POR QUE OS PROTESTANTES REJEITAM A VENERAÇÃO AOS SANTOS?
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Muitos protestantes, interpretando erroneamente algumas passagens das Escrituras e com medo de caírem em idolatria, rejeitam a veneração e a intercessão dos santos. Para eles, usar de imagens para a oração direcionada aos santos é idolatria, e, portanto, pecado.
Geralmente eles citam uma passagem do Êxodo na qual Deus dá os dez mandamentos, que incluem uma proibição de esculpir imagens. Além dessa, eles citam 1Tm 2,5, onde Cristo é apresentado como único mediador entre Deus e os homens, o que, segundo eles, torna ilícita a intercessão.
Para eles não pode haver oração mútua entre os homens, somente orações feitas diretamente a Deus, pois o único mediador e intercessor entre Deus e os homens é Cristo, não podendo haver outros. Mas se isso fosse verdade, o espírito da caridade não existiria entre os homens.
Cada homem teria uma relação individual para com Deus, e as relações de amor entre os homens seriam inexistentes. Esse individualismo religioso é observado principalmente nas correntes evangélicas, e não é sem motivo que o evangelismo surgiu do Individualismo.
De fato, o protestantismo é irmão da modernidade, e o individualismo surgiu da tentativa de Lutero de separar o homem da autoridade eclesiástica, o que culminou na ideia de que não precisamos de outros homens para conseguir a salvação, e posteriormente, para nenhuma outra coisa.
Os protestantes desconsideram que o homem seja parte de um todo unido e organizado, interpretando também outras passagens que criticam o “mundo”, ensinando que o homem não deve ter qualquer relação para com o mundo mas somente para com Deus.
É por isso que eles tendem a rejeitar a intercessão e a ignorar os santos, que são exemplos de homens que devem ser amados por seu amor a Deus, que é o fim de todas as coisas. Para eles, amar um santo e prestar-lhe homenagens provoca ciúmes em Deus.
Ora, a caridade não pode desagradar a Deus, pois Deus é Amor, e o amor ao próximo não diminui a glória extrínseca de Deus, mas antes a aumenta. Os protestantes não compreendem e confundem, portanto, o que significa o amor ao próximo.
Confundem porque pensam que os católicos, ao venerarem alguém, veneram a pessoa em si mesma, e não ela em relação a Deus. Mas os santos são justamente homens que se dedicaram a Deus e o amaram com toda a sua alma, por isso são venerados.
A caridade consiste em amar o próximo por causa de Deus e por amor a Deus. Devemos amar o próximo ao ver a imagem de Deus nele, que se manifesta também por suas boas obras, e isso nos leva a venerá-lo, mas tudo por causa de Deus.
O fim do amor não pode ser outra coisa senão Deus, que é Amor. Venerar este ou aquele santo significa, em última análise, venerar o que neles há de Deus, isto é, venerar nos servos a grandeza, o poder, a beleza, a bondade e outras qualidades do Senhor, das quais eles participam.
Portanto, definitivamente, Deus não pode ter condenado a veneração aos santos, e nunca o fez. Pelo contrário, a veneração é recorrente na bíblia. Em diversas passagens vemos homens se prostrando diante de outros homens e também diante de anjos.
Não só isso como até a veneração das relíquias dos santos era e continua sendo uma prática comum, pois elas nos remetem a eles e se relacionam com eles:
A veneração, portanto, é permitida e boa, mas e quanto à veneração aos mortos? Ora, se a veneração aos vivos é incentivada, por que a veneração aos mortos não seria? No Antigo Testamento, Deus constantemente pedia aos israelitas que se lembrassem de seus antepassados.
E Saul se prostrou diante de Samuel, um homem consagrado a Deus que já estava morto: “Entendendo Saul que era Samuel, inclinou-se com o rosto em terra, e lhe fez reverência.” (1Sm 28,14).
E quanto às imagens? Toda imagem é uma representação ou um símbolo. Uma imagem de algo não é aquele algo, mas uma representação sua. Contudo, em Deus, a sua Imagem Divina é ele mesmo (2Co 4,4), pois ao pensar em si mesmo, ele gera uma imagem idêntica de si mesmo em seu intelecto.
Todos nós criamos imagens e representações em nossa mente constantemente, é assim que ela funciona. Tudo o que vemos e compreendemos no mundo é armazenado como imagem no cérebro; a imaginação faz parte da nossa natureza, e foi Deus que nos fez assim.
