Renzo Carvalho. Profile picture
🗡 “Bi omodé da ilè, ki o má se dá Ògún!”🔥 Ọmọ-alade ti Irê/Humaitá 021 CPII - Nikity
19 Feb
Já pararam para pensar da onde que vem o termo "Aruanda"?

Para nós, um mundo superior, onde se encanta a vida, onde a morte é um artifício e de onde vêm nossos ancestrais.

Mas, o que significa? Da onde que vem? Por quê "Aruanda"?
Cara, falar sobre mundos astrais das religiões afro brasileiras é muito gostoso. Pois, na nossa visão, são universos que coexistem a todo momento e trocam fluxos existenciais que, mesmo contendo diferentes percepções, são lindamente decoradas pelos destrinchos de nossa fé.
Aruanda, Juremá, Intulá, Orun e etc.

Essas e antas outras denominações, variando-se a partir das plurais vertentes religiosas existentes em nossos rico território cultural, ilustram nosso imaginário como terras de paz, harmonia e moradia dos nossos antepassados.
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18 Feb
Hoje foi um dia meio estressante no trabalho. Cheguei em casa, tomei um banho e agora tô aqui relendo umas anotações, das quais eu queria compartilhar com vocês.

Sobre a Umbanda - óbvio - independente, aquela Umbanda que não tem um criador.

Vamo:
O vocábulo "Umbanda" aparece no livro Folktales Of Angola de 1894, como uma expressão Bantu descendente do dialeto quimbundo, que seria empregada em rituais de tradicionalidades centro africanas no que se dizia respeito ao famigerado curandeirismo.
Umbanda - M'banda - significaria "arte de curar".

O padre Antônio Miranda de Magalhães (do qual viveu muitos anos de sua vida em Angola), escreve em 1936 um livro chamado "Alma Negra" para contar suas vivências em terras angolanas.
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17 Feb
Vocês estão com pena do Nego Di? Pena eu sinto de Dona Maria e Janaína, que tiveram seu terreiro queimado em Caxias na mesma semana em que Nego Di, Karol Conká e cia esbanjaram intolerância religiosa em rede nacional.
Pena eu tenho de Carla Diaz e de todas as outras mulheres que já foram vítimas de homens que gostam de "tocar a flauta", compartilhando desses pensamentos de estirpe criminosa, esdrúxula que mata e tem matado.
Pena eu tenho do Arlindo Cruz e de sua família, dos quais lutam cotidianamente pela vida, comemoram quaisquer evolução que seja (afinal, é uma vitória) e tem todo seu sentimento debochado, ironizado e ultrajado por piadas de muito mau gosto.
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4 Feb
Não tem nada mais encantador do que uma Pombogira manifestada no chão de um terreiro.

Vocês nunca pararam pra pensar que há algumas décadas eram elas as "psicólogas dos pobres"? Isso é muito real. A Macumba era/é o subterfúgio daqueles que a sociedade insiste em esquecer.
O culto às pombogiras, exus, malandros e outras deidades repletas de encanto viveu e se estruturalizou nos becos e vielas dos guetos.

A macumba cresceu no cotidiano favelado.

Essa macumba que cresceu e nasceu nos morros, é a mesma que vocês hoje chutam nas ruas.
Pra mim, definitivamente, não há nada mais bonito e comum do que a palavra de uma entidade.

O culto aos ancestrais servem para definirem uma linha filosófica para com o nosso próprio eu interior.

A devoção que as ruas tem por Pombogira é inigualável.
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2 Feb
Juro que não entendo o porquê de afirmar que Iemanjá é preta, abala tanto a fé desse povo. Cara, calma! Ela não deixou de ser Iemanjá, ela só não é européia.
"Ah, mas qual o problema de olhar Iemanjá a partir da imagem popular dela?"

Então, camarada, a imagem popular de Iemanjá, a princípio, não era de uma mulher branca.

Segundo José Beniste, a imagem de gesso que hoje tanto conhecemos, foi inspirada num quadro desenhado pelo marido
da Dra. Dala Paes Leme (uma umbandista conhecida no Rio de Janeiro na década de 50), em sua homenagem.

Esse quadro (abaixo) faria menção à uma mulher de traços indígenas e de cor mestiça.
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2 Feb
Nos Candomblés e nas Umbandas da vida, Iemanjá é considerada a "mãe de todas as cabeças".

