Pensar a História Profile picture
"Os homens fazem a sua própria história, mas não a fazem segundo a sua livre vontade". Karl Marx

Sep 1, 2023, 31 tweets

Há 137 anos, em 1/9/1886, nascia Tarsila do Amaral, ícone da primeira geração modernista brasileira. Tarsila ajudou a sedimentar o movimento de renovação das artes visuais, adaptando a linguagem das vanguardas europeias à realidade e à poética brasileira.

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Tarsila do Amaral nasceu em Capivari (hoje Rafard), interior de SP, em uma família aristocrática, dona de grande fortuna. Passou a infância nas fazendas da família em Capivari e Itapeva, sendo educada por uma tutora belga que a ensinou a ler, bordar e a falar francês.

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Posterirormente, morou na capital paulista, onde foi interna de um colégio de freiras no bairro de Santana e aluna do Colégio Sion. Já adolescente, concluiu o estudo básico no Colégio Sacré-Coeur, em Barcelona, onde teve seus primeiros contatos com a pintura.

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De volta ao Brasil, Tarsila se casou com André Teixeira Pinto, pai de sua única filha, Dulce. O casamento durou pouco tempo. Possessivo e autoritário, André se irritava com o fato de Tarsila se devotar à pintura, exigindo que a esposa se dedicasse apenas à vida doméstica.

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Instada a escolher entre a carreira artística e o casamento, Tarsila se separou do marido e voltou a morar com os pais. Ocupou-se desde então de sua profissionalização. Em 1917, ingressou no ateliê de Pedro Alexandrino, onde fez amizade com Anita Malfatti.

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Em 1920, Tarsila viajou para Paris, onde estudou na Academia Julian e no ateliê de Émile Renard. Na Europa, a pintora teve contato com os movimentos modernos, mas foi influenciada de forma apenas tangencial, seguindo priorizando um figurativismo mais convencional.

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Após retornar ao Brasil, Tarsila aderiu à estética moderna, em grande parte por influência de Anita Malfatti. Foi Anita que a apresentou a Mário e Oswald de Andrade e a Menotti del Picchia, que passaram a frequentar seu ateliê, dando origem ao chamado "Grupo dos Cinco".

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O grupo se tornaria uma referência cultural em São Paulo, ajudando a fornecer os referenciais artísticos e ideológicos da Semana de Arte Moderna de 1922, marco da renovação das linguagens artísticas no Brasil. Tarsila, entretanto, estava em Paris e não participou do evento.

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Após a Semana de Arte Moderna, Tarsila iniciou um relacionamento com Oswald de Andrade. Em 1923, retornou a Paris, onde travou contato com os pintores cubistas e começou a frequentar o ateliê de André Lhote, onde conheceu Pablo Picasso e Fernand Léger.

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Tornou-se amiga de Blaise Cendrars, que a integrou aos círculos intelectuais de Paris. Passou então a conviver com nomes como o casal Delaunay, o pintor Albert Gleizes, o escritor Jean Cocteau, o escultor Constantin Brancusi e os músicos Ígor Stravinski e Erik Satie.

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Sua residência em Paris tornou-se ponto de encontro de personalidades brasileiras radicadas na França, recebendo visitas de Villa Lobos, Di Cavalcanti e Santos Dumont. Em 1924, Tarsila uniu-se aos outros modernistas e a Cendrars em uma viagem de "redescoberta" do Brasil.

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Visitou as festas populares no Rio de Janeiro e as cidades históricas de Minas Gerais, buscando observar as cores e as formas tropicais, o povo, a fauna, a flora, o folclore e as demais manifestações culturais regionais.

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Iniciou-se assim sua fase artística denominada "Pau-Brasil", marcada pela junção das cores vibrantes e dos elementos da visualidade popular brasileira ao rigor formal dos movimentos de vanguarda europeus.

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Em 1926, casou-se com Oswald de Andrade e realizou sua primeira exposição individual, sediada na Galeria Percier, em Paris. A partir de então, intensificou sua busca pela "brasilidade" e pintou "Abaporu", sua obra mais conhecida.