E se o próprio Deus tem uma Imagem de si mesmo, por que os evangélicos pensam que as imagens são condenadas por Deus? As imagens fazem parte do nosso quotidiano: "Não há nada no intelecto que não tenha antes passado pelos sentidos" (Santo Tomás de Aquino).
Se é da nossa natureza fazer uso de imagens para aprimorar o conhecimento, não pode ser contrário a natureza confeccionar imagens para nos auxiliar no culto aos santos. Mas por que usar imagens se podemos usar só o intelecto?
Porque o nosso intelecto opera com o corpo, fazendo uso da imaginação. Por isso é cômodo usar de imagens para servir de auxílio ao intelecto. Quando vemos uma imagem de Cristo na cruz, isso nos atrai, porque nos faz meditar na crucificação.
Não é sem motivo que Deus ordenou que Moisés fizesse uma serpente de bronze no deserto, para que o povo, ao olhar para ela, fosse curado de suas enfermidades. Ele tinha em mente a futura crucificação, o que nos é confirmado pelo próprio Cristo:
É por isso também que o Templo de Salomão era repleto de imagens, incluindo imagens esculpidas de seres angélicos. E é também por esse motivo que as igrejas católicas são cheias de imagens de Cristo e dos santos.
Ao olhar para elas, nós imediatamente pensamos nas coisas do céu e nos sentimos realmente na casa de Deus. Mas e quanto à proibição de se confeccionar imagens em Êx 20,4-5? Essas imagens proibidas se tratam dos ídolos e não de toda e qualquer imagem.
Os ídolos são imagens que para os seus adoradores são deuses; ou seja, um deus estaria realmente contido naquela imagem. No Egito, por exemplo, há na cidade de Tebas duas estátuas que emitiam alguns sons misteriosos, semelhantes a vozes humanas, logo após o nascer do sol.
Quem passava por perto pensava que elas estavam cantando, e por isso julgavam que eram deuses. Não eram quaisquer imagens para eles, mas ídolos; ou seja, deuses. É por isso que muitos tinham medo dos ídolos, que aparentemente falavam e ouviam.
Mas na verdade, esses sons tinham alguma explicação científica, pois nenhuma imagem pode realmente falar. Por isso a bíblia nos ensina que os ídolos não falam nem escutam, são apenas representações materiais, sem qualquer verdadeiro atributo divino ou humano.
No livro de Daniel, capítulo 14, Daniel foi questionado pelo Rei Ciro sobre o porquê de ele não adorar o deus Bel, ao que ele respondeu que não adora imagens, mas só o Deus vivo. Bel era uma imagem que aparentemente comia e bebia, o que comprovava para o rei que era um deus vivo.
Daniel apenas riu e provou para o rei que quem comia as oferendas eram os sacerdotes e não a estátua, que era apenas barro e bronze. O rei, furioso, mandou matar os sacerdotes e destruir o templo. Com isso fica claro a diferença entre imagem e ídolo.
Portanto, a proibição de esculpir imagens nos dez mandamentos se refere aos ídolos. Pois o primeiro mandamento é amar a Deus sobre todas as coisas, e isso inclui reconhecer que ele é o único Deus, não possuindo ídolos. É isso que o contexto evidentemente nos diz:
Se fosse todo tipo de imagem, esse trecho entraria em contradição com as imagens na arca da aliança e as imagens no templo. Mas como a bíblia não pode se contradizer — pois é a palavra infalível de Deus —, a proibição de Êx 20,4-5 se trata apenas de ídolos.
Mas e quanto à intercessão? Como explicar a oração aos santos, já que Cristo é o único mediador entre Deus e os homens? De fato, ele é o único mediador, mas a intercessão só é possível por causa do seu sacrifício, e é feita nele, no seu corpo místico chamado Igreja.
Os intercessores não estão usurpando o lugar de Cristo — até porque isso é impossível, pois só Cristo é a ponte que une os céus e a terra —, mas estão intercedendo em virtude de Cristo e do seu sacrifício reconciliador.
Se a intercessão fosse ilícita, nenhum homem poderia pedir que outro homem rezasse por ele. Por coerência lógica, os protestantes não poderiam pedir para o seu “pastor” rezar por eles, pois ele estaria usurpando o lugar de Cristo.
