O bronze de Allyson Felix dos EUA nos 400 m é daquelas conquistas que valem muito mais do que o 3º lugar.
Com 10 medalhas olímpicas, ela se torna a maior do atletismo feminino, igualando o nº do compatriota Carl Lewis.
Mas, infelizmente, para as mulheres é sempre mais difícil.
A 1ª participação dela nas Olimpíadas foi em Atenas 2004 e já terminou em prata.
Depois, mais 2 medalhas em Pequim 2008, 3 em Londres 2012 e 3 no Rio 2016.
Com uma carreira esportiva brilhante dessas, é justíssimo que ela possa então ser mãe e não perder patrocínio, certo?
Não foi isso que aconteceu, como relatamos aqui: em 2019, ela comprou uma briga gigantesca com a Nike, que quis reduzir drasticamente o valor que pagava a ela.
Felix e outras atletas se revoltaram com o tratamento dispensado a atletas que eram mães.
E não era só uma questão de ser mãe enquanto atleta profissional: Felix foi diagnosticada com pré-eclâmpsia, uma complicação da gravidez que poderia ser fatal tanto para ela quanto para a criança.
No dia seguinte ao diagnóstico, ela teve que fazer uma cesariana de emergência.
Sua filha Camryn nasceu com apenas 1,5 kg e passou um mês na UTI, sem garantia de que pudesse sobreviver.
Já Felix teve problemas pra andar nas 5 semanas seguintes. Mas, em 3 meses, já estava de volta aos treinos.
Não vamos romantizar: ninguém deveria ter que passar por isso.
Allyson Felix e a Nike não se entenderam, mas a empresa se viu obrigada a criar uma política de maternidade pra atletas patrocinadas.
Camryn está viva e saudável. Felix voltou a competir em 2019, agora patrocinada pela Athleta.
Enquanto isso, se informou sobre a pré-eclâmpsia.
Felix descobriu que os EUA possuem a maior taxa de mortes ligadas à gravidez entre os países desenvolvidos, e que esse é um problema que afeta quatro vezes mais a comunidade afro-americana.
Lembrem-se, estamos falando de um país sem sistema público de saúde.
Diante disso, ela levou o problema ao Congresso dos EUA e discursou na Câmara.
“Eu não percebi quantas mulheres como eu estavam passando pelos mesmos medos e por outros piores”, disse.
Hoje, comanda uma campanha sobre isso para o CDC, principal órgão de saúde pública do país.
Com tudo isso nas costas e aos 35 anos, ela se classificou para a Olimpíada e, numa prova em que só ela e outra atleta tinham mais que 30, conquistou o bronze.
“A sociedade diz que, quando temos filhos, nossos melhores dias acabaram, e eu sou uma prova de que isso não é verdade”
De acordo com o UOL, ela é a mulher mais velha a ganhar uma medalha olímpica pelos EUA na história.
E mais: o tempo de prova que fez hoje, de 49,46 segundos, é ainda mais baixo que aquele que lhe rendeu a prata na mesma prova no Rio há 5 anos, de 49,51 segundos.
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Virou piada no futebol e até faixa ganhou na torcida do San Lorenzo: no clássico com o Huracán, um trapo com 3% apareceu na arquibancada.
É uma referência a uma suposta porcentagem de propina cobrada por Karina Milei, irmã do presidente da Argentina, num escândalo de corrupção.
Na semana passada, foram divulgados áudios em que o diretor da
Agência Nacional da Pessoa com Deficiência (Andis) aparece falando que Karina recebe suborno de 3% sobre o pagamento de remédios destinados a PCDs.
Ela não é só irmã de Javier Milei, é sua secretária-geral.
A relação de Milei com torcedores de futebol nunca foi boa, em especial porque ele é favorável à transformação dos clubes em empresas, algo culturalmente rechaçado pelos argentinos.
Torcedores inclusive já reforçaram as fileiras nos protestos contra cortes nas aposentadorias.
Falta pouco para sabermos o desfecho da ação que o Crystal Palace moveu contra a UEFA no Tribunal Arbitral do Esporte por ter sido excluído da Liga Europa.
Pode parecer pequeno, e pode até não mudar nada, mas o caso ilustra o quão complexo virou o futebol no capitalismo tardio.
O Crystal Palace conquistou em campo a vaga pra Liga Europa ao bater o Manchester City na FA Cup. Seria a 1ª participação do clube numa competição europeia de grande porte.
No entanto, em julho, a UEFA anunciou o "rebaixamento" do clube à Conference League, uma competição menor.
O argumento da UEFA era o de que a presença tanto do Palace quanto do francês Lyon na competição feria suas regras de multipropriedade de clubes.
Basicamente, os dois clubes tinham um acionista em comum: John Textor.
Conflito de interesses que ameaça a integridade do torneio.
Berço do heavy metal, cidade operária e também muito marcante no futebol: assim é Birmingham, cidade onde Ozzy Osbourne começou e encerrou a carreira.
Longe de ser tão comentada quanto Londres, Liverpool e Manchester, a 2ª maior cidade inglesa tem muita história no esporte.
Não à toa, seu clássico é chamado de "Second City Derby", o dérbi da segunda cidade, disputado entre o Birmingham City e o Aston Villa, time do coração de Ozzy.
A região das West Midlands, onde está Birmingham, foi o coração da Revolução Industrial, por questões de geografia.
Ela era abundante em veios de carvão e minério de ferro, essenciais pro trabalho nas indústrias.
Pequenos itens de metal, como botões e fivelas, eram produzidos em massa em Birmingham, em oficinas especializadas, muito antes de surgirem fábricas voltadas a esses produtos.
O Mundial de Clubes esteve próximo de não acontecer porque faltava dinheiro.
A FIFA conseguiu vender os direitos de transmissão ao DAZN, que pagou US$ 1 bilhão pra exibir o torneio de graça, e pouco depois recebeu um investimento da Arábia Saudita.
Que queria uma Copa do Mundo.
O serviço de streaming da FIFA, o FIFA+, até então gratuito, passou a ser alocado dentro da plataforma DAZN, que conseguiu novos e interessantes conteúdos pra atrair mais assinantes.
Um dos clubes envolvido na disputa do Mundial, o Al-Hilal, pertence ao fundo soberano saudita.
Que também é dono do Newcastle, que não está disputando o torneio, diferentemente dos ingleses Chelsea e Manchester City.
A imprensa inglesa então questiona: estariam então os donos do Newcastle dando dinheiro pra dois rivais de forma indireta?
Campeão do mundo em 2022, Lionel Messi surpreendeu ao escolher, no ano seguinte, o Inter Miami como seu próximo destino.
A equipe tem David Beckham como rosto público, mas seus outros donos têm história curiosa:
Sua fortuna se deve, em grande parte, ao terrorismo contra Cuba.
Na apresentação de Messi, ele foi celebrado não apenas por Beckham, mas pelos irmãos cubano-estadunidenses Jorge e Jose Mas, filhos de Jorge Mas Canosa, um ferrenho opositor do governo cubano.
Ambos são sócios de Beckham no clube e Jorge aproveitou pra discursar diante de Messi.
Afirmou que a equipe era um tributo a Miami, que acolheu sua família em busca de "liberdade".
Aliás, a palavra "freedom" é um dos lemas do Inter Miami: seu próximo estádio, previsto pra 2026, se chamará Miami Freedom Park.
Os irmãos Jorge e Jose nasceram ricos graças ao pai.
Após a vitória do seu Barcelona sobre a Juventus, o técnico Luis Enrique comemora no campo ao lado de sua filha, que agita uma bandeira do clube catalão. Eram os campeões da Europa.
10 anos depois, ele quer repetir a cena. Mas sua filha não está mais aqui.
Xana tinha apenas 9 anos quando faleceu, em 29 de agosto de 2019, devido a uma forma rara de câncer ósseo.
Ele e sua esposa, Elena Cullell, a mãe de Xana, montaram uma fundação com o nome dela após sua morte, para dar apoio a crianças com câncer e às suas famílias.
A vida de Xana coincide um pouco com a carreira de técnico de Luis Enrique, que começou nas categorias de base do Barça, passou pela Roma, pelo Celta, até chegar ao profissional do gigante catalão.
Com ele, o Barça formou o ataque com Messi, Suárez e Neymar e ganhou a Champions.