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"Os homens fazem a sua própria história, mas não a fazem segundo a sua livre vontade". Karl Marx

Oct 7, 2023, 36 tweets

Mapa mostrando o avanço israelense sobre as terras da Palestina ao longo dos anos. A criação do Estado de Israel em 1948, a partir de território desmembrado da Palestina, desencadeou uma série de conflitos que persistem há mais de 70 anos e já ceifaram milhares de vidas.

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Situada em uma encruzilhada estratégica entre a Ásia, a África e a Europa e cercada pelas civilizações do Mar Mediterrâneo e do Crescente Fértil, a região da Palestina é um território marcado por disputas desde a Antiguidade.

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Habitada por tribos semitas, nômades e indo-europeias e berço dos reinos de Samaria e Judá, a região foi controlada por muitos impérios ao longo da história. Assírios, babilônicos, persas, egípcios, helênicos e romanos se sucederam no domínio da Palestina.

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Após a Revolta de Barcoquebas e a expulsão dos judeus de Jerusalém, a região foi convertida na província romana de Síria Palestina e passou a ser progressivamente habitada por árabes. Cristianizada pelo Império Bizantino, ganhou de Constantinopla o status de "Terra Santa".

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Após a conquista árabe (634-640), a região foi islamizada e integrada aos califados muçulmanos. Foi governada pelos egípcios e cobiçada pelos cruzados até ser anexada pelo Império Otomano, que a controlou do século XVI até a Primeira Guerra Mundial.

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Por mais de 1.300 anos, a Palestina manteve-se habitada por uma maioria absoluta de muçulmanos. O perfil demográfico e religioso da região começou a se alterar no fim do século XIX, quando o sionismo ganhou força e passou a insuflar a imigração judia para a Palestina.

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O sionismo é um movimento ultraconservador que surgiu em reação ao processo de assimilacionismo, buscando preservar a "pureza" da cultura judaica. Seu principal articulador foi Theodor Herzl, autor de "O Estado Judeu" — obra basilar do movimento sionista.

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Herzl argumentava que o antissemitismo só seria resolvido quando os judeus dispersos pelo mundo se reunissem em um Estado independente. A Palestina tornou-se o local mais cobiçado para a instalação deste Estado judeu,...

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...justificado pela pregação mística (o regresso a uma suposta "terra prometida" para o "povo escolhido") e pelo revisionismo histórico (a concepção equivocada de que a Palestina seria "uma terra sem povo para um povo sem terra").

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A campanha pelo "lar dos judeus" na Palestina contou com forte apoio da burguesia ocidental. Isso porque Herzl assegurava que um Estado judeu serviria como um enclave da Europa no Oriente Médio. Em suas palavras, "uma sentinela avançada da civilização contra a barbárie".

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Criava-se, assim, um vínculo indissociável entre sionismo e imperialismo. O Estado judeu na Palestina garantiria ao Ocidente uma fortaleza para conter o avanço do nacionalismo árabe e dos movimentos anticoloniais/anti-imperialistas que estavam em expansão no Oriente Médio.

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A derrota do Império Otomano na 1ª Guerra forneceu as condições ideais para que o projeto avançasse, dando ao Reino Unido o controle da Palestina. Os Acordos de San Remo, que referendavam o mandato britânico, já mencionavam a criação do "lar nacional para o povo judeu".

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Rejeitando o projeto de Estado judeu, os palestinos organizaram uma série de insurreições, todas violentamente esmagadas. Ignorando a autodeterminação do povo palestino, o movimento sionista passou a promover a imigração clandestina de colonos judeus para a Palestina.

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Ao mesmo tempo, os sionistas financiaram a criação de grupos terroristas como o Irgun, Stern e Haganá, responsáveis por coordenar ações armadas e atentados contra os palestinos, visando intimidá-los e forçá-los a abandonarem suas propriedades e aldeias.

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A resistência internacional à campanha sionista seria completamente demovida após a revelação do Holocausto e das inúmeras atrocidades cometidas pela Alemanha nazista contra o povo judeu durante a Segunda Guerra Mundial.

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Em 1947, a Assembleia Geral da ONU aprovou a criação do Estado de Israel, que deveria partilhar o território com um Estado árabe. Conforme a resolução, Israel ficaria com 56,4% do território e o Estado palestino com 42,9%. Jerusalém seria administrada pela ONU.

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Em maio de 1948, os britânicos se retiraram da Palestina e o Estado de Israel foi oficialmente fundado. Contrariando a resolução da ONU, entretanto, Israel impediu a instalação de um Estado palestino, dando continuidade à política de colonização dos territórios árabes.

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Visando impor a criação do Estado palestino, os países da Liga Árabe declararam guerra a Israel. Apoiado por estadunidenses e europeus, Israel venceu a Guerra Árabe-Israelense e ampliou seu território, reduzindo a área palestina aos bolsões da Cisjordânia e Faixa de Gaza.

