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Opiniões Pessoais. Economista, Gestor, Portfólio Manager, Investidor Anjo. Não faço recomendações de investimento. Analiso cenário.
Apr 27 8 tweets 5 min read
Foco nos Fundamentos. Um olho em Zema...
By Dan Kawa
27Abr26

O final de semana trouxe poucas novidades no que tange o conflito no Oriente Médio. A despeito de um preço do petróleo ainda alto e subindo, o mercado de ações segue bem suportado, mas mantendo os juros globais com pressão altista em suas taxas.

Os lucros devem enfrentar pressão no curto prazo com disrupções nas cadeias produtivas afetando o crescimento, mas a leitura central é de que o choque é temporário. Como o conflito não deve se prolongar, o mercado tende a olhar através dessa fraqueza, tratando o risco como cíclico e não estrutural, mas não deixa de ser um risco que pode trazer incerteza, volatilidade e correções pontuais aos ativos de risco:Image A sensibilidade da economia ao petróleo caiu de forma estrutural nas últimas décadas, com os EUA consumindo hoje cerca de 60% menos petróleo por unidade de PIB do que nos anos 70, o que reduz o impacto macro de choques energéticos: Image
Apr 24 7 tweets 5 min read
Oriente Médio e além...
By Dan Kawa
24Abr26

Os ativos de risco continuam sensíveis as notícias do Oriente Médio. Por ora, existe um cessar-fogo frágil em andamento, mas sem sinais concretos de avanços nas negociações para um acordo de paz mais prolongado. Para além do conflito no Oriente Médio e a dinâmica de mercado, o cenário para inflação, crescimento e política monetária nos EUA é um tema que merece atenção e a aparição de Kevin Warsh, indicado para a presidência do Fed, no Congresso Americano essa semana, merece destaque.

A discussão indica que o Fed pode rever como mede a inflação, com Warsh defendendo indicadores que capturem melhor o núcleo, como o trimmed mean, que hoje sugere inflação mais próxima da meta e poderia justificar uma postura mais dovish. Ainda assim, no longo prazo essas métricas não mudam muito o diagnóstico, e o impacto real dependeria mais de uma eventual mudança no regime, como adotar uma meta em faixa em vez de um ponto.Image
Apr 23 10 tweets 6 min read
Tensão, Rotação e Acomodação
By Dan Kawa
23Abr26

Aparentemente, estamos passando por alguma rotação nos mercados globais, com a bolsa dos EUA se destacando e, alguns queridinhos, como o Brasil, sofrendo alguma realização de lucros nos últimos dias. Dado a magnitude e velocidade da alta e dos fluxos recentes, uma acomodação é natural e, não necessariamente, significa qualquer mudança estrutural ou permanente de tendência. O petróleo segue em forte alta pelo terceiro dia consecutivo, com o WTI próximo de US$ 94 e o Brent acima de US$ 100, refletindo uma escalada relevante das tensões geopolíticas. O movimento é impulsionado pelo aumento do risco de oferta após ações recentes envolvendo o Estreito de Ormuz, incluindo apreensão de navios pelo Irã e bloqueios liderados pelos EUA, além da ausência de avanço nas negociações entre Donald Trump e o governo iraniano. Com o fluxo de petróleo ainda comprometido em uma das principais rotas globais de energia, o mercado passa a precificar uma disrupção mais prolongada de oferta, reforçando a percepção de que o choque energético global ainda está longe de ser resolvido.
Apr 22 10 tweets 6 min read
Cessar Fogo, Earnings & Crescimento
By Dan Kawa
22Abr26

O conflito no Oriente Médio continua a ser o principal vetor de direcionamento dos ativos de risco no curto prazo. Contudo, por trás dessa “cortina de fumaça”, observamos fundamentos que seguem dando suporte aos mercados. Em especial, destacam-se (e serão aprofundados a seguir): (1) um setor corporativo saudável nos EUA e no mundo, com expansão e crescimento de lucros, e (2) uma economia americana (e global) que apresenta sinais de crescimento consistente.

