Pedro Magalhães Profile picture
Political scientist @icsunivlisboa. @OhioState PhD. Public opinion & judicial politics. RT's ≠ endorsements. Views mine alone.
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Mar 13, 2025 9 tweets 4 min read
Não faço ideia do que vai acontecer amanhã, quanto mais do que vai acontecer nas próximas eleições. Mas quando penso nelas, ocorrem-me algumas coisas. (1) A primeira é que suspeitas de falhas éticas por parte dos políticos, ou para irmos mais longe, até de corrupção (ainda mais grave do que aquilo que para já está a ser alegado sobre o PM), têm um efeito eleitoral menor do que poderíamos pensar. (2) Image
Mar 11, 2024 13 tweets 5 min read
Random notes about the Portuguese election in this thread throughout the next few days. Let's start with a look at how fast the radical right Chega has grown in comparison with its existing Southern European counterparts. (1) Image We get a sense of how the party system has changed when we realize that the center-right won yesterday's election while obtaining its worst election result 𝐞𝐯𝐞𝐫. (2) Image
Jan 6, 2024 4 tweets 3 min read
Ao longo dos últimos 20 anos, as atitudes dos portugueses em relação à imigração mudaram significativamente, no sentido de maior abertura. Vejam-se, por exemplo os dados do European Social Survey (1). passda.pt/webwp/wp-conte…
Image Ou, aqui, Anthony Heath e Lindsay Richards a fazerem o mesmo diagnóstico num relatório para a OCDE: (2) oecd-ilibrary.org/social-issues-…

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Jun 29, 2023 8 tweets 3 min read
A julgar pelas últimas sondagens, e mesmo tomando em conta que votos e intenções de voto são bichos diferentes, parece claro que o PS perdeu muito apoio no último ano e meio. Qualquer coisa entre 10 e 15 pontos, dependendo das sondagens. (1) O PS de Sócrates precisou de 6 anos e um resgate para perder 17 pontos. PSD e CDS perderam 12 pontos de 2011 para 2015. 10-15 pontos num ano e meio é muito ponto. Onde estão a acontecer estas perdas? (2)
May 27, 2022 18 tweets 5 min read
Uma micro-história de como acabámos com esta forma de eleger juízes do Tribunal Constitucional (13 juízes, 10 designados pelo parlamento e 3 cooptados por estes, de entre juízes dos restantes tribunais. (1) Em maio de 1982, dá-se uma cimeira entre os líderes do PSD, do PS e do CDS para resolver os assuntos ainda pendentes da revisão constitucional: a "transição para o socialismo", o poder do PR demitir o governo e a composição do TC. Este último foi curiosamente o mais difícil (2)
Mar 3, 2022 11 tweets 2 min read
In the meantime, Russia is getting ready to approve a decree on the "Foundations of the State Policy for the Preservation and Strengthening of Traditional Russian Spiritual and Moral Values". A few highlights (1) memri.org/reports/russia… "Urgent measures to protect traditional Russian spiritual and moral values" are required, given the threat posed by "extremist and terrorist organizations, the actions of the United States and its allies, transnational corporations, and foreign nonprofit organizations". (2)
Feb 17, 2022 12 tweets 5 min read
Amavelmente, a Pitagórica deu-nos — a mim e ao @joaoc — acesso aos dados micro da boca das urnas que realizaram no dia 30. Como mediram não apenas o voto mas também sexo, idade e instrução de TODOS os que inquiriram, isto permite uma análise fina das bases sociais do voto (1) Escrevemos um texto sobre o assunto, que está aqui: pedro-magalhaes.org/bases-sociais-…. Resumo: Portugal não tinha o que se chama o "modern gender gap" no voto. Mas agora já tem: mulheres mais à esquerda, homens mais à direita. (2) Image
Jan 28, 2022 8 tweets 3 min read
Sondagem @sond_ics_iscte, n=1003, presencial, 18-24 janeiro. Primeiro o que toda a gente já sabe (1) Aqui dá para perceber bem como as coisas mudaram at
e chegarmos à presente indefinição total. (2)
Jan 28, 2022 5 tweets 2 min read
Para descontrair: em Fevereiro vou voltar ao ISCTE para ter aulas, mas desta vez são aulas de formação da Prevenção Rodoviária Portuguesa, na sequência de duas multas por excesso de velocidade. Disseram-me que era isto ou apreensão de carta, e lá vou eu (1). No início julguei que seria provavelmente a única pessoa em Portugal incapaz de encontrar um subterfúgio qualquer para me safar disto, mas parece que há outros incompetentes, assim como alguns fugitivos à justiça. (2) dn.pt/edicao-do-dia/…
Jan 21, 2022 8 tweets 3 min read
Não sou especialista em comunicação política. Mas uma nota breve. Fica-se por vezes espantado quando as sondagens dão durante meses ou até anos grandes vantagens ao partido no poder que depois se dissipam na campanha. Mas pode não ser assim tão espantoso (1). Em períodos "normais", as oposições têm menos visibilidade. Os primeiros ministros só são expostos ao contraditório no parlamento, com sorte, e é preciso ainda mais sorte para que esses momentos passem de meros rodapés noticiosos (2).