Isso sempre me intrigou, mas hoje eu tenho a resposta: é mãe de todas as cabeças, por ser louvada e lembrada por todo cidadão comum brasileiro.

Seja ele afro religioso, ou não.
A devoção do brasileiro por Iemanjá é uma das coisas mais lindas da nossa cultura popular. Ela é uma deidade que mexe, remexe e impacta em todas as classes sociais do nosso país.

Do rico, ao pobre. Do marinheiro, ao dono de iate.

Iemanjá é o amor em compartilhamento constante.
Não há um que não reconheça o nome da grande mãe dos rios e mares. Divindade que tem como sua maior força, a natureza. Não há um fragmento do corpo divino da mãe sereia, que não seja permeado pela imponência das águas que dão a vida.
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2 Feb
Hoje é dia 2 de fevereiro, dia de Iemanjá. Vamos falar das manifestações desse orixá em África e no Brasil?

A palavra Iemanjá vem do aportuguesamento da expressão "Yemoja", que significa "a mãe cujo filhos são peixes".

Ela um orixá primordial na criação do Aiyê (terra).
O culto de Iemanjá data-se de eras muito antigas, bem antigas mesmo. Sendo tratada em terras yorubás como uma das filhas de Olokun (orixá dos oceanos), as vezes é citada por muitos sendo tão antiga quanto as águas doces.

Sim, águas doces. Ela é um orixá oluweri.
Iemanjá - diferentemente do que estamos habituados em terras brasileiras - é cultuada em África como uma divindade do rio.

A sua saudação usada em nossos terreiros - Odo (rio) Iya (mãe) - nos remete a esse fato.

Seu culto é realizado na cidade de Abeokuta, na Nigeria.
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20 Jan
Não há nada mais OXÓSSI, do que compartilhar. Oxóssi é o compartilhamento por excelência, o suprassumo do bem estar comunitário. Quando Oxóssi se põe a caçar, é na eminência de dar ao seu povo a comunhão do alimento, o significado sacral de cada grão que se é consumido.
Para Oxóssi não existe o egoísmo. Afinal, se a mesa é farta, muitos comem abundantemente. Se a mesa estiver escassa, muitos comem da mesma forma. Não existe o egoísmo na caça feita pelo grande odé.

Ou todos consomem, ou ninguém se farta sozinho.
Orixá Oxóssi, que ao ver seus devotos sendo trancafiados e arrancados do seio de sua comunidade e trazidos para o Novo Mundo, hoje se apresenta para nós em diferentes redutos e estágios da nossa contemporaneidade.
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20 Jan
Hoje, dia 20 de janeiro, é dia de São Sebastião, que está estreitamente ligado com o orixá Oxóssi e os espíritos da caça no sincretismo afro cristão.

Os convido para falarmos um pouco sobre Oxóssi, o orixá Yorubá, e sobre São Sebastião, o mártir francês.

(Continua)...
São Sebastião foi um soldado do exército romano durante os anos de 280 e 290, sendo um dos mais notórios entre os componentes das religiões romanas ainda pagãs. Sua história conta que, nascido na cidade de Narbonne, em França, mudou-se para Roma ainda novo.
São Sebastião era um cristão daqueles fervorosos, um dos poucos que ousavam assumir a fé cristã em meio a tempos de repressão romana. Contudo, o que aconteceu com São Sebastião nunca se fora visto antes dentro das extensões de terra da Grande Roma;
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20 Jan
@IzaVitria9

Hoje depois de sair do trabalho, eu liguei pra ela. Conversamos, brincamos, nos implicamos. Acabou que eu dormi, pois estava muito cansado.

Acordei com mensagens dela dizendo que estava triste, e que, de alguma forma, eu tinha a alegrado o dia.
O motivo de sua tristeza, é, com certeza, um dos motivos que ainda assola grande parte das mulheres e meninas negras desse país.

Sua tristeza era em relação à sua dificuldade de auto aceitação visual, no que se diz respeito ao seu próprio cabelo.
Sobre receber críticas em casa, por pessoas na rua, entre colegas e etc.

Convenhamos, se é difícil pra mim, imagino como não seja pra uma mulher negra, que, infelizmente, são as maiores vítimas do racismo estrutural dentro da nossa sociedade.
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20 Jan
João do Rio, ao escrever em 1904 o livro "Religiões do Rio", relata um culto que o mesmo chama de "Macumba Carioca".

