Detalhes do "Monumento aos Heróis da Travessia do Atlântico", inaugurado em São Paulo em 1929. Repleto de referências exaltando o fascismo, o monumento ostenta em seu pedestal uma coluna doada à cidade de São Paulo pelo próprio Benito Mussolini.
1/24
"No bonde, no teatro, na rua, na igreja, fala-se mais o idioma de Dante que o de Camões". A frase do historiador Ernani Bruno atesta a proeminência da comunidade italiana em São Paulo no início do século XX. Em 1916, 37% da população da cidade havia nascido na Itália.
2/24
O enorme fluxo de imigrantes italianos deixou marcas profundas na cultura e nas estruturas sociais, refletindo o quadro de agitação social e as disputas políticas e ideológicas que marcavam a Itália no período.
3/24
As primeiras organizações anarquistas e socialistas em São Paulo foram fortemente impulsionadas pela comunidade italiana. Não obstante, a ascensão do fascismo e a mitificação de Benito Mussolini também tiveram fortes reflexos do outro lado do Atlântico.
4/24
Tamanha era a idolatria por Mussolini em São Paulo que imigrantes italianos solicitaram por duas vezes, em 1924 e 1926, a autorização da Câmara Municipal para erguer um monumento em homenagem ao líder fascista na cidade. Os projetos foram barrados pela oposição.
5/24
Em 1927, entretanto, a façanha de três aviadores italianos daria a Mussolini a oportunidade de erguer em São Paulo um totem de exaltação ao fascismo. Francesco de Pinedo, Carlo del Prete e Vitale Zacchetti realizaram a 1ª travessia aérea sem escalas sobre o Atlântico Sul.
6/24
A travessia fazia parte do chamado "Reide das Américas", sugerido a Pinedo pelo próprio Mussolini. O líder fascista queria inspirar orgulho e cooptar apoio dos imigrantes italianos nas Américas, ao mesmo tempo em estabelecia pontos de apoio para as aeronaves italianas.
7/24
Os pilotos foram exaltados como heróis após amerissarem na Represa de Guarapiranga. Para comemorar o feito, a Sociedade Dante Alighieri — associação internacional de promoção da cultura italiana —propôs a construção do "Monumento aos Heróis da Travessia do Atlântico".
8/24
A obra foi concebida pelo escultor italiano Ottone Zorlini, seguindo os padrões estéticos cultuados pelo regime fascista, marcado por referências aos cânones da arte antiga e ao "passado glorioso" do Império Romano.
9/24
Encimando o pedestal em granito, a "Vitória Alada" reproduz a figura mitológica de Ícaro, com o braço estendido na direção do Atlântico. Nas laterais, encontram-se dois "fascios" — representações de feixes atados a um machado de bronze, símbolos do movimento fascista.
10/24
Engastada no pedestal do monumento, há uma coluna com capitel em estilo coríntio esculpido em mármore, supostamente retirada de uma construção milenar descoberta em um sítio arqueológico de Roma. A coluna foi enviada a São Paulo como um presente do próprio Benito Mussolini
11/24
Não há certeza sobre a autenticidade da coluna. Mussolini tinha o hábito de presentear autoridades estrangeiras com supostos artefatos arqueológicos que eram, na verdade, falsificações contemporâneas. Outra suposta coluna romana foi doada por Mussolini à cidade de Natal.
12/24
Ao longo dos anos 30, Mussolini estreitou ainda mais os laços com São Paulo. Apoiado pela burguesia empresarial de ascendência italiana (famílias Matarazzo, Crespi, Scarpa, etc.), o governo italiano estabeleceu uma ampla rede local de órgãos de socialização fascista.
13/24
Essa rede era composta pelos "fasci all'estero", pelos Dopolavoro e pelas Casa d'Italia. Os "fasci all'estero" eram células internacionais do Partido Fascista italiano, responsáveis pelo trabalho de formação política e difusão dos valores fascistas na sociedade.
14/24
Na década de 30, o estado de São Paulo chegou a reunir 54 "fasci", congregando mais de 300.000 militantes. Os Dopolavoro eram organizações recreativas, que buscavam introjetar o ideário do fascismo por intermédio do esporte, do lazer e da cultura.
15/24
Durante as datas comemorativas do calendário fascista, os Dopolavoro organizavam desfiles de camisas-negras e saudações a Mussolini. Já as Casa d'Italia buscavam conquistar apoio popular ofertando serviços gratuitos ou subsidiados como ambulatórios médicos e creches.
16/24
Complementando o movimento de base, o governo italiano mantinha em SP uma forte representação diplomática. Além do consulado da capital, o estado abrigava 4 vice-consulados (Bauru, Campinas, Ribeirão Preto e Santos), 17 agências consulares e 170 correspondentes consulares.
17/24
O tamanho da rede consular, absolutamente incomum para os padrões normais da diplomacia, só poderia ser compreendido como parte de uma estratégia de controle, tutela e cooptação da comunidade ítalo-paulista ao projeto politico do Partido Fascista italiano.
18/24
A arquitetura também foi influenciada pela exportação do ideário fascista. Marcello Piacentini, arquiteto oficial de Mussolini, foi responsável por projetar o Palácio dos Bandeirantes e o Palácio do Anhangabaú — respectivas sedes do governo estadual e da prefeitura de SP
19/24
Marcello Piacentini foi o arquiteto que desenhou o complexo da Exposição Universal Romana, um bairro construído por Mussolini para celebrar os 20 anos da Marcha Sobre Roma e a ascensão do fascismo na Itália.
20/24
A presença massiva dos aparelhos ideológicos fascistas em São Paulo fez com que quase todas as organizações originalmente vinculadas à comunidade ítalo-paulista fossem cooptadas pelo ideário fascista - de fraternidades a escolas, passando por clubes de futebol.
