Em 2018, a Receita Federal criou uma lista de 133 agentes públicos com patrimônio incompatível, movimentações suspeitas e inconsistências graves nas declarações.
Entre os 133 nomes: as esposas de Gilmar Mendes e Dias Toffoli.
O que aconteceu depois é uma aula de como o STF protege os seus. Alexandre de Moraes paralisou a investigação, afastou os auditores responsáveis e transformou os investigadores em investigados. 🧵
Tudo começou em maio de 2018, quando Iágaro Jung Martins, subsecretário de Fiscalização da Receita Federal, anunciou a criação de uma "tropa de elite" de 150 auditores para investigar agentes públicos suspeitos de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.
Na época, ele afirmou com confiança: "Não existe foro privilegiado na Receita Federal." Ele estava errado.
Os auditores testaram o novíssimo software ContÁgil, que conseguia cruzar os diferentes bancos de dados da Receita Federal.
A partir de 800 mil nomes iniciais, o sistema elaborou uma lista de 134 que mereciam maior escrutínio por apresentarem inconsistências patrimoniais graves.
Dois nomes chamaram atenção: Guiomar Mendes e Roberta Rangel.
Advogadas, bem-sucedidas, com vasta atuação nos tribunais superiores.
Guiomar e Roberta também eram esposas de ministros do Supremo Tribunal Federal — respectivamente Gilmar Mendes e Dias Toffoli.
Os auditores passaram a expedir pedidos de informação aos clientes de ambas. O objetivo era simples: entender como e se os serviços de advocacia haviam sido efetivamente prestados.
Em sua justificativa técnica, um auditor escreveu que os dados mostravam "focos de corrupção, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio ou tráfico de influência" do ministro Gilmar Mendes e de sua mulher.
Na época, os ministros reclamaram publicamente. Chamaram a imprensa e denunciaram estar sendo vítimas de perseguição política. Os trabalhos da Receita, no entanto, prosseguiram.
Mas a investigação aprofundada seria impedida de ocorrer através de três movimentos coordenados.
Primeiro movimento: pouco mais de um mês após a revelação, Dias Toffoli abriu o Inquérito das Fake News e designou Alexandre de Moraes como relator.
Na época, O Globo já noticiava que os auditores da Receita seriam alvo da fúria alexandrina.
O movimento, no entanto, não foi suficiente para intimidar o corpo técnico da Receita, que continuou enviando pedidos de informação para os clientes de Guiomar e Roberta.
Segundo movimento: três semanas depois, Dias Toffoli decidiu, monocraticamente, que a Receita não poderia enviar informações ao Ministério Público sem prévia autorização judicial. O canal para investigação criminal estava fechado.
Terceiro movimento: foi Alexandre de Moraes quem, dentro do Inquérito das Fake News, avocou o caso para si e determinou a imediata paralisação das investigações.
Mais do que isso: afastou os auditores Luciano Francisco Castro e Wilson Nelson da Silva das suas funções.
De investigadores, eles passaram a ser investigados!
É importante fazer um parêntese aqui. Por que as esposas de Gilmar Mendes e Dias Toffoli foram investigadas?
Havia realmente "direcionamento", como alegou Alexandre de Moraes?
Na decisão que afastou os auditores, Moraes afirmou que havia "graves indícios de ilegalidades" e "direcionamento das apurações" por parte da Receita Federal.
O argumento não se sustenta.
Numa carta aberta, 195 auditores da alta administração da Receita Federal afirmaram que o processo era completamente automatizado e atendia critérios objetivos.
Em nota, o Sindicato dos Auditores Fiscais (Sindfisco), afirmo que, para entrar na lista, o contribuinte tinha que:
1. ser agente público; 2. ter patrimônio familiar superior a 5 milhões; 3. ter declarado possuir em espécie mais de 100 mil reais; 4. ter recebido mais de 2,5 milhões de lucros/dividendos; 5. e apresentar inconsistências graves.
Nas palavras dos próprios auditores: "Convenhamos, não são critérios triviais para um agente público".
Isto é, Guiomar Mendes e Roberta Rangel foram alvo do escrutínio não por direcionamento político ou perseguição, mas por cumprir critérios objetivos que indicavam irregularidades patrimoniais graves.
Os dados estavam lá. As inconsistências eram reais.
Luciano Castro e Wilson Silva eram servidores concursados que integravam a equipe especial da Receita focada no combate a fraudes fiscais. Tiveram que entregar identidade funcional, notebook de trabalho e token de acesso. Três meses depois, foram reintegrados por Moraes.
Em 2020, o TCU apontou "legalidade, legitimidade e eficiência" da investigação.
O trabalho estava correto. Mas foi descartado.
Em entrevista, Castro afirmou que havia sentimento de derrota pelo descarte do material:
"Grande parte não poderá mais ter prosseguimento em virtude da decadência. Espero que nossa instituição volte a promover trabalhos de tal envergadura."
