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Opiniões Pessoais. Economista, Gestor, Portfólio Manager, Investidor Anjo. Não faço recomendações de investimento. Analiso cenário.
Jul 28 9 tweets 6 min read
A Correção em IA
By Dan Kawa
28Jul26

A despeito do forte recuo do petróleo ontem, com a sinalização de mais um cessar fogo no Oriente Médio e mais uma tentativa de acordo entre EUA o Irã, o que impulsionou os ativos de risco em geral, a bolsa americana voltou a mostrar dispersão e movimentos contrários entre as principais teses de IA. No curto-prazo, o setor de semicondutores, o grande "queridinho" do mercado nos últimos meses, parece estar passando por questionamentos em relação a competição e sustentabilidade da demanda, em meio a um quadro técnico mais comprometido.Image A queda de mais 10% do Kospi essa noite, acumulando 37% desde o pico de junho, reflete a forte correção das empresas de semicondutores diante dos avanços da China em chips avançados. Ao mesmo tempo, o ciclo de investimentos em IA segue pressionando o caixa das hyperscalers, aumentando as dúvidas sobre sua monetização e sustentabilidade. A principal questão passa a ser quando esses investimentos começarão a gerar retornos suficientes para justificar o elevado capex.Image
Jul 15 4 tweets 3 min read
Inflação nos EUA, cenário político brasileiro & IA
By Dan Kawa
15Jul26

O principal destaque da terça-feira foi a divulgação do CPI (inflação) de junho nos EUA, que surpreendeu positivamente ao ficar abaixo das expectativas. O resultado reduziu a probabilidade implícita de uma alta de juros pelo Fed na próxima reunião, pressionou os yields dos Treasuries, com a taxa de 10 anos recuando para 4,59% (-4 bps), e favoreceu um movimento de alívio nos mercados, com valorização dos ativos de risco.

A inflação americana surpreendeu positivamente em junho, com desaceleração mais intensa do que o esperado tanto no índice cheio quanto na inflação subjacente (núcleos). A melhora foi disseminada entre diversas categorias. Os dados reforçam um cenário de pressões inflacionárias mais moderadas no curto prazo e indicam que a inflação medida pelo PCE, indicador preferido do Fed, também deverá apresentar leitura mais benigna, reduzindo a necessidade de uma resposta mais agressiva da política monetária no curto-prazo e abrindo uma janela mais construtiva do ponto de vista inflacionário:Image
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Em sua primeira audiência semestral no Congresso, Kevin Warsh adotou um discurso firme no combate à inflação, reforçando o compromisso do Fed com a meta de 2% e afirmando que a instituição não tolerará uma inflação persistentemente elevada. Apesar do tom hawkish, evitou indicar como pretende conduzir a política monetária ou em que condições utilizaria os instrumentos disponíveis, mantendo indefinida a função de reação do Fed. Ao mesmo tempo, a divulgação de uma inflação mais fraca em junho reduz a urgência por novas altas de juros no curto prazo e dá ao Comitê mais tempo para avaliar a evolução dos dados antes de decidir os próximos passos.
Jul 14 8 tweets 6 min read
Oriente Médio Volta ao Foco
By Dan Kawa
14Jul26

