Ayub | Internet propriamente dita Profile picture
Me chamo Ayub e eu faço a Internet funcionar interligando cidades e países. Mantenho um canal YouTube sobre a Internet, sou professor e Diretor de Tecnologia.
Jun 11 10 tweets 6 min read
Confirmo que há todos os indícios típicos de bloqueio nacional determinado pela Anatel no dia de hoje para api.github.com. Nas quartas-feiras, geralmente em dias de jogos de futebol, a agência de reúne com as maiores operadoras do país e determina o bloqueio de endereços utilizados pelos TV boxes. A lista de endereços bloqueados é mantido em sigilo pela agência, algo que tenho criticado em artigos, entrevistas e palestras.

Os indícios são:

1) O fato de ocorrer numa quarta-feira e pelo relato desse internauta que me acionou, ontem o problema não ocorria.

2) O fato do IP 4.228.31.149 para qual aponta o FQDN api.github.com estar bloqueado somente na Claro, Vivo, Nio, Algar e TIM e *NÃO* em ISPs regionais conforme posso testar com o comando globalping.

3) O fato de outros endereços IP contidos no mesmo bloco /24 serem normalmente alcançáveis, o que exclui problemas de roteamento já que todos os IPs entre 4.228.31.1 e 4.228.31.255 necessariamente pertencem a mesma rota (vide exemplo 4.228.31.3).

Recomendo que os afetados entrem em contato com seus provedores mostrando evidências coletadas a partir de sua casa ou empresa e exijam uma resposta do porquê não havia rota para 4.228.31.149 na noite de 10/06/26 enquanto para 4.228.31.3 há.

Nesse thread a seguir, colocarei algumas informações úteis sobre o problema.Image
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Por que os provedores de internet não confirmam quando perguntado aos usuários que uma autoridade brasileira determinou o bloqueio em um endereço?
Jun 1 5 tweets 3 min read
A plataforma de streaming do governo federal, o TelaBrasil, utiliza para entrega dos vídeos a CDN da Amazon. Isso gera um custo ao governo por cada minuto assistido por cada espectador.

Considerando um longa-metragem de 1h30min de duração e 5,4 GB de tamanho de arquivo, cada exibição dele custaria ao Tela Brasil cerca de 0,46 dólares em taxas da nuvem da Amazon, R$2,31 na cotação de hoje.

Existem alternativas mais baratas que não envolvem a nuvem da Amazon e possuem custo fixo baseado na quantidade de espectadores simultâneos, não nesse taxímetro em que se paga por cada minuto de vídeo assistido.

Procurei e não achei licitação pública da compra desse serviço. Se alguém conhecer e me mandar, eu ficaria agradecido.

Também é curiosa a escolha por um fornecedor dos EUA em detrimento das brasileiras GoCache, CDN Star, Azion e até a própria Globo, especializadas no fornecimento do mesmo serviço.Image É sim possível alugar a rede de servidores utilizados pela Globo, SBT, Record e RedeTV para transmitir vídeos de sua própria plataforma. Essa frota, chamada de CDN (Content Delivery Network) está disponível para aluguel:

globotechnologies.globo
simbacdn.com.br

São CDNs que jogos de futebol, BBB e A Fazenda provaram que aguenta o tranco. Então não há o que se falar de falta de capacidade técnica. A escolha da Amazon carece de uma boa explicação.
May 29 5 tweets 3 min read
Estou assistindo presencialmente no #fib16 o painel "Governança Digital no Brasil: o papel do Congresso na regulação da IA, dados e plataformas". Você pode assistir remotamente e fazer perguntas aqui: youtube.com/live/SBNNw9R7W… O programa do painel é a biografia dos painelistas você encontra aqui: fib.cgi.br/pt/agenda/4430
May 28 5 tweets 3 min read
Estou no #fib16 assistindo presencialmente o painel "ECA Digital e plataformas digitais: desafios e boas práticas" e você pode assistir remotamente e fazer perguntas ao representante da ANPD no painel aqui: youtube.com/live/9sxPkKYCg… Mais detalhes sobre o escopo do painel e a biografia dos painelistas aqui: fib.cgi.br/pt/agenda/4429
May 25 5 tweets 3 min read
O PL 3066/2025 aprovado semana passada na Câmara e encaminhado para o Senado prevê prisão para quem desenvolver ou fornecer serviço de VPN. Não foi falta de aviso meu. Image Fonte: camara.leg.br/proposicoesWeb…
May 23 4 tweets 2 min read
Irã está há 13 semanas fora da Internet, conectado apenas a Splinternet, a rede em que somente endereços IP aprovados pelo governo funcionam.

