Saiu um artigo importante da Christine Emba no The Washington Post sobre a tão falada "crise da masculinidade". E, de fato, homens parecem estar indo de mal a pior: estão indo pior nas escolas e na universidade, são mais envolvidos com criminalidade e violência, (+)
não conseguiram se adaptar as grandes mudanças econômicas das últimas décadas (automação dos trabalhos braçais e advento da economia do conhecimento) e são os principais envolvidos nas "mortes por desespero". Além disso, os homens não parecem ter superado o avanço do feminismo(+)
e as conquistas sociais das mulheres. Enquanto muitas mulheres conseguem administrar carreira, estudos e família, muitos homens parecem perdidos e sem saber seu lugar. Não são mais os "cabeças" ou os "provedores", mas também não sabem o que são. E pra piorar, cada vez mais (+)
traços típicos da masculinidade são tratados como perigosos ou tóxicos. Então não é de espantar que tenhamos visto nos últimos anos tantas tentativas de "resgatar" essa masculinidade perdida. Seja no advento de gurus como Jordan Peterson, Coaches de masculinidade (+)
e grupos radicais como INCELS e MGTOWS. Além de uma atração especial pela extrema-direita. O que poucos perceberam é que, por trás dessa crise, o que temos é um bando de jovens sofrendo. E, ao contrário do que acontece com as mulheres, em que já se reconhece a existência (+)
de fatores estruturais na manutenção da desigualdade (como na diferença salarial ou no cuidado com os filhos) no caso dos homens ainda existe o tabu de que, se um jovem está desorientado profissionalmente ou tem lutas com a pornografia A CULPA É EXCLUSIVAMENTE DELE. (+)
Algo que até um autor de esquerda como Richard Reeves reconhece como um ERRO DA ESQUERDA QUE FOI CAPITALIZADO PELA DIREITA. Então temos um modelo mais tradicional de masculinidade que é tido como "ultrapassado", ao mesmo tempo que o que se espera dos homens é muito mais (+)
um modelo de feminilidade do que um distintivamente masculino. Que é, no jargão popular, o vulgo "esquerdomacho". Só que como bem comentou Scott Galloway na entrevista com Emba, é o homem que as feministas incentivam a ser, mas que nenhuma delas quer transar ou se relacionar. (+)
É um modelo que IGNORA DIFERENÇAS BIOLÓGICAS E PSICOLÓGICAS REAIS. Por isso ele não vinga e não se populariza. É por isso também que o próprio Reeves, um "feministo" de longa data, na entrevista com Emba, se incomoda ao perceber que, ao atentar para as necessidades dos homens,(+)
ele esbarra num ideal de igualdade e neutralidade que predomina nos círculos feministas. É por isso também que faltam modelos e figuras de referência, já que qualquer afirmação de PARTICULARIDADE MASCULINA soa ameaçador e perigoso. É por isso também que eu sou (+)
bem menos otimista que a autora do artigo. O trabalho é menos de "criar algo novo" do que de "resgatar o que se perdeu". E nesse ponto a Direta acerta em cheio. Mas esse resgate precisa ser pensado para um mundo onde esse ideal não encontra mais espaço. (+)
Não adianta reclamar que "falta homem descente" e "chega de meninos" quando o ideal que você propaga é o de Eunucos. Não adianta castrar os homens e depois cobrar virilidade.
Louise Perry não é leiga em se tratando de feminismo: ela é jornalista, colunista de várias revistas e foi ativa durante muitos anos em oficinas de combate ao Assédio Sexual. Mesmo assim seu livro mais recente, "The Case Against the Sexual Revolution", é um ataque frontal (+)
as implicações da Revolução Sexual na vida das mulheres. O argumento principal é que SIM, EXISTEM DIFERENÇAS biológicas e psicológicas importantes entre homens e mulheres. O que faz com que o impulso sexual masculino seja mais intenso e que a sexualidade feminina esteja (+)
mais emocionalmente carregada por causa do risco de gravidez. A autora entende isso como uma estrutura biológica adaptativa que NÃO É ELIMINADA pela presença de técnicas contraceptivas, como a Pílula do Dia Seguinte, ou com a legalização do aborto. E uma implicação direta (+)
TERAPEUTA: Você está quieto hoje
PACIENTE (homem, 27 anos): É inveja...
TERAPEUTA: Inveja?
PACIENTE: Eu tenho inveja de quem pode dizer "Eu sinto orgulho da minha família". Minha família é algo que eu aprendi a SOBREVIVER.
TERAPEUTA: Que pesado...
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PACIENTE (chorando): Eu olho pra minha mãe e vejo a esposa que eu não quero ao meu lado. Olho pro meu pai e vejo o homem que eu não quero ser. São um exemplo de tudo o que eu quero evitar.
TERAPEUTA:...
PACIENTE: E mesmo assim eles me assombram...
TERAPEUTA: Você não é eles,
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não é obrigado a fazer as mesmas escolhas e cometer os mesmos erros.
PACIENTE: Não...
TERAPEUTA:...
PACIENTE:...
TERAPEUTA: O que?
PACIENTE (chorando): Tem como ser diferente? Mas eu não sei ser diferente! ISSO é tudo o que eu sei...
"As crianças de hoje em dia são muito estressadas"
Se você parar pra observar, vai ver que as crianças de hoje tem a rotina de um adulto. É certo uma criança ir pra escola. Mas acordar às 05h30 da manhã porque precisa pegar a condução pra estar na escola às 07h00, (+)
já que o pai e a mãe trabalham o dia todo e não tem nenhum parente que possa ficar com ela, pode ser bastante desgastante. Ainda mais se você pensar que essa criança vai ter lição de casa todo dia, além de atividades extracurriculares como natação, judô ou ballet. (+)
Considere ainda que, em muitos casos, o único repertório de brincadeiras e atividades que essa criança tem é no uso do celular/tablet, que ela tem pouco contato com a natureza, que a alimentação dela não é nem um pouco saudável (até porque os pais estão numa correria absurda) (+)
Eu concordo que certas idéias podem ser perigosas. Algumas o são explicitamente. Outras trazem em si a POSSIBILIDADE de se tornarem um problema. Mas ideias não agem sozinhas. Não existe um caminho direto de uma ideia para uma ação concreta. Veja o exemplo extremo do Nazismo (+)
É uma ideia perigosíssima! Mas só ouvir falar dela não te torna nazista (se fosse assim não se poderia sequer assistir um filme da Segunda Guerra). É preciso indivíduos cuja psicologia seja disposta a receber aquilo. E uma comunidade que não só ouça essas idéias, (+)
mas as valide e reconheça como legítimas. É preciso também que existam lideranças que assumam e encarnem essas ideias. E é preciso que existam artefatos culturais (textos, vídeos, livros) e instituições que as legitimem e propaguem. Se grupos nazistas estão aparecendo agora (+)
Dica pro pessoal que está colocando toda culpa do abuso e violência sexual na teologia conservadora: da uma pesquisada na vida de John Howard Yoder, o teólogo anabatista, progressista, mentor do Stanley Hauerwas, defensor do pacifismo e da não-violência, autor do clássico (+)
"The Politics of Jesus", em que condena o "Contantinianismo" na Igreja e que tem um histórico terrível de abusos sexuais. Aliás, esses abusos, feitos com as alunas dele, eram conhecidos na própria universidade onde ele lecionava e foram acobertados por anos. (+)
Ele nunca perdeu credibilidade por isso e só houve uma reflexão crítica sobre isso depois da sua morte. Mas o que mais escandaliza é saber que uma pessoa ícone do progressismo pacifista evangélico viveu uma vida em contradição ao que ele mesmo ensinou.
Quando a pessoa exagerou na dose de Lacan e Derrida dá nisso aqui 👇🏻
Só explicando: existem, sim, um sentido no qual podemos dizer que somos seres "atravessados pela linguagem". Se vocês repararem, toda descrição que uma pessoa faz de si mesma ou da sua experiência é sempre através do uso de palavras. Mas palavras não são só sons, (+)
a linguagem é mais do que isso. É como um "código" que não só nomeia, mas atribui valor. Nomear algo é encaixar esse algo dentro do sistema de classificação de uma determinada cultura. Então, ser "atravessado pela linguagem" significa dizer que nunca vivenciamos uma (+)