Nesta segunda-feira, o Oriente Médio voltou ao centro das atenções e provocou um movimento clássico de aversão a risco nos mercados globais. A escalada das tensões impulsionou o petróleo em cerca de 10%, reacendendo preocupações com inflação. Como consequência, vimos forte abertura de juros nos EUA (com reflexos nas demais curvas do mundo) e o dólar se fortaleceu. No mercado acionário, as bolsas fecharam em queda, com desempenho ainda mais fraco das empresas de tecnologia, mais sensíveis ao aumento do custo de capital. Chamou atenção, porém, a forte queda do ouro, indicando realização de lucros e ajustes de posicionamento, enquanto o Bitcoin também acompanhou o movimento de redução de risco.Image
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Antes de entrarmos nos detalhes do cenário internacional, vale aqui uma atenção para um detalhe da pesquisa eleitoral da Nexus/BTG. A preferência por uma nova candidatura apoiada por Jair Bolsonaro recuou de 36% para 32% nesta rodada, enquanto a preferência por Lula também diminuiu, de 39% para 36%, preservando uma vantagem de quatro pontos. O principal destaque, porém, é o crescimento consistente da parcela que prefere um candidato fora da polarização, sem apoio de Lula ou Bolsonaro, que atingiu 27%, o maior nível da série histórica. O movimento sugere que, embora Lula e o campo bolsonarista continuem concentrando a maior parte das preferências, aumenta gradualmente o espaço para uma alternativa de terceira via, refletindo um eleitorado que demonstra cansaço da polarização, ainda que esse sentimento permaneça disperso e sem um nome capaz de capturá-lo.Image
Jul 13 8 tweets 6 min read
Ruídos vs Sinais
By Dan Kawa
13Jul26

Após passar uma semana de férias, longe das telas, volto ainda mais convencido da importância dessas pausas em relação ao dia a dia dos mercados, seja durante férias ou mesmo em viagens de trabalho. Elas ajudam a colocar os acontecimentos em perspectiva. Ao retornar, fica evidente que boa parte da volatilidade diária é muito mais ruído do que sinal e que, passados alguns dias, poucas coisas realmente mudaram de forma estrutural.

Essa experiência reforça que apenas uma pequena parcela das centenas de e-mails, notícias e publicações que deixamos de acompanhar carrega informações capazes de alterar uma tese de investimento. O restante tende a alimentar apenas o ruído do curto prazo.

Para o investidor de longo prazo, isso reforça a importância de ter convicção no seu processo de investimento e na construção do portfólio, evitando a tentação de reagir a cada movimento do mercado. Afinal, portfólios bem estruturados devem ser capazes de atravessar diferentes cenários sem depender de decisões impulsivas motivadas pela volatilidade do dia a dia. Uma das mudanças que pode representar muito mais um sinal do que apenas ruído, embora ainda demande confirmação, é o avanço dos indícios de desaceleração da atividade econômica e, agora de forma mais clara, de acomodação e, até mesmo, de arrefecimento da inflação. Esse movimento tem sido observado não apenas nos EUA, mas, especialmente, no Brasil.

O IPCA divulgado na sexta-feira no Brasil foi a última prova deste cenário. A inflação de junho surpreendeu positivamente, ficando abaixo das expectativas de mercado de forma disseminada, com desaceleração observada tanto em alimentos quanto nos componentes de serviços e bens. As medidas de inflação subjacente também mostraram melhora, especialmente nos serviços, reforçando a percepção de que as pressões inflacionárias perderam intensidade nas últimas semanas.Image
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Jun 18 7 tweets 5 min read
Fed: "A Whole New World"
By Dan Kawa
18Jun26

O destaque da quarta-feira ficou por conta da decisão de política monetária do Fed, nos EUA. A despeito de terem deixando as taxas de juros estáveis, como era amplamente esperado, o comunicado após a decisão, assim como a sinalização para as taxas de juros futuras, feitas pelos membros do Comitê, mostraram um tom mais duro, indicando potencial alta de juros ao longo deste ano. O novo presidente do Fed também sinalizou para eventuais mudanças na forma de executar a política monetária, especialmente no tocante a comunicação e transparência, o que gerou algum desconforto de curto-prazo nos ativo de risco.

