Eu achei curioso aquele navio no meio da Baía de Guanabara, então peguei um barco, fui até lá e tive a surpresa: havia gente morando lá dentro. Ele não estava abandonado e seu dono sonhava vê-lo em alto mar. Hoje esse navio bateu na ponte Rio-Niterói.
oglobo.globo.com/rio/embarcacao…
Eu e o fotógrafo e amigo Custódio Coimbra pegamos o barco na Ilha do Fundão. A ideia era observar o navio de perto, ver seu estado, fotografá-lo e voltar pra redação. Então Pedro, o barqueiro, disse que "aqui tem q tomar cuidado com os piratas", e a história começou a melhorar.
Piratas? Sim, são barcos ligados às facções e milícias que atacam na Baía de Guanabara. Embarcações como o navio São Luiz são repletas de cobre e metais com valor de mercado. Os caras escalam o navio pela âncora e depenam ele inteiro - roubam até os parafusos.
Então vem a surpresa: um homem sem camisa no alto do navio que parecia abandonado. Grito: "Boa tarde!", ele responde. É o começo da entrevista mais inusitada que já fiz. Paulo contou que trabalhava embarcado: eram 15 dias no navio e 15 em Fortaleza, onde tinha casa e família
Ele cuidava do navio e tinha ajuda de outros tripulantes que se revezavam. Uma de suas funções era a de sentinela, que consistia em ficar parado na proa p/ afastar ladrões. Ele se ressentia do "fim da indústria naval". Disse q viajou o mundo inteiro, navegou em todos os mares...
Paulo me passou o telefone do dono do navio, e fomos embora. Liguei em seguida e o cara estava irredutível: não me deixaria entrar na embarcação que foi de seu avô, Simão Mansur, e que ele acreditava ser capaz de recuperar.
Não sei como consegui convencê-lo a mudar de ideia. Quando chegamos lá, eu e Custódio, andamos por toda a embarcação. Vimos outros tripulantes, todos vestindo macacões no breu, todos ocupados em alguma tarefa, como se fosse uma embarcação em operação.
Paulo era o capitão do navio que não navega. Não permitia que os outros tripulantes usassem drogas ou bebessem. Sua cabeça tinha um devaneio: a tripulação precisava estar pronta para ganhar o alto mar a qualquer momento.
É possível ver algumas luzes do São Luiz acesas na hora da colisão. Aparentemente havia alguém lá dentro, como há quase cinco anos, talvez Paulo ou algum outro tripulante que conhecemos.
Como imaginei, havia dois marinheiros no navio, conta o @Lucas_venturaa, filho de um deles, que postou um vídeo do pai dentro do navio durante o reboque. Por que a Marinha não rebocou o navio antes?
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