Há 382 anos, em 11/03/1641, tinha início a Batalha de M'Bororé. O conflito opôs um exército de indígenas guaranis das Missões Orientais a um grupo de bandeirantes de São Paulo que pretendiam escravizá-los. A batalha durou uma semana e terminou com a vitória dos guaranis.
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Os jesuítas aportaram nas Américas ainda no século XVI, objetivando evangelizar os povos indígenas. As primeiras tentativas de evangelização foram frustradas pela oposição dos colonizadores, mais interessados em explorar os indígenas como mão de obra escrava.
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Os jesuítas elaboraram então uma nova estratégia de catequização, baseada na criação de aldeamentos que permitissem a convivência permanente de missionários e indígenas. Surgiram assim as missões, ou reduções, concebidas como catalisadores do processo de aculturação.
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As missões jesuíticas estão entre as instituições responsáveis por fomentar a desagregação das tradições dos povos originários, suprimindo gradualmente os sistemas de crenças e valores dos nativos em favor da imposição da cultura europeia e da fé cristã.
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Não obstante, as missões também ofereciam aos indígenas proteção contra a exploração e a violência dos colonizadores. Por esse motivo, as missões se tornaram refúgios muito procurados e em poucas décadas já congregavam uma população de dezenas de milhares de indígenas.
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Os bandeirantes constituíam uma das principais ameaças aos povos indígenas no Período Colonial. Operando a partir de São Paulo, eram responsáveis por organizar as "bandeiras" — expedições que buscavam pedras preciosas e capturavam indígenas para uso como mão de obra escrava
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Conhecidos pela crueldade, os bandeirantes protagonizaram inúmeros massacres, estupros e atos de selvageria contra nativos, sendo responsáveis por parte substancial do genocídio indígena. Estima-se que entre 1625 e 1641, os bandeirantes assassinaram mais de 600.000 guaranis
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A presença numerosa de indígenas fez com que as missões se tornassem objeto de cobiça dos bandeirantes. A partir de 1620, no contexto da União Ibérica, as incursões dos bandeirantes às missões jesuíticas da América espanhola se intensificaram cada vez mais.
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Entre 1628 e 1629, os bandeirantes realizaram uma série de ataques às missões do Guairá (atual Paraná), em incursões encabeçadas por Raposo Tavares, Brás Leme e outros. As ofensivas resultaram na destruição completa das missões do Guairá e na captura de 5.000 indígenas.
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Desse total, apenas 1.200 sobreviveram à viagem até SP, onde foram leiloados como escravos.
Acossados pelos bandeirantes, 12.000 indígenas e centenas de jesuítas abandonaram a região do Guairá em 1632, fugindo rumo ao sul.
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Estabeleceram-se então nas margens do Rio Uruguai, junto ao Penhasco do M'Bororé — hoje Panambí, província argentina de Misiones. O êxodo prosseguiu até a região de Tapes, no Rio Grande do Sul, habitada por guaranis dos grupos charrua, araxã, guananá, guenoa, carijó, etc.
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A fuga não bastou para deter os bandeirantes, que voltaram a perseguir os nativos. Entre 1635 e 1638, Raposo Tavares e Fernão Dias organizaram uma série de ataques às reduções de Tapes.
Reagindo às investidas dos bandeirantes, os jesuítas buscaram apoio da coroa espanhola.
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Em 1638, os padres Antonio Ruiz de Montoya e Francisco Díaz Taño solicitaram ao rei Filipe IV da Espanha autorização para armar os indígenas. Vislumbrando na resistência missioneira um meio de frear a expansão colonial portuguesa, o monarca acatou o pedido.
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Pedro de Rojas y Acevedo, governador de Buenos Aires, enviou armas e instrutores militares para treinar os indígenas.
Em 1639, o padre Diego de Alfaro partiu com um exército de guaranis armados em uma missão para libertar um grupo de nativos aprisionados pelos sertanistas.
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Após uma série de enfrentamentos menores, os indígenas conseguiram subjugar os paulistas durante a Batalha de Caazapaguazú, obtendo a primeira vitória contra os bandeirantes. Tanto Alfaro quanto Pascoal Leite Pais, líder da bandeira, foram mortos no combate.
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Apoiados pela bula pontifícia do Papa Urbano VIII condenando a escravização dos indígenas, os jesuítas pressionaram as autoridades no Brasil. A Câmara Municipal de São Paulo reagiu expulsando os jesuítas da cidade no episódio conhecido como "Botada dos Padres Fora".
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Os paulistas decidiram então organizar uma expedição para vingar a morte de Pascoal Leite Pais e destruir as Missões Orientais. A expedição de 3.500 homens (incluindo Antônio de Cunha Gago, Jerônimo Pedroso de Barros, Manuel Pérez, etc.) partiu de SP em setembro de 1640.
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Cientes da investida, os missioneiros se prepararam para a batalha. Organizaram um exército de 4.200 indígenas guaranis, armados com canhões, catapultas, arcabuzes, mosquetes, cutelos e flechas. Também montaram uma cavalaria de lanceiros.
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A batalha principal teve início em 11/03/1641, sobre as águas do Rio Uruguai. Os indígenas contavam com apenas 60 jangadas contra 300 embarcações dos sertanistas, mas conseguiram compensar a desvantagem numérica com escaramuças e armadilhas.
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O cacique Nicolás Ñeenguirú comandou o exército guarani. Os indígenas se dividiram em companhias chefiadas por caciques: Ignacio Abiarú (redução Nuestra Señora de la Asunción del Acaraguá), Francisco Mbayroba (redução San Nicolás) e Rodrigo Arazay (povoado San Javier)
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Derrotados na batalha fluvial, os bandeirantes foram forçados a recuar por terra até a redução abandonada de Acaraguá, onde se refugiaram nas instalações vazias. Foram então cercados pelos indígenas e submetidos a um bombardeio que se estendeu por quatro dias.
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Os indígenas evitaram o conflito direto, preferindo impor uma guerra de atrito. Em 16/03, cansados e desprovidos de água e comida, os bandeirantes enviaram uma carta oferecendo rendição, mas os guaranis não aceitaram.
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A batalha terminou em 18/03. Do contingente inicial de 3.500 bandeirantes, somente 120 voltaram pra SP. Sem conseguir aceitar a derrota, os bandeirantes organizaram uma nova expedição no final de 1641, mas foram novamente derrotados pelos guaranis.
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A vitória dos guaranis na Batalha de M'Bororé impôs limites ao ímpeto violento dos bandeirantes, refreando as expedições escravagistas, que se tornaram menores e menos agressivas nos anos seguintes.
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O triunfo também ajudou a consolidar o sistema missioneiro, que sobreviveu por um século, até ser desmantelado após o Tratado de Madri — ensejando a eclosão da Guerra Guaranítica e a ascensão de um outro célebre guerreiro guarani: Sepé Tiaraju.
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As ilustrações nos tuítes 1 e 21 são da obra "M'Bororé - A Batalha", HQ de Clay Cardoso.
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