Essa combinação de sinais, que de certa forma surpreendeu o mercado, acabou acentuando a tendência de "excepcionalismo americano" no preço dos ativos de risco, com a o dólar mais forte, abertura de juros e pressão nas bolsas. Parte destes movimentos está sendo revertido essa manhã.Image
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O Fed manteve os juros entre 3,50% e 3,75%, mas a mensagem da reunião foi claramente mais dura. A autoridade monetária destacou que a atividade econômica segue sólida, o mercado de trabalho permanece resiliente e a inflação continua elevada, especialmente devido aos choques de oferta ligados à energia. As novas projeções mostram inflação mais alta e crescimento um pouco mais fraco em 2026, enquanto a mediana dos membros do comitê passou a indicar juros estáveis ou até uma nova alta no próximo ano.Image
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Jun 5 9 tweets 5 min read
Crescimento, Inflação, Juros e Aversão a Risco
By Dan Kawa
05Jun26

A despeito de todos os desafios que a economia global vem atravessando, os dados de crescimento continuam apontando na direção de uma economia saudável e, até mesmo, robusta ,em várias regiões, conforme podemos ver nos indicadores divulgados nos últimos dias (alguns deles comentados abaixo). A contrapartida disso é uma inflação mais alta no mundo e bancos centrais mais cautelosos.

Este pano de fundo levou o mercado a precificar um ciclo de alta de juros em vários países, o que está pressionando as curvas de juros e já levando a alguma aversão a risco em alguns ativos ao redor do mundo, como é o caso do Brasil, nas últimas semanas.

Hoje, os dados do mercado de trabalho de maio nos EUA serão o destaque da agenda, é um indicador de curto-prazo importante dentro deste quadro descrito acima. Nos mercados, destaque das últimas 48h para a forte pressão negativa no mercado Crypto.Image Antes de entrarmos nos dados econômicos, uma visão geral interessante sobre os indicadores da tese de IA , que continuam robustos, mas com uma adoção que ainda mostra espaço para ampla expansão: Image
Jun 3 7 tweets 6 min read
Sensação de "Bolha" & Cenário Econômico
By Dan Kawa
03Jun26

O pano de fundo segue sem alterações relevantes para o cenário econômico ou os principais temas de mercado, o que tem mantido as principais tendências inalteradas. O petróleo voltou a subir, com a hostilidade militar entre os EUA-Israel e o Irã retornando, mas isso, por ora, ainda não está afetando os demais ativos de risco. Vemos alguma pressão de alta nos juros globais, mas ainda tímida.

As bolsas seguem focadas na alta parabólica em busca de teses de IA. A "bola da vez" é o setor de semicondutores e países como Coreia do Sul e Taiwan. Nesta frente, começo a ver movimentos exponenciais de alta que me preocupam do ponto de vista racional e técnico, e podem vir a ser um problema mais a frente. Há a sensação de "bolha" em alguns nichos do mercado. Faço esta afirmação sabendo da enorme dificuldade em identificar "bolhas" "ex-ante", mas a dinâmica de alguns setores e países, comparando com o passado, passam esta sensação.Image
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A concentração do mercado americano em empresas ligadas à IA atingiu níveis históricos, com o setor já representando cerca de metade do S&P 500. O forte crescimento de lucros e investimentos segue sustentando o rali, mas a próxima onda de IPOs, como SpaceX, OpenAI e Anthropic, pode ampliar ainda mais essa concentração. Ao mesmo tempo, valuations elevados e sinais de especulação aumentam os debates sobre uma possível bolha. Ainda assim, a IA continua concentrando parcela crescente dos fluxos de capital, do crescimento dos lucros e da atenção dos investidores globais.Image
Jun 2 8 tweets 4 min read
A dominância da tese de IA
By Dan Kawa
02Jun26

O mês de junho começou com a mesma dinâmica e as mesmas teses dos últimos meses dominando as narrativas. Vimos forte alta do Petróleo, na ausência de avanços nas negociações entre os EUA e o Irã; os temas (ações e/ou regiões) mais expostas a IA canalizando os fluxos e os retornos; e os ativos do Brasil pressionados por este pano de fundo, que tornam os fluxos mais escassos e negativos para o país.

