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As vendas no varejo nos EUA se recuperaram em fevereiro, com alta de 0,6% m/m, após dois meses fracos, impulsionadas por clima mais favorável e alguma normalização de setores afetados por tempestades em janeiro. O consumo real avançou de forma moderada e mantém o 1T em trajetória próxima de 1,5% saar. Para março, o cenário mistura vetores opostos: de um lado, estímulos via cortes de impostos e maiores restituições; de outro, forte alta de ~25% nos preços da gasolina, com impacto mais disseminado na renda. Ainda assim, dados de gastos sugerem continuidade da força no consumo, indicando novo crescimento relevante no varejo, apesar da pressão de energia.

Bastou vermos sinais de que existe alguma disposição do Irã em negociar para os ativos de risco apresentarem forte recuperação na terça-feira. Como podemos ver abaixo, a queda de alguns ativos nas últimas semanas já vinha chamando a atenção, pela magnitude, velocidade e comparado a movimentos históricos, o que tende a confirmar a visão de que o mercado passou por uma forte desalavancagem e hoje parece mais saudável:



Segundo o JPM, historicamente, episódios em que o preço do petróleo sobe rapidamente, na ordem de 50% a 60% em curtos períodos, não costumam ser, por si só, incompatíveis com desempenho positivo das bolsas. Em média, nesses momentos, as ações apresentaram leve alta, ao redor de +1%, embora haja casos de maior volatilidade no curto prazo. Além disso, quando esses choques de petróleo ocorreram, os retornos futuros das ações tenderam a ser positivos, com médias de aproximadamente +7% em 6 meses e +14% em 12 meses para o S&P 500. Os poucos episódios em que as bolsas caíram de forma mais relevante (como 1974, 2000 e 2022) estiveram associados a contextos macroeconômicos distintos, marcados por desequilíbrios mais profundos do que apenas o movimento do petróleo.

Este ambiente de alta no preço do petróleo e aperto das condições financeiras está elevando a probabilidade de recessão nos EUA:
Os preços do gás natural na Europa dispararam cerca de 30% após o Catar informar que a maior planta de exportação de GNL do mundo foi danificada em um ataque iraniano, elevando significativamente o risco geopolítico sobre a oferta global de energia:

https://x.com/DanKawa2/status/2032776109025104107?s=20Na China, os dados de atividade em janeiro-fevereiro vieram melhores que o esperado, indicando um início de 2026 mais sólido, com aceleração da produção industrial, recuperação das vendas no varejo e melhora do investimento em ativos fixos. Ainda assim, persistem fragilidades importantes, sobretudo no setor imobiliário, que segue em forte contração. No conjunto, os números reforçam um bom desempenho do PIB no primeiro trimestre, embora a projeção de crescimento para 2026 tenha sido ligeiramente revisada para baixo por algumas casas.




No Brasil, com um olho na papularidade, o governo anunciou medidas para evitar o repasse da alta do petróleo no preço dos combustíveis. Um quadro fiscal que já era desafidor, fica ainda mais negativo. Com a popularidade em baixa e uma corrida eleitoral disputada, a maior probabilidade ainda será de deterioração fiscal nos próximos meses.
O mercado de Private Credit nos Estados Unidos permanece no centro das atenções e merece acompanhamento atento. Um eventual problema mais relevante nesse segmento, a meu ver, teria natureza deflacionária e recessiva para a economia americana, o que poderia levar o Fed a responder com novos estímulos monetários. Por ora, existem diferenças importantes entre o cenário atual e o observado na crise financeira de 2008, o que tende a manter esse risco relativamente mais contido, embora, de forma alguma, irrelevante.
Já há indícios de retorno do fluxo de navios no Estreito de Hormuz:

Escrevi sobre as perspectivas deste conflito aqui, no sábado: https://x.com/DanKawa2/status/2030246582797336683?s=20

Preços mais altos do petróleo tendem a pressionar a inflação nos EUA, ao elevar custos de energia e transporte que se disseminam pela economia. Esse movimento pode afetar temporariamente as bolsas, ao reduzir margens das empresas e o poder de consumo das famílias.
Ontem escrevi sobre a minha impressão de que os fundos (locais e estrangeiros) entraram neste período de conflito no Oriente Médio com posições otimistas e com um quadro técnico fragilizado. As cotas dos fundos multimercados locais divulgadas ontem (referentes a terça-feira) parecem confirmar essa leitura. Observamos quedas relevantes em praticamente todos os fundos monitorados.



Já vemos alguma abertura de spreads em crédito. O mercado de HY, por exemplo, já abriu mais de 50bps dos pisos recentes, mas ainda se encontra em patamar historicamente baixo:
Por exemplo, a bolsa da Coréia do Sul, que era a sensação de 2025 e 2026, apresentou forte queda e entrou em "circuit braker" essa noite.