Apesar de ainda não haver um acordo de paz definitivo entre EUA e Irã, os EUA anunciaram ontem um cessar-fogo, com o objetivo de viabilizar uma negociação mais prolongada para um acordo de longo prazo, o que tem contribuído para o suporte dos ativos de risco. Ontem, nos EUA, a divulgação das vendas no varejo de março (+1,7%) mostraram forte alta, impulsionadas principalmente pelo aumento dos preços de gasolina, mas com o núcleo também mostrando resiliência (+0,6%), apoiado por restituições de impostos, clima favorável e mercado de trabalho sólido. O consumo real segue positivo, com crescimento moderado no trimestre, embora haja sinais iniciais de desaceleração em abril.Image
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Apr 16 7 tweets 5 min read
Novos Picos & Ciclos Eleitorais
By Dan Kawa
16Abr26

Na China, a economia surpreendeu positivamente no crescimento do PIB no 1T, mas os dados de atividade mostram uma dinâmica desequilibrada, com indústria e exportações ainda resilientes enquanto consumo, varejo e setor imobiliário seguem fracos. Houve desaceleração na produção industrial, investimento e vendas no varejo ao longo de março, além de um mercado imobiliário ainda deprimido e leve deterioração no mercado de trabalho. Apesar disso, a melhora no crescimento nominal, impulsionada por inflação mais alta, e o desempenho acima do esperado reduzem a urgência de novos estímulos no curto prazo, reforçando um cenário de crescimento moderado, porém heterogêneo, para os próximos trimestresImage
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Nos EUA, os resultados dos grandes bancos indicam que a economia americana segue resiliente, mas com sinais claros de desaceleração. Apesar de lucros acima do esperado, há cautela nas projeções, com revisão para baixo de receitas futuras e menção a riscos crescentes. O cenário ainda aponta para uma economia em crescimento, porém em desaceleração, sem sinais imediatos de recessão, o que, combinado a menor tensão geopolítica, sustenta o movimento positivo dos mercados.Image
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Apr 15 7 tweets 4 min read
Fundamento, Técnico e Valuations
By Dan Kawa
15Abr26

A perspectiva de normalização da situação no Oriente Médio levou a uma forte queda no preço do petróleo, que impulsionou os ativos de risco. Aliado a isso, como temos alertado, uma posição técnica mais saudável após o ajuste de março, valuations mais atrativos e a perspectiva de um temporada de resultados corporativos positiva nos EUA e no mundo, está ajudando a dar suporte aos ativos de risco.

Diversos indicadores técnicos e de sentimento mostravam um mercado mais cauteloso, o que ajuda a dar suporte em "momentos de virada":Image
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O S&P 500 subiu quase 10% nos últimos 10 pregões, registrando o melhor desempenho em um período de 10 dias desde a recuperação após as mínimas da COVID em março de 2020. Image
Apr 14 11 tweets 6 min read
Brasil: Eleição, Juros e Fluxo
By Dan Kawa
14Abr26

“History doesn’t repeat itself, but it often rhymes.” - Mark Twain (possivelmente...)

Após abrirmos a semana com a notícia de que não houve acordo entre EUA e Irã, os sinais de que ambos os lados ainda estão dispostos em negociar, acabou dando suporte aos ativos de risco, que fecharam a segunda-feira em tom mais positivo. Antes de voltarmos ao cenário internacional, algumas perspectivas locais. No campo político-eleitoral, os números recentes das pesquisas para eleição presidencial, especialmente se comparados ao que vimos em 2022, começam a mostrar um claro favorecimento, neste momento, a Flávio Bolsonaro:

@RobertoReisImage
Apr 13 7 tweets 4 min read
Geopolítica Internacional e Eleições no Brasil
By Dan Kawa
13Abr26

Os ativos de risco estão abrindo com uma aversão a risco "leve", após as negociações entre os EUA e o Irã não chegarem a um acordo final, mas as portas se manterem abertas para novas tentativas.

