As vezes a vida é assim:
- por mais que façamos tudo de bom, que façamos o nosso melhor, a realidade vem e CATAPLOF, nos dá um sacode violento e nos sentimos um lixo.
Hoje vou contar a história do Eugène-René, esse simpático senhor abaixo:
Eugène-René Poubelle o nome dele, foi um grande homem de sua época.
Nasceu em Caen, França, em 15 de abril de 1831, e morreu em Paris em 15 de julho de 1907.
O Gege foi advogado, professor, administrador e diplomata, e também foi “préfet” do Sena, a região onde está Paris.
Meu irmão… ser préfer de Paris era uma honra enorme… imensurável.
Naquela época, 1883, Paris não era bem uma cidade luz.
Na verdade, a cidade mais parecia uma grande sujeira, com lixo nas ruas, sem sistema de esgoto.
Foi justamente o Eugène-René quem mudou isso.
Entre 1883 a 1896, Eugène-René determinou medidas de higiene sem precedentes na cidade.
Algumas, enormes, como determinar a criação de um sistema geral de esgoto, e que todas as casas tivessem ligação com esse sistema.
Outras medidas foram menores, mas igualmente impactantes.
Por exemplo, Eugène-René, o grande homem, determinou que todas os prédios tivessem… lixeiras.
Isso mesmo. Até então não era comum que houvesse lixeiras nos locais.
O préfet foi além: determinou que proprietários fornecessem lixeiras individuais a cada unidade.
Foi um horror.
Nessa Paris, era comum que o lixo fosse jogado na rua, não importa onde ela fosse.
Além das reclamações por conta dos gastos com lixeiras, houve também reclamação de enorme parcela da população que vivia de catar o lixo em busca de comida ou de algo para vender.
E, como forma de demonstrar revolta, o que a população de Paris resolveu fazer?
Isso mesmo: apelidaram as caixas de dejetos de CAIXAS POUBELLE, em “homenagem” ao grande homem, advogado, professor, administrador, diplomata, préfet do Sena, Eugène-René Poubelle.
E a coisa foi tão violenta que, em pouco tempo, com a popularização das lixeiras, também se popularizou o nome POUBELLE (fala pubêle).
O termo poubelle foi reconhecido pelo Grand Dictionnaire Universel du 19ème Siècle, em 1890, e hoje, lixeira, em francês, é poubelle.
Então, hoje, mais de 136 milhões de pessoas que falam francês no mundo usam o nome do pobre e bem intencionado Eugène-René Poubelle para designar… lixeira.
Quem tem homenagem dessas não precisa de inimigo, já diria minha avó.
E Eugène-René, que foi foi advogado, professor, administrador, diplomata e préfet do Sena,
que iniciou o sistema de esgoto da cidade,
que determinou regras básicas de higiene que se propagaram pelo mundo,
entrou para a história de uma forma triste.
E a vida, irmão, as vezes prega essas peças pra gente…
Você dá seu melhor, pensa no bem do próximo, aí, CATAPLOF, a gente se sente um lixo.
Lixo, por sinal, etimologicamente falando, talvez venha do latim, LIX, que significa "cinzas”.
No Aurélio, lixo é “tudo o que não presta e se joga fora; coisa ou coisas inúteis, velhas, sem valor".
Que nunca seja nossa auto estima, que nunca sejam nossas boas intenções, que nunca seja nossa preocupação com o próximo.
E salve Poubelle.
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