Dentre as 'malvadezas' da China, entre as mais recentes está a regulamentação dos algoritmos da plataformas digitais. Mas o país não esta sozinho, pois a União Europeia tambem apresentou nova legislação. Pega o café para acompanhar a leitura e entender mais. Segue o fio 🇨🇳🧶
A crise com o X no Brasil se originou de uma prepotência do nosso amigo Musk não querer se curvar à legislação nacional. Isso dado, temos que combinar que no Ocidente o mundo digital é controlado pelas Big Techs, sob aparência de anarquia, ou pior, democracia.
Neste contexto, a China partiu para regular suas plataformas digitais. Detalhe importante: o país possui seu próprio ecossistema digital e não é refém das Big Techs ocidentais.
A prioridade do governo tem sido a economia digital, a privacidade de dados e a segurança nacional.
No caso dos algoritmos, a regulação de plataformas digitais inclui um controle específico sobre o conteúdo compartilhado para evitar a propagação de fake news, violência, preconceito, etc.
Ou seja, o uso de algoritmos em plataformas de internet não deve manipular o comportamento do consumidor de forma abusiva, nem produzir vícios ou formação de ‘bolhas de conteúdos’.
As redes sociais fomentam o individualismo, o consumismo e o adoecimento mental. Tudo isso permeado por culto exagerado à beleza, destruição de finanças (bets) e comprometimento cognitivo por meio de conteúdos rápidos (quem aqui não encontra dificuldade em leituras mais longas?)
Aqui reside outro problema. Sob alegação de um liberalismo exacerbado, se confunde direitos à liberdade de expressão e privacidade com o imperativo da regulação, responsabilização e interesses coletivos.
Em suma, ao invés de um suposto determinismo tecnológico que reforça o poder das Big Techs, estamos diante de um dilema civilizacional. Ou as novas tecnologias reforçam o desenvolvimento ou se tornam forças de desagregação social. Ah, isso tudo é assunto da minha Tese...😁
• • •
Missing some Tweet in this thread? You can try to
force a refresh
Qual a abordagem da China para regulação digital? Como isso se distingue da concepção liberal sobre direitos humanos? É preciso olhar com mais atenção e abertura essas experiências para lidar com a atual fronteira tecnológica e suas contradições. Segue o fio🇨🇳🧶
No liberalismo, direitos significam sobretudo “não ser impedido”. O foco é o eu. Na China, prevalece a ideia de “ser garantido”: saúde, moradia, alimentação, segurança-antes da liberdade de expressão. O indivíduo importa, mas dentro de uma coletividade protegida.
O que chamam de “liberdade” no Ocidente é, muitas vezes, captura. Meta, Google, Amazon não defendem direitos: exploram emoções, hábitos e vulnerabilidades para vender, manipular e extrair valor. Um reflexo do capitalismo digital que transforma dados pessoais em mercadoria.
A plataformização (serviços por app) é um fenômeno global. De um lado, oferece mais flexibilidade e pode ser um alívio para quem estaria desempregado. De outro, aprofunda a precarização e a ausência de direitos. Na China, não é diferente, mas o governo tem atuado. Segue o fio 🇨🇳🧶
Em 2023, a China contava com cerca de 200 milhões de trabalhadores “flexíveis”. O setor de entrega de comida online, por exemplo, saltou de US$ 3,4 bilhões (2011) para US$ 105 bilhões (2020), um retrato do avanço da plataformização e de seus dilemas sociais.
O governo chinês sinalizou sua posição com um vídeo viral, nele p vice-diretor de Recursos Humanos de Pequim, atuou como entregador por um dia e ganhou apenas 41 yuans (US$ 6). A repercussão levou a respostas imediatas das plataformas.
Se o mundo ocidental assiste perplexo ao desenvolvimento social chinês, isso se deve, em parte, à presunção de que a democracia liberal gera melhores resultados. Ocorre que nossos cientistas institucionalistas conduziram suas pesquisas revestidos de etnocentrismo. Segue o fio🧶🇨🇳
O artigo "Does Democracy Produce Quality of Government?" discute se a democracia gera melhor qualidade de governo. Concluem que, em países pobres, ditaduras funcionam melhor; nos desenvolvidos, democracias. Defendem que os governos mais qualificados vêm de democracias liberais.
Eles usam essa lógica para explicar resultados como o combate à pobreza, sem considerar que o país pode ter instituições complexas,com burocratas de alto nível implementando políticas com arranjos inovadores e participação popular,voltadas à solução de problemas sociais complexos
O ministro Alexandre de Moraes definiu as Big Techs como grupos que buscam dominar a economia e a política mundial, ignorando fronteiras. Enquanto os EUA mantêm domínio oligopólico, a China criou seu próprio ecossistema digital, alinhado a um projeto nacional. Segue o fio 🇨🇳🧶
O presidente do IBGE, Pochmann alerta sobre a dinâmica da economia da datificação, na qual a maioria dos países importam bens e serviços digitais e exportam dados brutos, permitindo lucros extraordinários as Big Techs americanas.
As plataformas digitais convertem os usuários — como produção de conteúdo e interação — em dados e riqueza. Existe toda uma discussão sobre a influência dos algoritmos em política (vide a primeira eleição de Trump nos EUA) e sobre o não respeito as legislações nacionais.
Cansado de viver no Brasil esperando uma revolução que nunca aconteceu?Seus problemas acabaram!Chegou o guia de como se filiar ao PCCh😂.
Brincadeiras à parte, me pediram para explicar o passo a passo da filiação ao Partido Comunista Chinês.Segue o fio, você vai se surpreender!🇨🇳
De imediato, informo que sim, é preciso ser chinês. Essa é uma dúvida frequente. Outro aspecto que veremos é que o partido com cem milhões de membros, não visa quantidade de filiados, e sim qualidade.
Passo 1: Solicitar filiação junto a um escritório do PCCh, que pode ser estar no local de trabalho, na universidade ou em um bairro.
Já falamos sobre como a meritocracia chinesa não permite a ascenção de outsiders ao poder. Ou seja, ser bilionário e/ou ter um exercito de robôs para manipular midias digitais, não é significativo. O que conta então para a progressão de carreira no país oriental? Segue o fio🇨🇳🧶
A progressão de carreira para um dirigente de uma província, está relacionada ao percentual do PIB que ele contribui para a economia nacional, sua capacidade de aumentar a qualidade dos serviços públicos e de implementar políticas ambientais.Ou seja, alinhamento a agenda do PCCh.
Entre os critérios para progredir no Partido está a experiência de exercer funções diversas e, sobretudo, a de ter trabalhado em localidades mais pobres e remotas do país.