Vi nessa madrugada um vídeo de um brasileiro defendendo a medida pois, de acordo com ele, essa é a única forma do povo do Irã se proteger de influências estrangeiras que querem desestabilizar o regime.

Tais influências provocariam uma troca do poder de uma forma "diferente da que o povo iraniano deseja", logo, tem que ser impedida.

O fascinante é que essa entrevista em que ele pode falar essa asneira foi gravada apenas para a Internet. Eu só conheço esse argumento estúpido dele graças a Internet e sem ela no Irã, os iranianos não ouvirão ele supostamente defendê-los.

Discursos anti-Internet pela Internet me fascinam. O plano de diversos governos como o do Irã de desconectar o país da Internet para substituí-la por uma rede nacional em que somente endereços aprovados pelo governo funcionam você pode ler mais aqui: tecmundo.com.br/seguranca/4070…

O Brasil tem se preparado administrativamente e juridicamente para isso. A Lei Felca, por exemplo, em seu artigo 40 determina que sites, apps e serviços online só possam ser acessíveis se tiverem um representante legal (na prática, um CNPJ) no Brasil.

Isso possibilita ao poder executivo através da ANPD, sem ordem judicial, sem defesa dos advogados, sem prazo, bloquear quase qualquer site, app ou serviço da Internet brasileira se aproximando do modelo iraniano.

Foi exatamente essa mesmíssima medida que resultou na tomada popular do poder no Nepal onde os nepaleses incendiaram o congresso nacional e casas de políticos proeminentes.
Apr 16 13 tweets 5 min read
Estou há 3 anos alertando que autoridades brasileiras estão fazendo bloqueios sigilosos de milhares de endereços na Internet que resultam no bloqueio colateral de milhões de endereços. Escrevi artigos, dei entrevistas, aderi a um grupo de pesquisa de uma universidade como voluntário, apresentei em congresso resultados da pesquisa sobre os bloqueios.

No meu tempo livre e pagando do meu próprio bolso consegui chegar aqui hoje. Tive uma ótima e extensa reunião na Anatel sobre tais bloqueios. Já conheciam boa parte das minhas críticas pelos meus vídeos e artigos e já tinham preparado respostas a elas. Fui muito bem recebido na agência.

Nem todas as minhas demandas foram atendidas, mas nas poucas que foram consegui trazer para a comunidade técnica alguns avanços importantes.

Existem entidades que defendem as grandes operadoras, outras que defendem as big techs, outras que representam governos nesse setor.

E quem defende os interesses do internauta? Precisamos patrocinar pesquisadores, advogados, comunicadores para que de forma organizada sejam a resistência das ofensivas dos governos e das empresas contra a Internet propriamente dita. Se por conta própria cheguei aqui, imagine quantos outros técnicos teriam chegado se apoiados de forma organizada e financiada.

Não conseguirei ser voluntário por muito mais tempo nessa pauta. Preciso dividir esse fardo ou passar o bastão adiante.

Sem resistência, a Internet será transformada em redes menores nacionais fragmentadas chamadas Splinternet, sem acesso a todo o conteúdo, sem privacidade, sem liberdade de expressão.

Internautas, uni-vos!Image Saio daqui hoje com meu espírito cívico massageado. Há sim espaço para o cidadão fiscalizar e propor mudanças a atuação do poder público. Precisamos fazer mais disso na defesa da Internet propriamente dita.
Mar 26 5 tweets 4 min read
Tenho denunciado desde 2023 a implantação de um aparelho tecnológico de bloqueio em massa de endereços na Internet brasileira. A maior parte desses bloqueios são feitos de forma sigilosa por nossas autoridades, sem transparência, sem que você brasileiro saiba o que foi bloqueado e o porquê.

Esse aparelho construído para combater a pirataria será o mesmo utilizado para bloquear conteúdos identificados pela ANPD como violadores da Lei Felca caso essa agência decida aplicar a punição do bloqueio nacional previsto nessa lei.

Ano passado em congresso apresentei um estudo que mostra a quantidade de bloqueios colaterais. A autoridade mira num alvo, mas ao pedir o seu bloqueio, acaba bloqueando também outros endereços hospedados no mesmo servidor, no mesmo endereço IP.

O número impressiona: em nosso estudo identificamos potencialmente bloqueados na Internet brasileira cerca de 250 milhões de endereços diferente (FQDNs).

