E não é que o tal jogo de posição funciona? Só que não foi o do Flamengo, foi o do Independiente Del Valle. Miguel Angel Ramirez mostrou como a metodologia posicional funciona quando praticada em sua excelência. Vamos de fio do baile que o Fla sofreu ontem.
O Del Valle veio em sua plataforma de jogo padrão, o 4-3-3. Pellerano é o principal articulador na saída de bola, fazendo a saída de 3 no meio dos zagueiros e Faravelli e Caicedo ocupam o entrelinhas adversário, buscando dar opção e criar linhas de passe.
Domè veio com os mesmos 11 iniciais utilizados no jogo contra o Fluminense, mas estruturados numa plataforma tática diferente. Abriu mão do 4-2-3-1 e veio no 4-1-4-1, com Arão entre as linhas e Gabigol como único atacante.
No papel, a ideia até que fazia sentido, já que Arão se ocuparia de defender o espaço entrelinhas, que é um dos pontos fortes desse time equatoriano. Além disso, Gabigol se encarregou de marcar individualmente Pellerano, impedindo o principal construtor do time a jogar.
Com Pellerano “fora de combate”, o Fla subia a marcação nos zagueiros quando os mesmos portavam a bola. Gérson subia no zagueiro central e Diego no quarto-zagueiro.
Só que tudo isso era feito com intensidade muito baixa e os espaços no meio apareciam com frequência. Os jogadores do Fla pareciam sempre estar atrasados. Arão não conseguia compensar os espaços e sobravam adversários livres no entrelinhas.
Mesmo sem seu principal construtor na saída, o IDV soube sair jogando com seus zagueiros e usar o “homem-livre” nesses espaços. Arão se via muitas vezes em desvantagem numérica no meio-campo.
O domínio do Del Valle no jogo era evidente. Os equatorianos dominavam todos os aspectos do jogo: bola, espaço e tempo. Ditavam o ritmo como queiram. O domínio minimizou as ações ofensivas a ponto de nem sabermos qual era a estratégia de Domè para atacar.
E após tanto martelar no 1T, o IDV abre o placar justamente numa dessas jogadas em que sobem a marcação pressão, forçam o chutão, recuperam a bola, povoam o entrelinhas e com 2 passes mais um corta-luz deixam a linha defensiva do Fla completamente perdida.
O Fla volta para o 2T esboçando algum tipo de reação. Domè entra com BH e muda o esquema para o 4-2-3-1. O 4-1-4-1 ao se defender se desfaz e o Fla opta pela marcação pressão e até consegue manter a bola no campo de ataque e criar uma chance clara de gol nos primeiros 5 minutos.
Só que quando essa marcação pressão é feita de forma desordenada e com a linha defensiva baixa, vira um convite ao desespero. Principalmente contra um time tão bom como o IDV, que sabe aproveitar tão bem os espaços. O buraco entre a linha de pressão e a de defesa era evidente.
Pellerano não sofria mais marcação individual e começou a ditar o ritmo do jogo. Se no 1T ele tocou bem menos na bola do que o normal, no segundo a construção passava por ele o tempo inteiro. E com a construção ainda mais limpa e fluida, o Del Valle abriu 3x0.
O Flamengo volta a perder o controle mental e se desorganizar taticamente na partida após sofrer gol. O time que já se defendia mal mesmo com uma estratégia definida, fica sem estratégia alguma e parecia já pedir para o jogo acabar com 10’ do 2T.
Mesmo assim, a pressão alta continuava. Os buracos, idem. O time que já deixava muitos espaços, após 1 hora correndo na altitude passou a se abrir ainda mais. A recomposição defensiva era uma bagunça e o Del Valle chegava como queria. O 5x0 ficou barato.
Domènec terá muito trabalho para recuperar esse time para o importante jogo na próxima terça-feira válido também pela Libertadores contra o Barcelona de Guayaquil. Muito além do aspecto tático, o Flamengo sai machucado psicologicamente.
Muitos dirão que foi um jogo para esquecer. Pois para Domènec deve ser um jogo para se lembrar. Dormir em cima, remoer e analisar mil vezes para identificar todos os erros cometidos e corrigi-los. As fragilidades do time não podem ser tão expostas como ontem.
O trabalho de 2 anos de Miguel deu um baile no trabalho de 1 mês e meio de Domènec. Os modelos de jogo são muito parecidos, mas as execuções estão em níveis bem diferentes. Tempo de trabalho importa e muito. Principalmente quando há sintonia entre comissão técnica e jogadores.