Como veremos abaixo, impressiona o movimento de alta (quase parabólica) em alguns nichos de mercado mais ligados a IA, especialmente ao longo do mês de maio. Os indicadores de sentimento e posicionamento mostram um retorno rápido dos investidores aos ativos de risco, com forte concentração em tecnologia e IA. Hedge funds aumentaram agressivamente a exposição ao setor, enquanto investidores de varejo ampliaram posições em mercados como EUA, Coreia e Taiwan. Apesar do ambiente claramente “risk-on”, pesquisas de sentimento mais moderadas e fluxos ainda robustos para renda fixa defensiva sugerem que a euforia ainda não atingiu níveis extremos. A principal característica do mercado hoje é a crescente dependência da continuidade da tese de IA.Image
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Jun 1 5 tweets 4 min read
Irã: A saga continua
By Dan Kawa
01Jun26

O final de semana foi de pouca evolução ou alteração nos principais temas que tem ditado a dinâmica dos ativos globais de risco. A notícia de novos ataques pontuais dos EUA ao Irã está levando o Petróleo a amanhecer em alta acima de 3%, mas com impacto limitado as bolsas ou demais ativos de risco, até o momento:Image Os PMIs da China de maio divulgados no final de semana mostraram uma economia ainda em expansão marginal, mas claramente perdendo força. O PMI manufatureiro oficial caiu para 50,0, enquanto o PMI privado também desacelerou para 51,8, sinalizando crescimento mais lento. O principal ponto negativo foi a fraqueza da demanda, com novos pedidos e, sobretudo, exportações entrando em contração (abaixo de 50), enquanto a produção segue resiliente acima de 51. Ao mesmo tempo, o setor de serviços voltou a crescer (PMI ~50,1), ajudando a sustentar a atividade geral, mas o quadro agregado indica desaceleração do momentum após um 1T26, com pressão de custos ainda elevada e crescimento dependente de suporte de políticas e da recuperação da demanda externa.Image
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May 26 7 tweets 5 min read
Guerra, IA e juros pressionam fluxo de capitais
By Dan Kawa
26Mai26

Os mercados globais seguem focados no eventual avanço de um acordo de paz entre os EUA e o Irã, o que ajudou a dar suporte aos ativos de risco ontem. Os rumores são de avanços nas negociações, a despeito de ataques pontuais, defensivos, feitos pelos EUA/Israel ao território do Irã na noite de ontem, que está gerando alguma volatilidade essa manhã. segundo notícia do FT:

ft.com/content/eec480…Image No Brasil, a terceira rodada da pesquisa eleitoral realizada pela Nexus para o BTG e divulgada ontem, os resultados pareceram menos negativos para Flávio do que indicavam os primeiros trackings e levantamentos divulgados anteriormente. Como ainda há um período longo até a eleição, Flávio segue demonstrando competitividade no cenário eleitoral, o que pode sustentar sua permanência na disputa. Neste momento, o cenário parece indicar que seriam necessários novos desdobramentos ou informações adicionais para que sua candidatura viesse, de fato, a se tornar inviável, como muitos chegaram a questionar há alguns dias atrás. Na margem, a situação parece melhor para Lula, mas o cenário segue fluido e competitivo:Image
May 18 7 tweets 5 min read
Oriente Médio, Juros e Eleições
By Dan Kawa
18Mai26

Sem um desfecho para o conflito no Oriente Médio e com o petróleo novamente em alta, os juros globais continuam em patamar elevado e exercendo pressão sobre as bolsas ao redor do mundo. Escrevi sobre este pano de fundo no final de semana, aqui: . Três temas devem concentrar a atenção dos mercados no curto prazo, dois de natureza internacional, profundamente interligados, e um de caráter local. No cenário externo, a guerra no Oriente Médio segue como o principal vetor para os mercados, tanto no horizonte imediato quanto nas implicações de mais longo prazo. É justamente esse fator que também vem determinando o segundo ponto central para os investidores, que é a trajetória e o nível de acomodação dos juros globais.

