Mossoráyê Profile picture
Cato e coleto histórias populares da África e do Oriente Médio e conto aqui.

Jan 15, 2021, 10 tweets

Pessoal, se liguem nessa história DOIDA:
Imagina que você é um africano morador de onde hj é o Mali, no século XV. Você era chegado em rezar para ancestrais, aquela macumba esperta, mas chegaram os árabes com o comércio, falaram de Alá, você achou bacana e acabou se convertendo.

Pois bem, o sincretismo é forte nessa época, apesar de vc ser um muçulmano exemplar. Lembra mt sua tia de Curicica que sempre vai a missa - mas, qudo a coisa aperta, reza para Alá, Iemanjá, Cosme e Damião, São Jorge,e para o boneco do Darth Vader que seu sobrinho deixou por perto

Apesar dessa dimensão sincrética rolar desde sempre, essa semana encontrou-se um documento que exemplifica isso de maneira bastante interessante. Uma biblioteca do Mali encontrou uma receita para um feitiço, que lembra muito os ebós, os despachos, EM ÁRABE. E adivinha para que?

É um feitiço para evitar ser ESCRAVIZADO por europeus e mandado para o outro lado do Mar. Isso aí, encontraram uma macumba para não vir para o Brasil.
O texto está tão preservado que rola a receita completa, tudo explicadinho, veja só:

"Ele lançou os dois mares, encontrando-se; Entre eles há uma barreira, então nenhum deles transgride. [Alcorão, Sūrat al-Raḥmān, 55: 19-20] Escreva isso doze vezes em uma placa e tire as raízes de uma árvore chamada dati (conhecida como pêra africana)

" ... Coloque-os em uma panela e se lave com eles. Em seguida, pegue sete frutos do dati e queime-os em uma encruzilhada. Os europeus não o levarão, se Deus quiser".

Reparem a MISTUREBA DELICIOSA: escreva uma parte do Alcorão, toma banho de erva e coloca o resto em uma ENCRUZILHADA. Menciona além disso o "Mar" como espaço para ser evitado. O Atlântico era um cemitério.
Isso tudo para não vir para o Brasil
(Dá para entender).

O texto reforça como elementos islâmicos e de religiões locais foram combinados ao longo do tempo, além da adaptação de práticas mágicas para desafios novos. Este texto faz parte do extenso gênero de textos islâmicos conhecido como Fawāʼid, ou “textos para trazer benefícios”.

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