Para um país com 1,3 bilhão de habitantes, a Índia faz pouco nas Olimpíadas.
Só nesta quarta em Tóquio, foram perdidas duas oportunidades de ouro: no hóquei sobre a grama, com derrota pra Argentina, e no boxe.
Até agora, ganhou 1 prata e 2 bronzes, a 65ª no quadro de medalhas.
Na história olímpica indiana, são apenas 9 ouros: 8 deles no hóquei, sendo o último de 1980.
E o outro, único ouro individual do país, do atirador Abhinav Bindra, em Pequim 2008.
O desempenho de 2016 foi tão ruim que o atual primeiro-ministro, Narendra Modi, resolveu investir.
O resultado apareceu rapidamente após a intervenção de Modi: no tiro, por exemplo, oito membros da delegação indiana em Tóquio estão entre os melhores do mundo no seu ranking.
Nós falamos de duas delas aqui no início das Olimpíadas:
Mas nenhuma delas medalhou - aliás, não passaram nem pra final.
Talvez a gente tenha zicado? É possível.
Mas tem outra explicação plausível: a pressão enorme que há por medalhas de ouro olímpicas na Índia.
Uma prova disso é o arqueiro Atanu Das que, ao participar de prova em Tóquio, escreveu a palavra “calma” em suas mãos.
Não adiantou, ele não se classificou.
Sua esposa, Deepika Kumari, também do tiro com arco, tampouco chegou à medalha. Ela é a nº 1 do mundo na sua categoria.
O tiro com arco recebeu grande atenção do governo de Modi.
Além do investimento financeiro, os atletas puderam treinar de graça por meses nas instalações do exército do país.
Aliás, a delegação da Índia em Tóquio, de 126 atletas, é a maior da história.
Com isso, veio a pressão
Lovlina Borgohain, a boxeadora que perdeu hoje a chance do ouro para a turca Busenaz Surmeneli, dizia que procurava inspirar milhões de garotinhas na Índia.
Hoje, após perder, ela ficou sem chão:
“Que mensagem eu vou poder passar pra elas? Eu perdi.”
Ela ficou com o bronze.
E o hóquei sobre a grama masculino também já perdeu sua chance de ouro ontem.
Pode ganhar bronze, mas é pouco para o que se esperava do time.
Falávamos esses dias sobre a tradição indiana na modalidade, que infelizmente não foi renovada:
Mas, é claro, o valor de um país está longe de ser medido por sua performance esportiva.
Além disso, o grande esporte da Índia não está no programa olímpico: o críquete, no qual ela vai muito bem internacionalmente e tem uma liga interna forte e rica.
Há ainda questões étnicas.
Manipur e Assam, duas regiões que produzem vários atletas indianos, também são conhecidas por terem movimentos separatistas.
Muitas vezes, nacionalistas hindus acusam pessoas dessas regiões de não serem indianos de verdade.
Modi é prova de que esse nacionalismo cresce no país.
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