Guilherme Tinoco Profile picture
Macroeconomia e finanças públicas. Economista pela UFMG e mestre pela FEA/USP. Torcedor do Galo.
16 Nov
O PIB esperado p/ o ano que vem já está abaixo de 1%, com casas importantes apostando em recessão, e é sempre bom lembrar que não há ajuste fiscal que dê conta de entregar uma trajetória sustentável de dívida sem que haja crescimento econômico (1/4)
Aliás, o crescimento é a variável + importante p/ a sustentabilidade fiscal, pois (i) determina parte do primário (via receitas), (ii) afeta o denominador da relação Div/PIB e (iii) ainda, ao aumentar o emprego, diminui a demanda por assistência e outros gastos sociais (2/4)
Nesse ponto, portanto, as más notícias do lado fiscal não se resumem à piora na margem das 3 variáveis + importantes p/ definir dívida (juro, primário e PIB), mas também no fato de que o PIB de médio prazo está sendo sacrificado por conta da falta de rumo em que estamos (3/4)
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16 Nov
É com muita satisfação que anuncio que estamos lançando, este mês, o livro "O destino dos estados brasileiros: liderança, responsabilidade fiscal e políticas públicas"
O livro foi organizado por mim, Fabio Giambiagi e @victorpinadias e contou com a colaboração de 23 autores, englobando, dentre eles, muitos (ex) secretários e subsecretários, além de especialistas da + alta categoria
A ideia do livro é mergulhar nas especificidades de uma amostra de 12 estados representativos (região, nível sócio-econômico, tipo de economia, partidos na gestão) para tirar lições fiscais (e não fiscais) do que fazer (e do que não fazer)
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17 Oct
Para reforçar o Bolsa Família (Auxílio Brasil), o governo precisaria atender duas regras fiscais, o teto e a LRF. Em relação ao teto, o problema é basicamente encontrar espaço fiscal; em relação à LRF, o problema é achar uma fonte de custeio
Para resolver o espaço no teto, a "solução" do governo se dá via PEC dos precatórios. No fundo é uma medida que fura o teto, mas talvez de maneira + "limpinha". Além disso, tem o problema da bola de neve e do orçamento paralelo
Já para cumprir a LRF, a solução tem sido a reforma do IR, que cria o imposto sobre L&D, este se tornando a fonte da nova despesa. Mas aqui há 2 problemas: o 1º é que a reforma como um todo causa redução de receita (inclusive contraditório com a natureza da exigência)
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13 Aug
Com a divulgação do IBC-Br, completamos os principais indicadores de atividade para junho. A atividade cresceu, puxada pelos serviços, uma vez que a indústria ficou estável. O comércio caiu, tanto no restrito como no ampliado.
Em relação ao esperado, o destaque também ficou com os Serviços, que cresceram 1,7% frente uma expectativa de +0,4%.

Indústria e comércio tinham vindo abaixo das projeções médias do mercado.
Agora uma leitura trimestral.
No 2T, destaca-se a recuperação do comércio, depois de fortes quedas no 1T, possivelmente refletindo a volta dos auxílios (e talvez a melhora na 2ª onda).
Serviços seguiram crescendo, com leve desaceleração.
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12 Jul
Querem entender um pouco mais sobre a segunda fase da reforma tributária apresentada há duas semanas?

Separei alguns artigos e entrevistas que analisam as diversas partes do projeto. Seguem aqui, mais ou menos na ordem cronológica 👇👇👇
Começando por uma entrevista com o Bernard Appy

