Mestre Joelson Ferreira é um assentado da reforma agrária do Terra Vista, assentamento do @MST_Oficial. Um mestre nos saberes do plantio e da luta popular. Ex-direção nacional do MST, possui uma jornada de luta em defesa da terra e do território. É uma referência.+
A comparação do presente com o passado da área do Terra Vista mostra que venceu a agroecologia e a defesa da vida com a floresta de pé. O Rio Aliança agradeceu uma mata em suas margens e o abandono da pastagem de gado.+
Ele repete a sabedoria antiga: faça uma boa obra para os olhos e ouvidos do mundo que ela por si só transformará em milhões. Mas se essa foto do Terra-Vista ainda não te convence. Este território se tornou fonte de autonomia de semente para tantos outros.+
Sua história é a de um migrante para o sudeste que buscará vingar suas duas avós que tiveram as terras roubadas por fazendeiros de cacau. Ajuda na fundação da CUT e PT, mas sabe que vingar é tomar as terras de volta.+
Joelson Ferreira apesar de ser um militante histórico do MST, não acredita que a construção de territórios com autonomia será obra apenas de um movimento social. Pensa que é fundamental a unidade de povos contra o latifúndio e as elites em geral.+
Essa aliança não foi forte suficiente para ganhar corações de muitos dirigentes de movimentos sociais. A verdade é que muitos gostaram do caminho eleitoral e abandonaram o debate da emancipação dos povos. Mas a realidade e a fantasia se separaram e voltamos a discutir aliança.+
A aliança é fruto da tarefa, do trabalho, deve ser plantada pq precisa ter raízes e ser viva. Essa é a concepção que @luta_onire nos ajuda a entender sobre a revolução. Na minha última reunião presencial com ele plantei essa árvore em extinção: pau-brasil.+
Este elemento simbólico de plantar como ato simbólico é também fruto da sabedoria ancestral que Mestre Joelson nos está ensinando no meio de suas reflexões marxistas muito criativas. Repete como Raul Seixas: a terra é o princípio, o fim e o meio.+
Ou seja, as principais revoluções começaram na terra e no território, com campesinos como sujeitos. É na terra que se levantam os fundos para podermos lutar com autonomia dos recursos que nos fazem brigar uns com os outros. É ali que se vive e cria-se a nova sociedade.+
Por fim, estamos falando de derrotar o racismo a partir da terra, porque entendemos que os brancos estão nos expulsando da terra, impedindo nossa reprodução cultural, sabotando nossa autonomia.+
medium.com/@erahstofelici…
Ele escreveu cartas para a militância no início da pandemia e nós temos cumprido com essas tarefas! Conheçam este companheiro de luta, uma referência para muitos de nós na @teiadospovos.
teiadospovos.com.br/agroecologia/c…

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31 Aug
Bom, eu sou educador e estou prestes a começar essa tal de aula remota. Antes eu queria colocar umas questões para que não façamos irrefletidamente o que agora nos impõe a fazer. Segue o fio sobre trabalho docente remoto e as dores da pandemia+
Alguma vez na história do trabalho (não precisa ser recente), nós vimos uma adição tecnológica e uma nova formação de trabalho retroagir e voltar ao seu estado original depois de uma imposição de inovação? Não pensemos que estamos diante de algo que se desliga ao final crise.+
O trabalho remoto ficará, sendo imposto ou não. E vai ser o maior sistema de vigilância sobre o trabalhador intelectual da rede federal no governo que mais mostrou que tem interesse em vigiar, monitorar e punir. As ferramentas mais usadas são de multinacionais. Faz as contas.+
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19 Aug
Nós estamos falando do problema terra como central no país e a descrença nisto que afeta nossos corações e mentes nos mostra como é possível acreditar que o desmatamento na Amazônia e as queimadas do Pantanal não são tarefa da classe e sim desse Estado que está aí.+
Cada dia que abraçamos este engano, amplificamos a ruína do futuro que poderemos ter. Cada efeito produzido pela destruição dos biomas é sentido nas cidades, sobretudo nos grandes centros. E a tarefa de sobrevivência dala classe trabalhadora não pode ser de outrem.+
Então, como paramos a poluição dos rios com agrotóxico? Ou como diminuímos as queimadas criminosas? Como evitamos mais rios morrerem por mineração? Todas questões possuem uma situação concreta: o campesinato já não pode resolver todas estas lutas.+
Read 10 tweets
16 Aug
Duas matérias que espero que te convença que terra é fundamental em qualquer processo de luta emancipatória agora. A fome que poderá ocorrer fruto da crise do capitalismo e da pandemia é algo que matará mais que a própria pandemia. E tem gente se preparando para isso.+ ImageImage
Sim, os chineses estão comprando safras até de 2022 e com valor acima da média para este tipo de contrato. No meio da crise estamos em recorde de produção do setor agrário do BR. E isso mostra que para alguns a crise (mortes) é oportunidade.+
g1.globo.com/economia/agron…
Então se a luta política hoje não ataca o latifúndio, não mira avançar na produção de alimentos para nós, temos um futuro tenebroso à frente. É a agricultura familiar é fundamental nesta luta e não poderá fazer isto sem apoio da sociedade política.+
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9 Aug
Para entender como normalizamos 100 mil (nós, não o governo) é preciso pensar que nossa história nunca se redimiu de nenhum massacre, genocídio e extermínios de povos ou indivíduos. Nós nunca impusemos isto ao Estado e ele sempre nos impôs a morte. Não basta só vontade.+
Nunca houve reparação para os etnocídios indígenas, tampouco para o extermínio causado pela escravidão. Nós nunca passamos esta conta para a elite escravocrata que pôde deixar lucros e terras de herança, mas não pagaram pelos crimes.+
Então estou falando que nós temos um problema de formação real. A nação é uma engenharia de extração de riquezas daqui para enriquecimento de pessoas de fora do país. E o povo nunca se formou enquanto tal. Como agora o povo poderia reagir?+
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6 Aug
Se você pensa que vai fazer sua revolução ou luta grande apesar dos evangélicos, senta ai que a realidade é dura e talvez suas teses não estejam preparadas para ela. Não apenas porque são o grupo que mais cresce, mas e sobretudo porque criam comunidades, precisamos entender. +
A primeira desilusão a abandonar é essa ideia de religião como ópio do povo dos marxistas que serve para envaidecê-los frente ao povo de fé. O ópio está mais para morfina do que para LSD. Marx estava falando de religião como ajudar a suportar a realidade dura. +
Não é possível retirar a fé do conjunto de atuação política pq mesmo os que se dizem céticos não o fazem. Trata-se portanto de criticar as instituições religiosas e suas lideranças, mas com olhos atentos para a base para não as perderem. +
Read 11 tweets
14 Jul
Vamos falar hoje do conluio latifúndio, militares, justiça e igreja? Então vamos falar do massacre do Caldeirão de Santa Cruz do Deserto lá no Crato, Ceará. A comunidade foi atacada por 200 militares e 2 aviões do exército em 1937. Segue o fio.+
Por que elas foram atacadas? Essa comunidade é a segunda formada por José Lourenço, beato, preto, filho de uma família alagoana que se mudou para o Juazeiro do Norte em 1890 (pós-abolição). Ali se juntaram ao louvor ao Padre Cícero.+
Ele recebeu o título de Beato no próprio Cícero. Em 1894 ele arrenda um sítio em Baixa da Anta e começa a receber pobres e flagelados, por vezes mandados do Juazeiro por Cícero. Acusado de fanatismo e culto a um boi que ganhou do Padre Cícero, foi preso em 1926.+
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