No cenário internacional, as negociações entre EUA e Irã fracassaram após 21 horas, com ruptura clara no tema central, o programa nuclear, onde o Irã se recusou a assumir qualquer limitação ao desenvolvimento de armamento. A reação americana foi imediata, com Trump anunciando bloqueio naval no Estreito de Ormuz, enquanto o Irã respondeu endurecendo o tom e sinalizando controle mais agressivo da passagem. O episódio marca uma mudança relevante de regime, saindo de tensão diplomática para risco concreto de disrupção física em um dos principais chokepoints globais.Image No Brasil, Flávio Bolsonaro aparece pela primeira vez numericamente à frente de Lula em um cenário de segundo turno, segundo o Datafolha, ainda dentro da margem de erro, enquanto no primeiro turno a diferença entre ambos caiu de forma relevante nos últimos meses, indicando uma convergência mais rápida das intenções de voto. Em paralelo, o movimento político ganha tração com a aproximação pública entre Flávio e Romeu Zema, que sinalizam uma possível composição, reforçando a leitura de que a direita tende a se organizar em torno de uma alternativa mais unificada para 2026 (x.com/flaviobolsonar…)Image
Apr 9 6 tweets 4 min read
O Dia Seguinte
By Dan Kawa
09Abr26

A notícia do cessar fogo no Oriente Médio levou a uma forte apreciação dos ativos de risco. Contudo, o fato de ambos os lados parecerem estar infringindo o que foi acordado, levou a alguma moderação dos movimentos ao final da quarta-feira e começo do dia de hoje. As próximas horas serão fundamentais para a confirmação (ou não) da sustentabilidade do acordo, e os mercados continuarão binários neste aspecto.

A melhora do mercado ontem levou a uma alta de cerca de 2% do Ibovespa, mesmo com a Petrobras, ação relevante no índice, caindo em torno de 4%, em movimento contrário ao que vimos desde o começo do conflito no Oriente Médio:Image No Brasil, no campo político, a pesquisa Meio/Ideia de abril de 2026 mostra um cenário eleitoral ainda aberto, com liderança consistente de Lula no primeiro turno, mas com forte aproximação de Flávio Bolsonaro e elevada volatilidade do eleitorado, especialmente à direita, refletida no alto percentual de indecisos e na baixa consolidação de voto fora do núcleo lulista. No segundo turno, a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro aparece tecnicamente empatada, enquanto outros nomes de direita ainda não se consolidam como alternativa competitiva, em um contexto em que fatores econômicos, especialmente custo de vida e endividamento, emergem como principais determinantes do voto e ampliam o risco político para o incumbente, ao mesmo tempo em que o ambiente segue marcado por polarização, rejeição elevada dos principais candidatos e percepção de fragilidade institucional, indicando uma eleição altamente disputada e sensível a mudanças de curto prazoImage
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Apr 8 8 tweets 5 min read
Cessar Fogo!
By Dan Kawa
08Abr26

Os EUA e o Irão anunciaram ontem a noite um cessar fogo de duas semanas, período em que um acordo permanente será negociado. Como eu vinha escrevendo nos últimos dias, o quadro técnico vinha apresentado melhora no mercado, e os valuations tinham se tornado mais atrativos, o que está ajudando a impulsionar um movimento de forte fechamento de juros, alta das bolsas e das cryptos e enfraquecimento do dólar. O petróleo apresenta uma de suas quedas diárias mais agudas da história:Image Vale lembrar que quedas médias de ~14% ao ano (praticamente todo ano) são parte natural do mercado, mas, ainda assim, o S&P 500 subiu em 35 dos últimos 46 anos, ou seja, a volatilidade é o custo inevitável para capturar retornos de longo prazo: Image
Apr 7 6 tweets 3 min read
Oriente Médio, Técnico e Valuations
By Dan Kawa
07Abr26

O mercado segue a mercê de notícias relacionadas ao conflito no Oriente Médio. As negociações entre EUA e Irã seguem ocorrendo, enquanto o prazo dos EUA se encerra essa noite. Abaixo, comento um pouco sobre o quadro técnico, a correlação atual de ativos e algumas atualizações do mercado de crédito nos EUA. No quadro técnico, o posicionamento em ações nos EUA seguiu caindo e já está underweight (abaixo da média), mas ainda longe de níveis extremos históricos. A redução recente foi liderada por estratégias sistemáticas, enquanto investidores discricionários ficaram estáveis, levando ambos a níveis similares de exposição e deixando o mercado mais leve, porém sem sinais de capitulação.Image
Apr 6 7 tweets 5 min read
Oriente Médio: Nova tentativa de cessar fogo
By Dan Kawa
06Abr26