Em dezembro de 2020, Wilson Nelson da Silva faleceu de COVID-19. Morreu sem ver o trabalho produzir qualquer consequência. O TCU atestou a legalidade. Os critérios eram objetivos.
Nada importou. No país em que o poste mija no cachorro, Wilson foi investigado por tentar mostrar que a lei é igual para todos.
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Meu radar diz que quando começam a dar nome para projeto de lei é porque querem te vender uma narrativa.
E com a quantidade de gente fingindo demência sobre fatos notórios dá para ter certeza disso. 🧵
Primeiro, porque essa história de dizer que agora os políticos serão "blindados" de investigações é simplesmente absurda.
Quem te fala isso com a cara limpa não quer ser levado a sério. "Agora", eles serão?
A única vez que políticos foram investigados e conheceram a cadeia nesse país foi quando o Japonês da Lava-Jato era o terror dessa turma. Toda sexta-feira era a alegria do povo brasileiro: bilionário e político corrupto indo para a carceragem de Curitiba.
Desde que mataram a operação o que vemos é o mesmo de sempre.
Vejam o caso do senador Chico Rodrigues. Hoje no PSB, no governo passado estava no DEM. A única coisa que não mudou é o fato de sempre apoiar quem está governando.
No distante ano de 2020, a PF fez uma operação de busca e apreensão na casa do nosso herói. A Operação Desvid-19 investigou desviou de R$ 20 milhões em emendas para combater a pandemia em Roraima.
O que leva um estudante universitário a abandonar os confortos da vida urbana e se embrenhar no meio da mata com a vã esperança de derrotar o exército brasileiro?
O depoimento do ex-guerrilheiro Dagoberto mostra que a verdade é mais simples — e mais trágica — do que parece. 🧵
Dagoberto cresceu num Brasil que já não existe mais. Um país onde as diferenças econômicas eram grandes, mas as sociais eram borradas.
Os doutores apadrinhavam filhos dos pobres, abriam suas casas. Na pelada, filho de comerciante ou lavrador, todo mundo era criança.
Nos anos 60, ele sai do Maranhão rumo ao Rio. Vira testemunha da agitação política. Na família havia lacerdistas e trabalhistas. Ele se identificava com Jango e Brizola. Gostava da retórica nacionalista. Achava que o Brasil podia mais e era sacaneado pelos outros países.
O golpe de 64 foi um choque. Como janguista, ele acreditava que estava tudo no papo. O General Assis Brasil havia prometido que bateria na cabeça da reação. Nada adiantou. Os militares não toleravam quebra de hierarquia — especialmente a revolta dos marinheiros.
“Daí vai vir um cara em cada avião para defender que EU tenho que andar de bike nesse Sol?”
Por culpa da Azul, tive uma conexão de quase 12 horas em Belém, sede da COP-30.
Aproveitei o tempo para encontrar um amigo que mora desde o início da adolescência na capital do Pará e perguntar o que ele acha disso tudo. As respostas dele me deixaram reflexivo 🧵
Fomos almoçar e eu tive a oportunidade de experimentar um bife de búfalo. Para quem acha exótico, o gosto não é diferente do bife de boi.
De entrada, pedimos um pouco de cada uma das iguarias regionais.
E de sobremesa fui num creme de cajá.
Tudo isso acompanhado de um drink feito com, dentre outras coisas, a famosa cachaça de jambu, um xarope de cupuaçu e cajá.
Tudo muito bom.
Meu amigo me contou que não acredita que o evento será um fracasso, mas algo mais próximo do que foi a Copa do Mundo: as coisas vão acontecer, mas muitas das obras prometidas devem ser entregues com atraso — ou nunca. Especialmente aquelas que não são essenciais ao funcionamento do evento e que seriam os grandes legados para a cidade.
E não prometeram pouca coisa. São obras que somam incríveis R$ 7 bilhões — valor que supera o orçamento da própria prefeitura.
🚨 COMO ECONOMIZAR HORRORES NO SEGURO VIAGEM INTERNACIONAL
Já deixa a tua curtida porque isso aqui não tem nada a ver com o seguro do cartão.
É pra você, despossuído, que quer viajar, mas não quer correr o risco de morrer e não ter como arcar com o translado do corpo 🧵
Muita gente parece ter descoberto nas últimas semanas, que se você morrer lá fora o translado do seu corpo é algo caro - e que sua família arcará com os custos.
Exceto você tenha um seguro!
O problema é que a maioria dos seguros vendidos no Brasil são caros e com coberturas não tão altas.
No post abaixo (onde eu descobri o bizú), o autor comenta como as coberturas aqui são ridículas e, que, ele uma vez sequer conseguiu achar um seguro-saúde ilimitado como um contratante seu em outro país exigia.