Existem 3 locais possíveis para se bloquear um conteúdo: na origem que hospeda ela, na rede que conecta as duas pontas, no destino que requisita esse conteúdo (que é a Lei Felca faz ao incluir sistemas operacionais e loja de apps na lei).

O pior lugar para bloqueá-lo é na rede propriamente dita, pois as duas pontas se movem para evadir o bloqueio. O bloqueio colateral fica para sempre, e o efeito principal desejado é incipiente. Justamente esse pior método é o preferido pelas autoridades brasileiras.

O argumento das autoridades é que não resta a elas outra forma de combater crimes online. Que são conteúdos hospedados fora do Brasil, fora do alcance jurisdicional delas. Portanto, não resta outra alternativa que não bloquear conteúdo na rede nacionalmente. Será?

Ontem apresentei uma atualização desse estudo em que mostro que 85% dos endereços bloqueados por ordem de autoridades brasileiras estão hospedados em território brasileiro, ao alcance de forças policiais e do poder judiciário.

Esse número era desconhecido pelas autoridades? Tive que eu, um voluntário, fazer esse estudo, apresentar em congresso um indicador da atuação sigilosa de nossas autoridades?

Como se justifica todo esse aparelho tecnológico para bloqueio em massa de endereços na Internet brasileira antes mesmo de uma busca e apreensão, de diligências que poderiam cessar o crime com máxima eficácia e pouquíssimo efeito colateral?

A quem interessa a continuidade do uso desse aparelho de bloqueio nacional de conteúdos na Internet de forma sigilosa, sem auditoria, sem prestação de contas ao cidadão?

A minha segunda palestra com a apresentação desses indicadores você pode assistir aqui: youtu.be/bO_oUjersHI?si… A primeira etapa do estudo, em que falamos com mais detalhes sobre os bloqueios em si e seu impacto colateral, você pode assistir na íntegra aqui:
Mar 15 6 tweets 4 min read
"Ain, que alarmismo, as autoridades jamais bloqueariam o Linux nacionalmente mesmo que a lei permita."

É lamentável ver linuxers se empenhando em defender publicamente leis contra o Linux. Viramos a casaca como país: de um que tinha o software livre como política pública no governo Lula 1 para um que agora, sem verificação de idade, sem CNPJ no Brasil, distribuições Linux só poderão ser baixadas por um ato de boa vontade de uma agência reguladora e que pode mudar de decisão a qualquer momento.

Artigos apologistas da Lei Felca são propaganda contra a nossa comunidade e contra o básico da democracia.

Crer que autoridades farão um uso ponderado dessa lei que dá a eles o poder de proibir e bloquear o Linux nacionalmente é só um desejo, um exercício otimista de imaginação.

Não é o mesmo conjunto de valores na cabeça das autoridades. Enquanto conversamos por aqui, temos um jornalista no Maranhão sendo investigado porque fez seu exercício mais legítimo da profissão: viu uma improbidade administrativa e fez uma denúncia. Como resultado, ele sofreu busca e apreensão de todos seus materiais de trabalho e passou a ser investigado pela Polícia Federal.

As leis que possibilitam a liberdade de imprensa foram suficiente para proteger esse jornalista? Não. Se o exercício do jornalismo é assegurado de forma forte e objetiva por lei e esse maranhense não está conseguindo fazê-lo, porque seu direito de usar Linux de forma fraca e subjetiva na lei prevaleceria?

Você já viu o tamanho da constituição brasileira? Já viu o tamanho do código penal? Do código civil? Do código ambiental? Já viram quantas milhares de páginas essas leis têm?

Você sabia que para 31 espécies de peixe, nossa legislação define o tamanho mínimo em centímetros que o peixe tem que ter para ser permitida a pesca?

É um esforço que fazemos como sociedade para que a lei seja o mais específica o possível e menos discricionária o possível.

A Lei Felca que alguns linuxers estão defendendo põe a existência de sistemas operacionais abertos no Brasil como discricionária do poder executivo. Um capricho, um ato de boa vontade deles.

Leis precisam ser muito específicas para impedir injustiça, ambiguidade e abuso de poder. Analista da ANPD não é seu parente, não é seu amigo, não é um linuxer como você.

Se a lei exige do software livre regras tecnologicamente inexequíveis, impossíveis de se cumprir, o esforço da nossa comunidade tem que ser pela correção da lei para que ela tenha conexão com a realidade. Não essa operação panos quentes divulgando a ideia de que "relaxa, nada vai acontecer. Se tentarem, não vão nem conseguir".