Para João do Rio, os trabalhos feitos dentro da Macumba Carioca eram voltados para o mal, como trabalhos de aborto, amarração, sacralizações animais e etc.
João do Rio escreve que diferentes orixás e entidades se manifestavam ao mesmo tempo durante uma "reunião" da Macumba.

Sejam eles exus, caboclos, pretos velhos e etc.

João do Rio deixa, nas entrelinhas, a entender o quão "desorganizada" é um ritual da Macumba.
A partir dos anos 2000, onde cada vez mais estudiosos passaram a escrever sobre a Umbanda antes de 1908, o livro do João do Rio foi resgatado e usado de duas formas:

1° Para legitimar o que chamavam de Macumba Carioca, ou "Umbanda de Chão", precursora do culto umbandista.
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17 Jan
Pasmem! Hoje o céu rasga-se retumbante, em raios de luz; incandescentes, felizes e vitoriosos. É Oxumarê que traz a vida por meio do arco-íris, fazendo a ligação Orun-Aye. Xangô, kao, é misericordioso. Ele tem horror a morte.
noticias.r7.com/saude/com-vaci…
E hoje a espanta com seu machado forjado de axé.

Exu vem na frente, laroyê. É de Bara tudo que é feito a minha matéria. Sou pertencente a centelha do grande mensageiro. Que, hoje, traz a mensagem mais importante. Mojuba! Tempos bons estão a entrar.
Ogun novamente está a empunhar sua espada, seu facão. Ele respeita o silêncio de Obaluaê (atotô), mas Ogun pede aclamações. Pois quando o grande Onirê volta de uma guerra, ele pede por homenagens. Toque avamunha!
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16 Jan
Vocês conhecem a Jurema Sagrada? Bom, se conhecem ou não seus preceitos e mistérios, eu não sei. Contudo, tenho certeza de que já escutaram falar sobre essa religião que dá nome a uma cabocla muito conhecida para os afro religiosos.

Salve os mestres!
Começo aqui desmentindo uma afirmação extremamente leviana e infundada, da qual afirma que a Jurema seria a primeira religião do Brasil. Bom, isso não procede.

Na verdade, é fato que o culto da Jurema já existia em terras brasileiras antes mesmo da chegada dos portugueses.
O culto da Jurema é natural das extensões de terra que hoje conhecemos como Paraíba e Pernambuco. Era praticada, a princípio, pelas comunidades indígenas denominadas como cariris e potiguares.

Os cariris eram residentes, majoritariamente, do agreste e do sertão pernambucano.
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14 Jan
Segundo Bandeira e Batstone, o termo Umbanda descende de terras angolanas, e tem como significado "a arte da cura tradicional".

O termo Umbanda, diferentemente do que muitos dizem, já existia como bandeira religiosa antes de 1908.

Era usado em rituais espirituais bantus.
Enquanto Umbanda é definitivamente a arte de curar, Kimbanda, do quimbundo, é aquele que exerce a cura.

Logo, não há como desvincular um termo do outro.

A Umbanda é a prática, o Kimbanda é quem o pratica.
Todos termos utilizados em rituais de religiosidades bantus, e não me limito apenas a Angola e Congo, afinal, ambos os termos estão presentes em outros países da África Central, como por exemplo em Guiné.
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12 Jan
Gente, tô estudando sobre a diáspora africana em terras haitianas.

Mais especificamente, estou estudando sobre as faces de Ogum por lá, rsrs.

Já adianto que Ogum lá também é sincretizado com São Jorge. Tem também certa influência na revolução haitiana.

Muito foda.
Ogum no Haiti, dentro do voodoo, é um Ioá.

Bom, na verdade, o culto a Ogum no voodoo tem muita influência fon. Afinal, o território haitiano foi controlado pelos franceses, que por sua vez compravam muitos escravos da costa ocidental africana. Africanos do Reino do Dahomé.
Reino do Dahomé esse que foi colonizado de forma arrebatadora e extremamente cruel pelos franceses no ano de 1904.

Enfim, os fons influenciam muito as crenças afro latinas. Já falei sobre isso aqui, vou deixar uma thread que fiz.
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12 Jan
Eu já falei isso aqui, mas faço questão de repetir que a macumba é uma sociedade alternativa, com conceitos civilizatórios milenares e filosofias ancestrais um tanto que recorrentes.