Segundo rumores, os EUA, Irã e mediadores regionais discutem um possível cessar-fogo de 45 dias como uma última tentativa de evitar uma escalada mais severa do conflito, incluindo ataques massivos à infraestrutura civil iraniana. A proposta envolve duas fases, sendo a primeira esse cessar-fogo temporário durante o qual se negociaria um acordo permanente para encerrar a guerra. Apesar de o governo Trump ter apresentado diferentes propostas recentemente, até o momento o Irã não aceitou os termos, e as chances de um acordo parcial nas próximas 48 horas ainda são consideradas baixas. Mesmo assim, a simples sinalização de avanço nas negociações foi suficiente para levar os futuros do mercado acionário americano a reverterem totalmente as perdas. O conflito EUA–Israel vs. Irã entrou no fim de semana mais tenso desde seu início em 28 de fevereiro, com terça-feira, 7 de abril, sendo o prazo final para o Irã reabrir o Estreito de Ormuz, sob ameaça de Trump de destruir usinas elétricas e pontes do país. Na sexta-feira, o Irã abateu um F-15E americano sobre seu território (o primeiro da guerra), com um coronel da USAF resgatado apenas no domingo em operação de risco nas montanhas iranianas. No sábado, Trump publicou um ultimato de 48 horas no Truth Social e, após o resgate, escalou a retórica com um post inédito cheio de palavrões prometendo o "Dia das Usinas e das Pontes". Enquanto isso, Israel atacou o maior complexo petroquímico do Irã (responsável por 70% da gasolina doméstica) e os arredores de Bushehr pela quarta vez, enquanto drones iranianos incendiaram refinarias no Kuwait e no Bahrein, com o petróleo chegando a US$ 107/barril. No contraponto, circulam rumores de negociação ativa: o canal VP Vance–Ghalibaf, mediado pelo Paquistão, segue aberto, e o ministro das Relações Exteriores iraniano Araghchi sinalizou disposição para conversar — deixando as próximas horas como a janela diplomática mais crítica desde o início do conflito.
Apr 2 8 tweets 6 min read
Nova rodada de aversão a risco
By Dan Kawa
02Abr26

A continuidade da incerteza em relação a extensão do conflito no Oriente Médio está gerando uma nova rodada de aversão a risco nos mercados essa manhã, com um alta de mais de 6% no petróleo levando a queda das bolsas, dólar forte e abertura de taxas de juros.

Um gráfico do Bloomberg mostra que o S&P 500 tem iniciado a semana com força, mas perde tração no fechamento, indicando que investidores evitam carregar risco para o fim de semana diante da incerteza no Oriente Médio e das declarações imprevisíveis de Trump. O discurso recente trouxe pouca clareza, sem prazos, objetivos definidos ou sinalização sobre o Estreito de Hormuz, e, com o feriado prolongado de Páscoa, cresce a dúvida se a pressão vendedora continuará ou se o mercado romperá esse padrão recente.Image As vendas no varejo nos EUA se recuperaram em fevereiro, com alta de 0,6% m/m, após dois meses fracos, impulsionadas por clima mais favorável e alguma normalização de setores afetados por tempestades em janeiro. O consumo real avançou de forma moderada e mantém o 1T em trajetória próxima de 1,5% saar. Para março, o cenário mistura vetores opostos: de um lado, estímulos via cortes de impostos e maiores restituições; de outro, forte alta de ~25% nos preços da gasolina, com impacto mais disseminado na renda. Ainda assim, dados de gastos sugerem continuidade da força no consumo, indicando novo crescimento relevante no varejo, apesar da pressão de energia.Image
Apr 1 6 tweets 5 min read
O Início do Fim?
By Dan Kawa
01Abr26

Ontem pela manhã comentei sobre a sensação de um mercado tecnicamente saudável e um governo americano disposto a encontrar uma saída honrosa para o conflito no Oriente Médio (aqui:
x.com/DanKawa2/statu…). Continuo com a sensação que o mercado está tecnicamente muito saudável e que Trump está buscando fazer de tudo para encerrar o conflito, e só busca uma narrativa que o favoreça politicamente (sem entrar no mérito se isso será possível aos olhos da sociedade, e não apenas dele).Image
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Bastou vermos sinais de que existe alguma disposição do Irã em negociar para os ativos de risco apresentarem forte recuperação na terça-feira. Como podemos ver abaixo, a queda de alguns ativos nas últimas semanas já vinha chamando a atenção, pela magnitude, velocidade e comparado a movimentos históricos, o que tende a confirmar a visão de que o mercado passou por uma forte desalavancagem e hoje parece mais saudável:Image
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Mar 31 11 tweets 6 min read
Oriente Médio: Em busca de uma saída...
By Dan Kawa
31Mar26

