Estamos em um cenário muito fértil para gestores ativos e fundos Long-Short no exterior. Enquanto Tech voa, outras empresas se afundam com os desafios da crise:
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Brasil: Fluxo, Fluxo e Fluxo...
By Dan Kawa
12Fev26
“When I see a bubble forming, I rush in to buy, adding fuel to the fire.” George Soros
O principal destaque de ontem foram os dados do mercado de trabalho dos EUA, que comento em maior detalhe abaixo. Os números vieram acima das expectativas, reduzindo, ao menos por ora, os receios de uma desaceleração mais rápida ou mais intensa da economia americana. Esse resultado reforça um pano de fundo ainda resiliente para o crescimento, mantendo o cenário relativamente estável e construtivo, na ausência de novos vetores de risco relevantes.
A rotação dos fluxos para além dos EUA continua a favorecer as bolsas dos países emergentes e o Brasil, em especial. Ontem foi mais um dia de alta da bolsa e apreciação do câmbio. Tenho comentado como esses fluxos podem ser mais estruturais (vide aqui: ).
É interessante notar que, mesmo diante de dados de emprego mais fortes nos EUA, não observamos um movimento relevante de apreciação do dólar. Ao contrário, os fluxos para mercados emergentes seguem presentes. Esse comportamento sugere que a dinâmica atual vai além da leitura pontual de dados macro e reflete uma rotação de portfólios mais consistente, possivelmente com características mais estruturais do que meramente táticas.
EUA: Sinais de Desaceleração (e um breve comentário sobre IA)
By Dan Kawa
11Fev26
Nessa manhã, destaque para o Bitcoin novamente abaixo de 67mil, mas sem causar contágio, por hora, aos demais ativos de risco.
Ontem foram divulgados os dados de vendas no varejo nos EUA, que vieram abaixo das expectativas do mercado, assim como o ADP Employment (indicador de emrpego). A leitura mais fraca reabre a discussão sobre novos cortes de juros ao longo do ciclo, o que já se refletiu em fechamento das taxas de juros.
Há, contudo, uma linha tênue entre quando esse movimento é positivo para ativos de risco, ao aliviar as condições financeiras, e quando passa a ser negativo, por sinalizar uma desaceleração econômica mais relevante. Essa distinção dependerá, fundamentalmente, da velocidade e da magnitude da desaceleração, bem como da função de reação do Fed diante desse novo conjunto de dados.
Os dados oficiais de emprego dos EUA referentes a janeiro, a serem divulgados hoje, podem oferecer uma sinalização adicional sobre o estágio atual do ciclo.
Ainda que haja sinais pontuais de arrefecimento em alguns indicadores antecedentes, é importante lembrar que permanecem em curso diversos vetores de sustentação ao crescimento americano, consumo resiliente, balanços corporativos ainda sólidos e política fiscal expansionista, o que, em princípio, reduz a probabilidade de uma inflexão abrupta para um cenário de maior aversão a risco (vide: x.com/DanKawa2/statu…. )
Dito isso, o mercado opera em níveis elevados de valuation, com posicionamento técnico bastante esticado e em uma fase do ciclo marcada por maior incerteza marginal. Nesse contexto, mesmo na ausência de uma deterioração estrutural, nada impede movimentos de curto prazo de realização de lucros, especialmente se os dados vierem fora do consenso ou reforçarem a narrativa de desaceleração.
Crescimento vs Valuations vs Técnico
By Dan Kawa
10Fev26
A segunda-feira transcorreu com agenda macroeconômica esvaziada e sinais de maior estabilização na dinâmica dos mercados. O principal destaque seguiu sendo a continuidade dos fluxos para o Brasil (ou para fora dos EUA, com o Brasil sendo um dos beneficiados), fator que tem sustentado a apreciação do câmbio e a alta da bolsa. Esse movimento permanece concentrado em Petrobras, Vale e no setor bancário, caracterizando um padrão clássico de alocação liderado por investidores estrangeiros.
Movimentos estruturais de fluxo dessa natureza, à luz da experiência histórica, tendem a se estender no tempo. Isso decorre, em grande medida, da função de reação dos diferentes perfis de investidores, em especial institucionais e estrangeiros, que, por definição, ajustam suas alocações de forma gradual, condicionados por mandatos, comitês e processos decisórios mais lentos. Episódios como a reprecificação dos emergentes no início dos anos 2000, o ciclo de entrada de capitais pós-crise de 2008 ou, mais recentemente, a rotação global observada após choques relevantes de política monetária ilustram como esses movimentos raramente se esgotam em poucos meses.