Quando as big techs começaram a fazer o fichamento e rastreio em massa de internautas, o software livre se tornou a melhor resposta para preservação de direitos e de privacidade.

De onde veio a dissonância cognitiva dessa comunidade em defender que o estado possa fazer uma vigilância mais profunda que as próprias big techs? Como raios pode um defensor da GPL 3.0, dos direitos de executar e modificar e executar o software onde quiser querer agora reduzir essas liberdades para a humanidade?

O poder executivo poder decidir por critérios próprios e subjetivos qual sistema operacional de código aberto poderemos usar enquanto todos nós somos obrigados a apresentar documento com foto e biometria para poder utilizar um OS é uma inversão de valores: é por o governo para agir com privacidade enquanto nos forçam como cidadãos a agir com transparência

Existem dois alvos possíveis para críticas sobre o tema: a Lei Felca e os linuxers que estão apontando as falhas dela. Aqueles que escolheram o segundo precisam ser enxergados como detratores do software livre e do ecossistema Linux.

Precisamos de ajuda para descruzar essas linhas em nosso contrato social.Image "Ain, que alarmismo, as autoridades jamais bloqueariam o WhatsApp que é essencial para muitas empresas!"

Somente entre 2015 e 2016 ele foi bloqueado nacionalmente 4 vezes e o Telegram duas vezes em 2022 e 2023.
Feb 18 4 tweets 2 min read
Tribunal espanhol determina que serviços de VPN, como ProtonVPN e NordVPN sejam obrigados a bloquear em suas redes o acesso a endereços IP que estejam fazendo pirataria de conteúdo de futebol. A lista de IPs será selecionada pela LaLiga, entidade análoga à brasileira CBF. Na ausência de cooperação, o esperado é que os serviços de VPN passem a ser nacionalmente bloqueados como um todo. 20minutos.es/deportes/futbo… Por aqui no Brasil, Anatel defende projeto de lei que a dê poderes para fiscalizar VPNs, CDNs e DNS para impedir a burla de bloqueio a sites proibidos no Brasil como as bets e IPTV pirata. teletime.com.br/10/12/2025/ana…
Dec 31, 2025 8 tweets 4 min read
Sabe da anedota do corno que encontra o Ricardão com a esposa no sofá e a única providência que toma é atear fogo no sofá como vingança?

Milhões de brasileiros usam TV box pirata. Supostamente, ou a operadora Claro ou a Anatel ou ambas exploraram uma vulnerabilidade do aparelho para que o software dele fosse modificado para uma versão corrompida, tornando o hardware inutilizável. Nenhuma fonte oficial se manifestou sobre o assunto. A autoria desse ciberataque é apenas uma suposição.

Qual é a reação do brasileiro médio? Ficar irado com a Claro e com a Anatel. E quanto ao fabricante do TV box? Ainda tratam como querido. Estão inundando fóruns tentando recuperar o aparelho.

Apesar de especialistas brasileiros e estrangeiros falarem em uníssono que esses dispositivos são maliciosos e prejudicam a privacidade, performance da navegação e cibersegurança de seus usuários, muitos desdenham desses alertas apontando como falsa ameaças. Que seria uma conspiração dos canais de TV por assinatura, Anatel e operadoras para enganar o consumidor falando de riscos que não existem.

O novo lixo eletrônico na casa das pessoas que esses TV boxes se tornaram, são uma prova de que essas alegações sempre foram verdadeiras.

Seja a Claro, seja Anatel, seja qualquer agente desconhecido foi capaz de modificar em massa o software desses aparelhos por uma vulnerabilidade. Outras pessoas já o fizeram e certamente o farão para as atividades cibercriminosas que lesam diretamente o usuário dessas caixinhas.

Dessas destaco duas a seguir. Siga o fio: 🧶Image Esses aparelhos são utilizados para gerar ataques DDoS. Os cibercriminosos alugam a terceiros a frota dessas caixinhas e elas geram tráfego falso para congestionar sites e derrubar conexões. Qual a consequência disso para o usuário?
Oct 18, 2025 6 tweets 3 min read
A Anatel está correta em apontar que desastres naturais, blecautes e guerras podem ter um impacto maior na Internet brasileira enquanto nossos data centers estiverem concentrados nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro e Fortaleza. O que falta a agência é se dar conta que a maior ameaça a operação da Internet é o poder público, não esses casos de força maior.

Belcaustes e desastres naturais tem impacto curto e remediável, enquanto governos pelo mundo bloqueiam parcialmente ou totalmente a Internet de forma autoritária. Mesmo na guerra da Ucrânia a Internet não tem sido prolongadamente interrompida, mas autoridades nacionais pelo mundo tem bloqueado grandes partes da Internet ou ela como um todo em países inteiros.