No cenário local, as recentes revelações envolvendo Flávio Bolsonaro vêm redesenhando o cenário eleitoral de curto prazo e, potencialmente, também o de longo prazo para as eleições presidenciais no Brasil. As pesquisas mais recentes, que ainda não capturam integralmente esses eventos, seguem indicando um quadro de empate técnico entre Flávio e Lula. Ainda assim, informações de mercado apontam que trackings mais recentes, ainda não públicos ou oficiais, já mostrariam uma abertura relevante de vantagem para Lula, na ordem de aproximadamente 7pp. Caso esse movimento se consolide e não haja reversão ao longo das próximas semanas e meses, os impactos sobre alianças políticas, percepção dos agentes econômicos e dinâmica eleitoral tendem a ganhar relevância crescente até as eleições.
May 15 5 tweets 3 min read
Alta nas taxas de juros pressiona ativos de risco
By Dan Kawa
15Mai26

Pela primeira vez em algum tempo a alta nas taxas globais de juros está exercendo impacto negativo nos mercados. A história das últimas horas é mais uma rodada de alta nas taxas de juros (vide tabela e gráficos abaixo) que, desta vez, estão pressionando os mercados globais de ações e, em especial, os setores e regiões mais ligados a tese de tecnologia e IA:Image
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No campo econômico, a recente alta do preço do petróleo e a inflação mais persistente está levando alguns agentes a fazerem uma analogia com o cenário da década de 70: Image
May 13 5 tweets 3 min read
Inflação persistente pressiona juros nos EUA e Brasil
By Dan Kawa
13Mai26

A terça-feira teve como grande destaque a divulgação dos dados de inflação, nos EUA e no Brasil. Números mais elevados levaram a pressão de alta nas taxas de juros de ambos os país, mantendo um tom de alguma aversão a risco.

O presidente dos EUA inicia nas próximas horas sua visita à China. Trump está acompanhado pelos CEOs das principais empresas americanas e espera-se que as reuniões no país possam ser importantes para destravar acordos comerciais e melhorar a relação entre as duas potenciais. A inflação americana de abril voltou a reforçar a percepção de um ambiente inflacionário mais persistente do que o Fed gostaria. O headline acelerou novamente puxado por energia e alimentos, enquanto o núcleo seguiu firme, especialmente em serviços, aluguel e segmentos ligados ao mercado de trabalho. Mesmo descontando distorções pontuais em "alugueis ("shelter"), a inflação subjacente continua rodando acima da meta e consistente com uma economia ainda resiliente. Ao mesmo tempo, o choque do petróleo ligado ao Oriente Médio começa a contaminar gradualmente mais categorias, incluindo transportes, alimentos e parte dos serviços. O dado reforça a visão de um Fed ainda bastante cauteloso, com espaço limitado para cortes de juros no curto prazo e risco crescente de manutenção de juros elevados por mais tempo.Image
May 11 9 tweets 5 min read
Emprego nos EUA: sinais de fraqueza, não recessão
By Dan Kawa
11Mai26

Na noite de ontem, Trump postou em relação as negociações com o Irã: “Acabei de ler a resposta dos chamados ‘representantes’ do Irã. Não gostei — TOTALMENTE INACEITÁVEL! Obrigado pela atenção a este assunto. Presidente Donald J. Trump.”

A mensagem sugere uma deterioração nas negociações entre EUA e Irã, em meio ao recente aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio. O tom mais duro de Trump tende a elevar a percepção de risco nos mercados, especialmente em petróleo, juros e ativos de risco globais. Ainda assim, à exceção de uma alta mais relevante do petróleo, o prolongamento das negociações e as frequentes mudanças de tom de Trump fizeram com que os ativos de risco reagissem apenas de maneira moderadamente negativa nesta manhã. Os mercados continuam mostrando uma resiliência impressionante, sustentados principalmente pela força dos resultados corporativos e pela continuidade do ciclo de IA global. Nos EUA, a temporada de balanços segue muito acima das expectativas, mas o movimento já começa a ficar mais amplo, com melhora também em Europa e Japão, enquanto semicondutores, infraestrutura de IA e Big Tech seguem liderando os ganhos.

