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Jurista, cientista político e historiador
Alexandre Borges Profile picture 𝓙𝓸𝓼𝓮 𝓔𝓭𝓾𝓪𝓻𝓭𝓸 - Concierge Socialista Profile picture Ricardo S. O. Leite 🇧🇷🌹🇧🇷 Profile picture 3 added to My Authors
28 Oct
Neoliberalismo deve ser estudado como ideologia POLÍTICA. Não é liberalismo econômico. É uma ideologia política, com uma visão de mundo POLÍTICA, deduzida apenas do liberalismo ECONÔMICO. Discutir neoliberalismo a partir da economia é uma armadilha ideológica. 👇
Negar a autonomia da política e tratá-lá como puxadinho da economia, regida por leis supostamente científicas, é uma das características básicas do neoliberalismo
Não interessa o que os liberais digam sobre a suposta indissociação entre liberalismo econômico e político. Essa é uma petição de princípio doutrinária do neoliberalismo. Historicamente, a relação do liberalismo político com o econômico foi sempre contingente.
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28 Oct
ENTENDENDO MAUÁ. Não há uma biografia que preste de Mauá. Ele cresce na onda do capitalismo de Estado, com proteção tarifária e ajuda dos conservadores na década de 1840. Ele QUEBRA debaixo dos liberais, quando acaba com a proteção do Estado e chega a concorrência inglesa.
Mitologia. Vou explicar no fio
Não há uma biografia que preste de Mauá. Ele foi redescoberto nos anos 20 e 30 por industriais como Alberto de Faria e Roberto Simonsen, que queriam justificar a proteção do Estado às indústrias, alegando que ele quebrara porque faltara aquela proteção
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28 Oct
Boa parte do empresariado brasileiro, historicamente, oscila entre o neoliberalismo e o estatismo conforme as circunstâncias, e para fazer valer seus interesses, pode oscilar entre o libertarianismo mais histérico até o conservadorismo mais autoritário.
Os liberais já toparam mais de uma vez um golpe, como recurso último de desespero para "salvar a democracia", mas sempre se ferraram e se arrependeram, porque fazem o papel de otarios que esquentam a cama para os conservadores deitarem.
Com os neoliberais, é diferente. Eles tramam o golpe, desejam um regime autoritário que passe goela abaixo da população uma política que a maioria nunca quer. Lacerda acabou cassado. Arinos saiu da política. Mas Roberto Campos foi ministro da ditadura
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28 Oct
Eu estudo ideologias. Profissionalmente. Das moderadas, não existe nenhuma mais estúpida, panfletária, pseudo-cientifica e pseudo-erudita, do que o neoliberalismo. De Alberto Sales a Meira Penna, passando por Murtinho, Gudin e Roberto Campos, é um embuste do início ao fim.
Debaixo da aparência de cientificidade, o que se vê é um dogmatismo panfletário tão exato quanto um jogo de búzios. Pura retórica histérica, lacração, conversa fiada, falsa cultura, acompanhada de ausência completa de empiria, história, ou qualquer comprovação do que afirmam.
Toda "comprovação" passa por uma caricatura de liberalismo, que na verdade passa por tentar organizar a política, não pelo liberalismo político, mas pelo liberalismo econômico. Sociedade civil vira mercado, civilização vira capitalismo, cidadão vira empresário ou consumidor, etc
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12 Oct
Liberalismo se tornou um centro ideológico dinâmico de classe média. À direita dele está o neoliberalismo dos empresários, e à esquerda, a social-democracia dos trabalhadores. São as forças que o puxam mais para um lado ou mais para o outro conforme as circunstâncias.
Daí que haja liberais mais inclinados à centro-direita ou à centro esquerda, conforme os tempos ou os dilemas. Sempre puxados, ou pelos neoliberais, ou pelos socialistas.
Daí a impressão de que a política se cinde em direita e esquerda. É uma meia verdade. Há um centro, que pode se desdobrar mais para lá ou para cá, mas que racha em tempos polarizados, como o atual.
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30 Sep
Vou fazer aqui um fio didático distingindo quem foi LIBERAL e quem foi NEOLIBERAL, já que ninguém está conseguindo entender a distinção
Rui Barbosa: LIBERAL Image
Campos Sales: NEOLIBERAL avant lá lettre (spenceriano) Image
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26 Sep
A edição do Meio está hoje particularmente saborosa discutindo a situação delicada da democracia americana. O Wanderley Guilherme já dizia que não havia nada que impedisse um dia a democracia dos EUA de virar autoritária. Ele estava certo.👇 @canalmeio canalmeio.com.br/notas/os-eua-f…
A matéria do Meio fala do tapetão em que a política americana se transformou graças ao golpismo republicano. Querem indicar o novo ministro do STF lá às carreiras, diante da possibilidade do Trump ser derrotado e dos democratas recuperarem maioria no Senado.
A estratégia dos republicanos é a mesma dos conservadores da segunda metade do século 19: impedir o avanço da agenda progressista pelo congresso controlando o STF deles. O ativismo começou assim: conservador. A Suprema anulava todas leis sociais das assembleias legislativas.
