Tomem aí um pouco de #torturaporpoesia.
Além das referências óbvias - e datadas, eu sei - quero dedicar o texto ao @muhammadpuncha e à conversa que tivemos sobre o jihad aqui nesta rede social.
Tá no link do @mediumbrasil e no #cordel abaixo.
medium.com/poesias-do-tof…
JIHAD
Por onde eu marcho,
se as portas devem ser cerradas
e os estampidos da batalha
são trocados pelo silêncio
que contempla o quanto
somos desabrigados?
Onde hei de vibrar
o brado feroz de guerra,
se minha garganta se cerra
pelo medo surdo da dor
que pode trazer os dados cruéis
jogados pelo ceifador?
Se o machado da justiça
pesa em meus braços agora,
eu preciso entender de vez
que quem preciso vencer nesta hora
é o maior de todos os meus inimigos,
o mais perigoso que há.
Ele não é o soldado do outro lado:
meu irmão de carne
e misérias e gozos da carne.
Ele não é o veneno invisível
que se espalha pelas cidades
e sussurra que morrer é tão fácil.
Ele não é o regente sem pundonor
o que mente para ganhar, e
por ódio vem nos apartar.
Meu inimigo sou eu,
e o som que meu eu faz;
na solidão deste confinamento
é dessa grande guerra santa
entre o que sou
e o que eu desejo
que terei que,
primeiro,
sobreviver à peleja.
Crédito da imagem: "Guerreiro", de Samuel Bak (1968)
wikiart.org/pt/samuel-bak
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