Os sinais recentes, tanto na forma de rumores quanto nas declarações de Trump, sugerem um viés claro na direção de encerrar o conflito no Oriente Médio. Ainda assim, esse movimento tende a vir condicionado à construção de uma narrativa de saída que seja percebida como vitoriosa, ou, ao menos, “honrosa” sob a ótica política doméstica. Em paralelo, a dinâmica de mercado indica um quadro técnico mais equilibrado após os ajustes relevantes observados nas últimas semanas, reduzindo, na margem, fragilidades mais agudas. Segundo o The Wall Street Journal, o presidente Donald Trump estaria disposto a encerrar a guerra com o Irã mesmo com o Estreito de Hormuz ainda fechado, avaliando que uma operação para reabri-lo extrapolaria o horizonte desejado de 4 a 6 semanas. A estratégia seria focar na destruição da marinha iraniana e de seus estoques de mísseis, ao mesmo tempo em que buscaria encerrar as hostilidades e pressionar diplomaticamente pela retomada do fluxo comercial, delegando a aliados europeus e do Golfo a eventual reabertura do estreito caso necessário, movimento que já impulsiona a alta dos futuros das bolsas americanas.
Mar 30 9 tweets 5 min read
Mais do Mesmo...
By Dan Kawa
30Mar26

O final de semana não trouxe evoluções diferentes em relação ao conflito no Oriente Médio, hoje o grande determinante para a dinâmica dos mercados. Os mercados seguem flutuando a mercê de fluxos e rumores pontuais. Após abrir em forte queda, o S&P500 futuro opera em alta, neste momento, com o petróleo subindo cerca de 2%. A volatilidade intraday continua bastante elevada. O anúncio da entrada formal dos Houthis no conflito amplia de forma relevante o risco sistêmico no mercado de energia ao criar um segundo ponto crítico no Mar Vermelho, além do Estreito de Hormuz, expondo simultaneamente dois dos principais corredores globais de petróleo. Na prática, isso reduz drasticamente as alternativas logísticas, eleva o risco de disrupção nas cadeias de suprimento e coloca em risco cerca de 5 milhões de barris por dia da capacidade de exportação alternativa da Arábia Saudita via Yanbu. Caso haja escalada com ataques diretos à infraestrutura ou às rotas marítimas, o impacto pode ser significativo nos preços do petróleo e nas condições financeiras globais, tornando o cenário menos uma questão de possibilidade e mais de timing.Image
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Mar 26 6 tweets 3 min read
Brasil: Eleição & Fluxo
By Dan Kawa
26Mar26

A proposta de cessar fogo apresentada pelos EUA ao Irã, contendo 15 pontos de discussão, a princípio, parece ter sido negada pelo Irã, mas os rumores são de que as conversas para uma negociação continuam. Os ativos de risco seguem flutuando a mercê destas notícias. Mudando do contexto global para o cenário doméstico, a mais recente rodada de pesquisas eleitorais reforça uma dinâmica de avanço de Flávio nas intenções de voto, em contraposição a Lula. Ao mesmo tempo, observa-se que a taxa de rejeição de ambos os candidatos permanece elevada, enquanto a avaliação do governo Lula continua em trajetória de deterioração.

Caso esse quadro se mantenha, a evidência histórica sugere um ambiente pouco favorável à reeleição do incumbente, uma vez que níveis elevados de rejeição combinados com perda de aprovação tendem a limitar a competitividade eleitoral de quem está no poder.

