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https://x.com/DanKawa2/status/2055590833622044991?s=20Três temas devem concentrar a atenção dos mercados no curto prazo, dois de natureza internacional, profundamente interligados, e um de caráter local. No cenário externo, a guerra no Oriente Médio segue como o principal vetor para os mercados, tanto no horizonte imediato quanto nas implicações de mais longo prazo. É justamente esse fator que também vem determinando o segundo ponto central para os investidores, que é a trajetória e o nível de acomodação dos juros globais.


No campo econômico, a recente alta do preço do petróleo e a inflação mais persistente está levando alguns agentes a fazerem uma analogia com o cenário da década de 70:
No lado micro, o IPO da Compass também pode ter contribuído para pressionar as ações do setor de energia, à medida que alguns gestores e fundos realizaram posições para gerar caixa e participar da nova oferta. Além disso, a temporada recente de resultados corporativos trimestrais trouxe maior dispersão entre os ativos, com movimentos mais acentuados, tanto positivos quanto negativos, em ações específicas.



Após a alta de abril, o mercado apresenta um posicionamento esticado, o que historicamente reduz o retorno esperado no curto prazo e aumenta a sensibilidade a movimentos de fluxo. Nesse contexto, a dinâmica passa a ser menos sustentada por fundamentos e mais influenciada por entradas e saídas de capital (fluxos):
Com o petróleo mais alto e sem uma solução definitiva para o conflito, o mercado começa a desenhar cenário alternativos para preços estruturalmente mais elevados. Segundo o JPM, Um fechamento mais prolongado do Estreito de Ormuz elevaria significativamente o risco macro global, com um cenário adverso em que o Brent poderia chegar a US$150/barril nos próximos meses. Esse choque seria maior que o de 2022 e mais próximo dos episódios de 1979 e 1990, pressionando inflação e reduzindo crescimento. Pelas estimativas citadas, o impacto poderia adicionar mais de 2 p.p. à inflação e retirar cerca de 1,6 p.p. do PIB global em 2026, colocando em risco a continuidade da expansão econômica.
A sensibilidade da economia ao petróleo caiu de forma estrutural nas últimas décadas, com os EUA consumindo hoje cerca de 60% menos petróleo por unidade de PIB do que nos anos 70, o que reduz o impacto macro de choques energéticos:



Nos EUA, os resultados dos grandes bancos indicam que a economia americana segue resiliente, mas com sinais claros de desaceleração. Apesar de lucros acima do esperado, há cautela nas projeções, com revisão para baixo de receitas futuras e menção a riscos crescentes. O cenário ainda aponta para uma economia em crescimento, porém em desaceleração, sem sinais imediatos de recessão, o que, combinado a menor tensão geopolítica, sustenta o movimento positivo dos mercados.

O S&P 500 subiu quase 10% nos últimos 10 pregões, registrando o melhor desempenho em um período de 10 dias desde a recuperação após as mínimas da COVID em março de 2020.
No Brasil, Flávio Bolsonaro aparece pela primeira vez numericamente à frente de Lula em um cenário de segundo turno, segundo o Datafolha, ainda dentro da margem de erro, enquanto no primeiro turno a diferença entre ambos caiu de forma relevante nos últimos meses, indicando uma convergência mais rápida das intenções de voto. Em paralelo, o movimento político ganha tração com a aproximação pública entre Flávio e Romeu Zema, que sinalizam uma possível composição, reforçando a leitura de que a direita tende a se organizar em torno de uma alternativa mais unificada para 2026 (x.com/flaviobolsonar…)
No Brasil, no campo político, a pesquisa Meio/Ideia de abril de 2026 mostra um cenário eleitoral ainda aberto, com liderança consistente de Lula no primeiro turno, mas com forte aproximação de Flávio Bolsonaro e elevada volatilidade do eleitorado, especialmente à direita, refletida no alto percentual de indecisos e na baixa consolidação de voto fora do núcleo lulista. No segundo turno, a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro aparece tecnicamente empatada, enquanto outros nomes de direita ainda não se consolidam como alternativa competitiva, em um contexto em que fatores econômicos, especialmente custo de vida e endividamento, emergem como principais determinantes do voto e ampliam o risco político para o incumbente, ao mesmo tempo em que o ambiente segue marcado por polarização, rejeição elevada dos principais candidatos e percepção de fragilidade institucional, indicando uma eleição altamente disputada e sensível a mudanças de curto prazo