Nesse contexto, e na ausência de mudanças materiais no pano de fundo macroeconômico ou institucional, é razoável interpretar o movimento atual como potencialmente mais duradouro. Ao longo do processo, é natural observar fases de acomodação, realização de lucros e variações de intensidade, mas, historicamente, esses ajustes ocorrem dentro de uma trajetória direcional relativamente clara.
Estabilidade macro, tensão técnica
By Dan Kawa
09Fev26
Na sexta-feira, mostrei a repercussão do que está ocorrendo no mercado de ações dos EUA: .
Hoje pela manhã, destaque para nova rodada de alta dos metais preciosos, com alguma recuperação dos ativos de risco, mas pressão altista nos juros desenvolvidos.
Nesta manhã, há notícias/rumores, segundo a Bloomberg, de que autoridades chinesas instaram os bancos a limitar a compra de títulos do governo dos EUA e orientaram aqueles com elevada exposição a reduzir suas posições, segundo fontes. Isso obviamente gera pressão altista na curva de juros, assim como deveria levar a um "steepening" da curva. China Urges Banks to Curb Exposure to US Treasuries: bloomberg.com/news/articles/….
No final de semana, a vitória ampla do PLD do Japão fortalece o governo Takaichi, aumenta a previsibilidade política e destrava maior expansão fiscal, com foco em investimento estratégico, cenário pró-crescimento para os mercados. O debate sobre corte do imposto ao consumo ganha tração, mas, independentemente do desfecho, o impulso fiscal tende a elevar a inflação subjacente e a manter o atrito com o BoJ, reforçando o viés de yen mais fraco, normalização monetária gradual e maior volatilidade na curva de juros. A curva de juros do Japão tem sido, por vezes, um vetor de pressão de alta nas curvas de juros de outros países ao redor do mundo. A noite foi de forte alta dos índices de bolsa do país.
Ajuste de Posição & Risco de Recessão
By Dan Kawa
06Fev26
Nos EUA, a divulgação de três indicadores do mercado de trabalho ontem adicionou novos sinais de arrefecimento da atividade econômica (vide detalhes abaixo). Ainda que fatores pontuais possam estar distorcendo parcialmente os números de curto prazo, o momento é particularmente sensível.
O mercado americano já apresentava fragilidades técnicas relevantes, visíveis em ativos como prata, fatores de risco como "momentum", crypto e segmentos ligados à IA, e, nesse contexto, qualquer sinal de desaceleração passa a ser rapidamente traduzido em maior probabilidade de recessão. O resultado foi uma intensificação clara da aversão a risco, com quedas generalizadas nas bolsas, em cripto e em commodities, acompanhadas por fortalecimento do dólar e fechamento expressivo das taxas de juros.
O movimento de desmontagem do "comprado em Momento" e "vendido em valor" continuou ontem, o que deve afetar negativamente o resultados de muitos hedge funds:
Movimento de Cauda: Stress em Momentum e Tech
By Dan Kawa
05Fev26
Um resultado abaixo do esperado da AMD (-16% no dia), empresa diretamente ligada ao setor de tecnologia e à tese de Inteligência Artificial, acabou servindo como gatilho para uma correção mais ampla nas ações associadas a esse tema.
Esses papéis apresentaram forte valorização nos últimos meses, passaram a operar com valuations elevados em relação aos seus padrões históricos e, em diversos casos, com níveis crescentes de investimento e capex. Nesse contexto, a margem de erro para surpresas negativas tornou-se bastante reduzida. Ao que tudo indica, atravessamos mais um período em que o mercado passa a reavaliar, de forma mais crítica, a magnitude e o timing do retorno econômico da IA para determinadas empresas.
O setor de Tecnologia está atualmente passando pela quarta correção superior a -10% desde 2023.
Os últimos dias e, em especial, ontem, vimos movimentos "por debaixo da superfície" que foram extremamente relevantes para os padrões históricos e podem ter afetado negativamente diversos agentes de mercado.
Por exemplo, tivemos o 4º pior movimento diário (em termos percentuais) de momentum versus value desde 1999, usando as long baskets da Morgan Stanley. Momentum caiu forte, enquanto value subiu de forma relevante.