Há exatos 10 anos, o Barcelona de Pep Guardiola controlou a posse contra o Real Madrid de José Murinho, garantiu o 1x1 no Camp Nou e se classificou para a final da Champions League.
Aquele jogo em si não foi nada demais, mas foi a culminância de um momento único na história.
O Barça de Guardiola assombrou o mundo, conquistando tudo logo na primeira temporada. Na temporada seguinte, também levou o Campeonato Espanhol, mas foi parado na Champions League pela Inter de Mourinho.
O Real, então, foi buscar o treinador português: o anti-Barça.
O primeiro encontro entre os dois times naquela temporada 2010/11 terminou de maneira absolutamente inesperada: 5x0 para o Barça!
Mas aquele não era o fim da história... Muito pelo contrário!
O destino fez questão de colocar os dois rivais frente a frente mais QUATRO vezes na temporada. E os quatro clássicos, no auge da rivalidade entre os dois clubes, seriam disputados em um espaço de 18 dias!
O empate por 1x1 no Bernabéu praticamente garantiu o título espanhol para o Barça.
Na final da Copa do Rei, o Real venceu por 1x0 na prorrogação e saiu campeão.
Agora era hora das semi-finais da Campions League...
Àquela altura, o nível das provocações e a rispidez entre os dois clubes já tinham chegado a um nível insuportável. Havia eletricidade no ar e Guardiola não queria mais saber das declarações de Mourinho.
- Aqui nessa sala de imprensa, ele é o puto chefe.
A primeira partida, no Bernabéu, estava travada até a expulsão de Pepe. Messi abriu o placar e, a cinco minutos do fim, fez isso aí... 2x0 e vantagem completa.
Depois do jogo, Mourinho culpou a arbitragem. Não apenas por aquele jogo, mas por tudo que envolvia o clássico naquele momento. Foi a famosa coletiva do "Por quê?"
Na semana seguinte, exatamente em 03/05/2011, o Barcelona confirmou a classificação no Camp Nou com o empate por 1x1.
Barcelona x Real Madrid. Pep Guardiola x José Mourinho. Messi x Cristiano Ronaldo. Tudo junto!
O jogo em si não foi nada memorável, mas quem viveu aquele momento não esquece. Só havia um assunto!
Em menos de três semanas, tivemos uma overdose da rivalidade que fervia o mundo do futebol!
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Um pequeno país em um canto da Europa tem um peso surpreendente na forma como a gente pensa e sente o futebol. Saíram da Holanda algumas das ideias mais importantes para a nossa compreensão do esporte.
Se hoje falamos tanto em espaço no jogo, é muito graças aos holandeses.
Como já falei aqui, tive a honra e o privilégio de ser o tradutor do livro @Zonal_Marking, do grande Michael Cox, lançado em pré-venda na semana passada pela @EdGrandeArea.
O livro começa falando sobre a influência holandesa no futebol europeu do início dos anos 1990 através de seu principal clube — o Ajax — e de dois ex-jogadores e então treinadores — Cruyff e Van Gaal.
O mais interessante, no entanto, é o mergulho no modo de pensar holandês.
Por que o Flamengo goleia tanto? - PARTE 3: O QUE OS NÚMEROS DIZEM
Os números não são o jogo em si, mas ajudam a entender o que se passa dentro de campo. É preciso ter cuidado, colocar tudo em contexto, mas dá para entender muita coisa a partir deles. Vamos ao mergulho!
Dos 14 jogos disputados pelo Flamengo sob o comando de Renato Gaúcho, 7 foram pelo BR21 e 7 em competições de mata-mata (Libertadores e CdB). Como o time tem se comportado de maneira diferente, a ideia aqui é olhar para esses números de maneira separada.
Por que o Flamengo goleia tanto? - PARTE 2: PORTEIRA QUE PASSA BOI
Meu antigo professor de história tinha uma espécie de frase de efeito. Não importava o assunto que estávamos estudando, em algum momento ele sempre dava um jeito de dizer: "porteira que passa boi, passa boiada".
Nesta série, pretendo explorar por diferentes ângulos a rotina atual de goleadas do Flamengo. Na PARTE 1 (
), detalhei as mudanças de estilo trazidas por Renato Gaúcho até aqui. Hoje quero falar sobre os contextos criados dentro dos jogos.
O 4x0 em cima do Grêmio é um bom ponto de partida. No fim de um primeiro tempo bastante instável, o Flamengo perdeu Bruno Henrique por lesão e Isla recebeu o vermelho. Parecia um cenário terrível, se encaminhando para um segundo tempo sofrido.
Por que o Flamengo goleia tanto? - PARTE 1: CONTROLE E AGRESSIVIDADE
O assunto do momento é aquele: como o Flamengo consegue golear em jogos que nem parece estar dominando durante a maior parte do tempo?
Há muita coisa para falar, então decidi fazer uma série. Começa aqui!
De fato, é quase inacreditável.
Em 14 jogos desde a chegada de Renato Gaúcho, o Flamengo teve 12V 1E e 1D. Mais incrível que isso: fez 45 gols (3,2 por jogo) e sofreu 10 (0,71 por jogo)!
Das 12 vitórias, 8 foram por 3 gols de diferença ou mais.
É normal que um retrospecto como esse gere admiração, um certo choque e até mesmo confusão.
Primeiro, porque são números simplesmente altos demais. Quase impossíveis de se ver por aí — e de se manter no longo prazo.
Gabigol está imparável. Fez 7 gols nos últimos 5 jogos que disputou. Dois de pênalti (ele simplesmente não perde) e outros cinco gols com a bola rolando.
Todos seriam considerados fáceis. Mas será que são simples?
Além do segundo e do terceiro gol contra o Santos, há mais três nos dois jogos contra o Olimpia. Cinco gols depois da marca do pênalti, todos finalizados com apenas um toque! A marca de um artilheiro letal!
Em um mesmo lance, ele faz três, quatro, cinco movimentos. Sabe exatamente o momento em que o passe pode sair, sabe exatamente como os zagueiros tendem a se comportar.
Futebol não é sobre estar no lugar certo. É sobre chegar no lugar certo, na hora certa, do jeito certo.