"Puxa, você é contra abrir as escolas, quer que pobre se foda"

Não. Aliás aqui tá um bom quadro sobre como devemos pensar o protocolo (que o @ananias_1979 gentilmente me marcou). Tá ali.

A gente tem esses dados?
Por exemplo, quantos casos novos de COVID-19 (por 100.000 pessoas) a gente teve nos últimos 14 dias?

Quantos testes deram positivo nos últimos 14 dias? Tem teste o suficiente para fazer essa contagem?
As escolas precisam implementar as 5 estratégias ali dispostas. Alguma está garantida? Há programas de secretarias da educação e MEC para garantir sua aplicação?
E não é nada, não é nada, essas coisas custam caro.... Nesse texto há inclusive uma precificação: 1,8 milhão de dólares por distrito escolar. No Brasil, isso seria o equivalente a mais ou menos 9,5 milhões de reais para pouco mais que dezenas de escolas.

cfr.org/backgrounder/h…
Então, reabrir escolas têm um custo. Isso, claro, se a gente quiser fazer com segurança. E vejam, nisso daí precisamos calcular também que, ou fazemos rodízio, ou simplesmente vamos ter que contratar mais professores - afinal, as turmas terão que ser reduzidas.
O @fefezao , que é ex-professor da rede pública, já deu a morta: vai ter muita coisa sendo feita "pra inglês ver", autoritarismo tosco com as máscaras (aluno que tirar a máscara vai ser suspenso e coisa do gênero), mas pouca coisa estrutural de fato.
As escolas vão trocar bebedouros, se tanto, mas reformas mais amplas, visando arejar e aumentar a circulação de ar, devem ficar em segundo plano.

Quando eu dava aula na rede pública, lembro que todo o segundo andar da escola tinha uma infiltração insalubre nas paredes...
Comunidades escolares mais organizadas ou estruturadas vão se mobilizar para comprar os equipamentos necessários, com muito custo. Outras, possivelmente, não vão ter a mesma condição. O Estado vai dar de ombros dizendo que já estourou seu orçamento...
Nesse ponto, é importante salientar: o Estado não deve vir com nenhuma proposta concreta e vai querer somente planilhas de alunos ativos. Como eu sei disso? Porque minha universidade fez isso durante a pandemia para saber quem podia ter estudar online.

50% dos alunos responderam
E isso que universidade mobiliza muito mais grana que escola - muito mais mesmo.

Então, sou muito cético sobre a possibilidade do Estado investir qualquer coisa para que esses protocolos de segurança sejam cumpridos.
A única coisa que vai mobilizar o Estado vai ser tirar o seu da reta. Como já vêm fazendo... (aliás, se sou obrigado a retornar sem vacina e contraio a doença, lamento, mas processo a União na mesma hora).

diariodepernambuco.com.br/noticia/brasil…
O que se faz? Não sei.

Mas tem que abrir o cofre e ter responsabilidade na gestão do dinheiro para garantir a segurança de alunos, professores, funcionários e comunidade escolar.

Ou de outra forma, é tudo falcatruagem mesmo.
PS: Contratualistas do mundo, me ajudem aí com uma dúvida. Se o Estado não pode garantir a segurança de meu filho e família numa pandemia, ele pode exigir o retorno presencial às aulas?

Só o que me falta acabar virando ancap desse jeito...🥴

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15 Sep
Eu sei que ninguém aguenta mais esse papo de Coreia do Norte, mas...não gosto de ficar sem responder. Depois dessa, acho até que vou tirar uma folga do Twitter.

É uma resposta ao @_makavelijones , que procurou debater algumas das minhas inquietações sobre o tema.
Então, assim, se você não curte esse debate, não curte o Jones, ou não me curte, fica aí o alerta. Esse fio vai ficar looooongo...talvez seja melhor me silenciar. Me "liga" de novo daqui uns 7 dias (se quiser, claro).
Bom, vamos lá:

1) Sobre a guerra: reconheço que uma guerra intermitente, de 1950 até 2020, não é pouca coisa. O mais próximo disso talvez seja o Vietnã, que concebe um estado de guerra permanente entre 1945 e 1991 (e os adversários mudaram, o estilo da guerra mudou, etc...
Read 43 tweets
13 Sep
Roleta do unfollow:

Eu tendo estudar sobre a Coreia do Norte, juro. Tento ter boa vontade, dentro do possível.

Mas não aguento análises que comparam Coreia do Norte com Israel, Coreia do Sul, EUA, Tailândia ou qualquer outro país abertamente capitalista.
Eu entendo que dependendo do público, pode ser um recurso retórico válido.

Mas em termos analíticos, história comparativa exige mais rigor.

E em termos políticos, como socialista, eu quero é comparar a Coreia do Norte com outras experiências socialistas!
Por que a gente não tem o mesmo grau de militarização, defendido no socialismo juche, no Vietnã, em Cuba, ou mesmo na China? Esses países foram menos agredidos pelas potências capitalistas?
Read 11 tweets
5 Sep
Então o pessoal da "Economia 101" descobriu meu fio sobre estabilidade - e ficaram "maguary" porque afirmei que tirar a estabilidade não vai aumentar a produtividade.
Bom, o @grisagregorio já falou isso em outro momento, então talvez eu me repita aqui. Mas educar os "lacronomistas" é sempre importante.

Além disso, como falei no fio, a estabilidade do setor privado foi uma criação da CLT, em plena Segunda Guerra Mundial.

Não faz sentido nenhum acreditar que Vargas criou uma medida para reduzir a produtividade da indústria brasileira em plena "Batalha da Produção".
Read 9 tweets
4 Sep
Cês sabem por que a Folha (e também o Globo, o Estadão, o pessoal do "dízimo cívico") odeia a ideia de estabilidade do funcionalismo público?

Segue esse fiozinho:
Pra entender isso, a gente precisa voltar no tempo. Sim, o desmanche dos serviços públicos é a meta do neoliberalismo.

Mas eu acredito que podemos voltar para 1943.

Para a promulgação da CLT.
Segundo o seu artigo 492, todo trabalhador que ficasse dez anos na mesma empresa adquiria automaticamente a estabilidade, a chamada "estabilidade decenal".

Havia um princípio lógico aqui: se durante dez anos o sujeito foi um bom trabalhador e a empresa prosperou com ele,...
Read 23 tweets
2 Sep
Tô aqui pensando e olha, é uma doideira, mas...e se a gente inverter os pólos e pensar que:

Não é a fragmentação da esquerda que faz com que Bolsonaro se eleja, mas...

...que é justamente porque Bolsonaros são eleitos que as esquerdas se fragmentam.

Que tal?
Ou, para colocar de outra forma, são as nossas derrotas que nos fraturam e não as nossas fraturas que causam derrotas.

A esquerda já tinha suas divisões antes do capitão esgoto ganhar em 2018. Estávamos amargando derrotas, mesmo tendo vitórias eleitorais importantes.
Para ficar num exemplo: 2015 foi um ano de incontáveis derrotas com Eduardo Cunha na câmara. Nem preciso falar dos anos seguintes. As esquerdas se uniram e se mobilizaram em muitas dessas derrotas, mas foi ficando pesado.
Read 20 tweets
30 Aug
Tava pensando nesse papo de que assinar um dos três jornalões (ou os três) é "dízimo cívico" para manter a democracia operando.

Desculpem o meu francês, mas...meu cu.

Por que?
Por isso...
Também por isso...
Read 13 tweets

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