No Brasil não temos terremotos, mas temos a Anatel. A agência é autora e promotora de decisões, portarias, projetos de lei e outras medidas que prejudicam a operação da rede no. O controle da Internet no Brasil está sendo estatizado de forma que a agência deixará ser fiscalizadora do setor privado que opera a rede e passará a ser a operadora da Internet propriamente dita através de mudanças como o fim da Norma 4.

Outras medidas promovidas pela Anatel encarecem a Internet e concentram mercado nas grandes operadoras, como a pró-atividade da agência em trazer para o Brasil o modelo de pedágio da Internet, onde as operadoras que atuam no Brasil cobram pedágio das empresas estrangeiras para poder enviar dados via Internet aos brasileiros. A agência quer permitir que vendam o acesso a você, internauta, como um produto, muito embora você já pague pelo seu acesso à rede mensalmente.

Nesse thread (fio) explicarei como a Anatel tem ameaçado a Internet no vídeo a seguir e na sequência um artigo sobre como governos interrompem mais a comunicação via Internet do que guerras ou desastres naturais.Image Nesse congresso organizado pelo NICbr pedi o microfone para fazer um restrospecto de algumas medidas da Anatel que prejudicam a Internet propriamente dita.
Jul 2, 2025 4 tweets 2 min read
Esse roubo estimado em R$3 bilhões das reservas dos bancos no BC é mais um efeito colateral de como instituições financeiras brasileiras tratam pesquisadores brasileiros de cibersegurança como bandidos. Investiguei vazamento de dados e senhas do Banco Inter, fiquei de posse da chave SSL privada do banco por 2 semanas podendo ler todas as transações e adulterá-las. Anunciei a descoberta publicamente pelas redes sociais com total transparência e o que o banco fez? Me ligou para ameaçar acabar com minha vida youtube.com/watch?v=74L-zy…

Não foi um caso isolado, o Banrisul também fez algo em menor grau comigo quando descobri uma vulnerabilidade na home deles e telefonei para a matriz do banco num domingo para avisá-los. Me puseram numa audioconferência com todo alto escalão do banco e começaram em ameaçar pelo telefone.

Ao tratar quem pode e quer ajudar como bandido, instituições financeiras ficam sem amigos, sem parceiros, e à mercê dos criminosos como nos três casos citados. Estão colhendo o que plantaram. Aos que estão me perguntando do porquê do número de 3 e não R$ 1 bi, essa colunista da UOL diz que já existem estimativas que falam em 3: economia.uol.com.br/colunas/marian…
Jun 27, 2025 4 tweets 8 min read
Quer saber o que estão fazendo com nossa internet? Me acompanhe nesse raciocínio. Se entrarmos numa cozinha e encontrarmos ovos, farinha de trigo, manteiga, cenoura, calda de chocolate, é seguro deduzir que alguém fará um bolo de cenoura. Agora observemos alguns dos ingredientes recentes diante da internet brasileira:

1) STF envia ordens judiciais para que rede social X bloqueie contas de usuários específicos, mas sem dizer a eles que foi por determinação da justiça. Para que mentisse na mensagem de banimento alegando que foi por uma decisão unilateral do X. A rede social vaza as decisões, publica um dossiê e sai do país temendo que seus executivos sejam presos. x.com/AlexandreFiles

2) STF determina multa de R$150 mil para quem usasse a rede social X durante a proibição nacional de uso dessa rede social. Além da multa ser desproporcional (dirigir bêbado é só R$3k), é ilegal uma ordem judicial prever punição para quem não é réu no processo. Até a OAB apontou essa ilegalidade. g1.globo.com/politica/polit…

3) STF já determinou que Apple e Google removessem da loja de aplicativos todos os apps que pudessem ser usados para uso de VPN de todos os aparelhos usados no Brasil. youtu.be/onFOv7kq4Xg?t=…

4) STJ definiu que decisões de juízes brasileiros de remoção de conteúdo têm poder internacional. Que se decidem que algum conteúdo seja removido, que ele seja não apenas para brasileiros e sim para todos usuários de todos os países do mundo, mesmo que a empresa seja estrangeira, o servidor estrangeiro e o usuário estrangeiro. Nem a ONU clama para si tal poder. stj.jus.br/sites/portalp/…

