Li o tal texto do Pablo Ortellado acusando Caetano de Stalinismo e isso é risível, não apenas pelo fato em si, uma vez que Caetano nunca defendeu Stalin, como pelo fato de ser...o Caetano, a figura mais não-stalinista do mundo. Isso diz muito sobre Pablo do que sobre Caê (1/5).
Sem querer ser monotemático, mas a gente precisa falar sobre isso: Caetano desembarcou do Liberalismo e falou dos problemas do Liberalismo. Hoje, falar dos crimes do Liberalismo vale à acusação de "stalinista" para qualquer um no Brasil (2/5).
Sintomático, intelectuais liberais acusando o golpe e atacando qualquer um que aponte o quanto a violência liberal não é normal -- e falamos de colonialismo e racismo (3/5).
Ironicamente, se formos pensar nos principais defeitos de Stalin (a paranoia, o denuncismo, o punitivismo), logo somos obrigados a concluir que a coisa mais parecida com isso no Brasil são os liberais (assumidos ou não) que se calam ou apoiam o Lawfare e encarceramento (4/5).
Ou mesmo que reagem a partir do anticomunismo para atacar seus adversários, perversamente, contra coisas que eles próprios liberais fazem: no Brasil, o encarceramento, nos EUA chegando a ponto de campos de concentração para imigrantes (5/5).
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Em meio à guerra no Irã, a visita da líder da oposição de Taiwan a Pequim passou razoavelmente despercebida. Mas foi um gesto importante em torno da reunificação chinesa, mostrando a força de Xi Jinping neste momento (1/20).
Hoje, a oposição de Taiwan é encabeçada pelo Kuomintang (KMT), antigamente o arqui-inimigo do Partido Comunista. Ao ser derrotado na Revolução Chinesa de 1949, o governo do KMT fugiu para as ilhas, conseguindo manter o controle de Taiwan e seus arquipélagos satélites (2/10).
O detalhe é que Taiwan havia passado 50 anos sob domínio japonês (1895-1945), possuindo uma elite local, de origem chinesa, que colaborou com os invasores. Diferentemente da China continental, que resistiu à dominação japonesa, em Taiwan a ocupação aconteceu e era estável (3/20).
A civilização que Trump disse que vai morrer hoje é, fundamentalmente, o primeiro império propriamente dito. O Egito, os mesopotâmicos inventaram algo além das ligas de cidades, mas foram os persas ao unificarem o Irã que produziram uma entidade política complexa (1/7).
Irã significa "Ariânia", porque era o conjunto de entidades políticas arianas naquela região. Os arianos dominaram a Ásia Central enquanto nômades e depois desceram para as civilizações que lá haviam onde hoje são Irã, Afeganistão, Tadjiquistão e também a grande Índia (2/7).
Esse Irã não chegou a abranger os reinos arianos do Ganges, que deram na Índia. Mas ele unificou quase todo o resto, o que lhe permitiu dominar os domínios semitas do Oriente Médio, o Egito e boa parte dos domínios helênicos onde hoje é a Turquia (3/7).
Isso aqui passou despercebida em meio à agressão ao Irã. Mas não é menos importante. O Diário do Exército de Libertação Popular da China afirmou que o Japão caminha para construir armas nucleares. Isso dificilmente seria bobagem e é um risco enorme (1/7). scmp.com/news/china/mil…
O Japão tem um programa nuclear aparentemente pacífico, mas ele tem nuances estranhas. Seja pelo que ele produz de material nuclear - ou como armazena, Tóquio já possui matéria prima para milhares de bombas atômicas. A China já devia saber disso, mas resolveu falar (2/7).
No século 21, a extrema direita assumiu o controle do Partido Liberal-Democrata, o grande arranjo partidário que reúne a complexa fauna da oligarquia japonesa - que governa o país quase sem parar desde os anos 1950. Isso piorou agora com Takaichi Sanae (3/7).
Há uma leitura otimista sobre as petromonarquias árabes. Vejam bem, o Irã foi comedido nos ataques, mas não comprem a tese de regimes vítimas do imperialismo ocidental: as bases americanas serviam, também, para sustentar aqueles regimes e suas fronteiras artificiais (1/7).
Se as petromonarquias não estão retaliando o Irã é por medo. Eles foram atingindo e pronto. A ocupação americana permite a existência de Estados muito pouco reais, que ocupam o espaço do que poderia - e deveria - ser uma grande república federativa árabe (2/7).
No duro, essas petromonarquias já se associaram a Israel no plano internacional, o Trump I apenas deu um empurrãozinho para tornar isso público pelos Acordos de Abraão. É mais difícil para a Arábia Saudita, porque há oposição a isso na cúpula do país, assim como no Catar (3/7)
EUA-Israel lançaram um ataque de grande porte, junto de uma ação decapitadora: até as pedrinhas da rua sabiam que iam matar o aiatolá Khamenei, o que foi uma falha do Irã. Mas isso também não quer dizer que a guerra vá parar ou que a máquina iraniana foi desmantelada (1/7).
Possivelmente, o ataque serviu para insuflar o caos e produzir uma mudança de regime. Mas a tendência é oposta. Israel sabia disso, e possivelmente Netanyahu - que, ironicamente ou não, fugiu para Berlim - quer envolver tropas de solo americanas no Irã (2/7).
Para uma invasão terrestre ser possível no Irã, é necessário mais ações prévias de destruição de defesa aéreas e de silos de mísseis - isso seguido de um bombardeio severo das cidades, mas também a aniquilação da Marinha iraniana (3/7).
Trump basicamente está sendo dirigido pelos neocons e por Netanyahu. Havia quem, em 2023, duvidasse que Netanyahu conduziria Israel para um estado de guerra permanente, tendo como alvo o Irã e depois a criação do Grande Israel. Hoje, está claríssimo isso. E Trump acabou (1/7).
Até as pedrinhas na rua sabem que a cúpula americana estava indisposta com a guerra. Trump agiu porque não tinha escolha: a hipótese de que Netanyahu e/ou os neocons tenham arquivos comprometedores dele, do rumoroso caso Epstein, só vai se confirmando (2/7).
Entre romper com sua base isolacionista - e paradoxalmente antiguerra - envolvendo seu país numa guerra delicada e cair desmoralizado pelo caso Epstein, está claro que Trump preferiu a primeira opção - decidindo isso unilateralmente com base em garantias oferecidas (3/7).