O mercado segue sendo direcionado pelos eventos no Oriente Médio, onde ainda não há qualquer tipo de estabilização mais estrutural. Os movimentos seguem rápidos e agudos. Na tarde de ontem , por exemplo, a simples sinalização do Primeiro Ministro de Israel, de que o conflito estaria se aproximando de sua fase final, levou a forte apreciação dos ativos de risco.
Este ambiente de alta no preço do petróleo e aperto das condições financeiras está elevando a probabilidade de recessão nos EUA:
Importante observar que, historicamente, o Fed evita afrouxar a política monetária durante choques de petróleo. Quando foge desse padrão, os resultados tendem a ser negativos, seja por erros de política, como nos anos 1970, ou porque riscos à estabilidade financeira acabam prevalecendo, como na crise de 2008.
Por isso, vimos forte ajuste nas curvas de juros ao redor do mundo nas últimas semanas:
A despeito da vol recente, a queda dos mercados tem sido tímida se comparada aos padrões históricos:
Olhando para a história, não se limitando ao conflitos no Oriente Médio, o mercado de ações não responde bem a guerras prolongadas:
Nesta fase do ciclo, as ações fora dos EUA, que receberam muito fluxo nos últimos meses, foram a classe de ativo que mais sofreram desde o início do conflito no Oriente Médio:
O ambiente atual de alta correlação de ativos costuma ser o mais desafiador para portfólios diversificados. Não há onde "se esconder". Dito isso, o ambiente macro atual parece mais construtivo do que em outros choques de petróleo:
Mercados emergentes e produtores de commodities, como o Brasil, costumam ser demandados em cenários como o atual:
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A quarta-feira foi mais um dia de forte alta no preço do petróleo, com o Estreito de Hormuz ainda praticamente sem fluxo e a infraestrutura do complexo de energia no Oriente Médio sendo fortemente atacada:
Os preços do gás natural na Europa dispararam cerca de 30% após o Catar informar que a maior planta de exportação de GNL do mundo foi danificada em um ataque iraniano, elevando significativamente o risco geopolítico sobre a oferta global de energia:
Este quadro levou a mais uma rodada de aversão a risco nos mercados. Todos os setores do S&P apresentaram queda na quarta-feira:
Guerra, Petróleo & Greve dos Caminhoneiros
By Dan Kawa
18Mar26
Iniciamos o dia com uma queda relevante no preço do petróleo, movimento que contribui para um viés mais positivo nos ativos de risco no curto prazo.
No Brasil, a recente elevação do preço do diesel levou entidades representativas dos caminhoneiros a anunciarem a possibilidade de uma greve geral. Ainda há elevada incerteza quanto ao grau de adesão e à magnitude efetiva desse movimento, o que adiciona um componente de risco doméstico relevante.
Diante desse cenário, é possível que o governo busque implementar medidas de natureza fiscal com o objetivo de mitigar os impactos da alta do diesel. Ainda assim, a evolução desse quadro estará, em grande medida, condicionada à duração e à intensidade do conflito no Oriente Médio, que segue como principal vetor de pressão sobre os preços de energia.
O conflito no Oriente Médio trouxe um ajuste relativamente brusco de sentimento e posição técnica para os mercados globais, o que explica a volatilidade recente:
Mesmo neste ambiente, a alocação em EM segue nos maiores patamares da história recente:
Os ativos de risco estão abrindo em tom de maior estabilidade, a despeito de poucos avanços positivos ou concretos no Oriente Médio. A nebulosidade do cenário segue elevada no curto-prazo, a despeito dos padrões históricos que comentei no sábado:
Na China, os dados de atividade em janeiro-fevereiro vieram melhores que o esperado, indicando um início de 2026 mais sólido, com aceleração da produção industrial, recuperação das vendas no varejo e melhora do investimento em ativos fixos. Ainda assim, persistem fragilidades importantes, sobretudo no setor imobiliário, que segue em forte contração. No conjunto, os números reforçam um bom desempenho do PIB no primeiro trimestre, embora a projeção de crescimento para 2026 tenha sido ligeiramente revisada para baixo por algumas casas.
A escalada da guerra no Irã está alterando premissas tradicionais de hedge. Títulos públicos passaram a cair junto com as bolsas diante do risco de um choque estagflacionário com petróleo mais caro. Isso enfraquece a proteção do portfólio 60/40, já que cortes agressivos de juros podem não ocorrer. Nesse contexto, investidores têm buscado refúgio em ativos como petróleo, dólar e alguns ativos chineses, além de estratégias como buffer ETFs.
EUA: Um Olhar para o Private Credit
By Dan Kawa
13Mar26
O conflito no Oriente Médio segue sendo o grande vetor de direcionamento da dinâmica de curto-prazo do mercado. Os sinais ainda agressivos do Irã, e a visão de que o conflito ainda pode estar longe do fim, levaram a mais uma onda de aversão a risco nos mercados. Tanto no Brasil, como no exterior, continuaremos a flutuar a mercê deste fluxo de notícias.