5) No PL 2630/20 a Anatel se ofereceu para atuar como um Ministério da Verdade, lendo conteúdo e julgando o que é verdade ou mentira e se classificado como mentira, remover a postagem. O corpo técnico da agência é composto engenheiros em telecomunicações. camara.leg.br/noticias/10625…

6) STJ rasga Marco Civil da Internet e apesar da lei determinar que empresas de conteúdo tem que guardar no log a porta utilizada para possibilitar a identificação de usuários que cometem crimes, o tribunal manda o ISP se virar e identificar quem foi o autor de um crime mesmo sem essa evidência forense. Ou seja, mesmo sendo tecnicamente impossível, o juiz manda o ISP dar teus pulos e ai dele se descumprir. conjur.com.br/2025-mai-28/pr…

7) Anatel obtém acesso remoto a roteadores de borda e servidores de DNS para bloquear IPs e domínios por conta própria, mesmo que a decisão judicial no caso da Amazon que vimos acima ter mostrado que ela tem nenhum lastro legal para bloquear sites no Brasil. Esse mecanismo pode funcionar como um botão central de censura. telesintese.com.br/anatel-quer-fa…

8) De forma pró-ativa, a Anatel tem preparado uma política que ela chama de fair share, que em bom português é o pedágio da internet. Sob a falsa alegação que a internet brasileira está prestes a entrar num colapso, a agência age como uma corretora de valores ao criar uma taxa a ser cobrada das big techs para que elas possam enviar dados aos internautas brasileiros. Essa inovação foi tentada apenas na Coreia do Sul, onde a mensalidade da internet subiu, a qualidade dos vídeos da Netflix reduziu e Twitch encerrou operações no país por não conseguir arcar com o pedágio: mobiletime.com.br/noticias/12/02…

9) Anatel tenta bloquear nacionalmente a Amazon e MercadoLivre, mas foi impedida pelo judiciário por conta do artigo 19 do Marco Civil da Internet, que está sendo anulado em julgamento em curso no STF. Essa proteção cairá nos próximos dias e há chance da Anatel tentar de novo. tudocelular.com/mercado/notici…

10) Os endereços IP, os pontos de troca de tráfego (IX) e os domínios do Registro.br são controlados por uma entidade sem fins lucrativos chamado CGI.br, não pelo governo. Graças a eles, o Brasil tem o maior ponto de troca de tráfego DO MUNDO. O PL 4557/2024 pretende estatizar a operação da internet brasileira transferindo o controle dessa ONG para a Anatel, dando controle ao governo de toda essa infraestrutura: telesintese.com.br/projeto-propoe…

11) Os juízes que estão julgando a anulação desse artigo do Marco Civil dizem em audiência admirar a internet chinesa, que é famosa pelo Great Firewall of China, onde é nacionalmente bloqueado o X, Facebook, Instagram, WhatsApp, Snapchat, Pinterest, Reddit, Discord, LinkedIn, Tumblr, Google, YouTube, Netflix, HBO Max, Hulu, Twitch, Telegram, Signal, Google Meet, The New York Times, BBC, Reuters, Bloomberg, ChatGPT, Yahoo!, DuckDuckGo e até a Wikipédia. reddit.com/r/InternetBras…

12) Apesar da constituição determinar que censura prévia é ilegal no Brasil e o código penal vedar que pessoas que não sejam réus num processo sejam alvo de punições no julgamento dele (afinal, não tiveram defesa), STF continua determinando o bloqueio de perfis inteiros de réus e seus familiares nas redes sociais. O X está recorrendo pedindo que apenas os posts considerados ilegais sejam removidos em vez dos perfis inteiros (e todos os posts), como determina a constituição. g1.globo.com/politica/notic…

Então todos os ingredientes estão postos na mesa, muitos criados através de ilegalidades, não é irrazoável presumir que o bolo será sabor de censura e manipulação.

Será tentador para quem estiver com a caneta na mão, censurar conteúdos que incomodam seu projeto de poder, convicção (ou paixão) política, parceiros comerciais e cosmovisão.

Mesmo quem confia muito no governo atual deve temer pelo futuro da internet porque todo esse aparelho técnico e institucional montado, poderá ser usado por qualquer governo futuro.Image Fiz um panorama dos ataques da Anatel à internet brasileira nessa fala nesse congresso:
Jun 11, 2025 6 tweets 3 min read
Desde 2023 tenho alertado sobre a implantação dos primeiros elementos técnicos no Brasil de um Grande Firewall da China para censura sigilosa de conteúdos na Internet, sem transparência, sem prestação de contas. Nas falas do presidente da República e do ministro do STF, a admiração pela Internet chinesa tem se repetido.