21/24
Fundado pela colônia italiana em 1914, o clube Palestra Itália (atual Palmeiras) era proprietário de uma das arenas mais utilizadas para sediar manifestações ligadas ao Partido Fascista italiano.
22/24
Em 1935, por exemplo, o estádio foi sede da 14ª edição da "Leva Fascista" - um ritual de passagem criado pela juventude fascista italiana. No ano seguinte, o Palestra Itália abrigou uma suntuosa festa em homenagem ao 15º aniversário do regime fascista na Itália.
23/24
E em 1937, por ocasião da visita do senador fascista Luigi Federzoni ao Brasil, o estádio organizou uma impressionante recepção, com direito a um retrato gigante do rosto de Mussolini, uma bandeira da Itália fascista medindo 12 m de altura e desfiles de camisas-pretas.
24/24
• • •
Missing some Tweet in this thread? You can try to
force a refresh
Há 81 anos, as forças soviéticas libertavam os sobreviventes do Gueto de Lodz, na Polônia. Lodz foi o segundo maior gueto nazista da Europa, atrás apenas de Varsóvia. Mais de 210 mil pessoas foram encarceradas no local. Leia mais no @operamundi
Logo após a invasão da Polônia em 1939, os ocupantes nazistas instituíram uma violenta política de segregação dos judeus. Na cidade de Lodz, conhecida por ter uma significativa comunidade judaica, os alemães reservaram um distrito para confinar a população judia.
2/25
A ordem para criar o gueto foi dada por Friedrich Übelhör, o interventor nazista. Para intimidar a população e forçá-la ao deslocamento, os alemães perpetraram uma série de chacinas e massacres — nomeadamente a "Quinta-Feira Sangrenta", quando 350 judeus foram assassinados.
O governo brasileiro anunciou o envio de 100 toneladas de medicamentos e insumos médico-hospitalares à Venezuela. A ação ocorre após um bombardeio dos Estados Unidos destruir o maior centro de distribuição de medicamentos do país vizinho.
1/7
A iniciativa prioriza o atendimento a cerca de 16 mil pacientes venezuelanos que dependem de hemodiálise, cujo tratamento foi comprometido após o ataque. A primeira remessa, com 40 toneladas de materiais essenciais, deve partir ainda hoje para Caracas.
2/7
O material inclui filtros, linhas arteriais e venosas, cateteres, soluções para diálise e medicamentos de uso contínuo. Os insumos foram arrecadados com doações de laboratórios públicos, hospitais universitários e organizações filantrópicas brasileiras.
A polícia de São Paulo desconfia que um assalto a um laboratório da USP ocorrido durante o Réveillon tenha sido motivado por espionagem científica industrial. Dois computadores com HD e software desenvolvidos na USP foram levados durante a ação.
1/8
O assalto ocorreu na madrugada de 1º de janeiro de 2026. Quatro homens armados invadiram a sede do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE-USP) e renderam os dois seguranças de plantão. Os vigilantes foram presos na cozinha do instituto.
2/8
Uma van branca foi utilizada para transportar o material subtraído. Os criminosos levaram 8 bobinas de fios de cobre, 80 metros de cabos plásticos e aparelhos celulares. Diversos equipamentos e instalações foram destruídos ou danificados.
Há 66 anos, o general Lott esmagava a Revolta de Aragarças, levante golpista contra o governo de Juscelino Kubitschek. A revolta foi conduzida por militares que já tinham tentado um golpe 3 anos antes, mas receberam anistia. Leia no @operamundi
Candidato à presidência pelo PSD na eleição de 1955, Juscelino Kubitschek (JK) se apresentou ao eleitorado como herdeiro político de Getúlio Vargas, prometendo trazer ao Brasil “50 anos de desenvolvimento em 5 anos de mandato”.
2/25
JK conseguiu herdar os votos de Vargas e foi eleito presidente. O mesmo ocorreu com João Goulart, ex-Ministro do Trabalho de Vargas, que foi eleito como vice em votação separada.
Mas, ao mesmo tempo, JK e Goulart também herdaram a fúria do antigetulismo.
O Ministério Público de Milão anunciou abertura de uma investigação formal contra cidadãos italianos suspeitos de terem participado de "safáris humanos" durante a Guerra da Bósnia. Os turistas europeus pagavam até R$ 600 mil para matar civis por diversão.
1/15
O caso ocorreu durante o Cerco de Sarajevo, episódio dramático da Guerra da Bósnia, que se estendeu de 1992 a 1996. Considerado um dos mais violentos cercos militares do século 20, a ofensiva contra a capital bósnia deixou cerca de 12.000 mortos e 60.000 feridos.
2/15
Conforme a denúncia, o serviço era ofertado pelo exército sérvio-bósnio, chefiado por Radovan Karadzic, preso desde 2008. O Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia o condenou a 40 anos de prisão por genocídio e crimes contra a humanidade.
Há 129 anos, uma expedição militar era enviada para destruir Canudos. Convertida em um "paraíso dos pobres", a comunidade foi rotulada como uma ameaça à ordem vigente e submetida a um massacre que deixou 25.000 mortos. Leia mais no @operamundi
No fim do século 19, o sertão nordestino estava mergulhado em uma grave crise social. A terra seguia concentrada nas mãos dos latifundiários, os trabalhadores sofriam com o flagelo da seca e os ex-escravizados vagavam implorando por trabalho nas fazendas da região.
2/27
Nesse cenário desolador, muitos sertanejos buscavam na fé a força para enfrentar o sofrimento cotidiano. Nas áreas remotas, onde a igreja também era ausente, essa dinâmica fortaleceu o messianismo rústico, muito influenciado pelas tradições religiosas populares.