Ao mesmo tempo, o pano de fundo macro ainda parece relativamente benigno, com desaceleração gradual do mercado de trabalho sem sinais mais claros de recessão ou aperto adicional do Fed. Ainda assim, o cenário segue bastante concentrado em poucos temas e regiões, especialmente IA, semicondutores e Ásia, enquanto partes importantes do consumo global continuam pressionadas por energia mais cara e renda mais apertada. O ambiente permanece positivo, mas cada vez mais rápido, seletivo e sensível a mudanças de narrativa.
May 8 7 tweets 5 min read
Brasil: Fluxos & Rotações
By Dan Kawa
08Mai26

Algumas dinâmicas de fluxo parecem estar exercendo impacto relevante sobre os ativos locais nos últimos dias. Primeiro, o retorno do tema de Inteligência Artificial voltou a direcionar fluxo para os EUA, especialmente para o setor de tecnologia, o que pode estar contribuindo para a recente saída de investidores estrangeiros da bolsa brasileira.Image No lado micro, o IPO da Compass também pode ter contribuído para pressionar as ações do setor de energia, à medida que alguns gestores e fundos realizaram posições para gerar caixa e participar da nova oferta. Além disso, a temporada recente de resultados corporativos trimestrais trouxe maior dispersão entre os ativos, com movimentos mais acentuados, tanto positivos quanto negativos, em ações específicas.
May 7 7 tweets 5 min read
Um Olhar para Inteligência Artificial (IA)
By Dan Kawa
07Mai26

A indicação de que um "acordo de paz" estrutural entre EUA e Irã estaria para ser assinado levou a uma rodada de otimismo, com o petróleo caindo em torno de 7%, levando a ma queda das taxas de juros globais, alta das bolsas e dólar forte no mundo. No campo de política monetária, o Norges Bank (Banco Central da Noruega) se tornou o terceiro banco central do G10 a elevar os juros neste ciclo, depois do Banco do Japão (BoJ) e do Banco Central da Austrália (RBA). Isso mostra que alguns países desenvolvidos começaram a voltar a subir juros após um período de cortes ou estabilidade. Sinaliza que o processo global de afrouxamento monetário pode ser menos linear e mais cauteloso do que o mercado imaginava, especialmente com a alta no petróleo.Image
May 6 7 tweets 4 min read
Impacto de Trump no Estreito de Hormuz
By Dan Kawa
06Mai26

A decisão de Trump de pausar a escolta militar a navios comerciais no Estreito de Hormuz foi interpretada pelo mercado como um sinal relevante de desescalada e maior espaço para solução diplomática com o Irã. A medida ocorreu logo após o início da operação e veio acompanhada de avanço nas negociações mediadas pelo Paquistão e maior envolvimento da China no diálogo regional. Como resposta, bolsas globais subiram, petróleo recuou e ativos defensivos ganharam força, refletindo redução parcial do prêmio de risco associado ao choque geopolítico e ao risco de interrupção prolongada no fluxo de energia. Este ambiente, trouxe nova onda de fluxos ao Brasil, que teve uma terça-feira de forte valorização de seus ativos. No Brasil, a ata do Copom reforça que o BC segue vendo espaço para continuidade do ciclo de cortes, mesmo diante do choque inflacionário, apoiado na desaceleração da atividade. Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com os efeitos persistentes do choque de energia, especialmente nas expectativas mais longas, o que abre a discussão sobre extensão do horizonte de convergência da inflação. Esse ponto ajuda a explicar a manutenção do ciclo mesmo com projeções acima da meta no horizonte relevante. Ainda assim, o BC mantém flexibilidade total, e embora o cenário base ainda contemple cortes adicionais, aumenta a probabilidade de um ritmo mais lento ou ciclo mais curto diante da piora do balanço inflacionário.Image
May 5 9 tweets 5 min read
O cenário global segue resiliente, porém mais arriscado no curto prazo
By Dan Kawa
05Mai26