economia.estadao.com.br/noticias/geral…
Entrevista com o @Temujin1206

Reforma do IR propõe distribuir renda com mais 'justiça', diz assessor de Guedes  - Economia - Estadão (estadao.com.br)
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15 Jun
Meus dois centavos sobre a discussão recente sobre a dívida pública (no caso, a dívida bruta sobre o PIB), que esquentou nos últimos dias (1/n)
De fato as projeções melhoraram substancialmente em muito pouco tempo. Há 3 meses, as projeções + otimistas apontavam uma dívida próxima à estabilidade no final de 2021 em relação ao final de 2020 (88,8%). Agora, já se aproximam de 82%. O que mudou desde então? (2/n)
Considerando o numerador da relação, dois fatores sobressaem: (i) melhora em torno de R$ 100 bilhões no primário e (ii) aumento na estimativa com venda de “ativos” (BNDES; alguns estão colocando reservas também) (3/n)
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4 Mar
1. Sobre a PEC 186, os principais pontos que agradaram o mercado foram, ao meu ver, que (i) não mexeram estruturalmente nas regras do teto e (ii) limitaram o gasto por fora do teto em 44 bi. Ou seja, dada a chance de um furo + descontrolado, a fatura teria ficado de bom tamanho
2. De resto, p/ a União, não sobrou muito + coisa (o que já vinha sendo precificado há uns dias, talvez até desde sempre): desvinculação do RGPS e outros benefícios, mudança no salário mínimo, mudança no abono, redução de jornada de servidores, etc. Nada disso ficou.
3. Aí chegamos ao outro ponto relevante que ficou no texto, que é o acionamento dos gatilhos a partir da regra dos 95%. O mercado gostou e, de fato, ter uma forma de acionamento do gatilho é importante. Faço duas ressalvas apenas:
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4 Mar
Para quem se interessa por Economia Regional, o @BancoCentralBR acabou de divulgar os Boxes do Boletim Regional (que sai amanhã).
O primeiro fala da atividade econômica em 2020 nas regiões brasileiras e em alguns estados. Pelo IBC Regional, as regiões Norte e Centro-Oeste ficaram no campo positivo, enquanto a Sul e Nordeste tiveram a maior queda
O segundo trata especificamente do Amazonas, olhando para indicadores de alta frequência nesse início de ano e comparando com o resto do país.

Fica claro que o aumento nos casos e mortes derrubou a atividade (compras, mobilidade, etc)
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3 Jan
O artigo do Pastore de hoje traz a discussão sobre a tendência de queda na taxa de juro no mundo, citando Blanchard, Summers e Furman. Aproveitemos o gancho para falar um pouco disso aqui embaixo.
A discussão já vem de algum tempo. O capítulo + recente foi a conferência realizada há um mês, em 01/dez, que contou com apresentação de um novo texto de Furman e Summers. Comentaram Bernanke, Blanchard e Rogoff. Link abaixo:

piie.com/events/fiscal-…
O texto parte do fenômeno observado (queda da taxa nas últimas décadas). Ainda que apresentem hipóteses para explicar o fenômeno, o foco é colocado nas consequências/implicações dessa tendência para a política monetária e fiscal.
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27 Sep 20
As eleições municipais estão chegando, mas a vida dos futuros prefeitos e vereadores não vai ser fácil. A situação fiscal dos municípios não é muito animadora e é importante que os candidatos conheçam bem as contas de seu município.
A maioria dos municípios brasileiros estava c/ contas em má situação já em 2019. Esse é o CAPAG ("nota de risco"), do STN, disponível p/ 3,8 mil dos 5,6 mil municípios existentes.

Na última edição, 60% tinham notas C e D, 22% tinham nota B e somente 18% tinham nota A.
Para municípios que tiveram nota do CAPAG no ano anterior (2,2 mil), já tinha havido uma piora entre 2018 e 2019, indicado pela queda do número de municípios com nota A e B
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7 Aug 20
Este mês o assunto fiscal esquentará, em virtude do envio do orçamento de 2021 ao Congresso. O principal desafio é o limite dado pelo teto de gasto.
O teto é de 1.485 bi, aumento de apenas 31 bi em relação ao teto de 2020. Já seria bem apertado em tempos normais (ver margem fiscal da IFI), mas o desafio é ainda maior, pois alas do governo vem indicando vontade de aumentar o gasto com assistência (renda básica) e investimento.
A tentativa de drible já ficou escancarada, como no caso do Fundeb (quando queriam utilizar parcela dos recursos, que ñ estão sujeitos ao teto, p/ pagar assistência). Usar calamidade em 2021 ou capitalizar novamente a Emgepron são outros exemplos. Consultas foram feitas ao TCU.
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4 Aug 20
Livro que já nasce como referência p/ debater o futuro das contas públicas no país. Fundamental!