Essa fala do ministro ocorreu durante o julgamento que anulará o artigo 19 do Marco Civil da Internet como se o judiciário tivesse o poder de legislar.

Essa lei válida nos últimos 11 anos foi a que impediu que a Anatel bloqueasse Amazon e MercadoLivre nacionalmente essa semana e com o término desse julgamento, não estará mais impedida.

Isso te parece bom para o Brasil e compatível com nossas leis? Cadê a resposta de nosso poder legislativo? Meus alertas começaram aqui.
Jun 8, 2025 4 tweets 1 min read
Lei que bate em Chico, também bate em Francisco. O mesmo artigo do Marco Civil da Internet que alguns pedem ao STF para rasgar foi utilizado pelo TRF 3 para impedir que Anatel bloqueasse nacionalmente a Amazon. Os fins não justificam os meios. tudocelular.com/mercado/notici… O que é mais uma evidência jurídica do que venho dizendo ao longo dessa semana em palestras que as ordens sigilosas de bloqueio de conteúdo na Internet por parte da Anatel são ilegais.
Apr 16, 2025 6 tweets 5 min read
Está com dificuldade de acessar serviços da Microsoft (Outlook, Hotmail) e se depara com a mensagem de erro "Too Many Requests"? Trago más notícias a você. Siga o fio: 🧶Image O erro ocorre quando o sistema de proteção da Microsoft detecta vindo de seu endereço IP muitas requisições num curto espaço de tempo. Mas como você sozinho de casa, pela primeira vez no dia pode ter feito requisições demais? É porque você não está sozinho, aos olhos da Microsoft.

Os produtos da empresa ainda dependem do obsoleto IPv4, a forma antiga de identificar conexões na internet. O padrão atual é o IPv6 e a maioria da internet brasileira já segue esse novo padrão.

Tivemos que trocar o padrão da internet por um problema parecido com o nono dígito do celular: faltavam números novos. Em 2020 o último bloco de IPv4 foi cedido a um provedor no Brasil e desde então, novas conexões não tem um número IPv4 para chamar de seu, apenas novos números IPv6.
youtube.com/shorts/gnT6Xyt…
Mar 30, 2025 14 tweets 6 min read
Internet balançou aí? Há alarme de incêndio num dos maiores e mais tradicionais data centers do país, o Equinix SP4. O tráfego do IX.br no local zerou e alguns serviços deverão ficar fora do ar. O mais afetado tem sido a Starlink, que tem sofrido apagão em diversas partes do país. Está aí uma prova de que digo que Starlink depende de fibra ótica e muita gente desacredita.Image Explico o porquê a Starlink depende de fibra ótica nesse corte. youtube.com/shorts/t0hess5…
Mar 17, 2025 7 tweets 3 min read
Narcoestado no Ceará cobra 60% de impostos dos provedores de internet para não metralharem carros e incendiarem lojas. Eles já possuem profissionais especializados capazes de auditar ERP, balanço fiscal e cabeamento no poste para deduzir o faturamento das empresas e tributá-las. Esse modelo não é exclusivo do CE. diariodonordeste.verdesmares.com.br/negocios/facco… Como a carga tributária do estado é de cerca de 35% e do narcoestado é de 60%, a cada R$100 pagos pela banda larga fixa (preço médio do serviço no país) pelos cearenses, R$35 ficam com o estado, R$65 ficam com o narcoestado e sobram apenas R$5 para o provedor tentar custear a operação, o que é abaixo do preço de custo.
Mar 12, 2025 15 tweets 8 min read
A pedido de vocês, li essa reportagem da Folha. Afinal, o que Moraes quer dizer com antenas e soberania nesse contexto? Siga esse fio que eu te explico: 🧵Image "Por enquanto nós conseguimos manter a nossa soberania. É uma questão de soberania nacional. E a nossa jurisdição. Porque as big techs necessitam das nossas antenas e dos nossos sistemas de telecomunicação. Por enquanto", afirmou o ministro.

Há uma parte precisa e outra imprecisa nessa fala. A imprecisa é uma confusão bem comum. Por conta do uso metafórico do termo nuvem, cloud em inglês, muitas pessoas associação o céu e o ar como o meio físico pelo qual se dá a internet, o que é incorreto.

A internet se dá quase integralmente por cabos submarinos, lançados nos leitos dos mares e interligando os países e no vídeo a seguir, te mostro onde eles chegam em Fortaleza, cidade que interliga nossa internet aos EUA, Caribe, Venezuela, Colômbia, Portugal e Angola.

