Li o tal texto do Pablo Ortellado acusando Caetano de Stalinismo e isso é risível, não apenas pelo fato em si, uma vez que Caetano nunca defendeu Stalin, como pelo fato de ser...o Caetano, a figura mais não-stalinista do mundo. Isso diz muito sobre Pablo do que sobre Caê (1/5).
Sem querer ser monotemático, mas a gente precisa falar sobre isso: Caetano desembarcou do Liberalismo e falou dos problemas do Liberalismo. Hoje, falar dos crimes do Liberalismo vale à acusação de "stalinista" para qualquer um no Brasil (2/5).
Sintomático, intelectuais liberais acusando o golpe e atacando qualquer um que aponte o quanto a violência liberal não é normal -- e falamos de colonialismo e racismo (3/5).
Ironicamente, se formos pensar nos principais defeitos de Stalin (a paranoia, o denuncismo, o punitivismo), logo somos obrigados a concluir que a coisa mais parecida com isso no Brasil são os liberais (assumidos ou não) que se calam ou apoiam o Lawfare e encarceramento (4/5).
Ou mesmo que reagem a partir do anticomunismo para atacar seus adversários, perversamente, contra coisas que eles próprios liberais fazem: no Brasil, o encarceramento, nos EUA chegando a ponto de campos de concentração para imigrantes (5/5).
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Mao 132 anos: raras vezes um revolucionário combinou maestria teórica, capacidade estratégica militar e liderança de massas como ele, um camponês nascido nas montanhas de Hunan, Sul da China. Mao inverteu dialeticamente o sentido do imperador e mudou a China para sempre (1/7).
Bobagem dizer que a China só começou a mudar no final dos anos 1970. O jovem Mao já lutava nos anos 1910, passou as três décadas seguintes em périplos dignos de uma epopeia do mundo antigo - ou dos romances chineses que ele tanto amava (2/7).
Mao mudou pra sempre a China, ao trazer a base camponesa da sociedade para dentro do jogo, ensinando ela a ler, escrever e, principalmente a lutar -- depois de milênios servindo às diferentes ordens, apesar das rebeliões constantes (3/7).
A questão do Master é simples de entender, mas complexa na sua forma:
1. O Master explode por causa da esbórnia da Era Campos Neto, um vale tudo que empurrou o campo majoritário da Febraban, o dinheiro velho, contra os emergentes sem escrúpulos do Bolsonarismo;
2. Uma vez terminada a era Bolsonaro, Vorcaro tratou de se aproximar de setores antibolsonaristas, inclusive contratando gente e ampliando sua rede para "ter trânsito";
3. Haddad e Galipolo não entraram nessa e resistiram, fazendo dobradinha com a Febraban;
4. Uma vez que o escândalo explodiu, ele foi mitigado e Galipolo teve de gerir o fim do banco, sendo pressionando a ser rápido pela Febraban e para ser lento pela teia do Master;
Em tempo: Trump partiu para cima da Venezuela como instrumento de chantagem contra Putin. Não funcionou. Depois, ele esperou um levante popular anti-Maduro. Não veio. Aí, veio a esperança de um racha nas FFAA da Venezuela. Não aconteceu. E agora, o blefe fica feio (1/10).
Depois do bombardeio de barcos, matando um monte de pescadores coitados, em vez de avançar, Trump resolveu sequestrar petroleiros. Mudou a retórica da histórica do narcoterrorismo para admitir que é pelo petróleo mesmo. Maduro cubriu o blefe (2/10).
Putin mandou um petroleiro para a Venezuela. Naturalmente, Trump nada fez. A expectativa do ataque que seria anunciado ontem se desfez, o que só aumenta retórica de blefe. Trump teme os riscos políticos e econômicos de invadir e OCUPAR a Venezuela (3/10).
O que se passa no Nepal, com protestos massivos e vítimas mortas de forma bárbara - e que país é esse? Basicamente, ele é um dos grandes entrecruzamentos entre China e Índia, e sediou uma revolução em 2006, capitaneada pelos comunistas, estes divididos em dois grupos (1/14).
O país, situado aos pés do Himalaia, foi um dos polos da civilização dravidiana, conhecida generica e reduzidamente como civilização do vale do Indo - mas que não se resumia ali. Vieram os arianos no perído védico, como no resto da Índia e depois vieram grupos tibetanos (2/14).
Há hipóteses de que tribos tibetanas vieram direto pelos Himalaias e outras que foi pelo atual Mianmá, mas é possível que ambas tenham ocorrido - a origem desses fluxos é o vale do rio Amarelo, na China, transformando o que hoje nesse encontro das duas macro-civilizações (3/14).
Por que os chineses estão comemorando a vitória na 2ª Guerra Mundial? Bem, nós nos perguntamos isso em razão de um fato básico: em geral, pouco aprendemos na escola, e na vida, o que foi a guerra na Ásia e Pacífico, pensando que ela aconteceu quase apenas na Europa (1/10).
A guerra na Ásia começou em 1931 e, depois, se mistura com a teia de conflitos mundiais em 1937 - então, é arbitrário e eurocêntrico falar que a guerra começou em 1939, pois o Japão como parte do Eixo atacou a China em julho de 1937 no Incidente da Ponte Marco Polo (2/10).
O ataque japonês ocorre depois do Pacto Anticomintern (foto), de novembro de 1936, que une o Japão aos nazistas - naquela altura já aliada da Itália. Na China, houve o Incidente de Xi'an, que uniu a ala patriótica do KMT com os comunistas em dezembro daquele ano (3/10).
Bolívia: análises preliminares. Ruiu ontem o processo de reforma social radical do MAS. Foi impressionante, mas não surpreendente, uma vez que as pesquisas indicavam isso. O governo Arce foi um fracasso e, em último caso, ele é o grande responsável por isso (1/7).
A Bolívia avançou muito nos últimos anos, mas fracassou em organizar seu instrumento político diante das mudanças que ele mesmo produziu. Não ousou autonomizar suas bases sociais e empoderou uma burocracia restauracionista (2/7).
Nesse sentido, Evo Morales tem responsabilidade. Não por se opor a Arce, mas ter criado Arce e uma casta de tecnocratas, o que também foi espelhado nas forças armadas, cuja reforma era impossível: sempre houve necessidade ali de reconstrução, o que demandava armar o povo (3/7).