Manifestantes chineses erguem cartazes com mensagens em inglês e se reúnem em torno de uma réplica da Estátua da Liberdade. Há 34 anos, em 4 de junho de 1989, chegavam ao ápice os protestos na Praça da Paz Celestial, em Pequim, capital da China.
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A narrativa é bem conhecida. Um protesto de estudantes exigindo liberdades democráticas teria sido brutalmente reprimido pelo Exército de Libertação Popular por ordem do governo chinês - mais uma da série de "insurreições" que atingiram os países socialistas nos anos 80.
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O número de vítimas era uma incógnita. Jornais como o New York Times falavam entre 400 e 800 pessoas, ao passo que a Cruz Vermelha estimou mais de 10 mil mortos. EUA e União Europeia condenaram severamente o governo chinês e impuseram embargos que estão em vigor até hoje.
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A mídia ocidental se deleitou diante da oportunidade de incitar o discurso anticomunista. A análise mais detida dos eventos, entretanto, revela um cenário distinto - e em grande parte corroborado pelos primeiros relatos produzidos pelos próprios correspondentes ocidentais.
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"Até onde pode ser determinado pelas evidências, ninguém morreu naquela noite na Praça da Paz Celestial". A frase acima não é do governo chinês ou de um membro do Partido Comunista, mas de Jay Mathews, correspondente do jornal The Washington Post em Pequim em 1989.
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A afirmação de Mathews está longe de ser uma voz isolada. Richard Roth, jornalista da CBS News, referendou a mesma impressão: "Não vimos corpos, feridos, ambulâncias ou equipes médicas - resumindo, nada sugerindo, muito menos provando, que ocorreu um massacre' na praça."
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James Miles, jornalista da BBC News, endossou as afirmações anteriores em 2009: "Eu era um dos jornalistas estrangeiros que testemunharam os eventos daquela noite. Não houve nenhum massacre na Praça da Paz Celestial".
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Nicholas Kristof, do The New York Times, outro correspondente que testemunhou o evento in loco, não apenas negou que tenha ocorrido algum massacre como afirmou ter testemunhado os estudantes deixando a Praça da Paz Celestial por vontade própria, sem nenhum tiro disparado.
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Graham Earnshaw, correspondente da agência Reuters, afirmou o mesmo em sua biografia, ao dizer que "os militares vieram, negociaram com os estudantes e convenceram todos a saírem pacificamente", emendando que "ninguém morreu naquela praça".
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Se não bastam os relatos dos jornalistas, tome-se o registro feito pelo próprio governo dos EUA. Em um telegrama diplomático vazado pelo WikiLeaks, um diplomata chileno e sua esposa afirmam que não houve tiroteios ou ataques aos manifestantes na praça.
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Diante do exposto, cabe questionar por que os EUA sancionariam a China se seus diplomatas sabiam que não houve um massacre. A resposta é que, evidentemente, os EUA eram os maiores interessados na existência de um massacre.
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As manifestações na Praça da Paz Celestial tiveram início após a morte de Hu Yaobang, ex-Secretário-Geral do Partido Comunista da China. Vitimado por um infarto, Yaobang conduzira uma série de reformas que lhe granjearam popularidade entre parte da juventude chinesa.
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Assim, os jovens começaram a ir até a Praça da Paz Celestial para homenageá-lo e lamentar por sua partida. Em meio ao contexto de revoluções coloridas contra os governos socialistas, os EUA vislumbraram a possibilidade de cooptar as manifestações pela morte de Yaobang,...
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...instrumentalizando-as em favor de uma operação de mudança de regime, visando derrubar o governo socialista da China. Em abril de 1989, os EUA apontaram James Lilley, veterano que atuou por 30 anos na CIA, para o cargo de embaixador do país na China.
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O movimento não passou despercebido pela imprensa. Um artigo publicado pelo Vancouver Sun assegurava que a CIA "tinha contatos entre os manifestantes da Praça da Paz Celestial" e que estava "ajudando os ativistas a formarem um movimento antigovernamental".
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O governo dos EUA contou com apoio de George Soros e do NED para executar as ações de inteligência. Desde 1986, Soros havia doado milhões de dólares para a ONG "Fundo para Reforma e Abertura da China", responsável por treinar líderes que entrariam em cena em 1989.
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Já o NED (mantido com verbas do congresso dos EUA e responsável por orquestrar diversas operações de mudança de regime) abriu escritórios na China em 1988 e concedeu financiamento a 17 ONGs internacionais "pró-democracia" ativas no país, incluindo a Fundação Laogai.
