Imagens de Kherima — múmia egípcia de uma mulher que viveu em Tebas entre os séculos I e III. Considerada uma das múmias mais raras do mundo, Kherima integrava o acervo do Museu Nacional do Rio de Janeiro, até ser destruída no incêndio ocorrido há 5 anos, em 02/09/2018.
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Não se conhece a verdadeira identidade da múmia ou detalhes sobre sua vida. Sabe-se que era uma jovem que tinha entre 18 e 20 anos quando faleceu, por causas indeterminadas. O corpo não apresentava lesões ou vestígios de doenças e os dentes estavam todos preservados.
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Os cabelos eram curtos e escuros e os traços étnicos a aproximavam das populações mediterrâneas. São as características do processo de mumificação de Kherima, entretanto, que a tornavam um exemplar extremamente raro.
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Em contraste com o costume egípcio de "empacotar" as múmias, envelopando os corpos com bandagens largas de tecido, a múmia Kherima teve todos os seus membros enfaixados individualmente.
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Os mumificadores tiveram até mesmo o cuidado de pintar as unhas da falecida e enfaixaram um a um os dedos dos pés e das mãos. Após ser enfaixada, Kherima foi vestida com um luxuoso traje cerimonial que ressaltava sua forma humana.
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Os contornos femininos foram realçados com o uso de materiais colocados para dar volume às mamas, ao quadril e ao abdômen. Por fim, a múmia foi adornada com faixas de linho pintadas e painéis de tecido decorados com símbolos místicos — alguns dos quais nunca decifrados.
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Existem apenas 8 múmias preparadas como Kherima, todas encontradas no mesmo local e, possivelmente, originárias do mesmo ateliê de mumificação. As múmias provavelmente eram ligadas à elite tebana, mas ainda não há uma explicação para o processo diferenciado de mumificação.
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Kherima foi trazida ao Brasil em 1826 pelo comerciante Nicolau Fiengo, em meio a um conjunto de antiguidades egípcias que pertenciam à coleção do famoso explorador italiano Giovanni Battista Belzoni — o "pai da egiptologia", responsável por escavar a Necrópole de Tebas.
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Fiengo pretendia levar a coleção para a Argentina, possivelmente por encomenda do presidente Bernardino Rivadavia, fundador da Universidade de Buenos Aires e destacado mecenas dos museus argentinos.
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Um bloqueio no Rio da Prata, entretanto, impediu Fiengo de concluir a viagem. Ao desembarcar no Rio de Janeiro, o comerciante ofereceu as peças em um leilão. O imperador dom Pedro I arrematou a coleção completa por 5 contos de réis, doando-a em seguida ao Museu Nacional.
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Kherima sempre esteve entre os destaques do acervo egípcio do Museu Nacional e despertava curiosidade e fascínio entre os visitantes, chegando até mesmo a inspirar o romance "O Segredo da Múmia", de Everton Ralph.
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Também protagonizou episódios inusitados — um deles em 1955, após a morte de Carmen Miranda. Quando a população foi informada que Carmem fora embalsamada, algumas pessoas subentenderam "mumificada" e correram até o museu para depositar flores no ataúde de Kherima.
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Kherima também foi objeto de polêmicas experiências parapsicológicas conduzidas pelo professor Victor Staviarski nos anos 60. Reportagens da época atestavam que centenas de pessoas teriam entrado em transe durante as sessões.
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Foi durante uma dessas experiências que se forjou a alcunha da múmia. Uma aluna supostamente teve uma visão após encostar no corpo e voltou do transe dizendo que a mulher era uma princesa tebana chamada Kherima.
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Outra sessão resultou na danificação da múmia, quando um aluno, supostamente em transe, se agarrou com tanta força aos pés da múmia que arrancou alguns de seus dedos. Após o episódio, os alunos da UFRJ exigiram o fim das experiências parapsicológicas.
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O egiptólogo Antonio Brancaglion Junior, ex-curador da coleção egípcia do Museu Nacional, também afirmou ter presenciado alunos da UFRJ sendo acometidos de "mal súbito" ao participarem de palestras ao lado da múmia.
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A múmia Kherima foi incinerada no incêndio que destruiu o prédio e o acervo do Museu Nacional em 2 de setembro de 2018.