Após empatar com Lula em fevereiro, Flávio abre 1pp de vantagem e chega a 47,6%, contra 46,6% de Lula. Enquanto Flávio cresceu 1,3pp, Lula cresceu 0,4pp no mesmo período.Image
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Mar 25 6 tweets 4 min read
Cessar Fogo...?
By Dan Kawa
25Mar26

O mercado segue exclusivamente focado no conflito do Oriente Médio. O novo "rumor" é de um potencial cessar fogo para a negociação de um acordo de 15 tópicos, aos moldes do que foi feito com Gaza. Isso levou a rápida e acentuada queda no preço do petróleo, e forte recuperação dos ativos de risco. Ainda há enorme incerteza quanto ao avanço dessa proposta, mas o movimento de mercado mostra como o técnica parece mais "limpo" e uma reversão de cenário geopolítico pode catapultar os ativos de risco. No Brasil, a ata do Copom de março trouxe poucas novidades em relação ao comunicado, reforçando a visão de continuidade do ciclo de cortes, com ritmo e duração dependentes da evolução do cenário, especialmente do conflito no Oriente Médio. O Banco Central reconhece uma leve recuperação da atividade no início de 2026 e alguma melhora na inflação corrente, embora destaque a alta recente das expectativas inflacionárias e o aumento da incerteza, com riscos mais elevados, possivelmente para cima, devido ao choque de energia. A decisão de corte de 25 bps indica abordagem cautelosa, mantendo flexibilidade para acelerar caso o cenário externo melhore.

O mercado retirou bastante corte da curva nas últimas semanas, o que poderia se reverter na eventualidade de uma suavização do conflito no Oriente Médio e uma queda no preço do petróleo:Image
Mar 24 6 tweets 4 min read
Uma Luz no Fim do Túnel?
By Dan Kawa
24Mar26

O conflito no Oriente Médio continua ditando o rumo dos mercados. A sinalização de que estão havendo conversas para um cessar fogo levou a uma forte recuperação dos ativos de risco ontem. A magnitude e velocidade dos movimentos mostra como este tema tem potencial de mudar a direção dos mercados, para qualquer um dos lados.

Estamos diante do maior choque no fluxo do petróleo da história, o que ajuda a explicar o temor recente dos mercados com uma possível extensão do conflito no Oriente Médio.Image Segundo o JPM, historicamente, episódios em que o preço do petróleo sobe rapidamente, na ordem de 50% a 60% em curtos períodos, não costumam ser, por si só, incompatíveis com desempenho positivo das bolsas. Em média, nesses momentos, as ações apresentaram leve alta, ao redor de +1%, embora haja casos de maior volatilidade no curto prazo. Além disso, quando esses choques de petróleo ocorreram, os retornos futuros das ações tenderam a ser positivos, com médias de aproximadamente +7% em 6 meses e +14% em 12 meses para o S&P 500. Os poucos episódios em que as bolsas caíram de forma mais relevante (como 1974, 2000 e 2022) estiveram associados a contextos macroeconômicos distintos, marcados por desequilíbrios mais profundos do que apenas o movimento do petróleo.Image
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Mar 23 8 tweets 5 min read
Sem Luz no Fim do Túnel?
By Dan Kawa
23Mar26

Final de semana marcado por uma deterioração relevante no conflito no Oriente Médio. O Irã atingiu a região de Dimona, área sensível ligada ao programa nuclear de Israel, evidenciando uma mudança de regime nos alvos, de militares para infraestrutura estratégica. Em paralelo, Trump estabeleceu um ultimato de 48 horas para a reabertura do Estreito de Hormuz, sob ameaça de ataques à infraestrutura energética iraniana, enquanto o Irã manteve as restrições e elevou o tom da retórica. O teste de mísseis de longo alcance reforça a sinalização de capacidade além da região, consolidando a percepção de que o conflito deixou de ser estritamente local e passa a ter implicações mais amplas. Os ativos de risco estão abrindo a semana com movimentos de aversão a risco. Interessante notar que, até mesmo o Ouro, visto como ativo defensivo e diversificador em momentos como o atual, está apresentando forte queda. Isso pode indicar mais uma rodada de desalavancagem generalizada da indústria de fundos.Image
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Mar 20 9 tweets 4 min read
Portfólios na Incerteza
By Dan Kawa
20Mar26

O mercado segue sendo direcionado pelos eventos no Oriente Médio, onde ainda não há qualquer tipo de estabilização mais estrutural. Os movimentos seguem rápidos e agudos. Na tarde de ontem , por exemplo, a simples sinalização do Primeiro Ministro de Israel, de que o conflito estaria se aproximando de sua fase final, levou a forte apreciação dos ativos de risco.Image Este ambiente de alta no preço do petróleo e aperto das condições financeiras está elevando a probabilidade de recessão nos EUA: Image