A segunda-feira foi de pequena realização de lucros nos mercados, após alguma deterioração do cenário no Oriente Médio. Hoje pela manhã, já estamos vendo alguma recuperação. O cenário global segue resiliente, porém mais arriscado no curto prazo. A escalada no Golfo mantém o petróleo elevado, próximo de US$114, aumentando o risco de estagflação ou recessão. Ainda assim, a atividade industrial surpreende positivamente, com PMI em máximas de quase cinco anos e crescimento próximo de 3%, sustentado por capex e demanda fortes, embora parcialmente antecipados. Ao mesmo tempo, pressões de custos via energia se intensificam e bancos centrais seguem cautelosos. Em síntese, crescimento ainda sólido, mas com riscos crescentes ligados ao choque energético.Image
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May 4 8 tweets 6 min read
Abril: Trajetória de Recuperação
By Dan Kawa
04Mai26

No último dia de abril, o S&P 500 registrou oficialmente seu maior fechamento da história, o segundo melhor mês de abril e acumulou alta de +14,2% desde a mínima de 30 de março. Isso representa +US$ 8,1 TRILHÕES em valor de mercado adicionados em apenas 23 pregões.Image
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Após a alta de abril, o mercado apresenta um posicionamento esticado, o que historicamente reduz o retorno esperado no curto prazo e aumenta a sensibilidade a movimentos de fluxo. Nesse contexto, a dinâmica passa a ser menos sustentada por fundamentos e mais influenciada por entradas e saídas de capital (fluxos):Image
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Apr 30 7 tweets 4 min read
Juros, Bancos Centrais e Uma Derrota de Lula
By Dan Kawa
30Abr26

A continuidade de alta no preço do petróleo levou a alguma correção dos ativos de risco mas, no geral, ainda tímida perto da recuperação verificada ao longo do mês de abril. Os ativos do Brasil vem apresentando pressão maior, no que parece ser a continuidade de fluxos de saída, após um começo de ano bastante positivo. No Brasil, o BCB cortou a Selic em 25bps para 14,50%, em linha com o esperado, mantendo um tom cauteloso e reforçando a continuidade do processo de ajuste em ritmo gradual. A autoridade monetária sinaliza que precisa de mais tempo para avaliar os efeitos do conflito sobre inflação, atividade e condições financeiras, em um ambiente de incerteza ainda elevada. Apesar de ainda enxergar desaceleração adiante, o cenário ficou mais desafiador, com pressão de petróleo e possíveis estímulos fiscais e de crédito, o que pode limitar o ritmo de cortes à frente e até encurtar o ciclo de afrouxamento caso esses vetores se confirmem.
Apr 29 5 tweets 3 min read
Petróleo alto e riscos macroeconômicos em 2026
By Dan Kawa
29Abr26

A bolsa do Brasil tem passado por um momento de realização de lucros, que pode ser explicada pela saída de pequena parte do fluxo de capital estrangeiro que havia entrado no Brasil este ano: Image Com o petróleo mais alto e sem uma solução definitiva para o conflito, o mercado começa a desenhar cenário alternativos para preços estruturalmente mais elevados. Segundo o JPM, Um fechamento mais prolongado do Estreito de Ormuz elevaria significativamente o risco macro global, com um cenário adverso em que o Brent poderia chegar a US$150/barril nos próximos meses. Esse choque seria maior que o de 2022 e mais próximo dos episódios de 1979 e 1990, pressionando inflação e reduzindo crescimento. Pelas estimativas citadas, o impacto poderia adicionar mais de 2 p.p. à inflação e retirar cerca de 1,6 p.p. do PIB global em 2026, colocando em risco a continuidade da expansão econômica.Image