No artigo de hoje eu me pergunto se a Olimpíada de 2016 e a Copa de 2014 valeram a pena, em termos econômicos. Somados, o custo total dos dois eventos foi, em valores atualizados, de cerca de R$90 bilhões — aproximadamente três vezes o orçamento anual do Programa Bolsa Família.
Antes da Copa-2014, projetaram q, num intervalo de 5 anos, retorno seria quase 5% do PIB e 15 mi de empregos. Outro estudo, sugeriu que cada R$1 gasto com Rio-2016 geraria R$4. Se hoje você torce o nariz em descrédito para essas projeções, sua intuição está correta.
Victor Matheson comparou estimativas prospectivas (antes dos megaeventos) com análises retrospectivas (após a realização dos eventos) e concluiu: enquanto aquelas previam bilhões de dólares em retorno aos eventos, estas em geral concluíam que o impacto econômico era nulo.
Quais seriam as razões para esses erros sistemáticos de projeção?
(1) analistas têm dificuldade em calcular qual é o gasto adicional líquido gerado pelos eventos. Boa parte dos gastos não é adicional, é simplesmente uma alteração da cesta de consumo que não agrega à economia.
(2) projeções classificam estádios como “infraestrutura” e presumem que eles afetarão a economia de forma similar a outros gastos com infraestrutura. Mas se estrada, ponte ou ferrovia podem reduzir o custo de transporte, aumentando a eficiência, isso n é verdade para estádios.
(3) dificilmente as análises prospectivas conseguem incorporar o que economistas chamam de “custo de oportunidade”. Para sediar um megaevento, governos tipicamente se endividam, limitando seus gastos futuros, ou reduzem gastos presentes em outros setores.
Por vezes, eles acabam tendo que abrir mão de investimentos que teriam maior retorno social. Na frase hoje infame de Ronaldo Fenômeno: “não se faz Copa do Mundo com escolas”.
Certamente há setores econômicos q se beneficiam de tais eventos. Economistas Johan Fourie e María Santana-Gallego demonstraram que o turismo aumenta em média mais de 10% no intervalo entre 3 anos antes e 3 anos depois de um megaevento. Mas n é algo generalizado na economia.
Obviamente, há outros aspectos não econômicos desses eventos que não cabem nesta coluna. Mas, da próxima vez que prometerem grandes benefícios econômicos de algum megaevento, tenha um pouco de ceticismo.
Segundo a melhor evidência disponível, vibrar com os atletas brasileiros do sofá da sua casa enquanto o governo constrói escolas é melhor do que vibrar do estádio deixando a escola por fazer. E não se faz Copa do Mundo nem Olimpíadas com escolas.
Isso aqui é a forma incorreta de ver a coisa. O mundo era muito mais pobre naquela época do que era hoje. Alguns historiadores econômicos reconstruíram o impacto da extração metálica sobre a riqueza disponível na península ibérica.
O primeiro esforço deles foi juntar a produção de metais preciosos (ouro + prata) na América espanhola. Chegam numa métrica de "equivalentes em prata" da produção anual. Ela cresce ao longo dos séculos.
Depois eles calculam o impacto disso sobre a oferta monetária (quantidade de dinheiro disponível) na Espanha. Ela cresceu 15x durante o período! Note como as estimativas crescem monotonicamente em paralelo à extração metálica na América.
O que Abel Ferreira pode ensinar sobre Comércio Internacional? Está confuso?? Segue o fio. 🧶
Se você gosta e assiste futebol, deve ter percebido que há uma “invasão” de técnicos estrangeiros no Brasil. Entre 2003 e 2017, apenas 12 técnicos estrangeiros dirigiram times da elite do futebol brasileiro, de acordo com dados organizados pelo jornalista
@rodolfo1975.
Neste ano 9 times do Brasileirão começaram o certame com um comandante de outra nacionalidade. otempo.com.br/sports/brasile…
O Brasil é uma das economias mais fechadas do mundo, mesmo considerando o tamanho da sua economia ou população. Pelos dados do Banco Mundial, somos a segunda economia mais fechada do mundo - atrás do Sudão do Sul.
Qual é o efeito da integração comercial? O primeiro é e aumentar salários reais. Quando você tem acesso a bens mais baratos, de maior qualidade ou em maior variedade, você consegue comprar mais com cada real. Isso aumenta os "termos de troca" do país e faz com que as pessoas possam consumir mais.
Mas há muita evidência empírica demonstrando que maior abertura econômica está associada a taxas maiores de crescimento e bem estar. Como? Acesso a melhores tecnologias, difusão de novas práticas, tamanho do mercado, competição. Tudo isso incentiva inovação e crescimento.
Esse meme de que a “agricultura familiar produz 70% dos alimentos do país” não tem nenhum resguardo nos dados. Entre 65 alimentos, ela produz em média 5,7%.
A paper I finished in the beginning of my PhD is out on @_PublicChoice. The paper is simple: it tests Piketty's hypothesis of r-g => inequality for a set of developed countries (that have better data). I find no empirical support for Piketty’s predictions.
The paper start by deriving Piketty's "second fundamental law of capitalism" from a standard neoclassical model. Capital share increases in rents and savings; decreases in growth in depreciation. If s is constant, r-g "drives" \alpha.
I pool together data on real bond yields net of taxes and show that it substantially correlates with the returns on wealth of the top 1%. Contemporaneously, there is little correlation b/w capital shares and (r-g).