“Mas o pastor está vivo” — argumentam os protestantes — “os católicos rezam para os mortos”. Só que a morte não pode nos separar do amor de Deus (cf. Rm 8,38-39). Quando morremos, não ficamos inconscientes ou dormindo, como afirmam os protestantes:
E a própria bíblia confirma que os santos estão no céu intercedendo por nós:
Portanto, não há coerência lógica nem bíblica na afirmação protestante de que não devemos venerar os santos, nem pedir a sua intercessão, nem fazer imagens e realizar gestos de veneração, como se ajoelhar. Trata-se de um mal-entendido sobre a mediação e as imagens.
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Sempre que alguém me faz algum mal e percebo um princípio de cólera, eu imagino essa pessoa como sendo um parente que eu amo muito e esse sentimento passa; eu não mais fico com ódio, apenas reprovo a sua atitude e desejo que essa pessoa mude.
Normalmente, nós só amamos aqueles que são mais próximos e tendemos a tratar os estranhos com indiferença. Mas todos os homens são bons na medida em que carregam em si a imagem de Deus que está em sua alma. Por isso, devemos amar a todos e desejar o seu bem.
Mesmo que alguém nos odeie, devemos fazer o esforço de amá-lo tendo em vista sua possibilidade de arrependimento e conversão. O filho pródigo foi recebido com festa em seu retorno, pois grande é a nossa alegria ao ver alguém converter-se de sua má conduta.
As pessoas do tempo presente se esqueceram do céu porque não há nada no mundo que as faça olhar para o céu. Aqueles que deveriam ser o exemplo de santidade e de distinção do mundo abraçaram o mundo, vestindo-se como pessoas comuns e buscando a igualdade com os homens.
Os padres esqueceram-se da sua missão de pastorear a Igreja de Deus e de serem um espelho do céu à vista dos homens, abandonando a batina. A título de exemplo, a igreja do meu bairro se encontra sempre fechada, nunca vejo o padre nas proximidades nem ninguém para tirar dúvidas.
No momento de maior fragilidade, as figuras mais necessárias se encontram fazendo bobagens na internet em vez de estarem ouvindo confissões e visitando as casas dos fiéis lhes apontando o reto caminho. Há almas que não se convertem pela razão, mas somente pelo Espírito.
Deus criou o mundo por amor e para a sua glória, por isso todas as coisas falam de Deus e apontam para ele, como lemos em Rm 1,20: "As qualidades invisíveis de Deus, depois da criação do mundo, tornaram-se visíveis através das coisas criadas"
Mas uma só criatura não seria suficiente para refletir todas as suas qualidades, por isso ele criou várias. Assim, cada criatura reflete uma qualidade de Deus e o universo forma um todo perfeito e ótimo. Por isso a bíblia conta que Deus criava cada criatura e via que eram boas.
Ser santo significa estar em estado de graça, isto é, não ter nenhum pecado mortal. É a santidade que nos torna semelhantes a Deus, pois como Deus é a Santidade, ser santo é uma participação na vida divina; somos verdadeiramente imagem e semelhança de Deus quando somos santos.
E para estar em estado de graça, é preciso fazer uso dos sacramentos, que Cristo instituiu para nos transmitir a graça da sua paixão e da sua ressurreição como remédios para corpo e alma, para usarmos durante toda a jornada da vida na terra.
Nós vemos no relato da criação que o mundo foi criado pela palavra de Deus, pois ele falava e todas as coisas eram criadas. Assim ele disse: “Faça-se a luz", e a luz foi feita.
“Pela palavra do Senhor foram feitos os céus, e pelo sopro de sua boca todo o seu exército” (Sl 32,6).
Além disso, nós vemos que o mundo foi gerado pelo Espírito. Diz-se que “a terra estava informe e vazia, as trevas cobriam o abismo e o Espírito de Deus pairava sobre as águas” (Gn 1,2). De acordo com a bíblia, todo o universo foi gerado da água pelo Espírito.
O pecado de Adão e Eva não consistiu apenas em comer um fruto proibido; na verdade, foi um pecado bem mais grave. Adão e Eva foram criados com ciência infusa, e portanto eles tinham um conhecimento perfeito e ordenado sobre todas as coisas.
Isso se observa pelo fato de Adão ter dado nome aos animais, “e todo o nome que Adão pôs aos animais vivos, esse é o seu verdadeiro nome “ (Gn 2,19). Ora, o nome é uma expressão da substância. Se ele deu um nome verdadeiro, é porque estava de acordo com a essência de cada animal.