Na Macumba você aprende a viver. Aprende a como morrer digno.
Na Macumba você exerce um papel de resgate e comunhão com tudo aquilo que um dia tiraram de nós. Conhecemos pessoas, nos relacionamos e conseguimos conciliar os ensinamentos seculares com nossas experiências cotidianas.
A partir do momento em que vivi a macumba, eu conheci grandes cambas, conheci semirombas que me vanglorio disso, conheci akins, me retornei a Benguela e convivi com a transição do meu povo.

Meu resgate e meu caráter político étnico racial, foi construído por minha religiosidade.
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9 Dec 20
Eu realmente tenho pena (não no sentido de superioridade, mas de pena mesmo) das pessoas que pensam em Oxum como uma mulher boba e vaidosa, que vive a se olhar em seu espelho para se admirar.

Gente, o espelho da Oxum é a arma mais fatal que existe:
Conta um itan que Oxum aprendeu com as Iyami Oxorongá a como controlar o sagrado feminino e seus feitiços. Assim, além de ter seu poder de persuasão e boa comunicação por natureza, Oxum se tornou também uma exímia feiticeira.
O abebê que para alguns é um leque (e tem até um Itan sobre isso), é conhecido popularmente como o "espelho da Oxum".

Oxum não fica de frente pro abebê a se mirar, muito pelo contrário, com o espelho ela derrota seus inimigos sem nem sequer olha-los nos olhos.
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9 Dec 20
THREAD SOBRE OXUM PARA TODOS AQUELES QUE NÃO SÃO DA RELIGIÃO.

VAMOS DESCONSTRUIR O QUE ESTÁ EM TORNO DESSE ORIXÁ TÃO LINDO, E MOSTRAR SUAS PARTICULARIDADES.
Começo pedindo pra que dêem rt, e assim chegue ao máximo de pessoas possíveis. Ou mandem para aquele amigo evangélico, ateu, ou aquele que é interessado e não sabe por onde começar. Enfim, comecemos:
Pra falar sobre afro religiosidade, precisamos entender que vivemos e coexistimos com 2 realidades diferentes ao mesmo tempo.

Elas são: as religiões afro BRASILEIRAS
E a Religião Tradicional, que é praticada na África.
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8 Dec 20
Hoje, dia 8 de dezembro, é dia da Oxum. O Emicida, macumbeirinho que nem a gente, hoje lança um documentário que mostra a vivência e a luta de pessoas pretas, com a cor dourada que representa o ouro da Oxum.

Falamos de representatividade. Falamos de Emicida.
#EmicidaAmarEloDOC
Ele cita Exu, cita o axé, cita a negritude em suas falas.

O mesmo fala que hoje luta por coisas das quais não começaram com ele. Por isso ele cita o oriki de exu "Esú matou um pássaro ontem, com uma pedra que arremessou hoje".
Porque pode passar-se anos, mas se o pássaro da desigualdade ainda voar nos nossos céus pretos, independentemente de quando for, temos que lutar pra que ele caia.

Emicida age como Exu, tendo o discernimento de derrubar preconceitos do ontem, com a capacidade de hoje.
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8 Dec 20
O resgate da ancestralidade negra precisa, com certeza, passar por Oxum. Por isso eu peço para todos aqueles que se engajam pela causa afro, que venham conhecer Oxum.

Ela não é Nossa Senhora, porque é mãe preta dos peitos de fora e da cintura saliente.
Não é atoa que a Beyoncé ao resgatar suas raízes negras em seu novo álbum, exalta Oxum e a sua energia.

É essencial lembrar desse orixá, pois é o princípio de uma comunidade preta.
Quer falar de feminismo? Fale de Oxum. Lembrem-se que os pretos já exaltavam a figura feminina e todo seu empoderamento dentro da sociedade Yorubá.
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8 Dec 20
Difícil definir orixá Oxum sem os mais belos elogios. Ela é a Iyalodê (título dado a uma mulher de forte influência dentro de uma comunidade Yorubá; reino/cidade).

Oxum é rainha do reino de Ijexá, senhora da maternidade entre os yorubás. É o tesouro feminino que reluz em ouro!
Impossível negar a maternidade da Oxum. Entre os nagôs, para ela é ofertada os mais diversos obis em troca da fertilidade, da boa fecundação e da abundância familiar no que se diz respeito a continuidade.
Afinal, para as famílias yorubás, a ancestralidade não define só e somente tudo aquilo que um dia foi, mas sim aquilo que também virá. Por isso, uma família farta de descendentes, é indício de que sua ancestralidade nunca irá se perder. E é aí que entra a importância da Oxum!
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