O principal canal de transmissão do conflito com o Irã para a economia americana é o preço do petróleo. No cenário atual, segundo estimativas, o impacto macro tende a ser limitado em relação a crises históricas, pois a economia dos EUA hoje é menos sensível a choques de petróleo e possui produção doméstica relevante. Mesmo assim, o o risco de recessão pode aumentar e o início dos cortes de juros do Fed pode ser adiado:
No Brasil, com um olho na papularidade, o governo anunciou medidas para evitar o repasse da alta do petróleo no preço dos combustíveis. Um quadro fiscal que já era desafidor, fica ainda mais negativo. Com a popularidade em baixa e uma corrida eleitoral disputada, a maior probabilidade ainda será de deterioração fiscal nos próximos meses.
Os agentes não estou olhando para isso, por ora. O cenário internacional continuará preponderante neste sentido. A aproximação eleitoral poderá mudar este quadro, mas provavelmente, não antes do segundo semestre.
No cenário macro local, o IPCA (inflação) de fevereiro surpreendeu para cima (0,70% m/m), com inflação de serviços ainda muito pressionada (6% a/a) e núcleos acima do esperado, refletindo mercado de trabalho apertado e dinâmica inflacionária persistente. Embora a inflação de bens siga moderando com a valorização do real, o quadro geral ainda exige postura monetária cautelosa diante de expectativas desancoradas e estímulos fiscais e de crédito em ano eleitoral.
Outro ponto de atenção nos mercados segue sendo o mercado de crédito privado nos EUA. Após um período em que muitos fundos conseguiram postergar ou suavizar o reconhecimento de problemas em suas carteiras, as marcações tornaram-se agora inevitáveis, o que tende a gerar uma onda de pedidos de resgate. Como os ativos desses fundos são, em grande parte, ilíquidos, cria-se um descasamento entre ativos e passivos, levando alguns veículos a restringirem ou suspenderem resgates. Esse processo acaba produzindo cobertura negativa na mídia e retroalimentando a pressão sobre o setor.
Após o forte ajuste de posição nos mercados, os ativos de risco passaram a mostrar menos elasticidade (ou beta) as variações no preço do petróleo. Ainda há uma sensação de desconforto no ar, mas o mercado parece caminhar para algum novo equilíbrio. Uma nova onda de piora na situação no Oriente Médio poderia reverter este quadro.
O Irã segue atacando a infraestrutura de petróleo no Oriente Médio, mantendo o risco de disrupção e alta mais permanente de preços elevado. Há alguns mitigantes no lado da oferta, como a possível liberação de reservar globais:
O mercado de Private Credit nos Estados Unidos permanece no centro das atenções e merece acompanhamento atento. Um eventual problema mais relevante nesse segmento, a meu ver, teria natureza deflacionária e recessiva para a economia americana, o que poderia levar o Fed a responder com novos estímulos monetários. Por ora, existem diferenças importantes entre o cenário atual e o observado na crise financeira de 2008, o que tende a manter esse risco relativamente mais contido, embora, de forma alguma, irrelevante.
O mercado de private credit dos EUA começa a mostrar sinais claros de estresse: o JPMorgan reduziu o valor de alguns portfólios de empréstimos — especialmente para empresas de software — e passou a restringir crédito contra esses ativos, enquanto resgates de investidores aumentam e fundos como os da BlackRock e Blackstone enfrentam pressões de retirada. Ao mesmo tempo, ações do setor caíram significativamente, indicando que o estresse no mercado de cerca de US$ 2 trilhões está começando a aparecer de forma mais visível.
A inflação nos EUA veio moderada em fevereiro. O core CPI subiu 0,22% no mês, em linha com as expectativas, e a taxa anual desacelerou para 2,46%, refletindo principalmente a moderação nos custos de moradia (rent e OER), que continuam convergindo para o ritmo mais baixo dos novos contratos de aluguel. A inflação de serviços ex-moradia também desacelerou para 0,31%, abaixo do ritmo observado recentemente. No entanto, alguns componentes de bens com maior peso no core PCE, especialmente software, tiveram alta relevante, levando a uma estimativa de 0,34% m/m para o core PCE em fevereiro, o que mantém a inflação anual próxima de 3%, sugerindo progresso gradual na desinflação, mas ainda sem convergência completa para a meta do Fed.
Irã, Posição Técnica e Crédito Privado
By Dan Kawa
11Mar26
Os ativos de risco seguem com volatilidade elevada, devido as incertezas do conflito no Oriente Médio. Contudo, nas últimas 48h, vimos forte queda no preço do petróleo, o que ajudou a estabilizar os ativos de risco. Na agenda do dia, destaque para o Core CPI (inflação) nos EUA.
A minha impressão anedótica, analisando as cotas e conversando com fundos multimercados (no Brasil) e hedge funds (no exterior) é que o mercado estava muito alavancado e unidirecional. O desempenho dessas classes em março está tenebroso, talvez um dos maiores drawdowns da história recente. Os ataques ao Irã geraram um processo de desalavancagem rápida e acentuada, que acabaram exacerbando movimentos.
O caso do Real (BRL) me parece um bom exemplo. Após forte depreciação em um primeiro momento, o movimento de estabilização (apreciação) foi ainda mais rápido, passado o ajuste inicial de posição e começando a preponderar a visão de que os fundamentos do Brasil ficam melhores com preço do petróleo mais elevado:
Já há indícios de retorno do fluxo de navios no Estreito de Hormuz:
Os países do G7 podem aliviar a alta do petróleo liberando parte de suas reservas estratégicas: