Por que é tão importante combater o estigma social em torno do HIV?

Por Matheus Manfre

Assistente Social da #EquipeMaravilha
Sempre que nos deparamos com posicionamentos moralistas nos perguntamos: “mas porque?”, “em que órbita vive essa pessoa?”, “Ela vive em que século?”. E, no mesmo momento que nos questionamos, nos lembramos de um grande inimigo, o ESTIGMA SOCIAL...
Estigma significa uma marca em alguém ou em um grupo. Essas são encaradas de forma negativas, e frequentemente discriminadas. Em alguns casos não respeitando o princípio da dignidade da pessoa humana e consequentemente negando direitos humanos, que é intrínseco a todos.
Mas, porque tanto estigma em torno ao HIV? Porque as pessoas que VIVEM com HIV são tão estigmatizadas e discriminadas? Historicamente, nos primeiros programas de prevenção, associaram o HIV com os chamados “maus” comportamentos (sexo fora do casamento e uso de substâncias
psicoativas injetáveis) e sem contar a grande mortalidade nas primeiras décadas.

Os efeitos do estigma constroem uma barreira para que as pessoas que VIVEM com HIV possam VIVER também socialmente, dificultando a busca por apoio e serviços de assistência, consequentemente
prejudicando também a prevenção.

Associar o HIV com o “mau” comportamento e com a morte, contribui para que as pessoas não se testem regularmente, ou seja, o estigma atinge aqueles que conhecem sua sorologia e aqueles que não conhecem.

Nós desafiamos o estigma!
É urgente ações que contribuam para o rompimento do estigma, para isso é necessário desenvolver aspectos positivos em relação ao HIV (sem romantizar), mas é necessário ensinar e aprender que o HIV afeta a todos, independente de gênero, orientação sexual,
classe social, etnia, idade e crença religiosa, e enfatizando que existe tratamento, e quando acessado/ofertado com qualidade, as pessoas podem VIVER!

Precisamos também naturalizar os comportamentos sexuais em toda sua diversidade e desmistificar que o sexo “normal”, é o sexo
heterossexual. Sexo sem tabus é necessário e promover a educação sexual e abordagens de prevenção plural, considerando diferentes grupos, é urgente!

Por fim, para vivenciarmos uma nova sociedade, mais livre e com muito menos estigma, não podemos deixar de responsabilizar
os agentes de políticas públicas, que tem a responsabilidade e o dever de elaborar, executar e monitorar ações e também encorajar/incentivar grupos e organizações de apoio a pessoas e famílias que VIVEM com HIV.

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21 Sep
Teoricamente, não existe sexo seguro, no que concerne às ISTs (infecções sexualmente transmissíveis), pois sempre há um risco inerente de algo acontecer. Na medicina, optamos por falar então de sexo protegido.

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E mesmo se utilizasse, ele provavelmente também seria infectado porque o vírus era resistente aos componentes da PrEP.

Destrinchando o artigo então, preciso explicar algumas coisas para vocês:
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