O governo do Ceará encampou uma guerra de meses (já pacificada) contra as empresas de telecomunicações pois queria instalar na mesma praia onde chegam os cabos e ficam os data centers uma usina de dessalinização, que geraria um risco considerável para ruptura dos 17 cabos submarinos que chegam no local e provocando um apagão nos países que citei antes.

Isso de fato era uma ameaça a soberania. Uma decisão de uma administração estadual pôs em risco a internet e as telecomunicações do Brasil e demais países que dependem fortemente da cidade de Fortaleza.

Te mostro onde chegam esses cabos em Fortaleza e falo sobre o conflito nesse vídeo: youtube.com/watch?v=rGCz3L…
Feb 8, 2025 4 tweets 4 min read
Preciso de ajuda para continuar contratando pessoas em home office pois temo não ser mais possível fazê-lo. Há mais de 10 anos desenvolvi um método bem meu de recrutamento que envolve provas online respondidas assincronamente com consulta. Quem passa nas 3 etapas com pontuação alta eu chamo para entrevista por videoconferência. Só leio o currículo para me preparar para a entrevista pois nenhum dado presente ou ausente nele é eliminatório. Sequer exijo ensino superior para analistas de rede ou webdev.

Na medida em que meu atual empregador ganhou boa reputação no mercado e passou a ser um local desejado para se trabalhar, começaram as fraudes. Descobri que em grupos de profissionais que tinham tontos divulgando o gabarito de uma das provas.

No cinema biográfico, somente dois personagens conseguiram falsificar qualificação e trabalhar numa área que exige perícia (piloto de avião) sem matar ninguém: "Prenda-me se for capaz" (2002) e "Vips" (2010).

Não tem "vai que cola" em cargo muito técnico: rapidamente descobrirão que tu não sabe qual botão apertar, serás demitido por justa causa e ganharás uma má reputação no mercado.

Na crescente das fraudes, já fui enganado por um webdev. Descoberta a imperícia e sua qualificação bem abaixo da prometida e exigida pelo cargo, o demiti com 7 dias de empresa.

Tenho sinais que terei nova vaga para esse semestre, mas um novo obstáculo talvez torne obsoleto meu método de contratação: ChatGPT e a nova onda do IA.

Boa parte do que mensuro com maestria na minha prova online é capacidade de interpretação de texto e domínio da língua portuguesa na expressão escrita. Pessoas inaptas nas duas conseguem fraudar com facilidade esse tipo de teste com IA. Afinal, quem leu e respondeu foi a IA, não elas.

Quem chega na última etapa de entrevista e teste por videoconferência eu permito e estimulo usar IA, pois vendo a tela compartilhada consigo ver exatamente qual é contribuição do humano que vou contratar e diferencia-la da contribuição do software que já tenho. Na prova assíncrona online, não é possível essa diferenciação.

Ela ser online e assíncrona me trouxe excelentes profissionais. Cada um faz a seu tempo, podendo pensar melhor, pesquisar melhor, sem ter que faltar ao trabalho, sem a pressão de um cronômetro. Profissionais esses ultraqualificados e dos rincões do país.

Do meu time todo, apenas um mora numa capital. Quase todos vivem em cidades tão pequenas que nem restaurante de fast food tem. Podem trabalhar de casa, verem os filhos crescerem, terem um salário típico da TI em cidades que chegam a ter apenas 3 mil habitantes.

Se antes da nova onda da IA eu já tinha fraudes no processo seletivo, com a consolidação delas suspeito que a maioria das candidaturas de 2025 serão falsificadas.

Por uma porta giratória na empresa e ficar contratando e demitindo até encontrar a pessoa certa a la Tinder, além do custo e do tempo, exporia a propriedade intelectual da empresa (ex.: código-fonte) a um número grande de pessoas que sequer ficaram nela.

Se eu não encontrar uma solução antifraude nesse contexto que seja confiável e a um custo acessível, temo ter que fazer processos seletivos presenciais em São Paulo/SP, à moda antiga, cheio de pressão e sofrimento, tratando o candidato como suspeito e não como um querido. Deixaria muita gente talentosa de fora.

Acabaria tirando de quem mais precisa a oportunidade home office: quem não vive em grandes centros urbanos. Consequência que gostaria muito de evitar.

E então, querida internet, o que me aconselham? Agradeço antecipadamente pela atenção.Image Explico o porquê dedico tanto esforço em mensurar a capacidade de interpretação e expressão escrita em língua portuguesa dos candidatos nesse corte dessa entrevista: