Manifestantes são reprimidos pela polícia durante o Massacre de Sharpeville, ocorrido na África do Sul há 63 anos, em 21 de março de 1960. O massacre foi uma das chacinas mais violentas cometidas contra os militantes anti-apartheid, matando 69 pessoas e ferindo outras 180.
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Desde o século XVIII, colonizadores brancos promulgavam medidas para restringir o fluxo de negros nas cidades da África do Sul. Esse processo se intensificou após 1948, quando o Partido Nacional, agremiação da minoria branca, instituiu oficialmente a política do apartheid.
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O apartheid foi um violento regime de segregação racial que vigorou por quase cinco décadas, relegando a maioria negra do país à condição de cidadãos de segunda classe. Uma das principais ferramentas de controle social utilizadas pelo apartheid era a Lei do Passe.
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Essa lei obrigava os negros a portarem uma caderneta onde se registravam informações pessoais e os locais que estavam autorizados a frequentar. A caderneta limitava a mobilidade da população negra, restringindo o direito de ir e vir a cidades e bairros pré-determinados.
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Dessa forma, os sul-africanos negros eram impedidos de trabalhar em determinadas ocupações e de acessar serviços básicos como hospitais ou escolas, uma vez que as empresas e equipamentos públicos quase sempre se localizavam nos bairros brancos.
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A caderneta também trazia um histórico sobre as atividades e registros policiais do portador, tornando-se um dos principais instrumentos de repressão política na África do Sul.
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Ao longo da década de 1950, diversos protestos foram articulados em oposição ao apartheid e à Lei do Passe, muitos dos quais organizados pelo Congresso Nacional Africano (CNA) — movimento político fundado em 1912 com objetivo de lutar pelos direitos da população negra.
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Em 1960, a agitação chegou a Sharpeville, um subúrbio negro ao sul de Joanesburgo, no Transvaal. Criada a partir da remoção forçada dos moradores de Topville, a cidade tinha uma infraestrutura deficitária, marcada pela ausência de serviços e poucas oportunidades de emprego.
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Muito afetada pelas restrições da Lei do Passe, a comunidade de Sharpeville aderiu em peso às reivindicações por mudanças. A mobilização na cidade foi articulada por Robert Sobukwe, líder do Congresso Pan-Africanista, uma dissidência do Congresso Nacional Africano.
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Sobukwe marcara a manifestação para o dia 21 de março de 1960, tomando o cuidado de enviar uma carta para as autoridades policiais informando sobre o caráter pacífico da manifestação, como uma tentativa de diminuir a possibilidade de violência.
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No dia do protesto, cerca de 20.000 pessoas se reuniram em frente à delegacia de polícia de Sharpeville, segurando cartazes e entoando palavras de ordem contra a Lei do Passe.
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Durante o ato, os manifestantes atiraram suas cadernetas em uma fogueira, como meio de demonstrar sua indignação com as restrições e com o regime do apartheid. Apesar do caráter pacífico do ato, os manifestantes foram provocados pelos policiais.
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Monomotores e aviões caça da Força Aérea da África do Sul voaram a baixa altitude sobre a multidão, visando intimidar os manifestantes. Em seguida, um contingente de 300 policiais armados com rifles e metralhadoras cercou os manifestantes e ordenou a dispersão do protesto.
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Os manifestantes se recusaram a sair e foram agredidos pelos policiais com cassetetes e gás lacrimogêneo. O tumulto se agravou quando os populares resistiram às ordens de prisão.
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No meio da confusão, um policial foi derrubado e os demais agentes responderam abrindo fogo contra a multidão. Iniciou-se um verdadeiro massacre, que se prolongou por vários minutos e deixou um saldo de 69 manifestantes mortos e outros 186 feridos.
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Dentre as vítimas, 29 eram crianças. Comovida e indignada, uma multidão compareceu ao sepultamento coletivo dos mortos, homenageados em uma cerimônia fúnebre conduzida pelo reverendo Philip Finkie Molefe.
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A comunidade negra sul-africana respondeu ao massacre organizando uma série de marchas, protestos massivos e greves em todo o país — todos igualmente reprimidos com brutalidade pela polícia e pelo exército sul-africanos.
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Em 30 de março de 1960, o governo da África do Sul declarou estado de emergência e baniu o direito de manifestação. A proibição vigorou por cinco meses.
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Ao longo desse período, pelo menos 25.000 pessoas foram presas e a Lei das Organizações Ilegais foi implementada, jogando grupos como o Congresso Pan-Africanista e o Congresso Nacional Africano na clandestinidade.
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O Massacre de Sharpeville convenceu Nelson Mandela e as lideranças do Congresso Nacional Africano da necessidade de enfrentamento armado ao regime do apartheid, levando à criação do "Umkhonto we Sizwe" — a "Lança da Nação", como era designado o braço armado do CNA.
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Mandela liderou a organização até novembro de 1962, quando foi preso pelo governo sul-africano durante uma operação conduzida com auxílio da CIA. A Lei do Passe permaneceu em vigor até 1986, quando foi revogada em meio às reformas de distensão do regime do apartheid.
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Libertado após 27 anos de prisão e eleito como primeiro presidente negro da África do Sul, Mandela escolheria o local onde ocorreu o Massacre de Sharpeville para assinar a primeira constituição promulgada após o fim do regime do apartheid, em 1996.
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O Massacre de Sharpeville tornou-se um dos símbolos máximos dos horrores do apartheid e foi objeto de diversos atos de repúdio internacionais. A chacina foi condenada pela Organização das Nações Unidas (ONU) por meio da Resolução 134.
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Em 1966, a data do massacre, 21 de março, foi escolhida pela ONU para celebrar o Dia Internacional contra a Discriminação Racial. Na África do Sul a data também é rememorada como Dia Nacional dos Direitos Humanos.
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