Nenhuma mulher asiática havia vencido ouro no arremesso de peso até Gong Lijiao, da China, em Tóquio.
Mas comentários feitos na TV estatal CCTV causaram revolta nas redes sociais do país.
Ela foi chamada de “mulher masculina” e questionada sobre planos para casar e ter filhos.
Uma repórter fez o comentário sobre ela ser “masculina” em matéria gravada.
Então, o clipe cortou para a entrevista com Gong, em que ela diz: “posso parecer uma mulher masculina, mas por dentro sou uma garota”.
A repórter aí perguntou se ela pretende “ter uma vida de mulher”.
A própria atleta não entendeu o que a repórter quis dizer, e ela esclareceu: “já que você costumava ser uma mulher masculina pro arremesso de peso, você sente que pode ser você mesma agora?”.
Na resposta, Gong pareceu desconcertada: “hã, talvez. Talvez eu reveja meus planos.”
“Se eu não treinar, talvez eu perca peso, me case e tenha filhos”, completou.
A repórter seguiu com essa mesma linha de perguntas, querendo saber se ela tinha namorado, que tipo de homem ela gostava e se ela brincaria de queda de braço com esse possível namorado.
Nas redes sociais, milhares de pessoas se revoltaram com o tipo de pergunta feito à atleta, com uma hashtag perguntando se o casamento é o único tema que uma mulher pode conversar sobre.
Só no Weibo, o “Twitter chinês”, a hashtag teve mais de 300 milhões de visualizações.
Segundo a BBC, um post muito popular dizia “não é que ela não queira se casar, é que nenhum homem está à altura dela (...) Mulheres não são só aparência, também têm sonhos e conquistas.”
A própria Gong Lijiao respondeu o post dizendo: “obrigada! É exatamente isso que eu sinto.”
Já falamos aqui sobre a prova de arremesso de peso feminino em Tóquio: a atleta Raven Saunders, dos EUA, fez um protesto no pódio ao receber a prata, dizendo que estava fazendo isso pelos oprimidos.
Quem enfrentou questionamentos parecidos com Gong Lijiao foi a arqueira An San, da Coreia do Sul, que virou alvo de discussão por seu cabelo "feminista" mesmo conquistando 3 medalhas de ouro:
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