Após vários pedidos, darei algumas dicas de leitura para quem quer entender e estudar a China. Sendo assim, selecionei um conjunto de livros (português) de mais fácil acesso. No futuro falaremos de outras obras clássicas em inglês, papers, sites e até filmes.🧵
1. O início, é claro, são os manuais de História da China. Esses dois são bons pontos de partida.
2. Depois, livros para visão de conjunto e sistêmica. Visentini e Arrighi são essenciais.
3. A obra do Kissinger é imprescindível.
4. Losurdo enfrenta como poucos o debate sobre a revolução e a reforma. O livro do Perry Anderson também vale a leitura.
5. Minha tese trata das relações entre China e Rússia no Pós-Guerra Fria sobre diversos ângulos e traça um histórico mais amplo. E o recém lançado tem o último capítulo problematizando se a China é imperialista.
6. Os livros do Elias Jabbour são sempre ótimos materiais. Aqui sua dissertação e sua tese - além de seu mais recente "China: socialismo no século XXI" que só tenho por ebook.
7. Algumas biografias como as do Deng e do Zhou merecem ser lidas.
8. Por fim, mas não menos importante, as publicações com formulações dos líderes (Mao, Zemin e Xi) são imprescindíveis.
• • •
Missing some Tweet in this thread? You can try to
force a refresh
Enquanto Trump generaliza tarifaços em escala global, a China cria eventos para ampliar as importações de países do Sul Global. A China International Import Expo (CIIE) é a primeira feira de importação do mundo organizada por um país em nível nacional. Vamos entender mais🧶🇨🇳
Lançada oficialmente em 2018, representa uma inflexão histórica na política econômica externa da China. A CIIE tem como objetivo central abrir o mercado chinês ao mundo. Revela a preocupação em reequilibrar o comércio e abrir oportunidades lada os parceiros do Sul Global.
A CIIE permite que o Estado chinês selecione setores e parceiros estratégicos, facilitando importações de forma ordenada e alinhada aos interesses nacionais (tecnologia, saúde, segurança alimentar, meio ambiente, etc.). E, claro, consolida a imagem da China como líder.
O BRICS é a máxima expressão da mudança da correlação de forças no mundo. O grupo expandiu-se para 20 países, 10 membros e 10 parceiros. Agora, representa 44% do PIB mundial (PPC) e 56% da população global e não é mais o G7 que dá as cartas.🧶
Não poucos tentaram "botar água no chopp" do encontro, alegando esvaziamento em razão da ausência de Xi. Isso significaria ignorar como a China vê o BRICS e como pensam os estrategistas chineses. Ademais, é confundir eventos pontuais com processos materiais profundos.
O BRICS é uma força abrangente que representa a ascensão do Sul Global e um desdobramento das aspirações do Terceiro Mundo. O grupo já tem mais de uma década e meia de acúmulos, agendas comuns e convergências em várias áreas.
Não foi pouco que falamos que o cerco dos EUA ao setor de semicondutores da China daria errado. Depois do Mate 60 da Huawei e do DeepSeek, agora é a vez da Xiaomi lançar o Xring, seu novo super chip.🧶🇨🇳🇺🇲
A Xiaomi, tradicionalmente conhecida por oferecer smartphones acessíveis com especificações surpreendentes, acaba de lançar um novo golpe no coração da hegemonia tecnológica dos EUA. Seu chip XRing superou em alguns aspectos o poderoso A18 Pro da Apple, até então o padrão ouro.
O XRing O1 foi desenvolvido durante quatro anos intensos de pesquisa e investimento, com um custo estimado de US$ 1,9 bilhão. Um SoC com arquitetura de 10 núcleos, construído com processo de 3 nanômetros, contendo 19 bilhões de transistores.
Desde 2019 o cerco dos EUA à empresa chinesa Huawei só aumenta. Agora é decretada a proibição do uso de seus Chips em qualquer lugar do mundo. Tão absurdo quanto o disparate imperial de Washington, é a incapacidade de aprender sobre o resultado de suas políticas recentes.🧶🇨🇳🇺🇲
Antes de ter endurecido com a Huawei ao colocar na Lista de Entidades (2019), em 2017, a empresa foi impedida de fornecer equipamentos para redes de telecomunicações 5G dos EUA. Em 2018 foi acusada de roubo de propriedade intelectual de uma operadora estadunidense (AT&T).
Em 2020, há um endurecimento das regras, de modo que qualquer empresa no mundo que usasse tecnologia ou software dos EUA para produzir chips para a Huawei precisaria de licença especial. Com isso, a Huawei teve que reduzir produção de smartphones de alta gama.
O lançamento da Internet 10G mais uma vez colocou a China no centro das notícias mundiais sobre inovação. Realmente isso tem implicações profundas e merecem alguns comentários. 🧶🇨🇳
A primeira rede de banda larga 10G no Condado de Sunan, na província de Hebei, foi produto da parceria da Huawei com a China Unicom. Foi testado velocidades de download de até 9.834 Mbps e redução significativa da latência.
A inovação vai bem além do uso domiciliar. Vai revolucionar saúde, mobilidade e agricultura, permitindo uma transmissão de dados mais rápida e confiável. Vai elevar a capacidade de planejamento a outros patamares.
Em meio à crise comercial desencadeada pelos EUA, Xi intensifica o giro diplomático e fortalece o multilateralismo. Dessa vez, as visitas são aos países do Sudeste Asiático, os mais impactos pela tarifas de Trump.🧶🇨🇳
A viagem de Xi inclui o Vietnã, Malásia e Camboja. Embora suspensa por 90 dias, cabe lembrar que esses países receberam um tarifaço de 46%, 24% e 49%, respectivamente. A eventual aplicação dessas tarifas criariam grandes problemas a estes países - e a China passa a ser a solução.
Cabe lembrar que um dos primeiros atos do primeiro governo Trump foi arquivar o projeto de integração para a região, o TPP. Nesse vácuo, a China criou o RCEP e ampliou sua ascendência regional. Essas trajetórias intensificam as tendências em curso, aliás.