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Todo mundo sabe que Léo Ortiz falhou no gol do Atlético na final da Copa do Brasil. Ele próprio sabe disso. Mas o que talvez você não saiba é que foi graças a leitura de jogo dele que o Flamengo abriu o placar. E eu posso te provar. Segue o fio...
O jogo começa e a estratégia defensiva do Atlético é muito clara: marcação individual. Cada um pega o seu. A única exceção era Hulk, que se dividia lá na frente entre os dois zagueiros pra que o time ficasse com pelo menos um jogador na sobra na linha de defesa.
Só que o Flamengo entendeu rápido quais eram os caminhos pra atacar. Como Hulk oferecia pouca pressão, Ortiz segurava a bola até forçar alguém a saltar nele. Pisa e espera. Uma hora alguém vai fazer o salto. E quando isso acontecia, alguém ficava livre.
É verdade que o Flamengo não fez um bom jogo contra o Palmeiras e que o time sofreu mais do que deveria. Mas é verdade também que Tite teve muito mérito na mexida tática que fez no intervalo, fazendo o time se defender melhor. Segue o fio que eu explico.
Além de não conseguir sustentar a posse de bola e tirar o ímpeto do Palmeiras, o Flamengo marcou mal demais na 1ª etapa.
O Palmeiras conseguia progredir com facilidade em campo e sempre tinha alguém livre no meio pra receber o passe e se aproximar da área.
Seu time tá precisando de um lateral-direito? Daqueles que tem boa capacidade de construção e muita força física pra atacar e pra defender? Então Kluiverth Aguilar do Lommel da Bélgica é o cara que seu time tá procurando. Quer conhecer mais esse jogador? Então segue o fio.
Aguilar é um lateral peruano de apenas 21 anos que teve tanto destaque no início da carreira pelo Alianza Lima que foi contratado pelo Grupo City quando tinha 16 anos de idade. Aliás, essa foi a mesma idade que ele estreou no time profissional.
Figurinha carimbada nas seleções de base peruana, Aguilar tem como uma de suas principais características a calma pra sair jogando. Mesmo quando é pressionado, não se afoba. Sabe usar bem o corpo e girar em cima da marcação. Evita se livrar da bola.
Os caras que decidiram o clássico entre Flamengo e Botafogo, foram os mesmos caras que quase fizeram o time perder o jogo. Luiz Henrique e Savarino fizeram os gols da vitória, mas também foram a principal fragilidade defensiva do time. O Fla que não aproveitou. Segue o fio.
Durante todo o 1º tempo e o início do 2º, sobretudo enquanto o jogo estava 0x0, Luiz Henrique e Savarino foram protagonistas na principal fragilidade defensiva do time. No 4-2-4 do Artur Jorge, os pontas são os caras que dão suporte aos laterais na hora de defender.
O problema é que tanto Luiz Henrique, quanto Savarino, deram muito espaço. Ayrton Lucas e Varela apareciam livres o tempo inteiro fazendo a ultrapassagem.
O Flamengo caiu bastante de produção do 1º para o 2º tempo na vitória contra o Palestino. O volume ofensivo diminui drasticamente. E tem uma explicação tática e um ajuste feito pelo técnico do time chileno que ajuda a explicar isso. Se liga na análise...
O voluma de chances que o Flamengo criou na 1ª etapa foi bem grande. Foram várias chances claras de gol que, se devidamente convertidas, poderiam ter dado mais tranquilidade ao jogo. E a maioria dessas chances surgiu pelo mesmo lado, o esquerdo.
Toda vez que Cebolinha recebia aberto, o lateral-dir (3. Rojas) saltava na marcação. Como o zagueiro (4. Antonio Ceza) não acompanhava esse salto, a janela entre o lateral e o zagueiro ficava muito grande. E a cobertura dessa janela foi muito mal feita.
O Flamengo não fez um bom jogo contra o Millonarios e muitos torcedores estão frustrados com o empate na estreia da Libertadores 2024. Mas o que levou o Flamengo a ter tanta dificuldade? O problema foi coletivo ou individual? A altitude influenciou? Segue o fio.
Antes de mais nada é importante ressaltar que nenhuma análise dessa partida é válida sem a gente levar em consideração o fator altitude. E não falo só pelo aspecto físico, mas principalmente na forma como a altitude afeta o peso e a velocidade da bola.
Muitos jogadores tiveram dificuldade. Passes mais fortes que o comum, domínios que a bola escapole do controle e tapas na frente com força excessiva aconteceram de forma recorrente na partida. Cebolinha, Igor Jesus e Matías Viña foram os que mais sentiram.