Estive positiva para COVID-19 de 26 de agosto a 7 de setembro de 2020. Não estive hospitalizada nem tenho nenhum fator de risco "óbvio".
Ainda assim, este mês de Julho de 2021 foi o primeiro em que consegui concentrar-me numa tarefa mais de 30 min seguidos, não tive falhas de memória, nem blackouts de porções inteiras do dia, e consegui lembrar-me de tarefas básicas sem recorrer a 39 alarmes por dia.
Também foi o primeiro mês em que consegui sentir que a minha resistência física está próxima do que era antes da covid, e hoje testei que já consigo subir 3 lanços de escadas a correr sem vacilar. Em Maio de 2021 tinha de parar 1 a 2x a cada lanço de escadas.
O sentimento de impotência que a long-covid deixa é arrasador, e nos primeiros meses foi impossível não me sentir extremamente culpada e inútil por não conseguir ser responsável por mim, nem manter um ritmo de trabalho razoável-manter uma call de 25 minutos era desafio suficiente
Quando ouço a leviandade com que alguns iluminados falam da infeção não posso deixar de ficar profundamente revoltada. Isto matou por dentro e por fora, velhos e novos, e barrou o acesso à saúde a tanta gente por lotação dos serviços.
Quando isto estiver melhor, os de sempre vão continuar a dizer que não era preciso tanto, que morrer se há-de sempre morrer. Ambrósios, ganhem vergonha. Muitos de vocês nem sabem a diferença entre prevalência e incidência, e a única coisa endémica que vos habita é a estupidez.
Haja saúde.
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