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25 Sep
Quando a pandemia começou com sua gestão catastrófica, ouvi amigos e colegas, todos qualificados, que a mortandade seria fatal também para o governo dele. Eu temi que não, porque sabia que a cultura brasileira sempre foi sabidamente insolidária e aqui sempre se morreu como mosca.
O governo fez a opção populista pela morte, que é a tradição do país desigual de origem escravista, predatória, ao passo que a oposição tentou tratar do assunto como se estivéssemos na Europa, onde cada vida vale muito.
Eu imaginei que o resultado seria um meio termo: todo mundo tratando a pandemia como se estivesse na Europa por dois meses, e depois todo mundo voltava a se comportar como no Brasil mesmo: cada um por si
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21 Sep
RETÓRICA LIBERTÁRIA OU NEOLIBERAIS.

1) TUDO TEM QUE PIORAR ANTES DE MELHORAR: Não existe ajuste econômico sem sofrimento ou uma piora nas condições de vida dos pobres num primeiro momento, portanto
2) SE ESTÁ PIORANDO É PORQUE ESTÁ DANDO CERTO: A austeridade está destruíndo atividades econômicas inúteis e modernizando a economia, que ressurgirá como uma planta mais forte depois
3) PROBLEMAS RESULTANTES DA GESTÃO É CULPA DE QUEM VEIO ANTES mesmo que seja quarenta anos antes, como os desenvolvimentistas no Brasil;
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20 Sep
TESTE DE LIBERALISMO. Se você acha que todos aqueles que não concordam com você são "esquerdistas", esteja certo de pelo menos uma coisa: você NÃO É LIBERAL.
Liberais estão no meio e zelam para que haja um terreno comum onde conservadores, liberais e socialistas, desde que democratas, possam competir pelo poder.
Se você acha que quem discorda de você é inimigo, você não preenche um requisito essencial do liberalismo, que é a tolerância de quem está no centro, zelando pelo jogo à esquerda e à direita. Você deve ser neoliberal ou libertário, ou conservador simplesmente.
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19 Sep
Há gente aqui simpática ao Novo que, soube, se queixou do meu tuíte sobre a tradição libertária no Brasil, me chamando de esquerdista etc. Eu quero é até me REFUTEM, porque eu vou postar aqui e agora as citações do Alberto Sales, do Murtinho, do Gudin e do Campos.
"A restauração da ordem, eis a grave questão suprema para todos aqueles que se dizem amigos da ordem e do progresso e que fazem o máximo empenho em salvar da ruína que as ameaças, as brilhantes conquistas da civilização"
"Esse ponto de apoio não pode ser, no momento angustioso em que nos achamos, senão o governo. O que é preciso, portanto, é restaurar de um modo completo, com todo o seu prestígio e força, a autoridade política, único centro de resistência que ainda resta, contra a onda invasora
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18 Sep
A leitura do "liberalismo" como essencialmente oligárquico é tão problemática como a leitura feita do "socialismo" como sinônimo de stalinismo. Assim como tem socialismo comunista e não- comunista, comunismo estalinista e trotskista, etc etc, liberalismo também não é unívoco.
O grosso do liberalismo clássico historicamente subordina o mercado à sociedade civil. Sua relação com a ideia de mercado foi bastante contingente, admitindo quase sempre maior ou menor intervenção do Estado.
No Brasil, liberais fizeram a tarifa Alves Branco, Encilhamento, Convênio de Taubaté, substituição de importações, planejamento etc Esse negócio de que "o liberalismo" de hoje é mesmo do século 19 é idêntico ao que diz que o socialismo de hoje é o do Stálin na década de 30.
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17 Sep
Tendo em vista a natureza criminosa do "liberalismo" (Nixon), do "conservadorismo"(Leopoldo II) e "socialismo" (Stálin), seria melhor um mundo sem ideologias, certo? Mas será isso possível? Como as pessoas na democracia irão votar? Ou vamos voltar a algum regime oligárquico?
O mundo democrático é impossível sem ideologias que compitam entre si por visões diferentes de organização social, a partir da hierarquização e disputa dos significados de conceitos como igualdade, liberdade e autoridade, pra ficar só nesses
O liberalismo deu escravidão, mas também deu abolicionismo. O socialismo deu estalinismo, mas também deu social-democracia. O conservadorismo deu fascismo, mas também deu Downton Abbey hahahaha
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17 Sep
Essa polêmica do Losurdo é travada em termos absurdos. Tem gente que não sabe fazer o básico, que é distinguir ideologia de um determinado regime histórico. Assim, o liberalismo é o Bush bombardeando o Iraque; o marxismo é o Stálin mandando gente pro Gulag. Quanta estupidez!
Ideologias existem há mais de duzentos anos; cada uma delas tem uma morfologia conceitual dos mesmos conceitos, mas diversamente definidos e hierarquizados (progresso, liberdade, história, igualdade, ordem etc).
Além do mais, elas não são estáveis, se modificando ao longo do tempo conforme o lugar. Embora elas influenciem a política empírica, elas não podem ser encapsuladas por nenhum regime de governo concreto.