Pra mim, satisfação enorme ter participado, principalmente porque o livro anterior do @FelipeSalto, c/Mansueto, foi dos que + me ajudou a aprender sobre finanças públicas no Brasil
Me refiro a este livro aqui, com textos de diversos especialistas e que também deve fazer parte das leituras obrigatórias de quem quer se aprofundar em temas fiscais no Brasil Image
Aproveito para indicar mais três livros essenciais na área, começando por este, do Fabio Giambiagi e Ana Cláudia Além, que é um clássico entre os estudantes de graduação do país Image
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15 Jun 20
1. Quais os impactos da crise na macroeconomia (inflação e no juro real) no mundo?

Essa é uma pergunta interessante que traz implicações grandes para o país, uma vez que sairemos com uma dívida/PIB bem maior e seguiremos com amplas necessidades de investimento.
2. Para tentar pensar nessas questões, voltemos um pouco.

A tendência do juro real no mundo é de queda desde os anos 80. Essa tendência se intensificou pós crise de 2008. A inflação seguiu mais controlada do que nunca nos países avançados.
3. Por conta desse contexto, Larry Summers reintroduziu a discussão sobre estagnação secular (ES) em 2013. Os debates foram intensos na época, condensados nesse excelente livro

voxeu.org/article/secula…
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21 May 20
Texto interessante do Martin Wolf, que discute o futuro da inflação no mundo no pós-crise.

No texto, ele cita argumentos de artigo recente do Blanchard, que foi bem + enfático em apostar em um cenário de baixa inflação.
Blanchard diz que para termos um cenário com alta inflação, 3 coisas precisariam acontecer simultaneamente: (i) alta muito forte da dívida (mais do que o projetado hoje, em torno de 20-30 p.p.), (ii) súbito aumento da taxa neutra e (iii) cenário de dominância fiscal.
Ao multiplicar as probabilidades atribuídas a cada uma, no entanto, ele chega a apenas 3% de probabilidade conjunta. Predominariam as forças deflacionárias: commodities p/ baixo, folga no mercado de trabalho, poupança precaucional e incertezas afetando investimento.
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19 Apr 20
1. A dívida bruta encerrou 2019 em 75,8% do PIB e deve ir p/ algo entre 85% e 90% do PIB no final de 2020. Uma aceleração grande, mas inevitável, dada a crise do vírus. O principal determinante para isso, além do próprio recuo do PIB, é um déficit primário bastante elevado
2. O valor do déficit, provavelmente acima de 550 bi (talvez até maior) se explica basicamente pela queda da arrecadação e, principalmente, pelas medidas que estão sendo adotadas para combater os efeitos da crise. Por isso, é importante que sejam muito bem desenhadas e efetivas
3. Após 2020, teremos dois problemas. Uma dívida bem + alta (em níveis inéditos) e um primário bem pior do que o projetado antes da crise, explicado por despesas + ou - iguais e uma receita que parte de um nível bem mais baixo.
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3 Apr 20
Déficit primário estimado pelo ME em 420 bi, mas com PIB de 0,02% na conta.

Com PIB de -3,0%, vc perde pelo menos + uns 40 bi, mas que pode ser muito + (elasticidade tende a ser alta: a receita cai ñ só pelo PIB mas pela mudança no comportamento das empresas). Image
Somente mudando o PIB, portanto, acho + factível um número + próximo a 500 bi

(recomendo uma nota sobre desempenho da arrecadação em 2015 feita pela equipe do Levy)

fazenda.gov.br/noticias/2015/…
Na mesma apresentação do Waldery, temos a conta desagregada dos efeitos primários das medidas contra o covid Image
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4 Mar 20
Pra quem ainda não viu, o PIB do 4T/19 cresceu 0,5% na margem, em linha com as expectativas.

