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May 31, 2020, 17 tweets

O Brasil falha na estratégia de isolar casos, seguir contatos com quarentena e identificação precoce de sintomas para isolamento individual, incluindo isolamento central.

Da para tentar algo mais? Existe alguma outra estratégia?

Que tal a estratégia CCC do Japão?

A estratégia de contenção japonesa teve resultado bastante razoável, menor linha do gráfico. O que foi feito? Estratégia Pensada em superdisseminação. Os 3 Cs que preocupam são:
1. Close contacts (pessoas próximas);
2. Crowds (locais lotados);
3. Closed spaces (locais fechados).

Esta estratégia não é uma alternativa ao distanciamento físico ou ao isolamento de casos e quarentena de contatos. É algo a mais, e que pode ser feito já que os itens anteriores não funcionaram bem no Brasil.
Como fazer CCC funcionar?

Primeiro conceitos básicos de superdisseminadores.
Não são pessoas com superpoderes ou supervírus, são situações de alto risco.
Por que isso importa?

Além do já conhecido R0, outra medida de disseminação viral é o coeficiente de dispersão. Com um coeficiente baixo poucas pessoas espalham muito o vírus e muitas não espalham nada. Isso forma núcleo com altíssima transmissão e locais onde não já virus.

Vários vírus no exemplo:

Como o coeficiente do SARSCOV2 é baixo, sua transmissão está propensa a clusters, que acontecem mais nas situações CCC. Um exemplo abaixo, para um mesmo R0 de 2 um surto pode explodir começando com 2 casos de k=1, mas podem ser necessários média de 10 casos de k=0.2.

Qual a importância prática disso?
Ao invés de transmitir um por um para todos os contatos, esta dispersão faz com que os surtos aconteçam de forma explosiva e espalhada. Explode em Milão mas não em Roma, em NYC, mas não em Houston, e em lugares específicos

Os lugares onde isso acontece são as combinações CCC:
Lugares fechados, com muitas pessoas muito próximas. Os 3 Cs, principalmente de forma prolongada (Cruzeiros por exemplo, explodem). Quanto menos Cs por menos tempo menor o risco.

Isso explica o surto em boates na Coréia, o Cluster em shopping center na China e o risco de academias. Mas também explica muito mais e explica os próximos riscos do Brasil:
1. Favelas: lotado, pessoas proximas, alguns ambientes fechados

Mas o risco está onde não vemos.
2. Termos problemas iguais aos de Cingapura, onde dormitórios de trabalhadores de baixa renda viraram os maiores clusters do pais.

reuters.com/article/us-hea…

Paraná já tem um desses:

bandab.com.br/cidades/empres…

3. Frigoríficos tem sido clusters no mundo inteiro:

EUA:
wired.com/story/why-meat…

Alemanha:
dw.com/en/coronavirus…

Brasil:
metropoles.com/brasil/saude-b…

4. Não acreditem que isso não acontece na agricultura. Fazendas que tem colheita manual tem trabalhadores migrantes em dormitórios.

Nos EUA uma fazenda chegou a 100% de infectados:
bloomberg.com/news/articles/…

Várias colheitas no Brasil estão em risco.

5. Ambientes fechados como escolas internas e batalhões de polícia também estão no grupo de alto risco CCC:

Já que implementar testes, isolamento individual, quarentena central, #ContactTracing e etc não foi prioridade, será que ao menos CCCs e prevenção de clusters consegue ficar acima da briga política brasileira?

Texto sobre o Japão abaixo:
japantimes.co.jp/opinion/2020/0…

Obrigado @parolin_ricardo, @generosoMD, @LucianaDrumond1, @analise_covid19, @peixoto_driele, Erique Peixoto, Gustavo Aguiar e outros pela discussão da idéia.

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