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Paralelamente ao conflito, Israel empreendeu um processo massivo de limpeza étnica, através da remoção compulsória da população árabe das terras palestinas. Foi o início do chamado êxodo palestino, ou "Nakba" ("A Catástrofe").

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Aproximadamente 800 mil palestinos foram expulsos de Israel (80% da população árabe do país até então). Além de expulsar os moradores, Israel destruiu cerca de 600 cidades palestinas, visando erradicar registros históricos árabes, e deu início à hebraização do território.

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Com isso, os palestinos, que eram a maioria em 15 dos 16 distritos de Israel, tornaram-se grupos minoritários em todo o país. Em 1964, os países da Liga Árabe criaram a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), movimento que visava restaurar a pátria palestina.

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Em 1967, após o Egito bloquear o acesso dos navios israelenses ao Canal de Suez, Israel lançou uma ofensiva militar contra as nações árabes, dando início à Guerra dos Seis Dias. Vitorioso, Israel ampliou ainda mais seu território, ocupando Sinai, Jerusalém e Cisjordânia.

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Em 1973, Egito, Síria e Iraque tentaram retomar os territórios ocupados, originando a Guerra do Yom Kippur. O apoio militar dos EUA a Israel motivou a União Soviética a entrar na batalha ao lado das nações árabes. Não obstante, a ONU conseguiu negociar um cessar-fogo.

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No ano seguinte, Yasser Arafat, presidente da OLP, fez um discurso histórico no plenário da ONU denunciando as sistemáticas violações das resoluções internacionais e dos direitos humanos do povo palestino cometidas por Israel.

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Apoiada pelos países socialistas, Movimento dos Países Não-Alinhados, Organização de Unidade Africana e Liga Árabe, a OLP obteve vitórias diplomáticas e crescente apoio internacional. Israel, entretanto, seguiu conduzindo operações militares contra aliados da Palestina.

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Entre 1978 e 1982, Israel realizou uma série de ataques ao Líbano, visando destruir bases da OLP. As operações deixaram dezenas de milhares de mortos e ensejaram os Massacres de Sabra e Shatila, cometidos por uma milícia maronita apoiada por soldados israelenses.

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Os palestinos responderam articulando uma série de levantes durante a Primeira Intifada. Em 1988, o Conselho Nacional da Palestina aprovou a declaração de independência do Estado da Palestina (atualmente reconhecido por 137 dos 193 países-membros da ONU).

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Em 1993, após o Acordo de Paz de Oslo, a Autoridade Nacional Palestina (ANP) assumiu a gestão dos territórios da Faixa de Gaza e das áreas A e B da Cisjordânia. Israel, entretanto, não honrou os acordos e continuou expandindo os assentamentos em terras palestinas.

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O assassinato de 52 muçulmanos por terroristas israelenses durante o Massacre do Túmulo dos Patriarcas e a subsequente repressão brutal aos manifestantes palestinos, causando a morte de outras 19 pessoas, também minaram o apoio público dos árabes ao Acordo de Paz.

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Israel também frustrou as negociações de paz em Camp David ao se negar a devolver os territórios ocupados, originando uma nova onda de levantes populares palestinos (Segunda Intifada). Após a morte de Arafat, Mahmoud Abbas foi eleito presidente da ANP.

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Um conflito interno entre os palestinos, entretanto, ocasionou a ascensão da organização sunita Hamas, ligado à Irmandade Muçulmana, que logrou conquistar o controle da Faixa de Gaza. O discurso radical levou o Hamas vencer as eleições parlamentares da Palestina em 2006.

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Em resposta à eleição do Hamas, o governo israelense decretou em 2007 o bloqueio econômico e comercial da Faixa de Gaza — medida que continua em vigor até os dias de hoje, gerando grave desabastecimento de itens básicos e potencializando a crise humanitária na região.

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Com o fortalecimento da extrema-direita e dos partidos ultraortodoxos de Israel, a repressão aos palestinos tem se agravado. Desde 2012, o governo israelense conduz campanhas massivas de bombardeios aéreos contra alvos civis na Palestina.

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O governo israelense tem intensificado a campanha de expulsão dos palestinos de suas terras, encurralando-os em bolsões precários, sem acesso a água potável e serviços básicos, enquanto incentiva abertamente a radicalização da polícia e das Forças de Segurança de Israel.

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Ao que parece, Israel pretende levar os palestinos à situação de anomia como meio de obter o controle pleno sobre todo o território palestino - incluindo as valiosas jazidas de gás natural da Faixa de Gaza.

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Israel parece não ver nenhum dilema em utilizar a limpeza étnica como instrumento para chegar a esse fim. E a comunidade internacional, ao que parece, irá apenas testemunhar inerte o grotesco desenrolar de uma tragédia anunciada há décadas.

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