O ginasta israelense Artem Dolgopyat foi ouro no solo em Tóquio.
Mas sua conquista trouxe uma discussão sobre o que significa ser judeu, num país em que religião e Estado nem sempre se mantêm separados.
Apesar de levar Israel ao pódio, o país não permite a ele se casar.
A Lei do Retorno em Israel diz que qualquer pessoa com ao menos um avô judeu pode se tornar cidadão israelense. É o caso de Dolgopyat, nascido na Ucrânia.
Porém, seu pai é judeu e sua mãe não. De acordo com a Halacá, a lei judaica, é preciso ter mãe judia para ser judeu.
A questão é que Israel não possui um sistema de casamento civil. Portanto, um casamento entre judeus (ou entre cristãos ou entre muçulmanos) é feito por líderes religiosos.
Tentativas de mudar a lei são barradas por partidos ultraortodoxos.
Muitos têm de se casar em outro país.
O problema está longe de ser exclusivo do ginasta.
Dezenas de milhares de pessoas que migraram para Israel vindos da antiga União Soviética, por exemplo, acabam excluídos de rituais como casamentos e funerais, ao mesmo tempo em que vivem no país e servem o exército israelense.
E aí o caso de Dolgopyat é pior: apesar de namorar há anos, ele não consegue deixar o país para casar porque, segundo sua mãe, precisa estar sempre treinando.
De acordo com a AP, uma pesquisa de 2019 mostra que 60% dos judeus israelenses apoiam a criação do casamento civil.
A atual discussão já foi criticada por artigo no jornal ultraortodoxo Kikar Hashabbat, que diz que “vencer uma medalha no esporte não pode ser o padrão para conversão ao judaísmo”, e que isso deve ficar a cargo “da Torá e dos seus mandamentos”.
Yair Lapid, primeiro-ministro rotativo de Israel, discorda e diz que fará “de tudo” para mudar a lei.
“É insuportável que alguém possa subir no pódio, ouvir o Hatikva [hino nacional], vencer uma medalha de ouro em nome de Israel, e não possa se casar aqui”, afirmou esta semana.
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Virou piada no futebol e até faixa ganhou na torcida do San Lorenzo: no clássico com o Huracán, um trapo com 3% apareceu na arquibancada.
É uma referência a uma suposta porcentagem de propina cobrada por Karina Milei, irmã do presidente da Argentina, num escândalo de corrupção.
Na semana passada, foram divulgados áudios em que o diretor da
Agência Nacional da Pessoa com Deficiência (Andis) aparece falando que Karina recebe suborno de 3% sobre o pagamento de remédios destinados a PCDs.
Ela não é só irmã de Javier Milei, é sua secretária-geral.
A relação de Milei com torcedores de futebol nunca foi boa, em especial porque ele é favorável à transformação dos clubes em empresas, algo culturalmente rechaçado pelos argentinos.
Torcedores inclusive já reforçaram as fileiras nos protestos contra cortes nas aposentadorias.
Falta pouco para sabermos o desfecho da ação que o Crystal Palace moveu contra a UEFA no Tribunal Arbitral do Esporte por ter sido excluído da Liga Europa.
Pode parecer pequeno, e pode até não mudar nada, mas o caso ilustra o quão complexo virou o futebol no capitalismo tardio.
O Crystal Palace conquistou em campo a vaga pra Liga Europa ao bater o Manchester City na FA Cup. Seria a 1ª participação do clube numa competição europeia de grande porte.
No entanto, em julho, a UEFA anunciou o "rebaixamento" do clube à Conference League, uma competição menor.
O argumento da UEFA era o de que a presença tanto do Palace quanto do francês Lyon na competição feria suas regras de multipropriedade de clubes.
Basicamente, os dois clubes tinham um acionista em comum: John Textor.
Conflito de interesses que ameaça a integridade do torneio.
Berço do heavy metal, cidade operária e também muito marcante no futebol: assim é Birmingham, cidade onde Ozzy Osbourne começou e encerrou a carreira.
Longe de ser tão comentada quanto Londres, Liverpool e Manchester, a 2ª maior cidade inglesa tem muita história no esporte.
Não à toa, seu clássico é chamado de "Second City Derby", o dérbi da segunda cidade, disputado entre o Birmingham City e o Aston Villa, time do coração de Ozzy.
A região das West Midlands, onde está Birmingham, foi o coração da Revolução Industrial, por questões de geografia.
Ela era abundante em veios de carvão e minério de ferro, essenciais pro trabalho nas indústrias.
Pequenos itens de metal, como botões e fivelas, eram produzidos em massa em Birmingham, em oficinas especializadas, muito antes de surgirem fábricas voltadas a esses produtos.
O Mundial de Clubes esteve próximo de não acontecer porque faltava dinheiro.
A FIFA conseguiu vender os direitos de transmissão ao DAZN, que pagou US$ 1 bilhão pra exibir o torneio de graça, e pouco depois recebeu um investimento da Arábia Saudita.
Que queria uma Copa do Mundo.
O serviço de streaming da FIFA, o FIFA+, até então gratuito, passou a ser alocado dentro da plataforma DAZN, que conseguiu novos e interessantes conteúdos pra atrair mais assinantes.
Um dos clubes envolvido na disputa do Mundial, o Al-Hilal, pertence ao fundo soberano saudita.
Que também é dono do Newcastle, que não está disputando o torneio, diferentemente dos ingleses Chelsea e Manchester City.
A imprensa inglesa então questiona: estariam então os donos do Newcastle dando dinheiro pra dois rivais de forma indireta?
Campeão do mundo em 2022, Lionel Messi surpreendeu ao escolher, no ano seguinte, o Inter Miami como seu próximo destino.
A equipe tem David Beckham como rosto público, mas seus outros donos têm história curiosa:
Sua fortuna se deve, em grande parte, ao terrorismo contra Cuba.
Na apresentação de Messi, ele foi celebrado não apenas por Beckham, mas pelos irmãos cubano-estadunidenses Jorge e Jose Mas, filhos de Jorge Mas Canosa, um ferrenho opositor do governo cubano.
Ambos são sócios de Beckham no clube e Jorge aproveitou pra discursar diante de Messi.
Afirmou que a equipe era um tributo a Miami, que acolheu sua família em busca de "liberdade".
Aliás, a palavra "freedom" é um dos lemas do Inter Miami: seu próximo estádio, previsto pra 2026, se chamará Miami Freedom Park.
Os irmãos Jorge e Jose nasceram ricos graças ao pai.
Após a vitória do seu Barcelona sobre a Juventus, o técnico Luis Enrique comemora no campo ao lado de sua filha, que agita uma bandeira do clube catalão. Eram os campeões da Europa.
10 anos depois, ele quer repetir a cena. Mas sua filha não está mais aqui.
Xana tinha apenas 9 anos quando faleceu, em 29 de agosto de 2019, devido a uma forma rara de câncer ósseo.
Ele e sua esposa, Elena Cullell, a mãe de Xana, montaram uma fundação com o nome dela após sua morte, para dar apoio a crianças com câncer e às suas famílias.
A vida de Xana coincide um pouco com a carreira de técnico de Luis Enrique, que começou nas categorias de base do Barça, passou pela Roma, pelo Celta, até chegar ao profissional do gigante catalão.
Com ele, o Barça formou o ataque com Messi, Suárez e Neymar e ganhou a Champions.