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A sensibilidade da economia ao petróleo caiu de forma estrutural nas últimas décadas, com os EUA consumindo hoje cerca de 60% menos petróleo por unidade de PIB do que nos anos 70, o que reduz o impacto macro de choques energéticos:



Nos EUA, os resultados dos grandes bancos indicam que a economia americana segue resiliente, mas com sinais claros de desaceleração. Apesar de lucros acima do esperado, há cautela nas projeções, com revisão para baixo de receitas futuras e menção a riscos crescentes. O cenário ainda aponta para uma economia em crescimento, porém em desaceleração, sem sinais imediatos de recessão, o que, combinado a menor tensão geopolítica, sustenta o movimento positivo dos mercados.

O S&P 500 subiu quase 10% nos últimos 10 pregões, registrando o melhor desempenho em um período de 10 dias desde a recuperação após as mínimas da COVID em março de 2020.
No Brasil, Flávio Bolsonaro aparece pela primeira vez numericamente à frente de Lula em um cenário de segundo turno, segundo o Datafolha, ainda dentro da margem de erro, enquanto no primeiro turno a diferença entre ambos caiu de forma relevante nos últimos meses, indicando uma convergência mais rápida das intenções de voto. Em paralelo, o movimento político ganha tração com a aproximação pública entre Flávio e Romeu Zema, que sinalizam uma possível composição, reforçando a leitura de que a direita tende a se organizar em torno de uma alternativa mais unificada para 2026 (x.com/flaviobolsonar…)
No Brasil, no campo político, a pesquisa Meio/Ideia de abril de 2026 mostra um cenário eleitoral ainda aberto, com liderança consistente de Lula no primeiro turno, mas com forte aproximação de Flávio Bolsonaro e elevada volatilidade do eleitorado, especialmente à direita, refletida no alto percentual de indecisos e na baixa consolidação de voto fora do núcleo lulista. No segundo turno, a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro aparece tecnicamente empatada, enquanto outros nomes de direita ainda não se consolidam como alternativa competitiva, em um contexto em que fatores econômicos, especialmente custo de vida e endividamento, emergem como principais determinantes do voto e ampliam o risco político para o incumbente, ao mesmo tempo em que o ambiente segue marcado por polarização, rejeição elevada dos principais candidatos e percepção de fragilidade institucional, indicando uma eleição altamente disputada e sensível a mudanças de curto prazo


Vale lembrar que quedas médias de ~14% ao ano (praticamente todo ano) são parte natural do mercado, mas, ainda assim, o S&P 500 subiu em 35 dos últimos 46 anos, ou seja, a volatilidade é o custo inevitável para capturar retornos de longo prazo:
As vendas no varejo nos EUA se recuperaram em fevereiro, com alta de 0,6% m/m, após dois meses fracos, impulsionadas por clima mais favorável e alguma normalização de setores afetados por tempestades em janeiro. O consumo real avançou de forma moderada e mantém o 1T em trajetória próxima de 1,5% saar. Para março, o cenário mistura vetores opostos: de um lado, estímulos via cortes de impostos e maiores restituições; de outro, forte alta de ~25% nos preços da gasolina, com impacto mais disseminado na renda. Ainda assim, dados de gastos sugerem continuidade da força no consumo, indicando novo crescimento relevante no varejo, apesar da pressão de energia.

Bastou vermos sinais de que existe alguma disposição do Irã em negociar para os ativos de risco apresentarem forte recuperação na terça-feira. Como podemos ver abaixo, a queda de alguns ativos nas últimas semanas já vinha chamando a atenção, pela magnitude, velocidade e comparado a movimentos históricos, o que tende a confirmar a visão de que o mercado passou por uma forte desalavancagem e hoje parece mais saudável:



Segundo o JPM, historicamente, episódios em que o preço do petróleo sobe rapidamente, na ordem de 50% a 60% em curtos períodos, não costumam ser, por si só, incompatíveis com desempenho positivo das bolsas. Em média, nesses momentos, as ações apresentaram leve alta, ao redor de +1%, embora haja casos de maior volatilidade no curto prazo. Além disso, quando esses choques de petróleo ocorreram, os retornos futuros das ações tenderam a ser positivos, com médias de aproximadamente +7% em 6 meses e +14% em 12 meses para o S&P 500. Os poucos episódios em que as bolsas caíram de forma mais relevante (como 1974, 2000 e 2022) estiveram associados a contextos macroeconômicos distintos, marcados por desequilíbrios mais profundos do que apenas o movimento do petróleo.

Este ambiente de alta no preço do petróleo e aperto das condições financeiras está elevando a probabilidade de recessão nos EUA: