Li o tal texto do Pablo Ortellado acusando Caetano de Stalinismo e isso é risível, não apenas pelo fato em si, uma vez que Caetano nunca defendeu Stalin, como pelo fato de ser...o Caetano, a figura mais não-stalinista do mundo. Isso diz muito sobre Pablo do que sobre Caê (1/5).
Sem querer ser monotemático, mas a gente precisa falar sobre isso: Caetano desembarcou do Liberalismo e falou dos problemas do Liberalismo. Hoje, falar dos crimes do Liberalismo vale à acusação de "stalinista" para qualquer um no Brasil (2/5).
Sintomático, intelectuais liberais acusando o golpe e atacando qualquer um que aponte o quanto a violência liberal não é normal -- e falamos de colonialismo e racismo (3/5).
Ironicamente, se formos pensar nos principais defeitos de Stalin (a paranoia, o denuncismo, o punitivismo), logo somos obrigados a concluir que a coisa mais parecida com isso no Brasil são os liberais (assumidos ou não) que se calam ou apoiam o Lawfare e encarceramento (4/5).
Ou mesmo que reagem a partir do anticomunismo para atacar seus adversários, perversamente, contra coisas que eles próprios liberais fazem: no Brasil, o encarceramento, nos EUA chegando a ponto de campos de concentração para imigrantes (5/5).
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Há uma leitura otimista sobre as petromonarquias árabes. Vejam bem, o Irã foi comedido nos ataques, mas não comprem a tese de regimes vítimas do imperialismo ocidental: as bases americanas serviam, também, para sustentar aqueles regimes e suas fronteiras artificiais (1/7).
Se as petromonarquias não estão retaliando o Irã é por medo. Eles foram atingindo e pronto. A ocupação americana permite a existência de Estados muito pouco reais, que ocupam o espaço do que poderia - e deveria - ser uma grande república federativa árabe (2/7).
No duro, essas petromonarquias já se associaram a Israel no plano internacional, o Trump I apenas deu um empurrãozinho para tornar isso público pelos Acordos de Abraão. É mais difícil para a Arábia Saudita, porque há oposição a isso na cúpula do país, assim como no Catar (3/7)
EUA-Israel lançaram um ataque de grande porte, junto de uma ação decapitadora: até as pedrinhas da rua sabiam que iam matar o aiatolá Khamenei, o que foi uma falha do Irã. Mas isso também não quer dizer que a guerra vá parar ou que a máquina iraniana foi desmantelada (1/7).
Possivelmente, o ataque serviu para insuflar o caos e produzir uma mudança de regime. Mas a tendência é oposta. Israel sabia disso, e possivelmente Netanyahu - que, ironicamente ou não, fugiu para Berlim - quer envolver tropas de solo americanas no Irã (2/7).
Para uma invasão terrestre ser possível no Irã, é necessário mais ações prévias de destruição de defesa aéreas e de silos de mísseis - isso seguido de um bombardeio severo das cidades, mas também a aniquilação da Marinha iraniana (3/7).
Trump basicamente está sendo dirigido pelos neocons e por Netanyahu. Havia quem, em 2023, duvidasse que Netanyahu conduziria Israel para um estado de guerra permanente, tendo como alvo o Irã e depois a criação do Grande Israel. Hoje, está claríssimo isso. E Trump acabou (1/7).
Até as pedrinhas na rua sabem que a cúpula americana estava indisposta com a guerra. Trump agiu porque não tinha escolha: a hipótese de que Netanyahu e/ou os neocons tenham arquivos comprometedores dele, do rumoroso caso Epstein, só vai se confirmando (2/7).
Entre romper com sua base isolacionista - e paradoxalmente antiguerra - envolvendo seu país numa guerra delicada e cair desmoralizado pelo caso Epstein, está claro que Trump preferiu a primeira opção - decidindo isso unilateralmente com base em garantias oferecidas (3/7).
Essa reportagem é um escárnio. Ele mesmo PROVA que brasileiros estão na parte de cima do ranking de horas trabalhadas. Depois, inventa um critério para dizer que deveríamos trabalhar mais - sem considerar as horas gastas no transporte público e atribuindo isso ao lazer (1/4).
A produtividade do trabalho não é responsabilidade exclusiva dos trabalhadores, muito menos do seu esforço. Depende da tecnologia e organização empregadas no processo. E do papel do Estado. Fosse diferente, era só botar todo mundo para trabalhar 60 horas semanais (2/4).
Trabalhadores brasileiros moram longe do trabalho, o transporte público é caro e ruim, enquanto faltam creches e quase inexistem escolas em tempo integral. Ninguém está deixando de trabalhar para curtir a vida: na verdade, as pessoas estão sobrecarregadas (3/4)
Mao 132 anos: raras vezes um revolucionário combinou maestria teórica, capacidade estratégica militar e liderança de massas como ele, um camponês nascido nas montanhas de Hunan, Sul da China. Mao inverteu dialeticamente o sentido do imperador e mudou a China para sempre (1/7).
Bobagem dizer que a China só começou a mudar no final dos anos 1970. O jovem Mao já lutava nos anos 1910, passou as três décadas seguintes em périplos dignos de uma epopeia do mundo antigo - ou dos romances chineses que ele tanto amava (2/7).
Mao mudou pra sempre a China, ao trazer a base camponesa da sociedade para dentro do jogo, ensinando ela a ler, escrever e, principalmente a lutar -- depois de milênios servindo às diferentes ordens, apesar das rebeliões constantes (3/7).
A questão do Master é simples de entender, mas complexa na sua forma:
1. O Master explode por causa da esbórnia da Era Campos Neto, um vale tudo que empurrou o campo majoritário da Febraban, o dinheiro velho, contra os emergentes sem escrúpulos do Bolsonarismo;
2. Uma vez terminada a era Bolsonaro, Vorcaro tratou de se aproximar de setores antibolsonaristas, inclusive contratando gente e ampliando sua rede para "ter trânsito";
3. Haddad e Galipolo não entraram nessa e resistiram, fazendo dobradinha com a Febraban;
4. Uma vez que o escândalo explodiu, ele foi mitigado e Galipolo teve de gerir o fim do banco, sendo pressionando a ser rápido pela Febraban e para ser lento pela teia do Master;