas práticas para que a gente possa viver o dia a dia com alguma normalidade e tentando combater um pouco o pânico e o medo
2/ que a gente tem com relação a uma doença tão nova e com tantas incertezas.
Entendo que as prioridades na prevenção da COVID não estavam sendo muito bem informadas, por isso ando focando na transmissão pelo ar e na importância de máscaras, ventilação e distanciamento.
3/ Mas fui alertado que talvez possa estar indo pro caminho contrário, causando a impressão de que “pisou em ambiente fechado vai pegar COVID” que era exatamente o que eu queria evitar.
4/ Nessa thread a ideia vai ser explicar com um pouco mais de detalhe como funciona a transmissão por aerossol, e porquê pode ter acontecido de frequentarmos uma situação de risco muito alto e nada ter acontecido.
5/ Bom, a primeira condição para que ocorra a transmissão é a presença de alguém infeccioso, ou seja, com potencial de infectar outras pessoas. Mais do que isso, existem dias onde a capacidade infecciosa da pessoa está no seu ápice (esse momento é próximo do início dos sintomas)
6/ e é justamente essa pessoa, nesse momento, que tem o potencial de causar um evento de super espalhamento.
7/ A transmissão do vírus se dá principalmente por gotículas de saliva muito pequenas que são emitidas quando falamos, tossimos, espirramos, etc. Essas gotículas pequenas que ficam em suspensão por um longo período de tempo são chamados de aerossóis e a contaminação se dá quando
8/ uma pessoa inspira uma certa quantidade de aerossóis contaminados (ainda não sabemos qual é essa quantidade. Porém há indícios que essa exposição inicial esteja ligada a virulência da doença, ou seja,
9/ uma exposição a uma maior quantidade pode levar a um quadro mais sério de COVID).
A quantidade de aerossóis contaminados que inspiramos depende da quantidade de aerossóis que estão no ar que inspiramos a nossa volta e do tempo em que ficamos nesse espaço.
10/ Por isso aquela tabela que eu sempre compartilho não coloca uma definição do que é muito ou pouco tempo. Se você ficar em um local com baixa concentração de aerossóis por muito tempo você pode se contaminar da mesma forma que
11/ se ficar por um período curtíssimo de tempo sob uma concentração enorme.
Mas o que define a quantidade de aerossóis no ar? O tamanho do ambiente, a ventilação do ambiente, a proximidade que você está da pessoa infectada e o fato das pessoas estarem usando máscara.
12/ A melhor forma de se entender isso é fazendo uma analogia com a fumaça do cigarro (que também é um aerossol).
Considere que as pessoas falando/tossindo/respirando sem máscara ou usando máscara errado (com vãos grandes por cima e pro lado)
13/ estão fumando e seu objetivo é inalar a menor quantidade possível de fumaça. Se você estiver num espaço pequeno, lotado, sem nenhuma janela, com todos muito próximos fumando, não só você vai inalar uma quantidade enorme de fumaça
14/ mas a sua roupa e o seu cabelo vão ficar com um cheiro muito forte a ponto de voce chegar em casa, colocar a roupa pra lavar e tomar um banho.
Quanto mais perto você estiver da pessoa fumando, mais fumaça você vai inalar (distanciamento físico).
15/ Mesmo com pouca gente e mantendo o distanciamento, em um ambiente fechado com alguém fumando, a gente acaba inalando uma grande quantidade de fumaça (ventilação). Agora num ambiente aberto e com mais gente, mesmo que tenham pessoas fumando (sem máscara),
16/ se a maioria não estiver fumando (com máscara) você mal vai inalar a fumaça. No máximo vai sentir algum cheiro passageiro.
Por último, quanto mais alto as pessoas estiverem falando, maior é a quantidade de aerossóis que a pessoa está emitindo.
17/ Por mais que haja emissão de aerossóis com a respiração, podemos considerar que alguém sem máscara em silêncio está fumando um cigarro muito fraco que mal emite fumaça. Já uma pessoa falando alto ou se exercitando (respiração intensa) sem máscara
18/ está fumando um cigarro muito mais forte que emite uma fumaça muito mais densa.
Porém, diferentemente do cigarro, que conseguimos detectar pelo cheiro, não sabemos se as pessoas a nossa volta estão ou não infecciosas.
19/ E justamente por isso é fundamental que a gente evite o máximo possível situações de risco (ambiente fechado, mal ventilado, sem distanciamento, com pessoas sem máscara e falando alto).
20/ Reforço que não existe intervenção perfeita. É a combinação delas que faz o risco ir pra quase zero. Além disso, algumas intervenções são muito mais importantes que outras e devem ser priorizadas sempre.
21/ Coloco ventilação do ambiente, uso de máscara e distanciamento (sem aglomeração) como as 3 principais medidas de prevenção. Pensem sempre na analogia do cigarro, que também é um aerossol. Ela ajuda demais a entender o risco de cada atividade.
/fim
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