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16 Sep
Aliás, gostaria de fazer uma ressalva sobre essa história do Losurdo - ao menos do livro que li gostei, a Contra-Historia. Há diferenças entre os princípios abstratos de qualquer ideologia e sua aplicação concreta mas circunstâncias de tempo e espaço. (segue) 👇
O que ele mostra - pelo menos o que me chamou a atenção - é que o liberalismo, a despeito de seu universalismo, também foi, como todas as ideologias europeias até recentemente - bastante etnocêntrico, elitista, excludente etc.
Mas isso não é razão para não ser politicamente liberal, e abraçar doutrinas autoritárias. As mesmas vicissitudes de tempo e espaço tiveram outras ideologias. Eu não concebo democracia sem liberalismo político, ou seja, defesa do Estado de direito.
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14 Sep
A república de 1946-1964 - Dutra, Getúlio II, JK, Jango - não é mais aquela. Você aí achando que esse período havia sido democrático, e interrompido pela ditadura. Não é o que os estudiosos da democracia acham hoje. Acham que era um regime híbrido de autocracia com democracia.
O gráfico segue as categorias poliárquicas do Dahl. A Era Vargas é uma autocracia plena de participação restrita ou sem participação; a República de 46 era um híbrido de autocracia com democracia, com maior participação mas precariedade de direitos civis e políticos.
O regime/ditadura militar é uma autocracia moderada, e democracia MESMO - em azul - é só da Nova República para frente.
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11 Sep
Deixem-me adivinhar o que vem agora. 1) Bolsonaro furioso porque inseguro, com medo de falar besteira e de encontrar Moro. Ordens para a AGU recorrer, alegando que a decisão viola a separação de poderes e a segurança nacional. Bolsonaro manda dizer que não vai.(segue o fio) 👇
Nova ameaça de fechar o STF, acompanhada de pronunciamentos dos generais palacianos contra o ativismo judiciário. Lamentos de Aras para bajular o presidente.
2. Caso atenda a convocação, Bolsonaro fará da ocasião um carnaval. Irá ao STF a pé com um cortejo de vinte ministros, com seus generais todos fardados, para dizer não dará depoimento nenhum, permanecendo calado e não respondendo perguntas.
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30 Aug
1. A RESPONSABILIDADE DA MÍDIA CARIOCA. Um dos problemas do Rio que mais o prejudicam reside, paradoxalmente, na própria mídia do Rio e nos seus intelectuais.  Com medo de serem chamados de provincianos, a maioria esmagadora nunca deu um "ai" contra o desmantelamento da cidade.
2. Continuaram a tratar do Brasil como se o Rio continuassse a ser capital, afetando não serem com eles. Por isso a iniciativa do Pedro Doria hoje foi tão importante, porque ousou mexer nesse tabu.
3. É justamente pela falta de coragem de defender o interesse local, pelo medo de posar de provinciano, que a mídia tem medo de abrir a velha ferida. Essa postura se exprime na insistência cega em apostar num experimento falido, que é a de "estadualização" da cidade desde 1975.
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19 Aug
Pode um governo de orientação duramente conservadora se acomodaria a uma Constituição progressista? Duas possibilidades se apresentam: explodir a Constituição ou esvazia-lá de seus valores. www1.folha.uol.com.br/colunas/conrad…
Explodir a Constituição era o cenário "Hugo Chávez" do golpe de Estado, com a qual a presidência flertou abertamente durante a primeira metade do ano. Mas o governo era fraco, não tinha apoio dos miltares e as instituições acabaram reagindo. Vingou outro cenário: o "Figueiredo".
O cenário "Figueiredo" exige acomodação com a Constituição. Isso era fácil com a Constituição de 1967/69, mas nao no da Constituição de 1988, recheada de disposições e valores progressistas incompatíveis com o espírito autoritário.
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16 Aug
O PAPEL DE GILMAR. 1. Para muitos, a ação do ministro Gilmar Mendes parece errática. Ela não é, todavia. Ela é coerente. Seu papel tem sido o de defender de forma intransigente o establishment político de centro-direita que domina o Congresso Nacional.
2. Quando o governo do Lula e da Dilma lhe parece querer corromper o sistema político para favorecer a perpetuação da situação petista, ele apoia de modo intransigente todas as ações que levem à sua remoção do poder, desde pelo menos o mensalão.
3. Quando a Lava Jato, porém, avança sobre os políticos do establishment de centro-direita, como PMDB, PSDB e Temer, ele se posiciona no sentido de estrangular aquela operação. O ápice dessa defesa foi absolver Temer no julgamento da chapa eleitoral no TSE
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12 Aug
GOVERNO DOS ENGODOS (fio)

1. Promessa: o governo anunciava a luta contra a corrupção da velha política e o apoio à Lavajato.
Realidade: família presidencial encrencada com a Justiça, aparelhagem da Polícia e aliança com o Centrão.
2. Promessa: retorno à "alta cultura" defendida por Olavo de Carvalho.
Realidade: fim do ministério da Cultura e nomeação de atores de novela para o que sobrou da pasta.
3. Promessa: Fim do Estado leviatânico e privatizações a granel.
Realidade: Nenhuma privatização e criação de uma estatal.
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