Hebe Camargo, Agnaldo Rayol, Ivete Sangalo e outros ricos e famosos participam de um protesto contra o governo Lula organizado pelo mov. "Cansei". Criado por João Doria em junho de 2007, o movimento tinha por objetivo denunciar o "caos aéreo" atribuído ao governo federal.
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A crise do sistema aéreo ocorreu em função do crescimento exponencial de passageiros gerado pela ascensão da "classe C". Durante o governo Lula, 36 milhões de pessoas saíram da miséria e 60% dos brasileiros tiveram incremento em sua renda.
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A ascensão social criou uma nova "classe média" apta a, por exemplo, custear viagens. Tendo como foco essa clientela, companhias aéreas investiram na popularização das passagens e dezenas de milhões de brasileiros passaram a frequentar os aeroportos.
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Dados divulgados pela ANAC registraram que o Brasil teve um incremento de quase 60 milhões de novos passageiros durante os governos do PT. A expansão do número de passageiros levou à criação de gargalos no sistema aéreo, resultando em longas filas e aeroportos lotados.
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A situação se agravou em 2006, com a crise financeira da Varig, sobrecarregando companhias aéreas, gerando congestionamentos nas pistas de pouso e déficit de profissionais. Visando explorar politicamente a situação, a imprensa brasileira tratou de elevar ao máximo o drama.
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Reportagens diárias relatavam o "caos nos aeroportos", com depoimentos de passageiros indignados por ficarem horas aguardando para realizar check-in. O termo "apagão aéreo" foi popularizado e a lotação dos aeroportos se tornou o grande foco dos debates políticos nacionais.
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Não raramente, o debate era permeado por elitismo explícito e o preconceito de classe expressos no desconforto das camadas sociais altas e médias em dividirem seu espaços tradicionais com a "classe C". Socialites queixaram-se do porteiro que estava viajando a Paris...
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...e professoras universitárias ficaram indignadas porque o novo público dos aeroportos tornava o espaço menos condigno, "parecendo rodoviária". O ápice da crise ocorreu em 17 de julho de 2007, quando a aeronave que fazia o voo 3054 da TAM sofreu um acidente.
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Um Airbus da TAM, transportando 187 passageiros colidiu contra um galpão e um posto de gasolina ao ultrapassar os limites da pista de pouso e invadir a Avenida Washington Luís, nos arredores do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo.
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Imprensa e oposição atribuíram a responsabilidade ao governo. Alguns dias depois, João Doria uniu-se ao executivo Paulo Zottolo, presidente da Philips, e ao advogado Luiz Flávio Borges D'Urso, da OAB-SP, para lançar o "Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros".
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O movimento ficou conhecido pelo lema "Cansei", que estampava os materiais publicitários, e tinha por objetivo criticar o "caos aéreo", a "corrupção" e "falta de segurança" do governo Lula. A iniciativa ganhou apoio de entidades patronais, da FIESP...
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...políticos de oposição e empresários, além de ser promovido por atores da Rede Globo, apresentadores de televisão, cantores e celebridades em geral. O principal ato organizado pelo movimento foi um protesto na Praça da Sé, no centro de São Paulo.
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Fartamente divulgado, o protesto foi marcado para 17 de agosto, um mês após o acidente. A manifestação contou com a presença de diversas celebridades: Hebe Camargo, Ana Maria Braga, Regina Duarte, Luana Piovani, Ivete Sangalo, Seu Jorge, Sérgio Reis, Zezé di Camargo, etc.
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Apesar das convocatórias e da presença de celebridades, a adesão ao protesto foi baixa: cerca de 2 mil pessoas compareceram. E embora os idealizadores afirmassem que a iniciativa era "apartidária", a manifestação foi marcada por gritos de "Fora Lula" e "Fora PT".
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Os parentes das vítimas do acidente foram ignorados pela organização e ficaram presos na rampa de acesso, sem permissão para ir até o palco, reservado para as celebridades. A presença dos parentes sequer foi anunciada pelos organizadores.
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Agnaldo Rayol cantou o Hino Nacional e o mestre de cerimônias João Batista de Oliveira declamou o Hino do Exército, exortando o público a "lutar pela pátria com fervor". Já o padre Antônio Maria evocou a inspiração divina. "Hoje, Deus diz pra nós: 'Estou cansado."
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Identificado como uma manifestação do antipetismo da elite, o movimento se tornou alvo de zombaria, sobretudo pelas cenas ridículas de socialites milionárias enroladas na bandeira nacional berrando que estavam cansadas — enquanto seguranças expulsavam moradores de rua.
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Para piorar, um dos organizadores do evento, Paulo Zottolo, deu uma declaração lamentável ao criticar o governo Lula. "Não se pode pensar que o Brasil é um Piauí, no sentido de que tanto faz quanto tanto fez. Se o Piauí deixar de existir ninguém vai ficar chateado".
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A declaração de Zottolo lhe rendeu o título de "persona non grata" no estado do Piauí e conferiu ao movimento a pecha adicional de xenófobo.
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Wadih Damous, presidente da seccional fluminense da OAB e parlamentar do PT, classificou o "Cansei" como "um movimento de fundo golpista, estreito, que só conta com a participação de setores e personalidades das classes sociais mais abastadas do estado de São Paulo".
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Até mesmo Cláudio Lembo, governador de São Paulo, criticou a manifestação, dizendo que o movimento tinha "figuras conhecidas que sempre possuíram e possuem uma visão elitista do país" e ironizou o lema "Cansei" como um termo de "dondocas enfadadas".
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Conceição Aparecida dos Santos, moradora de uma ocupação, pediu a palavra, mas foi convidada a se retirar. "Os pobres é que estão cansados. Pedi aos organizadores para falar ao microfone, não deixaram. Moro em uma ocupação aqui no centro, e eles estão para nos despejar".
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ERRATA: No primeiro post, leia-se "julho de 2007".
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Há 53 anos, Araceli, uma menina de 8 anos, era sequestrada, estuprada e assassinada. Oriundos de famílias ricas e poderosas do ES, os suspeitos foram protegidos pela ditadura militar, que impediu a resolução do caso. Leia no @operamundi
Araceli era a segunda filha de um casal de imigrantes radicados no Brasil — o eletricista espanhol Gabriel Crespo e a boliviana Lola Sánchez. A família vivia em uma residência modesta no bairro de Fátima, na cidade de Serra, no Espírito Santo.
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Em 18 de maio de 1973, Araceli desapareceu após sair do Colégio São Pedro. A princípio, os pais acreditavam se tratar de um sequestro. A polícia, entretanto, considerava a hipótese improvável, em função das limitações financeiras da família.
Há 89 anos, a cidade de Guernica se rendia às tropas de Francisco Franco. A rendição ocorreu 3 dias após o violento bombardeio contra a cidade, um dos episódios mais infames da Guerra Civil Espanhola. Contamos essa história hoje no @operamundi
O bombardeio foi o primeiro ataque aéreo de grande porte direcionado exclusivamente contra alvos civis na Europa, tornando-se marco dos chamados "bombardeios de terror" e um teste para as estratégias de guerra total que seriam empregadas ao longo do século 20.
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A Guerra Civil Espanhola serviu de prelúdio à Segunda Guerra Mundial. O conflito opôs os republicanos (agrupados em uma aliança com anarquistas, socialistas e comunistas) às forças franquistas (compostas pela união de falangistas, monarquistas, católicos, carlistas, etc.)
Um dos aquários mais antigos do Brasil foi fechado. O Centro Cultural Tattersall e o Museu de Geologia também. Os animais que viviam soltos estão todos confinados em jaulas. Muitas mudanças ocorreram desde a privatização do Parque da Água Branca — todas para pior.
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O Parque Estadual da Água Branca é um dos refúgios mais singulares da cidade de São Paulo. Localizado na Barra Funda, uma região repleta de galpões industriais e torres de concreto, o local funciona com um verdadeiro oásis, com núcleos de Mata Atlântica, nascentes e lagos.
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O parque começou a ser formado em 1905 e foi inaugurado em junho de 1929. Sua criação atendia a uma reivindicação da Sociedade Rural Brasileira (SRB). A ideia era criar um espaço de exposições para abrigar feiras e mostras agrícolas e sediar provas zootécnicas.
Há 35 anos, os cidadãos soviéticos votavam em um referendo sobre o futuro do país. Quase 80% dos eleitores disseram que queriam que a URSS continuasse existindo. Mesmo assim, as lideranças políticas optaram pela dissolução. Leia no @operamundi
A dissolução da URSS foi o capítulo final de uma longa crise política e econômica iniciada nos anos 70 e agravada nos anos 80, quando o governo de Mikhail Gorbachev implementou seus planos de reestruturação econômica (Perestroika) e de abertura política (Glasnost).
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Gorbachev cessou a cooperação entre a URSS e os países do bloco socialista, abriu mão da busca pela hegemonia em conflitos estratégicos, cedeu às pressões dos EUA e de países ocidentais que demandavam a redução do poderio bélico soviético, dentre várias outras concessões.
Há 209 anos, partidários da independência e das ideias republicanas se insurgiam contra o domínio português, dando início à Revolução Pernambucana. O levante instalou um governo independente em Pernambuco, que durou 75 dias. Leia no @operamundi
No início do século 19, Pernambuco detinha o posto de capitania mais rica do Brasil. A elite pernambucana, entretanto, mostrava-se insatisfeita com o governo colonial português, que pouco havia feito para atenuar a decadência da produção de açúcar e algodão na região.
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Os pernambucanos se ressentiam da presença maciça de portugueses na administração pública. O descontentamento se agravou após a transferência da corte portuguesa para o Rio de Janeiro, que resultou no aumento de impostos para financiar as reformas na capital.
De tempos em tempos, um país se torna alvo da campanha de satanização da imprensa e das potências ocidentais, a fim de justificar guerras e intervenções. Hoje no @operamundi, falamos do alvo da vez, oferecendo um breve relato da história do Irã.
Localizado no Sudoeste Asiático (ou Oriente Médio), o Irã é o 18º maior país do mundo (pouco maior do que o Peru) e o 17º mais populoso (um pouco mais que Alemanha). É um país de alto desenvolvimento humano, com um IDH de 0,799 — maior do que Brasil (0,786) e China (0,797).
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A população iraniana é marcada pela diversidade étnica. Ao contrário do que é frequentemente propalado pela imprensa, o Irã não é uma nação árabe. A maior parte dos iranianos são persas. O país também abriga grupos significativos de azeris, guiláquis, curdos, judeus, etc.