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Apr 2, 2020, 30 tweets

NO AR. Sete respostas para as desinformações mais compartilhadas sobre o novo coronavírus. aosfatos.org/noticias/sete-… #coronavirusfacts #Covid19 #FactCheckingDay

1. As pesquisas sobre o novo coronavírus estão no começo, mas há evidências preliminares de que sua taxa de mortalidade seja significativamente maior do que dos vírus do tipo influenza, causadores da gripe.

Um estudo da London School of Hygiene & Tropical Medicine estimou a mortalidade da nova doença em 0,5% do total de infectados (contando casos não diagnosticados). Outro, da Universidade de Bern, na Suíça, calculou esse número em 1,6%.

Já a gripe comum mata 0,1% e o H1N1 mata 0,02% dos infectados, estimam, respectivamente, o CDC, órgão de controle de doenças dos EUA e um amplo estudo de 2013. As fontes podem ser consultadas na reportagem: aosfatos.org/noticias/sete-…

Mesmo assim, posts nas redes e líderes políticos como Bolsonaro e Trump têm espalhado a desinformação de que a Covid-19 é equivalente à gripe comum ou que a atual pandemia é menos grave do que o surto de H1N1 da década passada, como sugeriu um post do pastor Silas Malafaia.

2. Apesar de pesquisas estarem em andamento, ainda não há tratamentos específicos de eficácia comprovada nem vacinas desenvolvidas contra a Covid-19. Todas as promessas de cura que têm sido compartilhadas nas redes sociais até agora são infundadas.

A cloroquina e a hidroxicloroquina (usadas para tratar malária, artrite e lúpus), que têm sido promovidas por Trump e Bolsonaro como possível cura para a Covid-19, são um dos principais focos de desinformação nas redes.

Posts nas redes afirmam que as drogas têm eficácia comprovada contra a Covid-19, o que não procede. Um número pequeno de estudos preliminares apontou efeitos positivos, e o tratamento com as drogas foi liberado para casos graves em alguns países, como os EUA e o Brasil.

Porém, não há comprovação científica e o uso desses medicamentos não é recomendado por autoridades médicas. Um estudo recente feito na China com 30 pacientes, por exemplo, sugeriu que o remédio não é mais eficiente do que outros tratamentos.

Outras promessas mencionadas nas redes – auto-hemoterapia (extrair e reinjetar um pouco do próprio sangue), gargarejo com vinagre, vitamina C e chá de erva-doce – são enganações e não curam a Covid-19 ou qualquer doença. Também não existem vacinas cubanas ou israelenses.

A OMS lançou estudo para testar se quatro combinações de drogas conhecidas podem ajudar no tratamento: a hidroxicloroquina, o remdesivir (criado para tratar o ebola); ritonavir e lopinavir (usadas para o HIV); ritonavir e lopinavir com interferon-B (usado contra hepatite C).

A entidade também lista 47 vacinas em desenvolvimento, duas das quais começaram a ser testadas em humanos. Nada, porém, nem tratamentos nem vacinas, já tem eficácia comprovada.

3. Ainda não há evidências conclusivas de que um clima mais quente ajude a deter a doença. Mesmo que seja verdade, especialistas acreditam que o efeito da temperatura não seria suficiente para conter a pandemia e insistem que o isolamento social é necessário.

É fato que, em países de clima temperado, o número de infecções por influenza, família de vírus da gripe, chega ao ápice no inverno. Isso ocorre porque o vírus se adapta melhor ao frio e à pouca umidade, mas também por que as pessoas passam mais tempo em ambientes fechados.

Não é absurdo pensar que o mesmo poderia acontecer com o o novo coronavírus, mas as evidências são escassas. Estudos preliminares de Harvard e do MIT com dados da China apontaram que a temperatura mais alta pode ter um efeito pequeno na desaceleração da transmissão do vírus.

Entretanto, as duas pesquisas apontam que essa diferença, se confirmada, seria insuficiente para conter a propagação da Covid-19 e recomendam a continuidade de políticas públicas de distanciamento social.

4. Idosos e pessoas com doenças crônicas são os grupos que correm mais risco de morte pela Covid-19, mas não os únicos afetados, de acordo com as informações disponíveis até o momento.

Um estudo da Imperial College London com dados da China estimou que cerca de 1% das pessoas de 20 a 29 anos que contraem a doença precisam ser hospitalizadas e esse número aumenta progressivamente quanto maior a faixa etária, chegando a 18% no caso daqueles com mais de 80 anos.

Embora a taxa de hospitalização da população jovem seja mais baixa, o número absoluto dessas internações pode ser significativo e contribuir para a superlotação do sistema de saúde. Nos EUA, o CDC mostrou que 20% dos casos graves da doença atingem pessoas de 20 a 44 anos.

No Brasil, uma apresentação do Ministério da Saúde mostra que uma proporção grande dos casos graves é de pessoas com menos de 60 anos. Confira no gráfico.

Nas redes sociais, peças de desinformação enganam ao dizer que países como Israel conseguiram controlar a Covid-19 isolando apenas os idosos. Na verdade, o país implementou restrições de movimento a pessoas de todas as idades.

5. Ainda não se sabe qual a origem do vírus – a hipótese mais provável é que tenha sido transmitido a humanos por animais –, mas uma análise genética feita por cientistas americanos, britânicos e australianos descartou que ele tenha sido criado em laboratório.

Uma série de teorias da conspiração que culpam a China pelo surgimento do Sars-Cov-2 tem sido compartilhada nas redes sociais desde que o vírus apareceu, no fim do ano passado, mas nenhuma provou-se verdadeira.

6. O Senado aprovou na segunda (30) um auxílio mensal de R$ 600 que será pago por três meses para trabalhadores informais e de R$1.200 para mulheres que são sozinhas responsáveis pela renda da família. O texto foi sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro na quarta-feira (1º).

Terão direito ao benefício trabalhadores informais maiores de 18 anos com renda familiar mensal per capita de até R$ 522,50 ou com renda familiar total de até R$ 3.135. Só é elegível quem recebeu rendimentos tributáveis inferiores a R$ 28.559,70 em 2018.

A verificação de renda será feita pelo Cadastro Único, banco de dados do governo federal com informações sobre famílias em situação de pobreza. Para quem não for inscrito, será possível fazer uma autodeclaração.

Os pagamentos devem ser feitos por instituições financeiras federais (como Banco do Brasil e Caixa Econômica), mas os detalhes sobre como e quando os saques acontecerão só serão conhecidos quando a lei for publicada no Diário Oficial e regulamentada por decreto.

Portanto, são falsas – e, em alguns casos, golpes – as mensagens que afirmam que o governo liberou saques para beneficiários do Bolsa Família ou que iniciou um cadastro para o recebimento do auxílio.

7. A maioria dos estados brasileiros instituiu alguma medida para tentar diminuir o contato entre as pessoas, mas não há notícia de proibição total da circulação em nenhuma cidade.

Embora o Ministério da Saúde e autoridades de todo o mundo recomendem o distanciamento social, não é verdade, por exemplo, que o governo federal instituiu uma multa para quem estiver na rua sem justificativa. Também é falso que será suspensa a aposentadoria de idosos que saírem.

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