May 28, 2021 6 tweets 1 min read
Uma história sobre o acesso a documentos oficiais em arquivos do Estado Português. Em junho de 2019, há quase 2 anos, uma doutoranda contactou o arquivo da Presidência de Conselho de Ministros, inquirindo sobre possível consulta às actas dos I, II e II governos provisórios. (1) 2 semanas depois é informada de que as actas não podem ser consultadas sem parecer positivo do Gabinete do Sec. Estado da PCM. Aluna indaga sobre procedimento a seguir para obter parecer, sendo-lhe dito que deve fazer pedido junto de arquivo que o encaminhará. O que faz. (2)
Feb 27, 2021 6 tweets 2 min read
Portugal é um dos países onde mais gente apoia a ideia de que "o governo devia tomar medidas para reduzir as desigualdades de rendimentos". Noutros países encontram-se até diferenças regionais que aqui não existem. É bonito este nosso sentimento. (1) E como poderia ser de outra forma? Somos um país mais desigual do que a maior parte dos países europeus. Venha mais redistribuição e mais igualdade. (2)
Jan 21, 2021 6 tweets 3 min read
Já li várias vezes que “os peritos”, “a Ciência”, defendiam o encerramento das escolas. Bem, podemos fazer um inventário das notícias da altura para vermos se isso é mesmo verdade? Começo eu: sabado.pt/portugal/detal… dn.pt/sociedade/conf…
Nov 12, 2020 8 tweets 2 min read
Um livro do ano passado de Kimberly Twist, baseado numa tese de doutoramento. Principais ideias: (1) A direita tradicional nunca se alia à extrema direita para a "moderar". Junta-se quando dela precisa para chegar ao poder (1ª prioridade) e implementar políticas que prefere (2ª). 2) "Precisa para chegar ao poder" significa que esses partidos cresceram ao ponto em que a direita tradicional precisa deles. Na maior parte dos casos históricos, as promessas de exclusão iniciais caíram quando a realidade do crescimento eleitoral da direita radical se impôs.
Nov 11, 2020 10 tweets 3 min read
Tudo o que o Alexandre aqui diz me parece interessante e fundamentado. Mas como os casos são poucos, talvez valha a pena pensar nas excepções que ele próprio assinala (Suíça e Dinamarca) (1) Sobre Suíça nem me atrevo, o Alexandre poderá falar muito melhor. Mas algumas coisas (poucas) que sei sobre a Dinamarca. O Dansk Folkeparti (DF) apoiou governos de centro-direita (de fora) em dois períodos, 2001-2011 e 2015-19. (2)
Nov 10, 2020 6 tweets 2 min read
A 1ª vez que a direita francesa se entendeu com a FN foi nas eleições municipais de 1983. Listas conjuntas nalguns municípios e, numas intercalares, Jean-Pierre Stirbois, secretário-geral da FN, tornou-se presidente da câmara adjunto em Dreux. (1) Image Estas alianças deram-se num contexto em que o PS tinha trazido o Partido Comunista Francês para o governo. Chirac, Barre, Giscard, todos apoiaram a ideia na base de uma luta contra o domínio "socialista-comunista" do governo. (2): ImageImage
Jun 4, 2020 13 tweets 5 min read
Há dias cruzei-me com um artigo do NYT sobre cenários futuros para a pandemia, baseado em dois artigos académicos. Fiquei com vontade de falar sobre isso. Aqui vai: nytimes.com/2020/05/08/hea… (1). Tenho a impressão que há dois cenários principais que temos tido em mente. Um é o que se chama aqui "Slow Burn": depois da 1ª vaga, o distanciamento social não impede ondas de infecção, mas são pequenas e dentro dos limites da capacidade do sistema de saúde (2)
Oct 15, 2019 10 tweets 4 min read
For those interested in the Portuguese elections that took place October 6th, a quick summary of a piece with Jorge Fernandes and @MafaldaPratas in @expresso last Saturday (1) Abstention ↑, again. Distance f/ Lisbon & Porto remains structural factor (correlated w/ lower education levels and smaller magnitude districts, more disproportional). But abstention increased most in areas where the Communists are traditionally strongest (2)
Oct 3, 2019 6 tweets 3 min read
Sondagem ICS/ISCTE @sond_ics_iscte, recolha 23-29 Setembro, N=1330, presencial, simulação de voto em urna. Toda a informação disponível aqui: sondagens-ics-ul.iscte-iul.pt/2019/10/03/son… De seguida, algumas ideias simples (1) Únicas mudanças de relevo em relação ao início de Setembro foram descida do PS e subida do PSD. (2)
Sep 20, 2019 7 tweets 4 min read
Segunda parte da sondagem ICS/ISCTE @sond_ics_iscte para @expresso e @SICNoticias. Relatório aqui: sondagens-ics-ul.iscte-iul.pt/2019/09/20/son… Alguns destaques: (1) A falta de entusiasmo pelas maiorias absolutas de grande parte dos eleitores confirma-se: 34% acham que o desempenho do governo PS teria sido pior com uma maioria absoluta, 40% igual, apenas 9% melhor (2).
May 10, 2019 10 tweets 2 min read
Enferrujado, já não olho para estas coisas há mto tempo, mas vejamos: a aproximação mais simples à % de votos que um partido tem de ter para eleger um deputado é dada por Lijphart (1984): T= 75%/(M + 1), em que M é nº de assentos. Nestas europeias, t=75%/(21+1)=3,4% (1). Mas podemos ser mais específicos. O limiar de exclusão (% acima da qual um partido não deixa de eleger 1 deputado) é dado (para D'Hondt) por Te=100%/(M+1). No nosso caso, Te=100%/(21+1)= 4,5% (2). Taagepera (1998): sciencedirect.com/science/articl…