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A obra influenciou a criação do Movimento Antropofágico, que se opunha à reprodução acrítica das influências culturais estrangeiras, propondo a assimilação harmoniosa e contextualizada da arte internacional de modo a criar uma arte nacional mais genuína,...

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...que preservasse suas características autóctones. Tarsila deu início à produção da chamada "Fase Antropofágica", marcada pela substituição progressiva da geometrização por formas orgânicas originais, com influência temática expressiva do surrealismo.

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Em 1929, Tarsila realizou sua primeira exposição individual no Brasil, expondo no Rio. Não obstante, a quebra da Bolsa de Valores de Nova York obrigaria a pintora a rever seus planos. A Grande Depressão causou a falência de sua família, cuja fortuna dependia do café.

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Tarsila perdeu sua fazenda e quase todos os seus bens e teve de começar a trabalhar em ofícios comuns para se sustentar. No mesmo ano, separou-se de Oswald de Andrade após descobrir seu relacionamento extraconjugal com a jovem escritora Pagu.

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Em 1930, Tarsila foi nomeada conservadora da Pinacoteca do Estado de São Paulo e iniciou a confecção do catálogo do acervo, mas foi afastada do cargo após a Revolução de 1930. No mesmo ano, iniciou o namoro com o médico comunista Osório César.

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O relacionamento com Osório resultou em uma prolífica parceria de inspiração intelectual e profissional mútua — ela o inspirou a utilizar a arte como ferramenta terapêutica e ele a instruiu sobre o comunismo e a sensibilizou para as causas operárias e as questões sociais.

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Em 1931, Tarsila se filiou ao Partido Comunista do Brasil (antigo PCB) e viajou com Osório para a União Soviética. Passou meses viajando pela nação socialista e trabalhou como operária da construção civil e pintora de paredes para arcar com as despesas.

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Em Moscou, Tarsila se aproximou do pintor Serge Romoff. Também expôs suas obras no Museu Estatal de Arte Moderna Ocidental, ocasião em que o governo soviético adquiriu a tela "O Pescador". Após retornarem ao Brasil, Tarsila e Osório foram presos sob a acusação de subversão

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A visita à URSS, o contato com o realismo socialista e a militância no PCB inspiraram a artista a abordar o cotidiano dos trabalhadores e as questões sociais. Tem início então a sua "Fase Social", marcada por telas como "Operários", "Segunda Classe" e "Orfanato".

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A pintora também proferiu uma conferência sobre "Arte Proletária na União Soviética" no Clube de Artistas Modernos (CAM), ajudando a difundir o conhecimento sobre o realismo socialista no Brasil.

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O relacionamento com Osório César durou pouco tempo e Tarsila terminou por se frustrar com o PCB, mas seguiu abordando episodicamente a temática social. Em meados dos anos trinta, uniu-se ao escritor Luís Martins, que seria seu companheiro nas décadas seguintes.

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Nos anos 40, Tarsila desenvolveu um novo estilo, retomando algumas características da Fase Antropofágica e da estética surrealista, mas mesclando-as ao figurativismo da fase social.

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Também diversificou os temas abordados, passando a englobar obras históricas, religiosas e composições típicas da pintura de gênero. A década seguinte seria marcada pelo revival dos temas da fase "Pau-Brasil", com predominância das paisagens rurais.

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Tarsila expôs nas duas primeiras edições da Bienal Internacional de São Paulo e ganhou sua primeira retrospectiva no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM). Em 1964, expôs na 32ª Bienal de Veneza.

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Em 1965, já separada de Luís Martins, vivendo sozinha e sofrendo de dores crônicas, Tarsila foi submetida a uma cirurgia de coluna. Um erro médico a deixou parcialmente paralisada e a pintora teve de usar cadeira de rodas até o fim da vida.

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Em 1966, sua única filha, Dulce, faleceu em decorrência de complicações da diabetes. Muito deprimida, Tarsila buscou amparo no espiritismo e aproximou-se de Chico Xavier.

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Passou a doar a maior parte do dinheiro proveniente da venda de suas telas para as obras sociais do médium mineiro e projetos de filantropia. Faleceu em São Paulo em 17 de janeiro de 1973, aos 86 anos.

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