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Outro nome que que teve papel ativo na cooptação dos protestos foi Gene Sharp, teórico das revoluções coloridas e autor dos infames manuais sobre "Como Iniciar uma Revolução". Vinculado à CIA, ao Pentágono e ao NED, Sharp passou 9 dias em Pequim durante os protestos.
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Essa intervenção foi possível graças à colaboração do próprio governo chinês, que à época estava sob o comando de Zhao Ziyang. Partidário das ideias neoliberais, Ziyang incentivava as privatizações e era admirador de Milton Friedman, ícone da Escola de Chicago.
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Seu principal assessor, Chen Yizi, era diretor do Instituto de Reformas Econômicas, um think tank liberal ligado aos governos ocidentais. Alguns meses antes dos protestos, Ziyang recepcionou o presidente estadunidense George H. W. Bush em Pequim.
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Quando a cúpula do Partido Comunista da China se deu conta da colaboração entre o primeiro-ministro e os órgãos ocidentais, removeu Ziyang do seu cargo e o colocou em prisão domiciliar pelo resto da vida. Soros e sua ONG foram banidos do país e Chen Yizi fugiu para os EUA.
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A influência externa nos protestos podia ser percebida pela quantidade de cartazes com frases em inglês e slogans pró-democracia feitos sob medida para apelar à visão de mundo ocidental. As pautas eram difusas e os manifestantes também não formavam um bloco homogêneo.
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As lideranças, entretanto, eram quase todas cooptadas, como evidenciado pela Operação Yellowbird, realizada em conjunto por CIA, MI6 e DGSE, visando retirar os líderes dos protestos do território chinês, em colaboração com os governos de Taiwan e Hong Kong.
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Governos ocidentais também armaram provocadores com pistolas, metralhadoras e fuzis, buscando incitar uma resposta violenta. Houve, de fato, confrontos violentos entre os dias 4 e 5 de junho em vários bairros de Pequim, resultando em um número estimado de 200 a 300 mortes.
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O que a imprensa não costuma dizer é que mais da metade dos mortos eram militares ou policiais chineses. Quase não existem imagens ou vídeos de soldados atacando civis. Em oposição, há inúmeras imagens mostrando policiais sendo atacados, espancados e assassinados.
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Um artigo publicado pelo Wall Street Journal em 5 de junho de 1989 descrevia o cenário: "dúzias de soldados foram retirados dos caminhões, severamente espancados e abandonados após serem dados como mortos.
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Em um cruzamento a oeste da praça, o corpo de um jovem soldado, espancado até a morte, foi despido e pendurado pelo pescoço na lateral de um ônibus." Isso ocorreu porque a maioria dos soldados que acompanharam os protestos não estavam armados - sequer com cassetetes.
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Desde o começo dos protestos, o governo relutou em responder com força. A lei marcial foi imposta em maio, quando os agitadores tornaram-se excessivamente violentos. O famoso vídeo do homem bloqueando o avanço dos blindados é sintomático do exagero da narrativa ocidental.
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As imagens costumam focar apenas nos primeiros minutos - ignorando o fato de que os veículos se recusaram a avançar sobre o homem e não o agrediram nem mesmo quando ele subiu em cima dos blindados, somente deixando o local por vontade própria, sem sofrer repressão.
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Chai Ling, uma das líderes dos protestos, hoje morando nos EUA, chegou a declarar numa entrevista que ansiava por um "banho de sangue", que seria necessário "um massacre que fizesse o sangue correr como um rio pela Praça da Paz Celestial para acordar o povo."
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A declaração um tanto psicótica resume bem a natureza do plano estadunidense de mudança de regime. Washington precisava de um massacre para derrubar o governo chinês.
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Como o massacre não ocorreu, apesar das várias tentativas de insuflá-lo, foi necessário criar a narrativa do massacre. Afinal, a percepção tem mais peso do que a realidade e as narrativas históricas dependem menos de fatos do que do poder de controlar a informação.
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Fontes (1):
"The Myth of Tiananmen and the price of a passive press". Artigo de Jay Matthews publicado no Columbia Journalism Review: archives.cjr.org/behind_the_new…
"There Was No "Tiananmen Square Massacre". Reportagem de Richard Roth na CBS News: cbsnews.com/news/there-was…
Fontes (2):
"Turmoil in China; Tiananmen Crackdown: Student's Account Questioned on Major Points". Artigo de Nicholas Kristof no The New York Times: nytimes.com/1989/06/13/wor…
Há 81 anos, as forças soviéticas libertavam os sobreviventes do Gueto de Lodz, na Polônia. Lodz foi o segundo maior gueto nazista da Europa, atrás apenas de Varsóvia. Mais de 210 mil pessoas foram encarceradas no local. Leia mais no @operamundi
Logo após a invasão da Polônia em 1939, os ocupantes nazistas instituíram uma violenta política de segregação dos judeus. Na cidade de Lodz, conhecida por ter uma significativa comunidade judaica, os alemães reservaram um distrito para confinar a população judia.
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A ordem para criar o gueto foi dada por Friedrich Übelhör, o interventor nazista. Para intimidar a população e forçá-la ao deslocamento, os alemães perpetraram uma série de chacinas e massacres — nomeadamente a "Quinta-Feira Sangrenta", quando 350 judeus foram assassinados.
O governo brasileiro anunciou o envio de 100 toneladas de medicamentos e insumos médico-hospitalares à Venezuela. A ação ocorre após um bombardeio dos Estados Unidos destruir o maior centro de distribuição de medicamentos do país vizinho.
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A iniciativa prioriza o atendimento a cerca de 16 mil pacientes venezuelanos que dependem de hemodiálise, cujo tratamento foi comprometido após o ataque. A primeira remessa, com 40 toneladas de materiais essenciais, deve partir ainda hoje para Caracas.
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O material inclui filtros, linhas arteriais e venosas, cateteres, soluções para diálise e medicamentos de uso contínuo. Os insumos foram arrecadados com doações de laboratórios públicos, hospitais universitários e organizações filantrópicas brasileiras.
A polícia de São Paulo desconfia que um assalto a um laboratório da USP ocorrido durante o Réveillon tenha sido motivado por espionagem científica industrial. Dois computadores com HD e software desenvolvidos na USP foram levados durante a ação.
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O assalto ocorreu na madrugada de 1º de janeiro de 2026. Quatro homens armados invadiram a sede do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE-USP) e renderam os dois seguranças de plantão. Os vigilantes foram presos na cozinha do instituto.
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Uma van branca foi utilizada para transportar o material subtraído. Os criminosos levaram 8 bobinas de fios de cobre, 80 metros de cabos plásticos e aparelhos celulares. Diversos equipamentos e instalações foram destruídos ou danificados.
Há 66 anos, o general Lott esmagava a Revolta de Aragarças, levante golpista contra o governo de Juscelino Kubitschek. A revolta foi conduzida por militares que já tinham tentado um golpe 3 anos antes, mas receberam anistia. Leia no @operamundi
Candidato à presidência pelo PSD na eleição de 1955, Juscelino Kubitschek (JK) se apresentou ao eleitorado como herdeiro político de Getúlio Vargas, prometendo trazer ao Brasil “50 anos de desenvolvimento em 5 anos de mandato”.
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JK conseguiu herdar os votos de Vargas e foi eleito presidente. O mesmo ocorreu com João Goulart, ex-Ministro do Trabalho de Vargas, que foi eleito como vice em votação separada.
Mas, ao mesmo tempo, JK e Goulart também herdaram a fúria do antigetulismo.
O Ministério Público de Milão anunciou abertura de uma investigação formal contra cidadãos italianos suspeitos de terem participado de "safáris humanos" durante a Guerra da Bósnia. Os turistas europeus pagavam até R$ 600 mil para matar civis por diversão.
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O caso ocorreu durante o Cerco de Sarajevo, episódio dramático da Guerra da Bósnia, que se estendeu de 1992 a 1996. Considerado um dos mais violentos cercos militares do século 20, a ofensiva contra a capital bósnia deixou cerca de 12.000 mortos e 60.000 feridos.
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Conforme a denúncia, o serviço era ofertado pelo exército sérvio-bósnio, chefiado por Radovan Karadzic, preso desde 2008. O Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia o condenou a 40 anos de prisão por genocídio e crimes contra a humanidade.
Há 129 anos, uma expedição militar era enviada para destruir Canudos. Convertida em um "paraíso dos pobres", a comunidade foi rotulada como uma ameaça à ordem vigente e submetida a um massacre que deixou 25.000 mortos. Leia mais no @operamundi
No fim do século 19, o sertão nordestino estava mergulhado em uma grave crise social. A terra seguia concentrada nas mãos dos latifundiários, os trabalhadores sofriam com o flagelo da seca e os ex-escravizados vagavam implorando por trabalho nas fazendas da região.
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Nesse cenário desolador, muitos sertanejos buscavam na fé a força para enfrentar o sofrimento cotidiano. Nas áreas remotas, onde a igreja também era ausente, essa dinâmica fortaleceu o messianismo rústico, muito influenciado pelas tradições religiosas populares.