Na comparação c/ o mesmo trimestre do ano anterior, alta de 1,7%, com uma boa aceleração.

No ano fechado, alta de 1,1%, abaixo de 2017 (1,3%) e 2018 (1,3%), ambos com choques fortes
No ano, pelo lado da demanda, destaca-se a alta no consumo das famílias (+1,8%) e investimento (+2,2%) e queda nas exportações (-2,5%).

Na oferta, destaques c/ agro (+1,3%) e serviços (+1,3%). Indústria cresceu 0,5%, c/ recup. da construção (+1,6%) e queda na extrativa (-1,1%)
Carry-over p/ 2020 fica em 0,8%.

Se economia crescer em 2020 a média trimestral de 2019 (0,41%), fecha o ano c/ 1,9%.

Se crescer a média dos últimos 3 trimestres (0,55%), fecha em 2,2%.
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1 Mar 20
Hoje estamos entrando em março.

Há quase 2 meses, quando participei do Painel GN, comentei s/ a desorganização e falta de prioridades na agenda econômica.

Já ñ era novidade, mas, mesmo assim, nada parece ter melhorado.
P/ piorar, a relação com o Congresso passa por um dos seus piores momentos: um enfrentamento por parte do Executivo que ñ ajuda e ñ faz sentido se vc realmente quer aprovar reformas econômicas importantes.

O país segue em alta temperatura, dificultando o diálogo e o consenso.
As perspectivas não são as melhores. A economia deu sinais de desaceleração no último bimestre de 2019, antes mesmo do coronavírus.

Estados como MG teimam em fugir do ajuste fiscal, gerando uma crise que alcança outros estados.
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28 Feb 20
Taxa de desemprego de jan/20 fica em 11,2%, pouco melhor do que a expectativa de mercado e bem abaixo de jan/19 (12,0%). Essa queda interanual de 0,8 p.p. é a maior desde o início da recuperação. Com ajuste sazonal, a taxa ficou em 11,5%, terceiro recuo seguido
Uma boa notícia é a recuperação do mercado formal na margem: mesmo com a redução sazonal na PO, houve aumento na PO com carteira no setor privado, que atingiu seu maior número desde jan/17 (33,7 MM)
Já os salários reais ficaram estáveis na comparação YoY, levando a um aumento de 2,2% na massa salarial nessa mesma base de comparação.
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17 Feb 20
Qual foi o comportamento da economia dos estados em 2019?

Hoje o BC divulgou os índices de atividade regionais (cobrem 13 estados).

Destaques positivos: AM, SP e SC

Negativos: ES, BA, MG

Vale notar que SP representa 1/3 do PIB brasileiro e cresceu 3 vezes mais Image
Na semana passada, o IBGE já tinha divulgado números regionais de indústria, comércio e serviços.

P/ a indústria, a pesquisa cobre 14 estados: 8 cresceram acima do Brasil e 6 cresceram abaixo.

PR, AM e GO se destacaram na alta, enquanto ES, MG e BA na baixa (efeito Brumadinho) Image
No varejo (restrito e ampliado), o IBGE cobre os 27 estados e o desempenho de cada um deles ficou assim ImageImage
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12 Feb 20
Anotem aí: 11 de julho, data em que a “semana que vem” do Guedes para a reforma tributária faz aniversário. Será que completa 1 ano?

(pode ter sido antes, mas não vou gastar muito tempo nessa busca) Image
Desde então, foram muitas “semanas que vem”.

Teve em agosto, em setembro, em novembro, acho que já teve esse ano e hoje tivemos mais uma promessa “em uma ou duas semanas” ImageImageImage
A moda pegou e alcançou a reforma administrativa, que parece que está suspensa no momento. Não vem mais semana que vem ImageImage
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