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O incêndio destruiu 6 das 7 múmias egípcias humanas que existiam no Brasil — incluindo as múmias da cantora Sha-Amun-en-su (lacrada em um sarcófago que nunca foi aberto), do sacerdote Hori e do alto funcionário Harsiese.
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Múmias de gatos, crocodilos, íbis e restos humanos mumificados também foram destruídos no incêndio, bem como os únicos quatro sarcófagos egípcios existentes na América do Sul.
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Há 89 anos, a cidade de Guernica se rendia às tropas de Francisco Franco. A rendição ocorreu 3 dias após o violento bombardeio contra a cidade, um dos episódios mais infames da Guerra Civil Espanhola. Contamos essa história hoje no @operamundi
O bombardeio foi o primeiro ataque aéreo de grande porte direcionado exclusivamente contra alvos civis na Europa, tornando-se marco dos chamados "bombardeios de terror" e um teste para as estratégias de guerra total que seriam empregadas ao longo do século 20.
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A Guerra Civil Espanhola serviu de prelúdio à Segunda Guerra Mundial. O conflito opôs os republicanos (agrupados em uma aliança com anarquistas, socialistas e comunistas) às forças franquistas (compostas pela união de falangistas, monarquistas, católicos, carlistas, etc.)
Um dos aquários mais antigos do Brasil foi fechado. O Centro Cultural Tattersall e o Museu de Geologia também. Os animais que viviam soltos estão todos confinados em jaulas. Muitas mudanças ocorreram desde a privatização do Parque da Água Branca — todas para pior.
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O parque começou a ser formado em 1905 e foi inaugurado em junho de 1929. Sua criação atendia a uma reivindicação da Sociedade Rural Brasileira (SRB). A ideia era criar um espaço de exposições para abrigar feiras e mostras agrícolas e sediar provas zootécnicas.
Há 35 anos, os cidadãos soviéticos votavam em um referendo sobre o futuro do país. Quase 80% dos eleitores disseram que queriam que a URSS continuasse existindo. Mesmo assim, as lideranças políticas optaram pela dissolução. Leia no @operamundi
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Há 209 anos, partidários da independência e das ideias republicanas se insurgiam contra o domínio português, dando início à Revolução Pernambucana. O levante instalou um governo independente em Pernambuco, que durou 75 dias. Leia no @operamundi
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Os pernambucanos se ressentiam da presença maciça de portugueses na administração pública. O descontentamento se agravou após a transferência da corte portuguesa para o Rio de Janeiro, que resultou no aumento de impostos para financiar as reformas na capital.
De tempos em tempos, um país se torna alvo da campanha de satanização da imprensa e das potências ocidentais, a fim de justificar guerras e intervenções. Hoje no @operamundi, falamos do alvo da vez, oferecendo um breve relato da história do Irã.
Localizado no Sudoeste Asiático (ou Oriente Médio), o Irã é o 18º maior país do mundo (pouco maior do que o Peru) e o 17º mais populoso (um pouco mais que Alemanha). É um país de alto desenvolvimento humano, com um IDH de 0,799 — maior do que Brasil (0,786) e China (0,797).
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A população iraniana é marcada pela diversidade étnica. Ao contrário do que é frequentemente propalado pela imprensa, o Irã não é uma nação árabe. A maior parte dos iranianos são persas. O país também abriga grupos significativos de azeris, guiláquis, curdos, judeus, etc.
Por décadas, o MLPN se ocupou de denunciar os "revisionistas" e autenticar quem era "marxista de verdade". Algo irônico considerando que se tratava de um partido comunista falso, criado pela CIA para sabotar a esquerda. Leia no @operamundi
Após o término da 2ª Guerra, o movimento comunista registrou uma onda de apoio popular sem precedentes. O triunfo da URSS sobre a Alemanha nazista e o sacrifício dos partisans comunistas que lutaram na Resistência projetaram uma imagem positiva da esquerda revolucionária.
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Em países como França e Itália, os partidos comunistas emergiram do conflito como instituições de grande capital político, identificadas como forças progressistas, patrióticas e verdadeiramente comprometidas com a reconstrução do continente e com a luta por justiça social.